quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder*.


* Artigo publicado no Jornal Local de 20/5/10


Esta é uma semana decisiva pra Valença. Provavelmente quando a edição do Local chegar às bancas, a gente já vai saber se o prefeito foi cassado, se ficou no cargo, se pediu para sair ou ainda se o vereador-pistoleiro continua na tranca. Casos emblemáticos daquilo que se tornou a nossa outrora Princesinha da Serra, hoje mais pra Tô Ficando Atoladinha da Serra.

Aqui em Valença, assim como em outros lugares, a população infelizmente encarnou aquela perigosa “fé supersticiosa no Estado”, ou seja, acreditamos que basta elevar um iluminado ao poder (Lula), ou então um(a) gerentão tocador(a) de obras (Serra, Dilma, Vicente...), para que nossos problemas se resolvam como num passe de mágica. Ora, a estrada vai além do que se vê! A própria existência do Estado é a prova do estado de falência humana em gerir nossos destinos de maneira plena e autônoma. Em que pese todas as exigências e complexidade da sociedade pós-moderna, com os ditames líquidos de sua constituição, o Estado Governamental baseado “apenas” no sufrágio universal (voto) nunca vai tirar das mãos dos mesmos o monopólio do poder econômico, cultural e político. É necessário um mergulho profundo nos movimentos da sociedade, organizados ou não. É urgente a construção de espaços de democracia direta pela destruição dos modelos atrasados e conservadores de fazer política. Ou então ficaremos a mercê dos “homens de preto”, como vem acontecendo hoje no Brasil (e em Valença). A judicialização da política é um fenômeno perigoso, as cortes são compostas por homens de carne e osso, suscetíveis a erros, assim como os eleitores. E, além disso, não é a toa que a gente escuta por aí aquele famoso dito popular sobre cabeça de juiz.

Para que Valença não acabe se tornando uma cidade tragédia, sem valor e sem identidade, uma espécie de Japerí sem trem (com todo respeito às pessoas que vivem lá), nós temos a obrigação de encontrar soluções positivas pro nosso município. A primeira seria expulsar da vida pública todos os políticos corruptos, pilantras e transgressores da lei, e isto a Câmara de Valença já poderia fazer, abrindo processo por quebra de decoro contra parlamentar que fica dando “tiro a esmo pela cidade”. Outra solução é a reengenharia da administração pública, uma reforma do estado municipal que contemple de fato, e não apenas no discurso eleitoral, a participação cidadã, a democracia direta, a transparência contábil, o desenvolvimento sustentável, a responsabilidade social das grandes fortunas... Parece difícil, e é, por isso, lutemos, mãos às obras!

Rede Municipal - A greve continua...





NOVA ASSEMBLEIA DA CATEGORIA

HOJE - QUINTA 20/5

NA PORTA DA PREFEITURA - 10 HORAS


TODO CIDADÃO(Ã) ESTÁ CONVIDADO(A)

(Câmara dos Vereadores, quarta, 19/5/10)


terça-feira, 18 de maio de 2010

Servidor em estágio probatório que entra em greve não pode ser punido

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional uma norma editada pelo governo de Alagoas em 2004, que previa punição para servidores em estágio probatório envolvidos em movimentos grevistas. Para os ministros, não há embasamento na Constituição para que se faça distinção entre servidores estáveis e não estáveis, nos casos de participação em greves.

Todos os ministros presentes à sessão da última quinta-feira votaram pela inconstitucionalidade do dispositivo. A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha comentou que, no presente caso, ao distinguir servidores estáveis e não estáveis, o dispositivo afrontaria o principio constitucional da isonomia.

Julgamentos como esse acontecem porque o governo federal ainda não tem uma legislação sobre greves no serviço público e suas eventuais punições. A regulamentação sobre o tema é prometida há vários anos, mas nunca sai do papel.


Link da matéria completa no Jornal EXTRA (Clique AQUI):

http://extra.globo.com/blogs/servidor/posts/2010/02/05/servidor-em-estagio-probatorio-que-entra-em-greve-nao-pode-ser-punido-263685.asp

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sepe Informa:



Conexão do Professor:Professores da rede estadual devem se recusar a realizar tarefas que não tenham a ver com o trabalho docente

Sobre as notas na conexão professor

Diante da exigência da SEEDUC de que os professores lancem as notas via internet e por falta de orientações claras sobre a realização da tarefa, divresas direções de escola estão exigindo que professores utilizem lan house , caso haja algum problema com o laptop ou a conexão, e que utilizem seu horário de recreio, de almoço, de planejamento ou fim de semana para isso.

A falta de concurso para funcionários administrativos, que prejudica o trabalho das secretarias das escolas, fica evidente nesse momento. A tarefa de lançamento de notas no sistema pertence às secretarias e, já que não há pessoal suficiente, a SEEDUC repassa o trabalho para os professores.

Além de não ser parte do trabalho do professor o lançamento das notas no sistema e sim da secretaria da escola, a sobrecarga de trabalho fica evidente. A utilização do horário livre é trabalho não remunerado e o horário de planejamento já não é suficiente para as atuais tarefas, que consistem em preparar aulas, corrigir exercícios e provas e preenchimento de fichas e diários .A utiliização do horário de aulas seria um prejuízo ainda maior para os alunos que já amargam a falta de professores , funcionários e condições precarias das escolas.

O SEPE/RJ orienta os profissionais da educação a não utilizarem os horários livres , de planejamento ou de aulas para tal tarefa.

A SEEDUC deve definir o horário a ser utilizado para tal tarefa, ou se pagará hora-extra.

Segunda -feira, dia 17 de maio, teremos audiência com a SEEDUC e colocaremos a questão.

[Premio Nobel a vista] Leia a íntegra do texto do acordo de troca de combustível nuclear do Irã

Do G1, com agências internacionais


Estes são os principais termos da "declaração comum" de dez pontos assinada nesta segunda-feira por Irã, Turquia e Brasil, que estabelece uma troca de combustível em território turco para tentar pôr fim à crise nuclear iraniana ):

Tendo-se reunido em Teerã em 17 de maio, os mandatários abaixo assinados acordaram a seguinte Declaração:

1. Reafirmamos nosso compromisso com o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e, de acordo com os artigos relevantes do TNP, recordamos o direito de todos os Estados-Parte, inclusive a República Islâmica do Irã, de desenvolver pesquisa, produção e uso de energia nuclear (assim como o ciclo do combustível nuclear, inclusive atividades de enriquecimento) para fins pacíficos, sem discriminação.

2. Expressamos nossa forte convicção de que temos agora a oportunidade de começar um processo prospectivo, que criará uma atmosfera positiva, construtiva, não-confrontacional, conducente a uma era de interação e cooperação.

3. Acreditamos que a troca de combustível nuclear é instrumental para iniciar a cooperação em diferentes áreas, especialmente no que diz respeito à cooperação nuclear pacífica, incluindo construção de usinas nucleares e de reatores de pesquisa.

4. Com base nesse ponto, a troca de combustível nuclear é um ponto de partida para o começo da cooperação e um passo positivo e construtivo entre as nações. Tal passo deve levar a uma interação positiva e cooperação no campo das atividades nucleares pacíficas, substituindo e evitando todo tipo de confrontação, abstendo-se de medidas, ações e declarações retóricas que possam prejudicar os direitos e obrigações do Irã sob o TNP.

5. Baseado no que precede, de forma a facilitar a cooperação nuclear mencionada acima, a República Islâmica do Irã concorda em depositar 1200 quilos de urânio levemente enriquecido (LEU) na Turquia. Enquanto estiver na Turquia, esse urânio continuará a ser propriedade do Irã. O Irã e a AIEA poderão estacionar observadores para monitorar a guarda do urânio na Turquia.

6. O Irã notificará a AIEA por escrito, por meio dos canais oficiais, a sua concordância com o exposto acima em até sete dias após a data desta Declaração. Quando da resposta positiva do Grupo de Viena (EUA, Rússia, França e AIEA), outros detalhes da troca serão elaborados por meio de um acordo escrito e dos arranjos apropriados entre o Irã e o Grupo de Viena, que se comprometera especificamente a entregar os 120 quilos de combustível necessários para o Reator de Pesquisas de Teerã.

7. Quando o Grupo de Viena manifestar seu acordo com essa medida, ambas as partes implementarão o acordo previsto no parágrafo 6. A República Islâmica do Irã expressa estar pronta - em conformidade com o acordo – a depositar seu LEU dentro de um mês. Com base no mesmo acordo, o Grupo de Viena deve entregar 120 quilos do combustível requerido para o Reator de Pesquisas de Teerã em não mais que um ano.

8. Caso as cláusulas desta Declaração não forem respeitadas, a Turquia, mediante solicitação iraniana, devolverá rapida e incondicionalmente o LEU ao Irã.

9. A Turquia e o Brasil saudaram a continuada disposição da República Islâmica do Irã de buscar as conversas com os países 5+1 em qualquer lugar, inclusive na Turquia e no Brasil, sobre as preocupações comuns com base em compromissos coletivos e de acordo com os pontos comuns de suas propostas.

10. A Turquia e o Brasil apreciaram o compromisso iraniano com o TNP e seu papel construtivo na busca da realização dos direitos na área nuclear dos Estados-Membros. A República Islâmica do Irã apreciou os esforços construtivos dos países amigos, a Turquia e o Brasil, na criação de um ambiente conducente à realização dos direitos do Irã na área nuclear.

Manucher Mottaki
Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irã

Ahmet Davutoğlu
Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Turquia

Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil

domingo, 16 de maio de 2010

Entrevista com Libório Costa (pós Secretaria de Cultura)

Entrevista publicado na edição número 29 do VQ impresso.

É a segunda entrevista de Libório Costa ao Valença em Questão. Mas ela se faz necessária. Nesse meio tempo, entre as duas entrevistas, Libório foi chamado para ser secretário de Cultura e Turismo de Valença (segundo ele por causa da entrevista aqui) e pediu sua exoneração. E isso de outubro a fevereiro, apenas quatro meses. Numa conversa franca, pré jogo em que o Botofago se classificaria para a final da Taça Guanabara vencendo o Fluminense, o botafoguense Libório soltou o verbo e desabafou alguns dos problemas vivenciados durante sua gestão. Uma entrevista que vai dar o que falar, como a primeira.

Entrada na secretaria de Cultura e Turismo
- O grande mérito de eu ter sido convidado, um fator detonador, foi a entrevista que eu concedi a vocês. A partir da entrevista as pessoas conheceram minhas idéias, culminando com o convite do Wilson Fort para entrar no governo Fábio Vieira. Isso é senso comum, o Wilson ficou sabendo e aprendeu a dar atenção e valor ao que eu estava fazendo na cidade por causa da entrevista que eu dei para vocês. Muita gente na cidade ficou tomando conhecimento de quem eu era e do que eu estava fazendo por causa da entrevista de vocês. Até então os setores populares, a Folia de Reis, me conheciam, mas a cidade não sabia. A entrevista foi fundamental para meu nome vir à tona.

E quando o governo sentiu a necessidade de tirar a Daniele por questões políticas, fui procurado pelo Wilson Fort me dizendo que ele tinha carta branca no governo e que era o momento de eu assumir a secretaria. Falei que não ia sair de pedra para virar vidraça sem ter compromisso, sem acreditar nisso. Mas ele me vendeu um monte de situações de autonomia, de condições de trabalho, que me levou a acreditar no desafio, mesmo sabendo que ia ser difícil.

Dificuldades - A dificuldade administrativa eu já sabia que ia passar. Esse foi um desafio que eu assumi, e não foi isso que me fez sair da secretaria. O que me motivou a entregar o cargo na sexta-feira, véspera de carnaval, não foram as questões de verba, condições de trabalho. Isso tudo foi complicado, fatores estressantes (nas três semanas anteriores ao carnaval, o telefone da secretaria não tocava, não falava, o celular cortado, sem Internet. Fazer produção sem meios de comunicação... O meu celular pessoal passou a ser o telefone da secretaria, que cortaram por falta de pagamentos).

Saída - Mas o que me levou a sair foi a falta de responsabilidade do Wilson comigo. Ele me convidou para assumir uma secretaria e garantiu condições de trabalho que ele mesmo não cumpriu. Claro que ele teve os problemas dele. Da mesma forma que ele me enganou, foi enganado por falsas promessas do governo Fábio Vieira.

Nem as questões administrativas, por exemplo, que quando entrei solicitei a ele urgentemente um relatório de todas as despesas que não estavam pagas da gestão anterior, ele não fez até hoje. Ele é uma pessoa inteligente, sagaz, perspicaz, mas virou o homem todo poderoso dentro do governo, é dublê de secretário de administração, é dublê de secretário de governo, era o dublê de secretário de cultura.

Na semana anterior ao carnaval se ausentou um dia para gravar programa do prefeito, no outro dia para fazer a edição do Deus tá vendo, então a secretaria de cultura não era prioridade para ele? Ele me deixou numa sinuca de bico, porque quem estava levando o ônus todo da parada era eu, porque eu que era o secretário. Eu não estou aqui para fazer crítica pessoal, mas acho que houve falta de compromisso e responsabilidade. Essa coisa de querer ser o salvador da pátria do governo Fábio Vieira, querer ser o milagreiro, eu acho até uma atitude louvável, mas isso só não resolve. Tem aquela velha frase do Chico Science: “o orgulho, a arrogância e a glória enchem a imaginação de domínio”, e pior ainda são as falsas glórias e os falsos poderes, porque se a glória e o poder legítimos já enchem a imaginação de domínio, pior quando são as falsas glórias e os falsos poderes.

Deus tá vendo - E aí entra uma outra crítica que eu queria fazer que é a questão do jornal “Deus tá vendo”. Nesta edição que o Wilson Fort ficou preparando na semana do carnaval, tem na pagina 02, “Governo Fábio Vieira para o Deus tá vendo”, onde ele coloca: “Preocupado com a situação complicada o prefeito procurou alternativas. Com este espírito no final do ano passado alguns arcanjos [enfatiza] foram convidados a trabalhar na secretaria de Cultura e Turismo e aceitaram, vêm fazendo inclusive um ótimo trabalho como já se pôde perceber neste curto espaço de tempo e quase sem verba alguma produziram a Virada Cultural na cidade” e tal, tal, tal...Coloca como se essas ações todas fossem fruto do Deus tá vendo. Eu nunca vi o Deus tá vendo discutir estes assuntos, nunca vi o Deus tá vendo levantar um debate sobre a importância da cultura popular, nunca fui arcanjo do Deus tá vendo e a única pessoa que entrou na prefeitura do Deus tá vendo foi o Wilson Fort, pois o Titi já era da secretaria. Então, eu não entendo esse artigo querendo me vincular, e querer vender como se a gestão minha na secretaria de cultura fosse uma gestão Deus tá vendo. Isso aqui vai de encontro a uma matéria que está do lado, que Deus tá vendo é verdade. Se eles acham que Deus tá vendo é verdade, Olorum acha que Deus tá vendo tá mentindo.
E ainda ficar se vangloriando com ações dos outros?! Insinuar que o Libório era arcanjo do Deus tá vendo, que as minhas idéias eram idéias do Deus tá vendo, isso é uma grande mentira, uma grande falácia! Com que interesse isso foi colocado? E ainda tem mais mentira neste texto que eu li aqui. Falar que foram eles que acabaram com a OSCIP mostra um desconhecimento profundo do processo, já que foi uma ação popular impetrada contra a OSCIP. O Fábio Vieira já tinha feito um acordo de conduta técnica na justiça para acabar com isso porque ele sabia que era ilegal. Agora, falar que isso é mérito do Deus tá vendo também é mais uma falsa glória, no meu ponto de vista.

Outra coisa que quero deixar claro é que, ao contrário do que foi noticiado por aí, que a minha amizade com o Wilson Fort foi rompida, eu nunca fui amigo dele. O conheci quando ele foi na minha casa me convidar para ser secretário de cultura. Não tinha nenhum envolvimento com ele, nunca escrevi para o Deus tá vendo. Tinha críticas profundas ao Deus tá vendo de anos, que foram colocadas de lado para não ser um radical e não julgar a pessoa pelo que os outros falam.

Tem um artigo muito bom nesta mesma edição do Deus tá vendo que é Informação, desinformação e misinformação. E na outra página escrito “Deus ta Vendo é verdade”. O próprio jornal é super contraditório. Por que o que eles estão fazendo é desinformação e misinformação, criando factóide e vendendo isso como verdade. A questão da minha gestão até a minha saída da secretaria de cultura, da questão da OSCIP, da relação deles com o Fábio Vieira, isso tudo é desinformação.

Outro artigo aqui que é Desordem Urbana, que é a capa do jornal, pretende discutir a falta de postura, barracas no meio da rua, brigas. Isso é um exemplo do descompromisso que eles têm com o coletivo. Quando você discute código de postura, você tem que trabalhar primeiro a questão da relação interpessoal. Da postura que você tem com o coletivo, essa coisa de você se sentir superior e não se inserir nos movimentos coletivos da sua cidade... Eu nunca vi esse pessoal do Deus tá vendo em nenhuma reunião do plano diretor, do conselho da cidade. Tem um calendário aprovado de dois meses de reuniões nos distritos e na cidade para discutir os códigos de postura, e tem essa matéria falando sobre postura e não se fala do movimento que está acontecendo na cidade para discutir justamente isso? Acho que isso acontece porque não existe uma postura do senso coletivo. Eu prefiro a prática à teoria. Você só ficar de discurso, se achando superior, o dono da verdade, com arrogância e prepotência, isso não constrói transformação nenhuma. Não é esse tipo de postura política que o século 21 quer da gente. Temos que partir para o respeito à alteridade, divergir no debate e tentar buscar o que une e não o que diverge. Eu não acredito em pessoas que só ficam no blá, blá, blá. Isso não é coerente.

Dívidas - Para vocês terem uma idéia, esse relatório que eu pedi é porque o jornal que a Daniele Dantas distribuiu na Festa da Glória não foi pago. Ela mandou imprimir sem ter verba. Vários eventos realizados em Conservatória, os 150 anos da cidade, Festival de Cinema de Conservatória, nada tinha sido pago quando eu cheguei lá em 22 de outubro.

Então, eu perdi 40 dias da minha gestão conversando com fornecedores e prestadores de serviço que não receberam por serviços que tinham sido solicitados pela gestão anterior. Quando eu acordei já estava na hora de pensar em final de ano, reveillon, Folia de Reis e carnaval. Isso tudo eu me propus a fazer, que era trabalhar a questão da memória, da identidade, e nesses 100 dias que eu fiquei lá, o pouco que eu pude fazer, eu fiz. A exposição das Folias de Reis, o cortejo, de o encontro em dois dias, a virada multicultural, o mapeamento dos estudantes, o tema do carnaval, isso tudo estava dentro da minha filosofia de ação, mas o trabalho de gestão acabou que não tive tempo de fazer, porque fui atropelado pelo calendário de eventos da cidade.
Mesmo assim tentei plantar uma semente dentro desses eventos para que tivessem seqüência. A equipe que eu montei que ainda está lá - o Renato, o Gabriel, o Luis Francisco - eles têm plena condições de fazer isso. E gostaria muito que eles dessem continuidade a esses projetos.
Experiência - Quando você entra no poder público, e isso é uma coisa que eu me empenhei muito, atendi todas as pessoas que chegaram na secretaria de Cultura, seja da gráfica Rio Florense querendo cobrar, gente querendo criticar ou pessoas querendo apresentar projeto. Atendi a todos. Você tem que ouvir, que você minimiza os riscos de posturas antipáticas, arrogantes, prepotentes.

A minha experiência lá foi muito boa, aprendi muito, agradeço ao Wilson Fort ter me convidado a assumir o cargo, mas eu me desencantei com essa forma de postura, meio rolo compressor, de achar que é o dono da verdade, de achar que sabe tudo e não focar a ação dele na secretaria de cultura. É um cara que é inteligente e tudo mais, mas de boa intenção o inferno está cheio. Quando se ocupa um cargo público você tem que procurar ser o mais isento, imparcial possível e ter atuação com interesse público, não com interesse de alimentar seu ego, seu orgulho, sua vaidade ou achando que o único governo que vai ter chance de trabalhar é o do Fábio Vieira, em pensar em sugar ao máximo. Quem tem competência se estabelece em qualquer governo.

A gestão – Minha gestão se resumiu à manutenção do calendário tradicional da cidade. Com o diferencial das Folias de Reis. Mas qualquer secretário de cultura e de turismo tem essa agenda que é fixa. E neste ano o carnaval foi no inicio de fevereiro, o que gerou um desgaste profundo. Trabalhar a virada cultural diferente do que já foi feito, porque não foi apenas um showzinho de virada. E isso gera produção. Depois das Folias de Reis foram 12 dias de jornada, evento quase todo dia. Eu trabalhava uma média de 10 a 12 horas por dia. Acabou isso, foi direto carnaval. Eu sou totalmente contra essa política de eventos, mas eu tive que trabalhar com manutenção do calendário, que é obrigatório. A partir do carnaval que eu ia começar a pensar na seqüência do mapeamento, das oficinas artísticas e tal. Mas a verba da prefeitura, R$ 381 mil da função cultura, foi toda embora praticamente no carnaval.

Saída para falta de verbas - Das promessas que me foram feitas, uma era que a partir de 1º de janeiro, teríamos uma reforma administrativa implantada na prefeitura e eu teria autonomia para nomear quem eu quisesse. Isso também não se mostrou verdade. Até porque a estrutura administrativa que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro é tão distante da realidade quanto a antiga. A secretaria de cultura e turismo precisa ter produtor cultural, captador de recursos, elaborador de projetos, avaliador de projetos. Já que a cidade é pobre, não tem recursos, PIB baixo, você tem que ter técnicos competentes para sair captando recursos, tem que ter planejamento.

Eu trouxe um profissional competente, recém-formado em produção cultural, para trabalhar comigo na questão de projetos de captação, mas acabou virando assessor do senhor sub-secretário. Ia gravar programa do prefeito. Até isso não foi respeitado. Então, em alguns momentos eu fui desrespeitado enquanto secretário. Tomava decisões e o sub-secretário resolvia outras coisas sem me consultar. Chegou a um ponto insustentável. E já que foi ele que me convidou, eu tive a hombridade de chegar na sexta-feira de carnaval e entregar o celular– que não servia nem para receber nem para falar -, simbolicamente, e junto a responsabilidade de assumir a secretaria, já que alguns compromissos que assumiu comigo ele não estava cumprindo.

Conservatória - Conservatória é uma república anárquica, independente dentro de Valença. Tem o primeiro arranjo produtivo local de cultura e entretenimento no Brasil, tem um mapeamento cultural feito pelo Sebrae e Instituto Idéias. Começou com a organização da sociedade civil, os empresários, produtores culturais, hoteleiros. Lá tem eventos culturais em 38 semanas no ano, e o ano tem 52 semanas. Ou seja, tem uma vida cultural muito mais adiantada que a própria sede do município.

Eu acho que a situação da emancipação de Conservatória está por um fio. Eu considero legítimo este caminho que Conservatória, Santa Izabel e Ipiabas estão tomando. Mas, como valenciano lamento, porque seria uma perda muito grande para o mosaico cultural e histórico do município, como as serestas e o quilombo São José.

Secretário de novo - Voltaria a ser secretario numa negociação muito mais límpida e transparente e com pessoas que tenham simplicidade, humildade e interesse coletivo na frente de arrogância, prepotência e interesse pessoal.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O verdadeiro Samba-Rock




Julgamento no TSE é adiado e prefeito Vicente Guedes cogita licença do cargo

Através de sua assessoria de imprensa, o prefeito de Valença, Vicente Guedes (PSC), revelou hoje (13) que pretende se afastar do cargo, caso o processo eleitoral que corre contra ele no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) demore a ser julgado. A expectativa era que o julgamento, interrompido depois de um pedido de vista, recomeçasse nesta quinta-feira. Contudo, o processo foi retirado da pauta e a nova previsão é que ele seja apreciado na próxima semana.

No início de março, o ministro Felix Fischer, do TSE, emitiu decisão monocrática cassando o diploma do prefeito Vicente Guedes e de sua vice, Dilma Dantas Moreira Mazzeo. Após um recurso dirigido ao Plenário do TSE, os ministros iniciaram julgamento, que pode reverter a cassação. Enquanto a decisão não sair, o prefeito pode permanecer no cargo.

O último julgamento foi interrompido com o pedido de vista do ministro Hamilton Carvalhido, com teve placar empatado em 1 a 1. Votou contra o prefeito o novo relator, Aldir Passarinho Junior, e a seu favor o ministro Marcos Aurélio Mello. Ainda faltam votar os ministros Marcelo Ribeiro, Arnaldo Versiani, Carmen Lúcia, e o presidente do TSE, Ricardo Lewandoski, além de Hamilton Carvalhido, que pediu a vista.

Apesar de na época ter declarado a veículos de imprensa regionais que não sairia do cargo enquanto houvesse recurso, o prefeito admitiu hoje (13), pela primeira vez, que pensa em se licenciar. De acordo com nota, Guedes "pensa em se afastar do cargo caso o processo eleitoral demore a ser julgado. Dessa forma, ele pediria licença por prazo indeterminado à Câmara de Vereadores e só voltaria ao cargo de Prefeito Municipal caso, ao fim do processo, ele obtivesse a vitória".

Ainda na nota, Guedes diz que sua condição de ‘prefeito sub-judice' traz insegurança à cidade e argumentou que o prolongamento dessa situação poderia atrapalhar o desenvolvimento do município.

"Vicente Guedes teme que o prolongamento dessa situação possa atrapalhar a atração de novos investimentos públicos e privados, que estão em fase de tratativas e ainda não foram anunciados", finalizou.


Fonte: Diário do Vale

quinta-feira, 13 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

FESTA de JONGO no QUILOMBO SÃO JOSÉ em HOMENAGEM aos PRETOS VELHOS

DISTRITO DE SANTA ISABEL - VALENÇA - RJ

Dia 15 de maio de 2010 - Sábado - a partir das 10h da manhã


10 horas - Missa afro ao ar livre

12:30 horas - Feijoada

14:00 hs - Capoeira, Maculele e Samba de Roda

15:30 hs - Folia de Reis

16:00 hs - Jongo de Quissama

16:30 hs - Jongo de Pinheiral

17:00 hs - Jongo de Arrozal

17:30 hs - Boi Pintadinho de Miracema

Jongo de Barra do Piraí

18 hs - Confraternizaçã o entre os grupos

19 hs - Benção da fogueira pela matriarca da comunidade, Mãe Tetê

19:30 hs - Homenagem aos Pretos-Velhos - Jongo do Quilombo São José

Início da Roda de Jongo na fogueira intercalada com Baile de Forró e Calango.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Prefeito Vicente Guedes poderá ser cassado esta semana.

O julgamento pelo plenário do TSE do processo que pede a cassação do madato do Prefeito de Valença/RJ, Sr. Vicente Guedes e sua Vice, Sra Dilma Dantas, por exercício ilegal do terceiro mandato consecutivo será está semana.

O SEPE recebeu ofício CANCELANDO audiência que teria com o prefeito nesta terça-feira, dia 11/5, em virtude deste julgamento.

Segue abaixo o teor do ofício:

"Ofício nº 374/GAB/2010 - Valença/RJ, 10 de maio de 2010

Senhor Presidente,

Com meus cumpromentos iniciais, venho respeitosamente à presença de Vossa Senhoria expor e informar o que se segue.

Considerando o processo em curso no Tribunal Superior Eleitoral que será julgado ainda nesta semana;

Considerando que o Município de Valença, quando do resultado do julgamento por aquele Egrégio Tribunal, poderá ter a figura de um Prefeito Interino até a realização de novas eleições;

Considerando que diante desta situação qualquer decisão que venha a ser tomada, poderá ser considerada prematura;

Considerando o grande e honoso compromisso que assumi com toda população valenciana, a responsabilidade, o respeito e o senso ético que norteiam minha vida e o meu trabalho.

Cumpre-me informar que estão suspensos todos os pedidos de agendamento de audiência até a decisão da Justiça.

Certo da compreensão e desde já agradecendo todas as manifestações de apoio.

Atenciosamente,

Vicente de Paula de Souza Guedes

Prefeito"

Primeiro Encontro de História de Piraí

domingo, 9 de maio de 2010

O pai, o professor e a direção: a escola hoje parte 2


Está é uma história ficcional. Ela foi dividida em 4 partes. As semelhanças com a vida real não passam de meras coincidências.

Veja o capítulo 1 clicando aqui

Parte 2: Você prefere Mastercard ou Credicard?

A direção: Bom dia! O que podemos ajudar?

O otimista: Eu visitei a escola e fiquei impressionado com a modernização. Fui falar com o meu filho e ele me disse que todas as inovações não estão funcionando. O meu amigo aqui deu a idéia de ouvir a explicação da direção.

A direção: Fez muito bem o seu amigo cético. Se todos os pais se preocupassem como você a educação melhoraria e muito. Há estudos que comprovam que o ambiente em que se dá o ensino tem relevância para o aprendizado do aluno A questão é que falta muito pouco para que tudo funcione. O problema do ar condicionado é apenas uma questão técnica. Eles já estão aqui e já estão nas salas.

O otimista: O meu filho disse também que alugaram o ar condicionado. A escola está pagando aluguel de uma coisa que não funciona?

A direção: Não. A escola não gasta nenhum centavo com o aluguel do ar condicionado. Quem paga é a secretaria de educação.

O otimista: que bom. A escola não pode desperdiçar o dinheiro.

A direção: Com certeza. Fique despreocupado. O seu filho está recebendo uma educação de qualidade.

O cético (tentando ajudar o amigo otimista): Acho que já solucionamos nossas dúvidas. Vamos embora meu amigo?

O otimista: Eh..... mas..... Sim. Muito obrigado pelas respostas. Já estava preocupado com a educação do meu filho.

A direção: Voltem sempre. Se quiserem, tem um cafezinho na sala dos professores.

Nossos dois heróis, seguidores da Lei de Gérson, resolvem comer biscoitos e um café na sala dos professores. E continuam a conversa:

O otimista: Nossa, e eu aqui pensando besteira. Como a direção é bem educada.

O cético: Sim. Tanta educação que deve ter alguma coisa errada. Você já atendeu ligação de atendente oferecendo cartão de crédito?

O Otimista: Nem me fale!Toda semana uma mulher, a única que me liga, está oferecendo um cartão. A atendente é sempre educada e nunca altera a sua voz.

O cético: Tal como a direção....

O Otimista: (risos) Mas você não perde a oportunidade, né?

O cético: É o que me mantém vivo. Mas, veja bem, você acredita em tudo que a atendente fala sobre o cartão de crédito?

O otimista: Claro que não. Eu sei que a função dela é vender cartão. Vale tudo.

O cético: Qual é a função da direção da escola?

O otimista: Zelar pela qualidade do ensino e o bom andamento da escola, não é?

O cético: Não sei.... Veremos agora.

Nossos amigos continuavam a conversar até que o cético se familiarizou com um professor que estava de horário vago. O professor era magro e alto: um daqueles tipos que chama a atenção pelo fato de ser exótico. Ele vestia uma camisa dos Beatles e estava deixando crescer a barba.

Entrevista Libório Costa

Entrevista publicada na edição número 24 do VQ impresso.


Por Bebeto e Rafael Monteiro

Libório Costa é valenciano e botafoguense há 47 anos. Foi estudante da rede estadual e de 1975 a 1978 foi membro do grêmio estudantil do Theodorico Fonseca, onde ajudou a promover festivais intercolegiais de música, com participações inclusive de Clementina de Jesus e Rosinha de Valença. Fez um ano de Comunicação Social na SUSI (atual UNISUAM), abandonando o curso para ir trabalhar na Caixa Econômica Federal, de 1984 a 2001. Em 1982 trabalhou na Gazeta da Cidade, do Maguinho. Atualmente está na construção de sua monografia para graduação em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e ministra cursos de formação em cultura afro-brasileira para professores da rede municipal de ensino.

Monografia
Eu já pensava em fazer algum curso que trabalhasse a questão cultural, mas sem ser teatro etc. Fui então fazer Comunicação pensando em trabalhar na pesquisa ou jornalismo cultural. Mas, fui trabalhar na Caixa Econômica e larguei a Comunicação. Em 1992, a UFF abriu o curso de Produção Cultural e não perdi tempo. Atualmente estou trabalhando no levantamento, inventário do patrimônio imaterial, segmentando para a questão das pequenas áfricas dos sertão flumineiro, onde posso pegar o Caxambu, a Capoeira, as memórias da Clementina e Rosinha, os cultos afro e a história local da cultura afro-brasileira. Isso é a temática da minha monografia atualmente.

Valença e suas riquezas
As pessoas às vezes me perguntam se eu acho que tenho futuro aqui para trabalhar com a questão cultural. Eu falo que trabalho é o que não falta, o que falta é a cidade se convencer e reconhecer a gama de valores, os diamantes brutos que Valença tem escondidos debaixo do tapete colocado pelo poder público e as elites. Se convencer da riqueza do patrimônio imaterial como a Seresta e Serenata em Conservatória que são referência nacional com repercussões internacionais; do Jongo e Caxambu, sendo o Jongo do Quilombo São José da Serra uma referência como um dos mais próximos da raiz africana; da Folia de Reis; da Umbanda que já era cultuada aqui no final do século 19, como conta a própria Tia Maneca, que fez 100 anos ano passado, e atualmente é jogada pra debaixo do tapete; da Capoeira, que também já era praticada aqui desde o século 19, inclusive pelo pai da Clementina de Jesus; da memória da Clementina e Rosinha; das festas de São Jorge e por aí vai. Valença tem uma diversidade cultural que se expressa independente do poder público, apesar dele ter hostilizado muitas vezes alguns grupos e mestres dessas manifestações utilizando-os como plataforma eleitoreira. Mas nossa cultura sobrevive pela fé, tradição, força, mística, ancestralidade, e memória dessas populações que estão na periferia de Valença. É um universo muito rico. Precisa-se valorizar isso e fazer essas pessoas entenderem que além de terem valor cultural, hoje em dia isso pode-se transformar também num valor econômico, com incentivos da UNESCO, do Ministério da Cultura etc.

Folias de Reis
Sou apaixonado pela Folia de Reis e um monte de outras coisas. Mas, desde pequeno tenho paixão pela Folia de Reis. Minha mãe me levava pra Missa do Galo e via passar as Folias e achava aquilo muito mágico, com os cortejos, os palhaços fantasiados, um misto de admiração e medo, que muito adulto ainda tem, mas que já perdi há bastante tempo. É uma das grandes manifestações culturais que temos em Valença, apesar de muitas pessoas criticarem o crescimento da Folia de Reis, como tendo 40 palhaços, alegando que a tradição é ter 2 ou 3. Mas, desde minha época de criança, já existia Folia com 15, 20 palhaços. Isso é característico da cultura local, do seu dinamismo.

Não podemos querer colocar camisa de força nas manifestações culturais achando que elas devem ser do jeito que nós achamos que elas deveriam sejam. As “contaminações” servem para potencializar. Esta questão da garotada da Folia de Reis em Valença é muito forte, dentro desse universo dos palhaços, onde há crianças desde os 6 anos de idade até jovens na faixa dos 20. E a questão “pop” da Folia chama muito estes jovens, como é o caso da indumentária, dos revirões [texturas nas roupas], e eles sofrem ainda a influência de outras manifestações, como o funk e o rap. Eles não mudaram a tradição na Folia, só que os gritos de guerra incorporaram os gritos das galeras de bairro da cidade, um grito de identidade. Eles são funkeiros 365 dias no ano! Não é porque eles estão na Folia de Reis que deixarão de exercer a cultura híbrida do funk e Folia. Num intervalo entre Folias você vê palhaço fazer desafio usando o ritmo do Calango com o linguajar do rap. Valença é híbrida por natureza, essa mistura de Minas com Rio, dos índios com tropeiros e comerciantes, etc.

Educação e Cultura
Realizar o curso de formação de professores em cultura afro-brasileira, que dará subsídios à aplicação dos conteúdos da Lei 10.639 em Valença [a Lei 10.639 estabelece as diretrizes e bases para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira"], e estar ao mesmo tempo dentro da escola em contato com estes jovens, estão me abrindo um campo de pesquisa muito grande sobre a ligação entre educação e cultura. O importante não é só buscar a questão da África no Brasil, como a diáspora dos negros no mundo etc, mas também a história local destas pequenas Áfricas.

A cultura é muito importante na potencialização do processo de inserção das crianças e jovens de periferia dentro do processo educacional e na formação da cidadania. A escola tem de estar preparada a reconhecer e valorizar a cultura que a criança já leva para lá. Se você entrar em qualquer escola de Valença você vai encontrar uma diversidade cultural absurda. Você vai encontrar palhaço de Folia de Reis, Ogã de Umbanda, filhos de artesãos, além dos capoeiristas, pagodeiros, etc. Essas crianças são herdeiras de toda essa mistura feita no século 19, ou seja, o passado de Valença está fungando no cangote delas. E esse período está aí nas avós dessas crianças. O primeiro trabalho para a educação se aproximar da cultura é conhecer a realidade destas crianças e jovens, fazer o inventário, diagnosticar, mapear e ouvir os diversos grupos de fazedores de cultura da região para elaborar uma plataforma cultura, um plano de governo. Se não for assim, vira política particular de cultura, ações e eventos de acordo com o gosto particular de quem está exercendo a função de Secretário de Cultura ou do grupo que está ali.

Gestão cultural em Valença
Numa região como Valença onde a questão da memória e do acervo histórico são totalmente vazios, onde nunca existiu uma política de formação de acervo, onde não existe um museu municipal, e onde os que se dizem museus não seriam classificados assim por uma análise técnica, nota-se a falta de uma política da gestão cultural.

O poder público tem que apoiar as demandas que vêm da sociedade, mas tem que elencar as prioridades, se não vira balcão de negócios. Por outro lado, o poder público tem que ter políticas públicas de cultura! Existe, dentro da estrutura da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, um departamento de museologia e acervo (ou coisa assim) e não tem ninguém trabalhando nessa área! Então, existe um monte de ações a serem implementadas em várias frentes pra formar os acervos da memória valenciana e não existe nenhum trabalho sendo feito, a não ser atitudes isoladas como o pessoal do Diretório Acadêmico de Filosofia da FAA em apoiar o Sr. Sebastião do Museu Ferroviário. Valença está fazendo 200 anos de freguesia, 150 anos de cidade, 165 anos de município e não se vê no horizonte nenhuma preocupação em se trabalhar a memória e identidade! É complicado! Um povo que não preserva sua história, não vive o presente e não constrói o futuro. Se você não tem uma visão crítica do passado pra construir sua identidade no presente, você não irá construir futuro nenhum!

Essa tão falada crise que Valença vive é função de falta de identidade, da falta de reconhecer e valorizar a cultura da população. Na política, predomina a visão coronelista, tratando o povo como gado, não como sujeito de transformação e de objeto da democracia substantiva. E, por outro lado, Valença com um território enorme, uma economia fraca, e uma das piores distribuições do PIB no Estado do Rio, está partida. Valença está partida entre dois coronéis. Não existe unidade na diversidade. O povo, ao mesmo tempo que é vítima se vitimiza, e acaba criando uma situação de alimentação da sua própria desgraça, pois ele não consegue enxergar que enquanto se contentar em ser objeto da democracia formal, não irá construir sua cidadania, não conseguirá se mobilizar para transformar.

O Paulo Roberto Figueira escreveu sobre a questão da mobilização e que Valença vive uma crise e isso é unânime. Não existe perspectiva no momento: é unânime. A gente chega a conclusão que a velha mobilização é a única saída pra Valença. Mas como mobilizar? Essa é a questão.
Pontos de Cultura em Valença

Há dois anos procurei a Sônia Mattos, então Secretária Municipal de Cultura e Turismo, com manual e com os dois editais apresentando a ela que Valença tinha condições de conseguir ser contemplado com um Ponto de Cultura [iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil, que firmaram convênio com o Ministério da Cultura, tornam-se Ponto de Cultura e o MinC fica responsável por articular e impulsionar as ações que já existem nas comunidades. O Ponto de Cultura não tem um modelo único, nem de instalações físicas, nem de programação ou atividade. Um aspecto comum a todos é a transversalidade da cultura e a gestão compartilhada entre poder público e a comunidade. Quando firmado o convênio com o MinC, o Ponto de Cultura recebe a quantia de R$ 185 mil para investir conforme projeto apresentado]. Existia a possibilidade que, se uma cidade apresentasse proposta para um certo número de Pontos de Cultura, criaria-se um Pontão de Cultura, podendo se fazer um Ponto para a Folia de Reis, outro para a Memória da Clementina etc. Ela não me deu resposta e no ano passado procurei a atual Secretária, Daniele Dantas, para conversar sobre as diversas ações do MinC para os municípios e que é necessário contrapartidas e compromisso do governo municipal. E também não obtive resposta. Não há interesse.

Turismo
Aqueles que são responsáveis pela gestão municipal têm uma certa miopia de perceber o valor da cultura valenciana, porque ainda estão presos a achar que o turismo cultural em Valença vai ser feito em fazenda do café. É pra ser feito em fazenda do café também, mas não somente lá. O Luiz Francisco, guia de turismo, tem uma frase muito boa: “um turismo cultural que é feito de fazenda, sem cidade”. O que precisa ser feito é um turismo cultural da cidade com as fazendas. O máximo que acontece fora das fazendas é uma refeição em algum restaurante, mas não movimenta o comércio local, as pessoas que vivem aqui não lucram nada com isso. Quem continua ganhando são os barões.

Conservatória através de autogestão, criou uma indústria turístico-cultural, através da iniciativa privada e da organização dos moradores. Hoje em dia recebe um fluxo de turismo enorme, está com Arranjo Produtivo Local, Festival de Cinema, turismo ufológico, e um excelente acervo histórico em seus museus, preservando, além da Seresta e Serenata, o samba de raiz, a música instrumental, o chorinho. Que Valença siga o exemplo de seu Distrito!

Fórum Municipal de Cultura
Estamos vivendo uma revolução silenciosa no Brasil que é provocada pelas políticas públicas do Ministério da Cultura: a rede Cultura Viva, inclusão digital, os Pontos de Cultura. Essas iniciativas - sejam de ONG´s, mídia comunitária, o Hip Hop, a Capoeira – possibilitam as pessoas a construírem suas cidadanias através de ações solidárias. Então, acho que Valença está precisando passar por isso. Vencer essa cultura da cidade partida, da fofoca da Rua dos Mineiros.

Daí entra a questão dos Fóruns - a gestão democrática da cidade – que é um processo em que Valença está atrasada há anos! As pessoas se mobilizam para conquistarem sua cidadania, deixarem de ser objeto para serem sujeito de sua história, aprenderem a falar e serem ouvidas, e formularem políticas para a cidade. Qualquer governo que assuma o poder tem que entender que eles estão ali para implementarem políticas nas diversas áreas que estejam em ressonância com o que a população quer! Os fóruns são pra isso. Ainda mais numa cidade como a nossa, onde existem alguns Conselhos Municipais, mas a maioria não está instalada, os fóruns servem para esta ligação entre poder público e sociedade. Exemplo seria um Fórum de Educação para aproximar escola e comunidade, ouvir se está se aproximando dos anseios da comunidade, se está atendendo as demandas daquele local. Numa cidade onde não há equipamentos culturais, as escolas são espaços para trabalhar oficinas artísticas, oficinas de memórias, os jovens entrevistando os mais velhos, recuperar as histórias que estão espalhadas e perdidas pelas periferias, principalmente após o fim da estrada de ferro, quando a população urbana cresceu absurdamente vinda do interior do município, de Santa Rita de Jacutinda, Rio Preto etc. Toda essa cultura rural ainda com traços fortes de afro-descendentes, uma arqueologia humana a ser feita em Valença incrível! O apagamento da história do índio em Valença intencionalmente, encontrar os remanescentes dos Coroados que existem por aí. Tem muito trabalho.

Precisamos criar a cultura da unidade dentro dos seguimentos dos produtores culturais, das bandas de rock, dos mestres de Folia de Reis, do pessoal das escolas de samba, dos grupos de capoeira, artesãos, poetas, seresteiros, pessoal de teatro e por aí vai, e partir para o que une e deixar de lado o que diverge, para montarmos uma rede maior, que é o Fórum Municipal de Cultura e o Conselho Municipal de Cultura. As pessoas precisam saber o que elas realmente querem e precisam, fazerem seus autodiagnósticos, e daí partirem para a discussão nestes fóruns e cobrarem seus direitos culturais, que estão na Constituição, e formularem políticas públicas de cultura para Valença. Não é apoio nem favor, é direito. Chega de política de evento pra gente bater palma e o artista voltar pra sua cidade. Onde está o apoio para o surgimento de novos talentos locais. Será que se a Rosinha nascesse hoje ela teria espaços como teve na Rádio Clube de Valença e fazendo programas de auditório? Se ela nascesse hoje ela seria a Rosinha de Valença que foi? Quantos talentos estão espalhados pela cidade e não têm oportunidade de se expressar, de evoluírem nos seus fazeres artísticos.

Valença pode ser um grande centro de indústria criativa, basta querer! O momento de crise é o momento de surgirem as idéias. O Fórum Municipal de Cultura, e os outros fóruns, são os espaços onde as diferentes idéias se unem para a construção de uma plataforma conjunta, que atenda a essa diversidade cultural. Não existe receita de bolo para Valença, o que precisamos é mobilizar para o encontro.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Vereador Naldo tem pedido de Habeas Corpus negado

Consulta Processual por Número - 2a Instância

As informações aqui contidas não produzem efeitos legais
Somente a publicação no DJERJ oficializa despachos e decisões e estabelece prazos.

Processo No: 0019688-94.2010.8.19.0000

TJ/RJ - SEX 7 MAI 2010 12:19:52 - Segunda Instância - Autuado em 04/05/2010

Classe:HABEAS CORPUS
Assunto:Crimes do Sistema Nacional de Armas - Posse Ou Porte Ilegal de Arma de Fogo de Uso Restrito e Outros
Órgão Julgador:QUINTA CAMARA CRIMINAL
Relator:DES. ROSA HELENA GUITA
Pacte :JOSE REINALDO ALVES BASTOS
Impte :RJ0139795
Origem:TRIBUNAL DE JUSTICA DO RIO DE JANEIRO
FASE ATUAL:CONCLUSAO AO RELATOR
Data da Remessa:05/05/2010
Data da Devolucao:05/05/2010
Despacho:INDEFIRO A LIMINAR. SOLICITEM-SE INFORMACOES.
Suspensao:N


quinta-feira, 6 de maio de 2010

O pai, o professor e a direção: a escola hoje


Está é uma história ficcional. Ela foi dividida em 4 partes. As semelhanças com a vida real não passam de meras coincidências.

Capítulo 1: Do céu de diamantes ao calor dos trópicos.

O otimista: Cara, acabei de chegar da escola do meu filho. É uma revolução! Todas as salas de aula estão com ar condicionado, na mesa do professor tem um computador e percebi vários roteadores. A escola do meu filho é 100 por cento wireless!

O cético: É mesmo? E como anda o seu filho na escola?

O otimista: Ele não gosta de ler e nem de escrever. Tirando isso é um ótimo aluno.

O cético: Chama ele aí, vamos ver o que ele vai falar sobre a escola.

O aluno: Poxa a minha turma é muito foda. A turma tem 40 alunos e muitas gatas.

O otimista: Mas fala aí meu filho: como é estudar ligado à internet e com o ar condicionado à disposição?

O aluno: Ih, velho. Até hoje nem usamos o ar condicionado e aquele computador ninguém liga. Acho até que já sumiram uns cabos dele.

O otimista (passando vergonha): Como assim? Não funciona nada?

O aluno: não funciona nada. Maior calorão e a gente sofrendo com aqueles ventiladores. Um professor me disse que é problema de tomadas. Alugaram os bichos e não servem pra nada.

O cético (colocando lenha na fogueira): Estou com um tempo livre agora. Vamos apurar a situação: vamos falar com a diretoria.

A jornada cotinua com o capítulo 2: Você prefere Mastercard ou Credicard?


terça-feira, 4 de maio de 2010

Isto é o governo Sérgio Cabral, do partido de Naldo (PMDB) e aliado de Vicente Guedes





Fraude na Saúde do estado do RJ. Que vergonha!
E não é só na Saúde que isso acontece,
no dia que eles investigarem a Educação...


A MERDA VAI FEDER AINDA MAIS
!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vereador Naldo (PMDB) foi preso no sábado


O vereador valenciano José Reinado Bastos, 40 anos, continua preso desde sábado (1º) na delegacia de Barra do Piraí, após ser flagrado atirando a esmo na Rua Júlio Xavier, no bairro Laranjeiras, em Valença. José Reinaldo também é policial civil, mas está licenciado.

Policiais do 10º Batalhão da PM (Barra do Piraí) também levaram para a mesma DP, Wellington da Sola Almeida, 29 anos, que estava junto com o vereador.

Foi apreendida uma pistola calibre 40, que, segundo os PMs, é de propriedade da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

Os dois foram apresentados ao delegado de Barra do Piraí, Georges Toth Júnior, que no fim de semana também comandou os flagrantes ocorridos em Valença. O vereador e Wellington foram indicados porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Fonte: Jornal Diário do Vale

domingo, 2 de maio de 2010

Fluminense apresenta 3 reforços - 2 deles são valencianos

Tenho pena dos garotos começarem justo no Fluzinho... mas, boa sorte. E representem bem o futebol de Valença, que já teve grandes astros como o zagueiro-volante Bebeto (que vos escreve), o matador Edgar do Cavaco e o paredão Bola!


RIO - O Fluminense apresentou na manhã desta quarta-feira três reforços para o Campeonato Brasileiro. O volante Leandro Teixeira, o atacante Adriano e o lateral-esquerdo Gerson, que se destacaram no Campeonato Carioca pelo Duque de Caxias e América, respectivamente, já trabalharam com o grupo no campo da Portuguesa, na Ilha do Governador.


Leandro Teixeira, Gerson e Adriano


O lateral-esquerdo Gerson promete se utilizar das suas principais forças: chute de longa distância e cobranças de faltas para chamar a atenção de Muricy.

- Todos sabem da qualidade dos jogadores do Fluminense. Tenho de mostrar muito empenho para ganhar uma chance. Fiz um bom trabalho pelo América e quero manter o nível. De 1999 a 2006 defendi o Vasco, mas a minha passagem não teve expressão. É diferente, chego contratado pelo Fluminense, que conta com Muricy Ramalho no comando. É uma grande chance. No América, tinha a virtude da bola parada, do chute de longa distância. Mas faz parte do passado. Tenho de mostrar serviço com a camisa do Fluminense. Contrato de dois anos dá segurança a mais para trabalhar e conhecer o grupo melhor.

Já o volante Leandro Teixeira, destaque do Duque de Caxias, promete muita marcação, mas destaca que sabe sair jogando.

- Pintou a oportunidade. Agora é trabalhar para conquistar a confiança de Muricy Ramalho. Ter o máximo de dedicação e empenho para isso. Tenho força na marcação, mas tenho uma boa saída de bola. Terei tempo para me adaptar. Há muita diferença para a realidade do Duque de Caxias em termos de grandeza e estrutura. É uma grande responsabilidade, mas minha expectativa é de mostrar meu potencial. Trabalhei muito para conquistar essa chance - Leandro Teixeira.

Confira abaixo as fichas dos jogadores:

Gerson

Ficha: Wagerson Ramos dos Santos

Data e local de nasc.: 3/4/1986, Valença (RJ)

Posição: Lateral-esquerdo

Altura e peso: 1,78m e 73kg

Clubes: Vasco, Boavista, Duque de Caxias, Cabofriense, Goytacaz e América.

Contrato de dois anos


Leandro Teixeira

Ficha: Leandro Teixeira Dantas

Data e local de nasc.: 17/8/1987, Valença (RJ)

Posição: Volante

Altura e peso: 1,79m e 82kg

Clubes: Duque de Caxias.

Contrato até dezembro de 2011


Fonte: sítio do jornal O Globo

Entrevista com Gustavo Gindre

Entrevista publicada na edição número 25 do VQ impresso, com Gustavo Gindre.





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Por Marianna Araújo e Vitor Castro



Envolvido em movimento estudantil enquanto estudante de jornalismo na Universidade Federal Fluminense, Gustavo Gindre, na criação da Enecos (Executiva dos Estudantes de Comunicação), se colocou o que faria da vida. Surgiu então a idéia do Indecs (Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura), uma ONG no Rio de Janeiro. Essa mesma inquietação de alguns jovens fez surgir o Intervozes, com o mesmo perfil do Indecs, mas de abrangência nacional. Gindre participa das duas iniciativas e ainda é membro do Comitê Gestor da Internet até o final de 2007, quando termina o mandato. Durante a conversa, Ele falou sobre a TV digital, seus impactos (positivos e negativos) e do direito à comunicação.


Três grandes impactos da TV Digital – ciência e tecnologia, possibilidade de criação de novas emissoras e interatividade
A TV digital tem três grandes impactos no Brasil nos próximos anos. Um, que talvez diga menos respeito a nós é na área de ciência e tecnologia. A TV digital tem embarcado dentro dela duas tecnologias que são transversais a quase tudo que formos pensar hoje que nos cerca: microeletrônica e software. É quase impossível você olhar ao seu redor, do sinal de trânsito ao carro popular, da televisão ao telefone celular. Tudo tem software e tem chip. Curioso que o Brasil não produz quase nada de nenhum dos dois, a gente importa a maior parte. A gente gera emprego qualificado em Tóquio, em Berlim, com nosso dinheiro, que acaba não ficando aqui. Então se o Brasil conseguisse pegar uma carona no desenvolvimento da TV digital e desenvolvesse a indústria de microeletrônica e de software, teríamos uma chance de impactar o resto da economia. Se você tem empresas produzindo software no Brasil para a TV digital, essas mesmas empresas vão poder produzir para a Aeronáutica, para o setor petrolífero, automobilístico. Infelizmente, o caminho adotado pelo governo brasileiro foi o de fazer um acordo internacional com o Japão – e o problema não é nem com o acordo com o Japão em si, já que não conseguiríamos desenvolver todas as tecnologias aqui, mas a forma como esse acordo foi feito. Você terá pouquíssima tecnologia brasileira. Até agora, tudo indica que a única parte da tecnologia brasileira que vai rodar nessa TV Digital é o middle, que é o principal software que fica na caixinha.


Num primeiro momento não vamos comprar uma TV digital, mas uma caixinha que vamos acoplar à nossa televisão analógica. Isso porque as TVs digitais vão ser muito caras ainda durante alguns anos. Nessa caixinha vai ter um software principal que é o middle, que faz a interface entre a parte física da caixinha e todos os outros softwares que vão ter ali. Agora todo o resto vai ser importado do Japão, e no acordo não há a previsão de nenhuma transferência de tecnologia, que é comum nesses acordos internacionais. O ideal seria, ao longo do processo, o Brasil desenvolver os softwares. Esse parece um bonde que nós perdemos na TV digital.


Possibilidade de criação de novas emissoras
A segunda possibilidade que a TV digital abre é a possível criação de novas emissoras. Uma das formas de melhorar essa gestão do espectro era adotar o operador de rede. Vamos supor: a CNT não tem programação para ocupar esse espaço todo. Ela não vai transmitir em alta definição, por falta de estrutura, não tem estúdio, não tem ilha de definição. Aí podemos dizer que então ela pode aproveitar o espaço para fazer cinco canais simultâneos com definição standard. Mas como se ela não consegue fazer nem um? As TVs não têm estrutura, nem pessoal para fazer multi programação. Se a própria Globo já disse que não vai fazer mais de um programa simultâneo, que ela vai ocupar a grade com um programa só e é a maior produtora de audiovisual do Brasil, ela está dando a dica. A gente corre o risco de ter uma TV ocupando uma pequena parte no espaço dela e o resto não ser usado para nada. O operador de rede permitiria fragmentar isto que sobra para produzir um maior número de programações. Mas isso já não vai acontecer.
Uma outra possibilidade é você utilizar os canais que sobram. O problema é o seguinte, a gente vai ter um período de transição, chamado tecnicamente de simulteste, simultaneamente a mesma emissora vai transmitir em analógico e digital. Supõe-se aí um período de 10 anos, para a pessoa poder adquirir seu equipamento. Durante 10 anos a gente vai ter um período que as TVs vão ocupar um espaço maior do que elas ocupam hoje. Suponhamos que a Globo digital fique no canal 34. Então, poderemos assistir Globo digital no 34 e analógico no 4. Então você vai dobrar o número de canais que as emissoras ocupam.


Então vários canais não poderão ser ocupados nesse período de transição, porque eles serão usados para evitar transferência analógico-analógico e analógico-digital. Daqui a 10 anos teremos uma quantidade grande de canais para serem ocupados. Os que as TVs vão devolver, esperando que elas vão devolver, claro.


Interatividade
A terceira grande inovação que a TV digital introduz é interatividade. Esta interatividade poderá ocorrer de três formas. A mais trivial, que já acontece por exemplo na TV digital, para quem tem Sky, Net Digital, uma interatividade que você tem a sensação de que está interagindo, mas o conteúdo está todo ali na sua caixinha, é sem canal de retorno.


A outra possibilidade que é mais difícil de acontecer, é a interatividade que não é permanente. Significa o seguinte: a TV manda um conteúdo pra mim e eu tenho que retornar esse conteúdo, só que como não há um canal permanente pra isso, eu tenho que usar outros meios. Por exemplo você manda pela televisão e eu respondo por sms, celular, por telefone. Algum meio de retornar. Repara que a televisão permanece no mesmo posto e o canal de retorno é um outro meio. Em certo sentido Big Brother e outros programas já fazem isso. Só que não é tão automático, eu não ligo e o cara imediatamente me dá uma resposta. O grande barato que a TV digital permite é você ligar sua TV num canal de retorno, você ligar sua TV em algum serviço banda larga, que te permita aí sim ter interação imediata e constante. Na verdade, nesse caso nem usamos mais o termo canal de retorno, é canal de interatividade. Porque você tanto pode mandar quanto receber. Aí sim a TV começa a se aproximar claramente da internet. Isso pode vir a ser uma importante ferramenta para o ensino à distância. Não como é feito hoje, num telecurso do segundo grau, onde você tem um conteúdo que vai pra todo mundo da mesma forma, você teria um conteúdo segmentado. Até no limite, você mudar da Globo e botar no Youtube, por exemplo. Aí sim teríamos um ambiente efetivamente interativo.


Não preciso dizer que os radiodifusores querem ver o diabo e não querem ver esse negócio, né? No conselho constitutivo da TV Digital quando se falava em TV interativa com canal de retorno, eles falavam que isso era ficção científica, que nunca vai acontecer. Isso enfraquece o poder deles. Por exemplo, CUT, MST, Cufa, e qualquer outra instituição pode criar uma TV na internet e as pessoas teriam acesso em casa.
Essa é uma possibilidade. No entanto, para que ela se realize você precisa de um canal de retorno, portanto você precisa de um serviço de banda larga acessível a todo cidadão brasileiro. Aí você pode pensar que isso é impossível. Afinal, hoje, quanto custa uma banda larga? Está fora da realidade do povo brasileiro. Isso é possível, casando três coisas e isso é a discussão que está nos bastidores e não aparece. Primeiro você precisa de uma estrutura básica de transmissão de dados robusta. Imagina cada usuário brasileiro querendo interagir com sua televisão. Acontece que o governo hoje tem mais de 40 mil Km de fibra ótica que percorrem o Brasil, capazes de transmitir alguns Gigabytes por segundo, que está parado.


Se você considerar que todo mundo paga todo mês um negócio chamado fundo de universalização dos serviços de telecomunicações, nas suas contas de telefone (1% da conta de telefone de todo mundo vai pra um fundo que foi criado para universalizar telefone. Só que isso perdeu o sentido. Hoje, o ideal é que ele seja usado para universalizar a banda larga. Esse fundo arrecada por ano, entre 600 e 700 milhões de reais. E nunca foi usado. Ele tem hoje, ou deveria ter, 6 bilhões de reais. Vamos supor que não há como recuperar o dinheiro arrecado, supondo que já foi gasto com outras coisas. Mas, todo ano arrecada 600 milhões, é mais dinheiro do que o necessário para colocar banda larga na casa de todo brasileiro). Então repara, a gente tem infra-estrutura, central, tem tecnologia para ligar a casa das pessoas à essa estrutura, e tem dinheiro para fazer isso. O que falta é vontade política. E aí teríamos um processo de inclusão digital radical e a partir da televisão. Pedindo para as pessoas comprarem apenas uma caixinha. Muito mais barato do que um computador. São essas três coisas que a televisão digital introduz de novidade: desenvolvimento científico-tecnológico, a possibilidade de aumentar o número de canais e a questão da interatividade.


O direito à comunicação
A idéia do direito à comunicação é a idéia de que existem determinados elementos que nos constituem como humanos, dos quais se formos despossuídos, somos despossuídos de nossa própria humanidade. Você privar, por exemplo, um ser humano do direito à habitação, por mais precária que ela seja, em parte você está despossuindo o ser humano daquilo que ele tem como constituidor de sua própria humanidade.


Pensando assim, não tem nada, talvez, que nos diferencie mais dos outros animais do que a possibilidade de se comunicar. E foi isso que nos tirou das cavernas, a possibilidade de atuar em conjunto, fazer comunidade, traçar ações conjuntas e fazer com que essa ação se prolongue no tempo para além da nossa própria vida através da transmissão do conhecimento. Isso só acontece através da comunicação. Se você destituir o ser humano disso, dessa capacidade de trocar e acumular conhecimento, se você trata o conhecimento como mercadoria e você portanto exclui uma parte da população de ter acesso ao conhecimento, você está excluindo da capacidade de exercer sua própria humanidade. Por isso a gente diz que o direito à comunicação é um direito inalienável. Deve ser um direito colocado na categoria dos direitos pétreos. Só que numa sociedade de massa, de milhões de pessoas, esse direito não é só interpessoal. Estamos falando de um mundo que passou por revoluções tecnológicas profundas. Então, como é que você faz para garantir o direito para que todo ser humano tenha a possibilidade de se comunicar com todos seres humanos? Garantindo que ele terá acesso aos meios de comunicação de massa, que hoje são meios interativos, digitais e tudo.


Mas o acesso aos meios de comunicação de massa continua vedado no sistema americano. Então você não está exercendo seu direito humano na potência com que pode ser exercido. O direito humano à comunicação também se diferencia do direito à informação, porque informação é o direito de ser informado, um direito passivo, de receber conteúdo. O direito à comunicação é um processo dialógico, de troca, um processo interativo que é um processo pedagógico por excelência. Então eu diria que o direito à informação é um dos elementos que constituem o direito à comunicação. Mas o direito à comunicação é mais amplo e compreende no seu interior a informação.


Importância da comunicação
Por um lado, pela luta do direito humano à comunicação, está claro que ela só vai ter alguma chance de avançar se deixar de ser uma luta exclusivamente de quem faz comunicação. É a mesma coisa que se pensar a educação, a saúde. A sociedade brasileira tem claro que a luta por uma saúde melhor não é uma luta de médico, mas uma luta do conjunto da sociedade. Para a comunicação isso ainda não existe. Enquanto não formos capazes de construir isso, nossa pauta não avança, porque ela não ganha o apoio dos grandes movimentos sociais.


Por outro lado está claro que você não vai conseguir avançar na agenda da saúde, da educação, da reforma agrária, a questão da segurança, se você não for capaz de fazer esse debate publicamente. E hoje o debate público é interditado. Você pega pro exemplo a agenda dos grandes veículos de comunicação, você vai ver que só fala um lado. Têm setores que são absolutamente excluídos. A economia talvez seja o mais evidente disso. Você pega os diversos jornais e parece que é o mesmo cara que fala em todos.


Enquanto você não conseguir ter outra visão de mundo que consiga ser confrontada, ir para o debate, a gente não avança com nenhuma grande pauta nacional. E os movimentos sociais não têm isso muito claro. No fundo eles ainda estão brigando para aparecer na Globo. O grande momento de um movimento no Brasil hoje é conseguir uma pauta no Jornal Nacional, e não tem muito claro que deveriam estar lutando por uma outra comunicação.


Quem pauta quem? A mídia pauta a sociedade, ou a sociedade pauta a mídia?
Com certeza a mídia tem um papel enorme na definição de uma agenda social, isso não dá para negar. Ela traça o enfoque com que determinados assuntos vão ser abordados no cotidiano. Na questão da violência isso é claro. Lembro de um estudo que analisava o primeiro governo Brizola e o governo Moreira Franco, e mostrava que os índices de violência eram mais ou menos os mesmos, mas que a percepção das pessoas era muito maior no governo Brizola. Isso porque a Globo deu um destaque muito maior à violência no governo Brizola do que dava no governo Moreira Franco, porque como a Globo era oposição ao governo Brizola e ela tinha ajudado a eleger o Moreira Franco, ela começou a tingir menos as cores da violência. A violência continuava a mesma, mas a percepção das pessoas era diferente. Uma coisa é estar todos os dias nos jornais “morreu não sei quem, morreu outro”. Outra coisa é isso ir parar no fundo da página, a percepção não é a mesma.


Mas faço duas ponderações em relação a isso. Primeiro que esse poder não é absoluto. Se fosse estávamos roubados. Sempre há a capacidade de mediar com isso, baseado em outros fluxos que esse cidadão recebe. Família, educação, a inserção dele em outros vínculos sociais, se ele tem militância política, se ele pertence a algum grupo social específico. Assim ele desenvolve “anticorpos” a esse discurso da mídia, que pode ser maior ou menor dependendo do assunto, da vinculação social e inclusive em alguns momentos isso escapa ao controle da mídia. Ficou evidente, por exemplo, que a Globo, se ela não massacrou o Lula, ela claramente fez campanha contra ele nas últimas eleições. E o Lula ganhou. Acho que a própria sociedade começa a olhar para a mídia de uma forma diferente. A televisão já começa, para uma camada da população, de deixar de ser a única fonte de informação, a internet já cumpre um papel, mesmo quem não tem computador vai em Lan House.


Uma outra ponderação que eu faço é que a mídia tem dois poderes. Um é o de influenciar o debate. E outro que talvez seja até mais importante e que em grande medida é negligenciado. É menos dizer o que as pessoas vão dizer sobre determinado assunto, e mais influenciar que assuntos serão discutidos. Por exemplo, se a Globo faz uma matéria sobre violência, mesmo que ela paute massacrando, de que devemos ter reações do tipo prender o cara com 10 anos de idade ou a pena de morte, no dia seguinte, no botequim, na fila do banco, nem todo mundo vai estar concordando com a Globo. Mas com certeza esse assunto será discutido na fila do banco. Ou seja, a Globo conseguiu pautar o debate.