Ao apresentarmos o Valença em Questão como um movimento, ou um instrumento de mídia livre, alternativa e independente que busca fazer contra informação à mídia burguesa, queremos dizer que nos posicionamos, radical e incondicionalmente, ao lado da classe trabalhadora e oprimida na luta de classes. Por opção ideológica não nos colocamos como conciliadores de classe e nem buscamos atingir a tão proclamada credibilidade com setores que nada representam e contribuem para setores e movimentos populares, pelo contrário, representam o que há de mais espoliador nas relações sociais. Reivindicamos, sim, o reconhecimento e credibilidade junto aos movimentos sociais, populares e com aqueles que têm comprometimento com as demandas desses movimentos.
Por dispensarmos os créditos vindos do setor conservador, elitista e explorador, além de nossas prioridades sempre serem as voltadas para as demandas populares, estamos sofrendo duro processo de criminalização, assim como o que atinge os movimentos sociais por todo o país.
A estratégia construída pelos setores conservadores aponta a inviabilização dos movimentos sociais e seus aliados pela via da criminalização, ou seja, usa-se da repressão e opressão judicial para atingir e dissolver os meios e instrumentos de intervenção. Vivemos nos últimos meses a ofensiva antimovimentos materializada na forma de processos contra os componentes do coletivo Valença em Questão. Primeiro quando, ao publicarmos a edição especial sobre as eleições municipais, fomos processados - através do editor do jornal, Vitor Monteiro - porque nossos colaboradores se posicionaram de forma não cooptada, se colocando contra as formas espúrias de financiamento, de política rasteira e compra de votos. Na verdade essa ação mostrou ser mais um ardil daqueles que se acomodam às práticas do coronelismo que sempre foram, são e continuarão sendo as de imposição e perseguição política aos grupos ideologicamente independentes.
Desde então o VQ se reafirmou para estes setores como contestador das formas e estruturas políticas dadas ao longo da história, e mais especificamente naquele momento. Seguindo essa lógica da tentativa de inviabilização dos instrumentos de intervenção e dissolução do movimento, o VQ volta a ser processado, agora pelo vereador Felipe Farias (PT), integrante do partido que um dia já esteve ao lado dos movimentos e hoje faz parte da estratégia capitalista de criminalização. Os processos – civil e criminal - são contra dois dos militantes do VQ, Ana Maria Reis e Danilo Vieira Serafim.
Por romper com as limitações factuais da mídia burguesa, o VQ entra em seu terceiro processo não porque injuriou e, menos ainda, criticou de maneira infundada um “agente político”, mas por se recusar a reproduzir os discursos despolitizados e alienadores daqueles que impõem à população em geral que o papel da mídia é “limitar-se a demonstrar o que realmente é dito”, como alega o injuriado vereador nos dois processos que tramitam no judiciário desde o início do mês de março.
Felipe Farias preferiu a via judicial sem ao menos se dispor ao debate travado no blogue, ignorando o espaço oferecido peloVQ para que desenvolvesse seus posicionamentos já que desacorda dos autores do texto. Considerar que as críticas encontradas no artigo “O Concidade e a máscaragovernista” como “acusações descabidas/infundadas”, causando ao inexperiente vereador não mais que “constrangimento e desconforto”, não foi surpresa para o grupo, dada sua fragilidade político-ideológica. Surpreendente foi encontrar nos autos do processo civil a alegação do mesmo que afirma ter feito “contato para as necessárias alterações” do texto “sem lograr êxito” com sabe-se lá quem do grupo – com os autores, com os demais componentes ou com o blogue é que não foi. Ao contrário, o VQ procurou o vereador para que pudesse se manifestar. No dia 17 de fevereiro, portanto antes dos processos existirem, o VQ entrou em contato com o vereador, via email, oferecendo espaço para que pudessese manifestar: “Caro Felipe, (...) Caso tenha interesse em publicar um texto seu rebatendo as críticas e/ou explicando o seu papel nesse imbróglio da concessão da água em nossa cidade, esteja à vontade. É só nos enviar o texto que o publicamos”.

Para nós do Valença em Questão, essa falsa alegação além de caracterizar a inexperiência do vereador e advogado em causa própria, vem publicizar sua inclinação à autosabotagem política: alegar que procurou o grupo e não foi atendido, sem provas e sabendo que, ao contrário, nós temos como comprovar que o espaço fora a ele cedido, caracteriza-se não idiotia, mas má-fé e mau caratismo. Não satisfeito em mentir, em fugir do debate, FelipeFarias parece querer permutar sua reputação pela aplicação ao VQ “de R$ 18.600 (dezoito mil e seiscentos reais) para efeitosde dano moral”! No que depender de nós, entretanto, o vereador continuará como afirma estar: psicologicamente abalado.

Por fim, sem temer os cães de guarda dos poderes locais instituídos e sem cair na esparrela promovida pela perseguição moral travada por cabos eleitorais e bajuladores de plantão coniventes com práticas que só interessam aos ricos direitosos da política valenciana, mais uma vez reiteramos que estamos ideologicamente posicionados de forma crítica contra as posturas que desagravam e oprimem a população pobre e trabalhadora em favor dos interesses da minoria rica. Sem recuo ou retratação, com a cara à tapa, sem covardia, o VQ assina esse texto, como sempre fizemos em todasas nossas ações. Continuaremos na luta, mantendo nossa posição ideológica, sem pedir permissão para sermos livres.
Valença em Questão