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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Eleições: Análises, Reflexões e Lutas.

Imponderável. É desta forma que caracterizo o processo eleitoral em Valença em 2008. E os fenômenos que cercam essa “imponderabilidade eleitoral”, que não conseguiu animar, e menos ainda, demonstrar a importância desse momento pra o eleitor é o que será objeto deste texto.

Campanha e poder econômico

Desde o primeiro momento ficou claro que nenhuma das candidaturas vitoriosas em potencial trariam mudanças substantivas a realidade valenciana. O que as diferenciou foi o menor ou maior abuso do poder econômico no decorrer da eleição até as renúncias. Eu, apesar de jovem, não lembro de um rio de dinheiro derramado assim na cidade em eleições passadas, acredito que essa foi recordista em usar e abusar da máquina de cooptação burguesa. Foram milhões gastos em placas, panfletos, carros de som, e, principalmente, em compra de votos.

Também acredito que pela primeira vez na história mostrou-se óbvio ululante que a real disputa que acontece não são entre aquelas máscaras que estão concorrendo oficialmente, mas sim, entre os rostos e os corpos por trás da máscaras. Rostos e corpos externos que buscam tomar e ou permanecer hegemônicos na cidade explorando e expropriando as pessoas em busca de um interminável projeto de poder.

Há de se falar também nos candidatos a câmara municipal, tão pouco debatido, inclusive por nós.

Os grandes nomes, por assim dizer, usaram cada um da máquina que dispunham para conseguirem seus objetivos. Uns usaram única e exclusivamente do poder econômico na compra de votos, outros além da compra de votos usaram o seu sobrenome “famoso” que é de se achar graça ou gracioso talvez, tiveram aqueles que se prendiam nas promessas de um possível cargo comissionado e ainda os que prometiam o “imprometível” com promessas que vão além das prerrogativas inerentes a um cargo do legislativo.

É indispensável analisar as campanhas tanto para prefeito quanto para vereador foram totalmente esvaziadas de programas e propostas realmente concretas, emancipadoras e modificadoras da realidade da população valenciana.

Personalidades Eleitorais

Não querendo ser redundante, mas o sendo, o grande aspecto ou o grande protagonista nessa eleição, como na ampla maioria de cidades brasileiras, foi o abuso do poder econômico, da maquina publica e da compra de votos.

Mas, além do dinheiro e das personagens exteriores com seu projeto de poder, vou tentar abordar as personalidades mais vivas (ou espirituais, como entenderão mais a frente) destas eleições municipais.

Começo por essa personalidade espiritual. O finado ex-prefeito Fernando Pereira Graça que mais uma vez provou ser um fenômeno de votação mesmo do além, e que o ranço coronelista, clientelista, personalista e assistencialista permanece vivo. Conseguiu eleger numa tacada só um filho e um sobrinho usando de um mesmo sofisma. Prática que o manteve, alternadamente com outra força, no poder por um longo inverno que ainda perdura. Pode parecer uma ignomínia de minha parte dizer isto, mas é verdade, o coronel – fantasma ou o fantasma-coronel elegeu 20% da câmara de vereadores de Valença, coisa que outras “forças” vivas não conseguiram. Incrível!

O imponderável aliado a força cooptadora do deputado Picciani e sua vontade de ser a força hegemônica fizeram algumas "vítimas fatais", provavelmente. São as principais "vítimas" o ex-prefeito Luiz Antonio e o PT, além do atual prefeito que teve participação discretíssima durante o processo eleitoral.

O ex-prefeito, apesar do filho deputado, encerrou sua participação na política do município saindo pela porta dos fundos de forma vergonhosa e desprezível. A sua renúncia desconsiderou e desrespeitou o seu eleitorado – que por incrível que pareça ainda existia– demonstrando que o mais importante para ele e o seu grupo político é o projeto de poder para continuar explorando e expropriando a classe trabalhadora da nossa cidade, além da falta de autonomia de idéias e ações na sua vida pública.

Outra "vítima" foi o PT. Que já andava mal das pernas, desde a perda de seus mais históricos e combativos militantes como Paulo Roberto Figueira, Danilo Serafim, Chico Lima, entre outros. Desde então, o PT nunca teve potencial mobilizador, e não esteve e nem está presente nas lutas dos movimentos sociais, nas lutas que buscam a emancipação humana ou algum movimento que busque o horizonte socialista ou lutas sociais. Teve um papel obviamente ridículo e oportunista ao entrar na campanha do adversário e contradizer tudo o que haviam dito, que o adversário era lobista, grileiro de terras, etc. Apesar de ter feito um vereador, que corre o risco de expulsão do PT por não ter se bandiado para a outra campanha, acredito piamente que desta agora o PT/Valença some de vez.

Desta forma Dr. Álvaro e o prefeito eleito Vicente Guedes protagonizaram o “segundo turno” pós renúncias. Essa nova polarização fez com que os investidores externos das campanhas despejassem ainda mais dinheiro para tentar arrebanhar aqueles votos soltos depois das renúncias. Aumentando assim o volume da compra de votos e de tentativas extremas de ganhar a eleição a todo o custo. Tal foi que no dia da eleição alguns candidatos a vereador e também o Dr. Álvaro foram detidos por fazer boca de urna.

A falta de propostas e programas verdadeiros, alijando os valencianos de escolher seu candidato através do programa que rompa com a lógica neoliberal, elege a máscara nova de corpo e rosto bem conhecido, velho e corrompido.

Futuro e Lutas

A eleição de uma câmara amplamente renovada e a eleição do prefeito de máscara nova prova que além do poder econômico sobrepor o programa nas práticas eleitorais, há a ânsia das pessoas, que tem sua força de trabalho tão explorada e expropriada, por mudanças políticas concretas e substanciais que possam emancipá-las humanamente e politicamente. Essa mudanças políticas que certamente não serão apresentadas pela direita neoliberal que é hegemônica na nossa cidade e no resto do Brasil.

É fundamental que formemos uma rede revolucionária orgânica que seja capaz de combater amplamente, fazendo duramente a luta contra-hegemônica. Formada pelos movimentos sociais, partidos da verdadeira esquerda revolucionária (PCB, PSTU, PSOL), e por aqueles e aquelas que não se conformam com essa lógica neoliberal que mata, explora, expropria, empobrece e aliena a classe trabalhadora.

Por isso convoco a todos e a todas para envergar essa bandeira de lutas unificadas para que nos próximos 4 anos e também no longo prazo, lutemos, fiscalizemos, cobremos e combatamos toda essa lógica política nefasta que é visceral em nossa cidade e agora reafirmou seu poder após esta eleição do imponderável.


Danilo Neves Vieira Serafim – estudante de direito

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Veja todos os vereadores e sua votação

Para quem quiser ver como foi a votação para prefeito e a relação de votação de todos os vereadores (inclusive com um mini currículo de cada - é só clicar no nome), acesse o link abaixo, do Uol.

http://placar.eleicoes.uol.com.br/2008/1turno/rj/?cidade=59218

domingo, 5 de outubro de 2008

Veja os candidatos eleitos para a Câmara Municipal de Valença

Fernandinho Graça - PP
1985

Naldo - PMDB
1591

Dodô - PSB
1242

Celsinho do Bar - PPS
1066

Zan - PSC
982

Paulinho da Farmacia - PPS
963

Pedro Graça - PTB
962

Zé Otávio - DEM
917

Carlinhos de Osorio - PSB
856

Felipe Farias - PT
625

Nulos - 1510
Brancos - 1330
Abstenções - 8912

Vicente Guedes é o novo prefeito de Valença

Vicente Guedes foi eleito com 50% dos votos (21.672). Em segundo lugar ficou o candidato Álvaro Cabral, com 45% (19.587). Em terceiro, ficou a candidata Vivili, com 3% dos votos (1.714)., seguida do candidato Afonso Diniz, com 301 votos (menos de 1%).

Votos brancos (1.082), nulos (2.832) e abstenções (8.912) representaram 23%.

Votação para vereadores

Com 88% das urnas apuradas

Fernandinho Graça - PP
1927
Naldo - PMDB
1580
Dodô - PSB
1214
Celsinho do Bar - PPS
1053
Zan - PSC
936
Carlos Gomes - PP
928
Paulinho da Farmacia - PPS
923
Zé Otávio - DEM
899
Carlinhos de Osorio - PSB
833
Pedro Graça - PTB
826
Romulo Milagres - PPS
812
Waltinho Pmv - PT do B
774
Walnir - PSB
762
Lourencinho Capobianco - PPS
762
Genaro Rocha - PC do B
757
Stela - PPS
666
Paulo Cesar - PRB
644
Marinho - PPS
639
Hélio Suzano - PTB
632
Felipe Farias - PT
609

Votos nulos: 1.381 (3%)
Votos brancos: 1.196 (2%)
Abstenções: 7.743 (15%)
Fonte: TRE

88% de urnas apuradas

VICENTE GUEDES: 18.468
ÁLVARO CABRAL: 18.006
VIVILI: 1.540
AFONSO DINIZ: 284

Apuração pela internet

Pra quem quiser escutar a apuração pela internet, a rádio Cultura de Valença possibilita isso. É a primeira rádio de Valença na internet. Abaixo o link:

http://www.radioculturadovale.com.br/page/radioonline.asp

29% das urnas apuradas

ÁLVARO CABRAL - 5987 VOTOS

VICENTE GUEDES - 5861 VOTOS

VIVILI - 523 VOTOS

21% DAS URNAS APURADAS

ÁLVARO CABRAL - 4194 VOTOS

VICENTE GUEDES - 4110 VOTOS

VIVILI - 362 VOTOS

AFONSO DINIZ - 70 VOTOS

TADEU - 1 VOTO

Urnas em 10%

Foram apurados até o momento (17:50) 4523 votos, totalizando 10% do total.

VICENTE GUEDES - 2008 VOTOS

ÁLVARO CABRAL - 1975 VOTOS

VIVILI - 164 VOTOS

AFONSO DINIZ - 32 VOTOS

TADEU - 1 VOTO

NULOS - 201 VOTOS

BRANCO - 142 VOTOS

Urnas em 4%

Votos válidos (atualizados às 17:36h)

Vicente Guedes - 49%

Álvaro Cabral - 47%

Vivili - 4%

Afonso Diniz - 1%

Será que ainda vem mais por aí?

Na eleição do imponderável nada mais é surpreendente.

Eu saía de casa a caminho do meu local de votação exercer meu pseudo-direito nessa pseudo-democracia, quando me deparo com uma viatura da polícia federal (um belo carro por sinal!) se aproximando. Resolvi esperar pra ver no que iria dar.

Os agentes então descem da viatura e vão abordar um homem de branco que estava no meio da multidão que gritava desvairada é "Deeeeeeeeeeeeeez!!!", como sou míope no primeiro momento pensei que aquele homem fosse um medico prestando auxílio a algum "militante"(???) que se sentia mal. Minha míopia não me enganou tanto, pois sim, aquele era um médico, mas era "o" médico do momento, o prefeitável Dr. Alvaro Cabral.

Nesse momento o Dr. Alvaro é informado que por ordem judicial do juiz Dr. Cláudio Gonçalves seria detido e deveria acompanha-los até a 91ª DP onde seria advertido e logo depois seria solto.

Logo depois do ocorrido, fui confirmar o que eu acabava de presenciar com o comandante da PM. E ele confirmou o que descrevi à cima e que no mais tudo estava correndo na mais perfeita ordem nas eleições de Valença.

Depois das renúncias, das denúncias, dos boatos, das detenções do prefeitável Alvaro e de 3 de seus vereadores, resta saber o que mais vem por aí. Será que a eleição do imponderável nos reserva mais alguma surpresa?

Apuração das eleições em Valença

O blog vai acompanhar as apurações das eleições em Valença. Mais um meio de acompanhar.

sábado, 4 de outubro de 2008

O voto Triste

“Portanto, eu voto nulo porque eu não gosto de fingir para mim mesmo que tenho algo que não tenho”. Essa aqui é uma frase que eu considero perfeita. Faltando 1 dia para as eleições municipais, o sentimento de tristeza está estampado na minha cara.

Tristeza porque, mais uma vez, não há diferença na pratica política dos dois candidatos concorrentes. E numa guerra, como os cabos eleitorais gostam de falar, não há espaço para ficar falando como a política deveria ser.

Nós não temos educação de qualidade, saúde, infra-estrutura. No entanto, temos “prefeito da saúde”, “do emprego”, “de Valença com cara nova”. Todas as denominações possíveis, mas a situação de nossa cidade não melhora.

Como prezamos aqui o debate com os nossos leitores,e não com instrumentos dos políticos, queremos discutir a noção de “coisa pública”, fundamental numa República e numa Democracia.
A “coisa pública” sempre tem que ser objeto primordial da política. Por exemplo, todos concordam que a Educação e a Saúde são deveres do Estado (Valença). Todos os políticos, com certeza, os valencianos, ao deixar o cargo público, se vangloriam de deixar o posto numa situação melhor do que quando chegou ao governo. Contudo, não preciso ser partidário para falar as péssimas condições de realização desses direitos aqui em nossa cidade. Como cidadão, eu posso perguntar aos candidatos os seus projetos para as áreas. O que me causa surpresa é identificar a ausência de plano de governo. Eles se comprometem a melhorar tudo, mas não sabem explicar como fazer isso.

Políticos, parece que tudo gira ao redor desses indivíduos. Pode até mesmo parecer que nós odiamos à política. Nada mais equivocado, o que estamos criticando é a maneira pela qual fazemos política em Valença. Nosso objetivo é fornecer os argumentos necessários para que a população valenciana, a maioria que não foi “comprada” pelos políticos, possa refletir sobre os rumos da nossa cidade.

Como venho afirmando que a Democracia, em sua roupa representativa, está perdendo, de goleada, para a corrupção e pelo abuso de poder econômico. Tipo, o político valenciano pode muito bem defender que, no seu governo, a saúde e a educação estarão no topo das prioridades e, ao mesmo tempo, matricular seus filhos numa escola privada e garantir um plano de saúde privado para os mesmos. Partindo do pressuposto que os políticos, muitos deles são cristãos, aceitam que a “família” é uma coisa importante, muito diferente, na opinião deles, da política, qual seria o significado de não querer colocar um ente querido numa escola pública ou num hospital público?

Minha interpretação sobre isso mostra que, na verdade, os políticos valencianos possuem a mentalidade patrimonialista. O Estado Patrimonialista é ocupado pelos governantes que estão preocupados com o seu próprio interesse, ou então, do interesse do seu grupo político. Eles garantem para os seus entes políticos tudo aquilo que o dinheiro pode fornecer em contrapartida da imensa população valenciana que é enganada com a política do possível.

É muito comum ouvir daqueles políticos mais “experientes” a expressão: “Sempre foi assim, o povo gosta de pão e circo”. Quando aceitamos a expressão, também caímos na falácia desses políticos, justamente porque são esses políticos que “formam” o seu eleitorado. Sabendo que não possuem mais nenhuma credibilidade junto com a população, o único meio desses políticos de se manterem no poder consiste na compra de votos e na obtenção de “migalhas” dos direitos de cada cidadão escritos na nossa Constituição. É nesse ponto que nos reencontramos com os nossos velhos amigos CABOS ELEITORAIS, sim, eles de novo.

A utilização dos cabos eleitorais é a única forma que os políticos de nossa cidade encontraram para manter o status quo de sua dominação. Conceituando o termo: cabos eleitorais são os indivíduos que venderam o seu tempo de ociosidade para defender o candidato que paga mais, incapazes de perceber que nem todos os moradores da nossa cidade precisam “vender” a sua indignação perante o modo como a política é feita em nossa cidade, nos atacam falando que vão “sair” do nosso blog assim que a eleição acabar. Não sabem que, afirmando isso, só nos demonstra o pequeno grau de interesse deles com a discussão sobre os problemas de nossa cidade. Eles vão sair não porque achem que o nosso blog não tem nenhuma discussão relevante ou porque achem que nós somos por demais convencidos. Eles vão sair porque o que os movem é o dinheiro, quando acabar a farra do dinheiro, coincidentemente, amanhã! O interesse deles pela política vai diminuir na mesma proporção do dinheiro ganho. Eles vão ser “desmobilizados” pelos grupos políticos.

Tristeza é ver como a nossa cidade não encontra forças para sair desse estado de letargia. Como ela sofre com os parasitas políticos. E, o pior, como tem gente que é conivente com isso....
Bom voto triste para Todos

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Picciani x Graciosa

Matéria e nota extraídos do jornal O Extra, de 03/10/2008.

VIRADA DE MESA - por Berenice Seara

Quando percebeu que ia perder as eleições em Valença, no Médio Paraíba, o PMDB sacudiu o pano e trocou o jogo para tentar a virada. Retirou a candidatura de Luiz Antônio (pai do deputado André Corrêa e apoiado pelo presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani), que estava em segundo lugar. E, em seguida, passou a apoiar o terceiro colocado, Álvaro Cabral (PRB). Além do apoio, o PMDB transferiu para o moço toda a sua estrutura - inclusive a financeira. Com a turbinada, Cabral, um médico respeitado na cidade, encostou no primeiro colocado, Vicente Guedes, do PSC.


MUITO ALÉM DAS URNAS

A eleição em Valença tem rendido novos capítulos na guerra entre Alerj e o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Primeiro, o TCE aprovou a privatização dos serviços de água e esgoto da cidade - mesmo com o esforço contrário, ainda que nos bastidores, do ex-presidente José Graciosa, que apóia Guedes. Ponto para Picciani. Na semana passada, porém, o edital de licitação para a operação da TV Alerj, um orçamento de quase R$ 7 milhões, empacou. Graciosa pediu vistas do processo - e deu o troco.

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Na página 5 da seção "Geral", há ainda a notícia sobre a investigação do Ministério Público no TCE, denúncia feita primeira pela revista Veja. Segue abaixo a reprodução da nota.

INVESTIGAÇÃO DO MP NO TCE

O Ministério Público está investigando cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. O inquérito, instaurado no dia 15 de agosto, apura denúncias de que cinco conselheiros, entre eles José Gomes Graciosa, então presidente do tribunal, e dois funcionários teriam recebido R$ 130 mil para aprovarem as contas de Carapebus, em 2004. O caso está na 4ª Promotoria de Tutela Coletiva.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Por que o voto nulo é útil

O voto nulo atualmente não é considerado mais voto válido. Isso pode nos levar a crer que ele é inútil, uma vez que ele não serve para um possível impedimento das eleições. Mas será que ele é realmente inútil? Ou seja, será que ele não pode representar nada?
No meu ponto de vista o voto nulo ainda pode representar alguma coisa. Primeiro, porque não é possível negar se posicionar (isto é, se anular) sem estar necessariamente se posicionando. Segundo, porque - no caso de uma eleição - anular o seu direito de escolha pode representar exatamente que não há escolha alguma para se fazer.
Por que no parágrafo anterior eu disse que "pode representar" e não necessariamente representa a idéia de que não há escolha a se fazer? Porque quando se anula um voto você pode ter muitas coisas "na cabeça" e não necessariamente a idéia de que você não tem nenhuma escolha. Portanto, o seu voto nulo pode ser útil (ou seja, representar algo) se você votar consciente de que este ato busca demonstrar que não há escolha a se fazer.
Por que creio que este é o caso de Valença nestas eleições? A partir do momento em que você (eu, no caso) não encontra ninguém que seja o melhor de todos os candidatos que estão aí, mas apenas candidatos que podem ser menos piores do que os outros, o que sobra é a carência de se sentir representado. Tendo em vista que o voto tem o intuito de escolher alguém que lhe represente, então quando você não se sente representado por ninguém você necessariamente não tem escolha.
Portanto, eu voto nulo porque eu não gosto de fingir para mim mesmo que tenho algo que não tenho.

Leitura da Carta de Renúncia de Luiz Antônio: uma interpretação

O objetivo desta postagem é mostrar como um acontecimento político é transfigurado pelos grupos políticos de nossa cidade com o único objetivo de ganhar, cada vez mais, capital político. É sempre difícil propor um debate sobre a maneira que a política é feita em nossa cidade. É como mexer num vespeiro. No entanto é interessante observar como a propaganda dos candidatos é o oposto da agressividade anônima. Recebi em minha casa uma explicação do porquê Luiz Antônio ter abandonado às eleições de 2008. Vou utilizar dela para demonstrar a construção da auto-imagem que os políticos fazem deles próprios.

Para começar temos que concordar que o texto é lindo, bem educado, fazendo referência à família, é uma carta cristã, o nome de Deus é escrito três vezes. O leitor desavisado acaba de ler o texto e fica com a impressão: “Ele é o Messias”. Quem fez o texto deve ter pensado: vou pegar tudo o que o brasileiro respeita, respectivamente, Deus e Família, e juntar isso com a imagem de Luiz Antônio.

A escrita do texto é direta: “Abri mão da minha candidatura por Amor a Valença”. O texto segue querendo comprovar a tese de que o ato de renúncia de Luiz Antônio foi movido pelo sentimento de desapego dele, pelo amor, por ter um objetivo maior na sua vida. Percebo que não há menção sobre o fato de seu financiador de campanha ter “pedido” sua renúncia e o apóio ao Candidato adversário como forma de reverter uma possível vitória da coligação “Valença de Cara Nova”. Isso é esquecido para mostrar o alto grau de seriedade que move o “Prefeito do Emprego”.

No segundo parágrafo tem uma afirmação que deveria entrar na galeria das grandes inverdades da história valenciana. Lá vai: “Não sou nem rico nem sou pobre”. Como assim? Ele fala que tem uma “vida estabilizada”. Ao ler me perguntei qual seria o interesse de um candidato em falar que não é rico, ainda mais ele que vem de uma família que sempre disputou os cargos públicos. Fui consultar então o site do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro e estava lá a declaração de bens do candidato. O total do seu patrimônio é de R$ 488.340,73 (Quatrocentos e oitenta e oito mil, trezentos e quarenta reais e setenta e três centavos). Em minha opinião ele é “muito” bem estabilizado... Ainda mais se pesarmos na quantidade de miseráveis em nosso país e na nossa, sempre presente, desigualdade de renda.

Os dois parágrafos já nos bastam para o nosso objetivo do texto. Aceitamos o fato que cada candidatura tem o direito de escrever o que bem entender. Contudo, ainda existe o chamado bom senso, ou ainda, a investigação. O grau de amadorismo desta carta é tão alto que nos passa a impressão: “não precisamos de muito para enganar a população”. No entanto, como defendemos aqui no blog, queremos mudança na forma de fazer política. Para isso, torna-se necessário investigar a maneira como nossos políticos atuais omitem acontecimentos e interpretam, equivocadamente, outros com o objetivo do ganho pessoal.

Defendo aqui a interpretação da renúncia do Luiz Antônio que considero mais satisfatória: a sua desistência não foi decidida por amor à Valença. Ela foi decidida pelo seu financiador da campanha. Foi decidida no espaço privado e não consultando o seu eleitorado. Poderíamos até mesmo falar que o povo, nós, estamos assistindo “bestializados” as reviravoltas da política em nossa cidade. Como uma pessoa, com 30 anos de participação na política, divulga um documento que tem esse tipo de explicação para um acontecimento de tal gravidade em nossa política. E como se acreditássemos que George Bush realmente invadiu o Iraque para levar a democracia e a Civilização para aquela região.

Amigos leitores, os articuladores políticos da candidatura do finado 15 devem pensar que, em nossa cidade, não existe consciência crítica. Se eles tivessem respeito pelos eleitores, nunca dariam tal explicação, que, no fundo, só favorece a construção de uma imagem que não existe. É mais um sinal que a democracia está sendo decidida no espaço privado, nas conversas de gabinete.

Chegará o dia em que os políticos terão mais respeito pelos seus eleitores. Até lá ficaremos a mercê desse tipo de propaganda “às avessas”. Como diria o Barão de Itararé: "Certos políticos brasileiros confundem a vida pública com a privada"

O que eu entendo

O que eu, como integrante do grupo há 2 anos e meio, entendo sobre o movimento Valença em Questão, em poucas palavras, é que além de buscar e estimular a discussão em nossa cidade por um projeto de gestão pública mais eficiente e justo, é que ele sempre esteve preocupado com as minorias, sempre apoiou os que sofrem algum tipo de opressão da ordem vigente, os que não tem espaço na grande mídia para expor sua luta e seu ponto de vista. O movimento, através do jornal Valença em Questão, nunca se recusou a deixar claro que esteve ao lado do MST, dos moradores da ocupação Gisele Lima na Varginha ou do SEPE nas lutas destes movimentos por conquistas de seus direitos.

Quando vejo aqui no blog, pessoas pedindo para declararmos abertamente nosso apoio a determinado candidato, vejo o quanto essas pessoas desconhecem nosso objetivo e o que temos feito (muito pouco perto do que gostaríamos, mas enfim, isso é outra discussão) nesses três anos de movimento e jornal Valença em Questão.

Não temos um só candidato que apoiamos, por sermos um grupo heterogêneo, como já foi dito, com muitas afinidades ideológicas, porém com independência para exercer sua cidadania através do voto de forma livre. Confesso que eu, e acho que a maioria dos integrantes do movimento, adoraria ter um candidato ao qual defender e levantar a bandeira, como a maioria dos comentaristas deste blog. Mas não é o caso, nenhum dos candidatos nos suscita tanta emoção. Por isso não apoiamos abertamente nenhum dele. E esperamos, sinceramente, que nas próximas eleições exista algum ao qual a gente possa apoiar de peito aberto, e não por conta de interesses pessoais, ou dinheiro, mas porque acreditamos no caráter e proposta política do mesmo.

Fazemos questão de nos mantermos uma mídia e um movimento independente para podermos nos expressar sem qualquer rabo preso. É comum ouvirmos as pessoas perguntarem, “esse jornal é de quem?”, tão acostumados que estão de verem a mídia em Valença a serviço de interesses políticos de um ou de outro manda-chuva. Fico orgulhosa de poder dizer que esse jornal é de NINGUÉM é de TODOS, queremos que, cada vez mais, as pessoas se apropriem dele, colaborem com textos, sugestões de pauta, críticas. Nós, inclusive, precisamos contribuir com uma quantia mensal para que o jornal seja impresso, circule e seja distribuído pela cidade gratuitamente. Fazemos isso porque prezamos acima de tudo por essa liberdade.

Por isso, estaremos sempre dando espaço, seja no blog, seja no jornal a todos que tenham alguma informação ou assunto relevante para os leitores, como foi a carta do SEPE, que por coincidência o primeiro a assinar foi o Vicente, mas se tivesse sido o Álvaro, ou o Afonso ou a Vivili, estaria postado da mesma forma. Assim como daremos espaço a direito de respostas a quem se achar lesado com alguma publicação, como já fizemos com a ex-secretária de cultura de Valença Danielle Dantas, por exemplo. Temos a maior preocupação em ser um espaço o mais democrático possível.

Não estamos aqui para malhar ninguém, nem louvar ninguém. Estamos aqui para apoiar ações, lutas e reivindicações que entendemos ser legítimas para a sociedade e para denunciar e criticar atos que prejudiquem ou venham contra o interesse da população valenciana. Temos nossas limitações, reconhecemos que o que fazemos ainda não é o suficiente, mas ainda achamos que é preciso fazer, do jeito que dá, sem querer ser perfeito, ao invés de ficar de braços cruzados reclamando.

Enquete, e não 'pesquisa' (mais uma vez...)

Foi divulgado, pelo menos uma vez, pelo deputado André Corrêa*, a enquete realizada em nosso blog, como “uma pesquisa importante”. Ou ele não leu as postagens que fazem referência à nossa enquete, ou está agindo de má fé. Como teve acesso à pesquisa, a segunda opção é mais provável. Mas não podemos garantir.

Então, caro André, antes de falar novamente sobre esta “pesquisa importante”, preocupe-se em saber se ela tem alguma regulamentação. Como já dito, é uma simples enquete de opinião, utilizada em nosso blog para motivar o debate em relação às próximas eleições municipais, sem qualquer fundamento de pesquisa se opinião.

Desde sempre fizemos questão de dizer por aqui que seus números não podem ser considerados como oficiais porque ela se restringe os votantes quem têm acesso à internet e não tem qualquer metodologia de pesquisa. Esta enquete nunca se propôs a ser uma “importante pesquisa” sobre as eleições municipais. Nos causa espanto o uso indevido e eleitoreiro de tal enquete, na tentativa absurda e inaceitável de ludibriar a população. Lamentável.

André e demais, para lerem as postagens anteriores, acessem:

Sobre comentários e a “pesquisa”

Mais ‘pesquisa’

* Não ficamos sabendo de outras pessoas ou candidatos que tenham utilizado ou considerado a enquete do blog como uma pesquisa oficial. Caso tenha acontecido, o recado é o mesmo.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

SEPE-RJ-RJ: esclarecimentos à sociedade valenciana

Recebemos hoje, 30 de setembro, um pedido do coordenador do Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro, Danilo Serafim. Ele pede que o texto abaixo seja reproduzido no blog, para esclarecer os leitores sobre alguns comentários anônimos que citaram o SEPE-RJ.

Camaradas,

Não tenho hábito de entrar no blog. Ou por falta de tempo ou mesmo por falta de manejo. Fiquei estarrecido com alguns comentários, em particular aqueles anônimos que fazem ataques ao SEPE-RJ, do tipo “carta feita pelas coxas”, “o SEPE-RJ não se importa com a formação continuada dos professores, com a cultura, etc.”.

Ao longo destes vinte anos, aprendi na luta de massas que o melhor debate, o melhor confronto, é aquele que se faz abertamente, sem estar escondido no anonimato. Assim temos enfrentado todas as polêmicas que surgem de forma aberta sem ter medo de perder ou ganhar. Mas isso não é o principal.

Fico perplexo aos ataques desferidos (anonimamente) aos debatedores que se identificam, inclusive de cunho torpe e pessoal. O SEPE-RJ-RJ possui trinta anos de existência. Nasceu combatendo a ditadura militar. Enfrentou diversos governos e fez greve contra todos eles, Brizola, Saturnino, Moreira Franco, Brizola de novo, Marcelo Alencar, Cesar Maia, Garotinho, Rosinha, Bené, Sérgio Cabral. Aqui em Valença enfrentamos os governos e denunciamos Fernando Graça, Álvaro Cabral (que aliás colocou no primeiro dia de mandato o funcionalismo municipal para receber em praça pública, perseguiu professores - como o caso do Colégio Pedro Paulo em Juparanã - e terminou o governo com os funcionários sem receber salário por três meses e mais o décimo terceiro).

O problema é a memória curta do pessoal! Fizemos duas greves contra o governo de Luiz Antônio, pois este prometeu dobrar os salários dos professores e tantas outras coisas que nada cumpriu. No governo Fábio fizemos um plebiscito na qual a maioria dos profissionais de educação deram nota zero pra ele. E somente aí conseguimos avançar e aprovar o plano de carreira, reajuste salarial, eleição de diretores - que acabou suspensa pelo juiz através de um mandado de segurança impetrado por Munir Assis, sei lá a serviço de quem! Aliás, a serviço do Cento e Vinte que é cabo eleitoral e candidato a vereador do Luiz Antonio.

Nunca ninguém do SEPE-RJ se dignou a arrumar boquinha em governos municipais, quer seja do Fernando, Alvaro, Fábio ou Luis Antonio. É essa exatamente a diferença do SEPE-RJ para os outros e também para anônimos que tem medo de colocar a bunda na janela.
Por fim, a carta aos candidatos é uma prerrogativa da direção do SEPE-RJ/Valença, que foi eleita com os votos de 71% dos professores e funcionários das redes municipal e estadual num processo onde concorreram duas chapas.

A defesa da educação de qualidade para nós passa fundamentalmente em primeiro lugar pela valorização dos educadores, isso significa bons salários e boas condições de trabalho - e obviamente a formação continuada. Mas não é só isso! Defendemos uma escola pública de qualidade para os de baixo. Isso significa que a população pobre e marginalizada de Valença tem o direito a ter acesso a uma escola de tempo integral com todos os insumos necessários: professor, aula de reforço, sala de leitura, cultura, teatro, animação cultural, educação física, laboratório de informática, aula de língua estrangeira, alimentação de qualidade, café da manhã, almoço, lanche, jantar, médico pediatra e dentista.

Estamos no século XXI, e queremos para o povo pobre uma escola do século XXI! Quem será contra essas propostas?

Um abraço,
Danilo Serafim
Coordenador geral do SEPE-RJ