Valença- Um é pouco, dois é bom, três é demais. O prefeito Vicente Guedes, de Valença, situada a 150 kms ao sul do Rio, conseguiu driblar a lógica da lei eleitoral,voltando ao cargo, para ocupar um terceiro mandato, graças a liminar obtida no Supremo. Magalhães foi salvo pelo gongo, pois a decisão do ministro Gilmar Mendes foi tomada horas antes de uma eleicão em que cinco candidatos disputavam o lugar vazio do prefeito.
Antes de vencer as eleições de 2008, em Valença, Vicente Gudes,56, foi duas vezes consecutivas prefeito de Rio das Flores, que dista 17kms e tem 8 mil habitantes. Ao mudar para Valença, no fim do segundo mandato, ele se tornou o que o Superior Tribunal Eleitoral chama de prefeito itinerante, que vai para outra cidade, com o objetivo de driblar a lei de reeleição.
A prática está proibida por lei, mas Vicente Guedes conseguiu escapar porque foi eleito e diplomado antes do TSE tomar a decisão . O grande problema é que as diferentes intepretações da justiça trouxeram um impacto negativo na cidade.
Nas eleições, o juiz local aprovou a transferência do prefeito e considerou sua eleição legal. O mesmo aconteceu com o TRE. Em junho de 2010, o ministro Felix Fisher, do TSE, destituiu Guedes do cargo.
De lá para cá a cidade já viveu duas tentativas frustradas de eleição para prefeito. A primeira foi em outubro de 2010, a segundo em fevereiro de 2011. Os candidatos foram lançados fizeram progaganda, gastando para cada pleito cerca de R$1,5 milhão, e na ,véspera ,as eleições foram suspensas. A própria justiça eleitoral perdeu dinheiro pois teve de investir R$11 mil para preparar a última eleição abortada.
O maior impacto foi na administração. De 2009 até hoje, a cidade teve três prefeitos. Cada presidente da Câmara que assumiu destituiu o secretariado e contratou novos cargos de confiança. O orçamento de Valença está em torno de R$90 milhões.
Vicente Guedes atribui sua vitória em Valença à administração na cidade vizinha. Segundo ele, 34% dos eleitores não o conheciam mas diziam que iriam votar no prefeito de Rio das Flores:
- “Havia um desgaste na política local e qualquer prefeito vizinho venceria as eleições em Valença-afirma ele. Criei um polo textil na pequena Rio das Flores e isso me capacitou”
O mais forte rival de Guedes é o medico Álvaro Cabral, PRB. Ele perdeu as eleições de 2008 por quase dois mil votos num universo de 50 mil eleitores. Era o candidato favorito em outubro de 2010 e em fevereiro.
- “O que fizeram com a cidade foi muito ruim. No sábado, a população protestou e vou continuar lutando para vencer na decisão final do Supremo”.
Cabral dá aulas de artes marciais para crianças carentes e faz questão de ser fotografado mostrando o número quatro com os dedos:
- Tentei quatro vêzes e tentarei mais para mudar a atual situação de Valença.
Álvaro Cabral é o maior contendor do prefeito.(foto FG)
Num dia ensolarado , Valença no meio da semana parece ter esquecido as manifestações do sábado anterior às eleições. Depois de se preparar duas vezes para escolher um novo prefeito e protestar diante das oscilações da justiça eleitoral, a cidade parece cansada de política e de eleições que não se consumam.
O prefeito Vicente Guedes afirma que fará um mandato tampão, pois compreende, que, a partir de agora, não pode se recandidatar. Sua alternativa seria indicar a vice chamada Dilma Dantas, uma educadora do seu partido, o PSC. Ele pode até recorrer à formula “depois do cara, vote na coroa”. Seria uma repetição, mas sem nenhuma consequência legal.








A possibilidade de ter que entregar a prefeitura a um colega de Câmara não assusta o atual prefeito. Ele diz, porém, que o que o TSE tem feito com Valença é um absurdo já que, segundo ele, o município está um caos. - Assumi a prefeitura interinamente e, por conta de todos saberem disso, os fornecedores se negam a prestar os serviços à prefeitura por medo de o prefeito seguinte não honrar as dívidas feitas por mim e por Guedes. As pessoas temem fazer planejamento por conta de acharem que tudo pode acontecer na cidade. É um período de instabilidade, e somente quem perde é o município. Esta situação já deveria ter sido resolvida - afirmou.