terça-feira, 9 de setembro de 2008

Fausto Wolff

No dia da sua morte, saia em sua coluna, no Jornal do Brasil:

"Já escrevi em algum lugar que, enquanto não nos revoltarmos contra o conceito de democracia que considera sagrado o direito de uma minoria escravizar o resto, jamais chegaremos à condição de seres humanos [...] Enquanto não se der a revolução da humanidade contra a tirania, enquanto deixarmos que nos humilhem para que possamos continuar vivendo, teremos de suportar algumas imperfeições, certos espinhos colocados em nossos sapatos ainda na infância que não podemos ou não queremos tirar".

Fausto Wolff é o autor do parágrafo acima. Ele morreu de insuficiência respiratória na noite do último dia 5 de setembro, sexta-feira. Foi escritor, editor do jornal O Pasquim, e escreveu para a revista Bundas e para O Pasquim 21, veículos que me colocaram em contato com seu texto.

O parágrafo me lembrou alguns dos comentários aqui do blog, sobre anticapitalismo, capitalismo, socialismo, comunismo... Acho que é isso que nos falta, revolta contra a tirania.

domingo, 7 de setembro de 2008

Erro na postagem

Prezados leitores,

Através da colaboração de nossa leitora Vivili, venho notificar-lhes sobre um erro que cometi: como nossa enquete foi classificada por ordem alfabética, Afonso Diniz deveria vir antes de Álvaro Cabral, o que não ocorreu.

E, hoje, 08/09 outro colaborador me atentou que ´T´vem antes de ´V´.

Infelizmente o programa não permite que conserte este erro, pois a votação está em andamento. Assim, peço desculpas a todos pelos gravíssimos erros cometidos.

Saudações de um aluno de português em aprendizagem,

Bebeto

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Reflexões Eleitorais

Teoricamente, quando se tem um quadro eleitoral tão polarizado, ou seja, com algumas candidaturas com possibilidade de vitória, a regra de pensamento é que essas candidaturas brotem de setores diferentes da sociedade, além de divergirem na linha ideológica e prática.

Espantosamente, não é o que ocorre em Valença. As quatro candidaturas com potencial vitorioso, são todas do campo conservador, regidas pelo personalismo, e, que o próprio candidato ou seu grupo político já participou das esferas de poder do município contribuindo com o não desenvolvimento da cidade, além da expropriação e exploração da classe trabalhadora, fazendo com que Valença seja um grande bolsão de pobreza e um claro exemplo do abismo social que a política assistencialista e personalista, construiu para se manter como classe dominante e se perpetuarem no poder.

Devido a essa falsa polarização, o que mais percebemos nesse momento pré-eleitoral em Valença é a lógica do voto no “menos pior”. O que é por demais perigoso, por que nem sempre o “menos pior” é o melhor, ou ainda, o “menos pior” pode ser tornar o pior num futuro bem próximo. Já que é uma linha muito tênue que os separa, por isso é bom tomarmos um cuidado especial com esse tipo de análise.

Vale fazer uma ressalva que não existem só essas candidaturas, deve se analisar também as candidaturas com menos recursos, que aparecem menos, por motivos óbvios, não fazem parte do mecanismo de cooptação burguesa.. Talvez essas candidaturas possam aparecer com uma nova possibilidade e uma nova perspectiva de se fazer política em Valença, mostrando viável uma nova alternativa, ou não.

Esta bem claro que a cidade de Valença, não precisa mais de personagens que só por sua presença vão solucionar toda a problemática que envolve a cidade. Enquanto essa política personalista que sempre envolveu a cidade continuar não encontraremos soluções viáveis para a juventude, para o campesinato, para o desemprego, para habitação, enfim, para tantas demandas sociais que se fazem presentes hoje em nosso município.

Portanto, é fundamental que abandonemos os personagens (já que por trás deles há um forte grupo político) e as promessas eleitoreiras e nos atenhamos na questão programática e no histórico político dos candidatos. Pois, a partir do programa teremos a sensibilidade de perceber qual o comprometimento dos candidatos com as verdadeiras necessidades que a cidade e a sociedade apresentam. E, observando o histórico poderemos analisar o que eles já realizaram ou deixaram de realizar nessa cidade que tanto precisa de uma revolução política para tomar um caminho de mudanças estruturais com desenvolvimento alternativo, para a construção de uma sociedade justa, democrática, fraterna, sem exploração do homem pelo homem, focalizando sempre um caminho anticapitalista.

Pois tanto em Valença, como no Brasil, na América Latina e no Mundo não há espaço para a conciliação de classes!


Danilo Neves Vieira Serafim , estudante de Direito

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Grupo Arte Ofício

O grupo teatral Arte Ofício e mais trinta artistas valencianos promoverão show beneficente para o Natal das crianças pobres.

O evento denominado de“Quem sabe faz ao vivo, fazendo uma criança sorrir” acontecerá no dia 13 de setembro, sábado, às 20:00 horas, no Teatro Rosinha de Valença e contará com música, dança, poesia, teatro e outras atividades culturais e artísticas.

O ingresso - um brinquedo novo - poderá ser trocado antecipadamente na Opala Sport e na Locadora do Antônio, no bairro Benfica, ou, ainda, no dia do evento. Os brinquedos serão distribuídos em dezembro.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Debate com os prefeitáveis

A Faculdade de Ciências Econômicas de Valença (FACEV) promoverá na quinta-feira, dia 11 de setembro, às 16:00 horas, debate dos candidatos a prefeito de Valença.

O evento será realizado no Centro de Eventos da FAA e será destinado, a princípio, à toda comunidade acadêmica e instituições convidadas. Apesar de seu caráter fechado, o debate será transmitido, ao vivo, pela Rádio Alternativa Sul FM e terá cobertura do Jornal Local.

A direção da faculdade preparou um regulamento e garantiu que os candidatos só participem mediante a assinatura de Termo de Compromisso, acatando as normas do regulamento.

Foram definidos como temas gerais os tópicos Saúde, Educação, Transportes e Desenvolvimento.

Fonte: Assessoria de Imprensa/FAA

terça-feira, 2 de setembro de 2008

2º Festival CineMúsica - Conservatória

O 2º Festival CineMúsica terá sua abertura no dia 04 de setembro, às 19:00 horas, na Praça da Matriz de Conservatória, no centro, e se estenderá até o dia 07 de setembro, domingo. O evento, totalmente gratuito, busca celebrar o encontro perfeito da sétima arte com a música e todas as formas de som que integram a mágica vivida na sala escura.

Com curadoria de Hernani Heffner, o CineMúsica traz em sua segunda edição programas que irão encantar os apaixonados por cinema. Na abertura haverá homenagem a Conservatória com exibição de Guilherme de Brito, André Sampaio e ainda a exibição de Braza Dormida, clássico do diretor Humberto Mauro, com trilha sonora especialmente composta por Carlos Eduardo Pereira, execução da Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes e regência do Maestro Marcelo Jardim.

No dia 05 de setembo, sexta-feira, está programado o lançamento do livro o Rei do Cinema, a extraordinária trajetória de Luiz Severiano Ribeiro de Toninho Vaz. O lançamento será às 20:00 horas, no Cine Centímetro, que fica na Rua José Ferreira Borges, 205 - Parque Primavera.

Maiores informações no site oficial do evento: www.festivalcinemusica.com.br


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

DER intensifica trabalhos na RJ-143, entre Conservatória e Valença

Retirado do sítio do jornal O Dia

29/08/2008 14:56:00

Rio - A RJ-143, importante rodovia localizada na Região do Médio Paraíba, está passando por uma importante obra que, uma vez concluída, alavancará o crescimento de toda a região. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão responsável pela execução dos serviços, está intensificando o ritmo dos trabalhos, no trecho compreendido entre as cidades (sic) de Conservatória e Valença, numa extensão total de 21 quilômetros. De acordo com os técnicos, já foram concluídos até o momento cerca de 40% de todos os serviços programados.

Ao todo estão sendo investidos na execução do projeto cerca de R$ 12 milhões. O governador Sérgio Cabral já autorizou e liberou a aplicação dos recursos para realização da obra. Segundo o cronograma previamente estabelecido pelo órgão, os trabalhos estarão finalizados na segunda quinzena de fevereiro.

O DER informa ainda que o trecho reformado, até então em leito natural, além de ser pavimentado, também será alargado em 3 metros para a implantação do acostamento nos dois sentidos da estrada. No momento estão sendo gerados cerca de 60 empregos, diretos e indiretos para a região. O órgão está concentrando os esforços na execução da terraplenagem, onde já foram feitos mais de sete quilômetros do total programado.

Na última etapa será implantada a nova sinalização da rodovia, com pintura de faixas e colocação de placas indicativas. Estão sendo utilizados duas escavadeiras, três tratores, uma máquina patrol, uma retrosescavadeira e dez caminhões.

A RJ-143 possui mais de 98 quilômetros de extensão, localizados entre Valença e Quatis. A estrada é usada regularmente no escoamento da produção agropecuária e hortifrutigranjeira da região. A previsão é que mais de 66 mil pessoas serão beneficiadas com a conclusão das obras.

domingo, 31 de agosto de 2008

Concurso leva professores ao FSM

Incentivar professores a discutir a idéia de tecnologia social em sala de aula é a proposta do concurso “Aprender e Ensinar Tecnologias Sociais”, promovido pela Revista Fórum e pela Fundação Banco do Brasil. O objetivo é difundir o conceito e as práticas sobre soluções reaplicáveis de transformação social para as escolas públicas do ensino fundamental e espaços de educação não-formal.

A expressão Tecnologia Social compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representam efetivas soluções de transformação social. São propostas inovadoras de desenvolvimento, construídas de forma coletiva e que permitem a disseminação de soluções para problemas voltados a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outros.

Inscrições
Professores da rede pública de ensino fundamental e de espaços não-formais de educação podem participar. As inscrições são feitas pela internet e estão abertas até o dia 31 de outubro de 2008. No ato da inscrição, o educador ganha uma assinatura da Fórum até fevereiro de 2009 e um exemplar do livro “Geração de Trabalho e Renda”.

Como resultado, todos os projetos enviados que forem certificados serão considerados finalistas, ficando todos os conteúdos disponíveis no site do Concurso para possibilidade de reaplicação das soluções propostas. Os professores autores dos cinco melhores projetos ganharão viagem e hospedagem para participar de debate sobre Educação e Tecnologia Social, no próximo Fórum Social Mundial, em Belém (PA).

Faça sua inscrição www.revistaforum.com.br/ts

. . . Compromisso de Valença pela Educação

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A eleição de 2008 será a mais disputada dos últimos tempos, num momento em que até rincões como Valença estão cientes da falência do projeto de “modernização” das elites, que se revela em sua tragédia ecológica e social. A globalização trou
xe celular, bateria, relógio, carro, bebidas, aumentou o peso de parte da população, aumentou a riqueza do mundo, mas deixou também desamparo, violência e miséria na maioria dos espaços. No Estado do Rio de Janeiro este processo é ainda mais cruel, o pensamento dominante do establishment é: quem tem mais, ganha mais e pode mais, o resto é massacrado. Para agravar, em províncias como a nossa, esta opressão é marcada na pele pelo ferro quente do “agronegócio” e seus aparelhos. Um banditismo por questão de classe.

Aqui em Valença, o setor de profissionais que trabalham na Educação (professores, auxiliares e outros) tem grande tradição de resistência e mobilização, notadamente na história do sindicato da categoria (SEPE) e na biografia de importante educadores(as) que fizeram e ainda fazem de vossas profissões quase um sacerdócio (Paula Figueira, Aparecida Santos, Danilo Serafim, Dilma Dantas, Regina Magalhães e mais duas dezenas).

Porém, com o advento do “lulismo” - política de domesticação das classes populares – e o conservadorismo religioso da classe média, as lutas e os debates para o progresso da sociedade estão bastante interditados nestes espaços. E necessário um maior comprometimento.

Tendo em vistas o momento de eleições para os governos municipais, o Sindicato dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE/RJ), junto com o JORNAL VALENÇA EM QUESTÃO, vem por meio deste propor um COMPROMISSO ELEITORAL PELA EDUCAÇÃO, notadamente à Educação Pública, aos candidatos a PREFEITO(A) E VEREADORES(AS) DE VALENÇA/RJ.


COMPROMISSO ELEITORAL DOS CANDIDATOS PELA EDUCAÇÃO DE VALENÇA, RIO DE JANEIRO, NAS ELEIÇÕES DE 2008.




1 • MANUTENÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA


A volta da escolha direta para direção de escolas talvez tenha sido a maior vitória da educação municipal nos últimos tempos. Na pedagogia que acreditamos: DIRETOR(a) DE ESCOLA É CARGO DE CONFIANÇA DA COMUNIDADE ESCOLAR E NÃO DE GOVERNOS. No (des)governo do Estado, o que assistimos é o teatro dos horrores de Sergio Cabral, onde tenebrosas transações arrepiam a vida dos profissionais de educação e do cidadão fluminense como um todo. Violência estatal, inocentes mortos, chacinas (a “política do enfrentamento”), e, nas escolas, o Assédio Moral, o Arrocho Salarial, o Favorecimento Pessoal e o Curral Eleitoreiro. Esta é a política do PMDB de Sérgio Cabral, Picciani, Garotinho, Eduardo Paes e outros.

A eleição direta e comunitária do diretor(a) de escola é a decisão política do cidadão que vive o cotidiano escolar (profissionais, pais, alunos) e deve vir atrelada a cursos de gestão e capacitação aos futuros gestores eleitos, oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação (SME).



2 • REAJUSTE SALARIAL ANUAL (data-base),


Com a aprovação do Projeto de Lei Municipal nº.70 de 26 de Abril de 2007, nós que fazemos da Educação nosso ofício, recebemos um alívio imediato no bolso tão corroído pelos desmandos passados. O PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS DA EDUCAÇÃO imediatamente incidiu em ganhos reais (aumentos de 30%) à categoria e ainda criou mecanismo de aperfeiçoamento e elevação profissional, por meio de formação acadêmica e experiência em serviço.

Documento que baseia a nossa estabilidade e o nosso desenvolvimento vital, a luta pelo PLANO foi longa e cansativa. Cabe agora o seu aperfeiçoamento e a GARANTIA REGISTRADA DOS CANDIDATOS pela sua defesa junto à sociedade e aos educadores.



3 • NOVO ESTATUTO PARA OS PROFISSIONAIS DO MAGISTÉRIO


Um outro COMPROMISSO que propomos aos candidatos é COMISSÃO PARITÁRIA (governo, sindicato e sociedade), COM AMPLOS PODERES PARA DECIDIR SOBRE UMA REFORMA NO ESTATUTO DO MAGISTÉRIO, legislação atrasada (1994) que precisa ser adequada ao novo Plano de Carreira (2007).

Esta Comissão terá como instrumento democrático a prerrogativa de chamar um CONGRESSO MUNICIPAL DE EDUCADORES para conceber e referendar uma nova proposta de Estatuto.



4 • REFORMA E CONSTRUÇÃO DE NOVAS ESCOLAS E CRECHES.


Em 2007 Valença recebeu R$ 11.000.000.00 (onze milhões de reais) do Governo Federal somente pelo FUNDEB. somado com o que o município é obrigado pela Constituição a gastar do seu próprio dinheiro com a Educação (R$ 15.000.000,00 - quinze milhões de reais – 25% da Receita) Na boa e honesta gestão pública, esta montante pode ainda aumentar. por outras fontes Desta maneira reivindicamos a construção de NOVAS escolas, NOVAS creches e NOVO aparelhos sócio-educacionais no âmbito do município.



5 • MANUTENÇÃO MULTIPLICAÇÃO DO HORÁRIO ESCOLAR INTEGRAL


HORÁRIO INTEGRAL para escolas-pólos, (Aparecida, João Bonito, Bairro de Fátima, Instituto de Educação, São José das Palmeiras e distritos)



6 • DESCONGELAMENTO DOS TRIÊNIOS


Se os triênios "congelados" pelos últimos prefeitos fossem pagos, as condições de aperfeiçoamento e dedicação dos professores seriam definitivamente melhores. Exigimos COMPROMISSO DE DESCONGELAR PRIMEIRA PARCELA DOS TRIÊNIOS NO PRIMEIRO ANO DE GOVERNO (2009).



7 • VALE-TRANSPORTE PARA LOCALIDADES INTER-MUNICIPAIS E GRATIFICAÇÃO DE DIFÍCIL ACESSO


Tendo em vista que Valença sempre se caracterizou por formar excelentes educadores(as), o que gera numa imigração destes profissionais para outras cidades, REIVINDICAMOS VALE-TRANSPORTE PARA O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO QUE LECIONAR ALÉM DOS MUNICÍPIOS da microrregião de Barra do Pirai, atualmente atendidos por lei.

Sendo Valença é o segundo maior município em extensão de terras do Estado, com a grande maioria do seu território localizado na zona rural do município, fica os poderes públicos compromissados com a regulamentação de uma política de GRATIFICAÇÃO POR DIFÍCIL ACESSO para a categoria.

sábado, 30 de agosto de 2008

Redução de vagas na FAA

Publicado em 27/08/08 no sítio do MEC

Em onze meses de supervisão de 81 cursos de direito, houve uma redução de 54% das vagas ofertadas. De um total de 45.042 oferecidas, foram cortadas 24.380. A adequação, junto a outras medidas propostas a cada instituição de educação superior, produz efeito imediato na qualidade do ensino. A redução das vagas implica na diminuição do número de estudantes por professor. Outra ação prioritária é a qualificação do corpo docente.

O processo de supervisão teve início em outubro de 2007. À época, 81 cursos de direito foram notificados pelo Ministério da Educação por terem registrado conceitos inferiores a três no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). Os cursos também apresentaram baixos índices de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em janeiro deste ano, 29 cursos assinaram termo de saneamento de deficiências com o MEC, eliminando cerca de 6,3 mil vagas. Em maio, mais 22 cursos assinaram o termo de compromisso e diminuíram 14,2 mil vagas. Os 30 restantes passaram por verificação in loco entre os meses de maio e junho. Em julho, também assinaram o documento e reduziram em torno de 3,6 mil vagas.

O termo de saneamento de deficiências define medidas específicas para cada instituição, incluindo a redução do número de vagas, e tem validade de até 12 meses a partir da assinatura. Após este período, a instituição será reavaliada pelo MEC. Além da redução de vagas, são previstas outras ações, como melhoria do perfil do corpo docente (titulação e regime de trabalho), estruturação do núcleo de prática jurídica, reorganização de turmas, revisão do projeto pedagógico, adequação da estrutura física e dos recursos de apoio e aquisição e manutenção de equipamentos e sistemas.

A comissão de especialistas da Secretaria de Educação Superior inicia, agora, a fase de acompanhamento do cumprimento dos termos. No último dia 13, os 29 cursos que assinaram o compromisso em janeiro apresentaram relatórios parciais do andamento da implementação das medidas propostas. Em novembro, será a vez das 22 instituições seguintes prestarem contas e em fevereiro de 2009, as 30 últimas.

Em julho de 2009, os 81 cursos já deverão ter cumprido todas as metas e, no mesmo ano, passarão por novo Enade. Caso a comissão de supervisão verifique que as medidas acordadas não foram cumpridas adequadamente, podem ser tomadas medidas mais drásticas e de implementação imediata.

Letícia Tancredi

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Valença na Mídia (pra variar: ou é desgraça ou é safadeza!)



DEU NO JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO":

Justiça desmonta fraude em áreas de preservação no PA

LINK: http://www.estadao.com.br/geral/not_ger230548,0.htm

CARLOS MENDES - Agencia Estado

BELÉM - O juiz federal Antonio Carlos Campelo, de Altamira, no sudoeste do Pará, determinou hoje o bloqueio de 34 títulos de terra obtidos mediante fraude da fazenda Juvilândia, de 1,3 milhão de hectares, localizada dentro da Reserva Extrativista do Iriri e da Estação Ecológica da Terra do Meio, unidades de conservação federais situadas em uma das regiões mais cobiçadas e devastadas da Amazônia. O tamanho da fazenda grilada equivale à metade do estado de Sergipe.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), os títulos foram emitidos em nome de 49 pessoas físicas e jurídicas, a maioria "laranja". O proprietário da área, o fazendeiro Júlio Vito Pentagna Guimarães, residente no Rio de Janeiro, é acusado de fraudar os registros da terra no cartório de Altamira. O fazendeiro montou duas empresas para fazer os registros falsos, segundo o MPF. Osmar Ferreira, o "rei do mogno" na Amazônia, também participou do esquema, assim como outros parentes de Guimarães.

A utilização de "laranjas" como titulares das terras foi necessária, segundo o MPF, porque os títulos não poderiam ter nenhuma aparência de legalidade se tivessem um único proprietário. "As leis paraenses não permitem a concessão de posses acima de 4.356 hectares por ocupação primária, modalidade escolhida por Guimarães para disfarçar a grilagem", disse o Ministério Público.

A denúncia destaque um aspecto comum entre os supostos proprietários das terras nas unidades federais de conservação em Altamira: a maioria deles reside em Valença (RJ). O prefeito de Rio das Flores (RJ), Vicente de Paula Souza Guedes, também é um dos envolvidos. Nem ele nem o fazendeiro Guimarães foram localizados para comentar a denúncia do MPF.




DEU NO SÍTIO ELETRÔNICO DA "JUSTIÇA FEDERAL DO PARÁ:

LINK: http://www.pa.trf1.gov.br/noticias/ver.php?id=621

Mais de 30 títulos fraudulentos são bloqueados em Altamira

O juiz federal substituto Antonio Carlos Almeida Campelo, da Subseção de Altamira, mandou bloquear 34 títulos de terra fraudulentos referentes à fazenda conhecida como Juvilândia. A propriedade, segundo o Ministério Público Federal, ocupa irregularmente mais de 1 milhão e 300 mil hectares da Reserva Extrativista do Iriri e da Estação Ecológica da Terra do Meio, unidades de conservação federais.

Além de determinar o bloqueio, o juiz também proibiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de fazer qualquer pagamento de indenização aos donos dos títulos e fixou multa de R$ 100 mil se a decisão for descumprida.

Campelo tomou a decisão, em caráter liminar, ao apreciar ação civil pública que o MPF ajuizou. Os mais de 1 milhão e 300 mil hectares que formam a fazenda foram grilados, segundo informou o Ministério Público. Além disso, os ribeirinhos que moravam na região foram expulsos de forma violenta. São cerca de 200 famílias que, a partrir de 1977 (quando as fraudes começaram), receberam a visita de seguranças armados que falavam em nome de Julio Vito Pentagna Guimarães, fazendeiro acusado de planejar e executar as fraudes.

“Laranjas” - Os títulos fraudulentos agora bloqueados por determinação do juiz federal Antonio Carlos Campelo estão em nome de 49 pessoas físicas e jurídicas mas. O MPF considera, no entanto, que a maioria das pessoas são “laranjas”, que emprestaram seus nomes – algumas vezes sem o saber - para Julio Vito. Ele constituiu duas empresas para fazer os registros falsos: Juvilândia Empreendimentos da Amazônia S.A e Lester Indústria e Comércio Ltda. A empresa Serraria Marajoara S.A (Semasa) também participou, assim como muitos parentes do empresário.

“Os “proprietários” de terras nas unidades de conservação da Terra do Meio têm o mais diverso perfil. Alguns são parentes de Júlio Vito Pentagna, e os demais, certamente, conhecidos seus, são quase todos residentes em Valença (RJ). Pessoas sem a menor ligação com aquelas terras, em que vale ressaltar um prefeito de uma cidade do Rio de Janeiro”, informa a ação civil pública.

Segundo o Ministério Público, o uso de “laranjas” como titulares das terras foi necessário porque os títulos não poderiam ter nenhuma aparência de legalidade se tivessem um único proprietário, já que as leis estaduais não permitem a concessão de posses acima de 4.356 hectares por ocupação primária, modalidade escolhida por Pentagna para disfarçar a grilagem.

Plataforma de políticas de juventude

Uns dias atrás, postei o que o Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro organizou e está organizando em relação às eleições municipais na capital carioca. Eles realizaram um Encontro de Galeras e discutiram, junto aos jovens, políticas públicas de juventeudes que deveriam ser pensadas pelos candidatos. Mais do que isso, eles fariam um encontro com os candidatos e estes poderiam se comprometer ou não com as propostas dos jovens.

Iniciativa louvável, que elogiei, e terminei a postagem afirmando que faltava algo assim em Valença. Um anônimo (temos vários), perguntou então porquê não fizemos. A pergunta pode ter sido mesmo simplória, e ele apenas perguntou porque não fizemos, já que tivemos acesso a essa discussão, etc.

Minha resposta, talvez não muito ‘carinhosa’, era que nos faltavam pernas para realizar evento desse porte em Valença. Talvez tenha sido uma resposta meio grosseira, e por não saber qual a intenção do anônimo com sua pergunta, fiquei me sentindo um pouco ignorante.

A resposta continua a mesma, faltam-nos pessoas que colaborem, que estejam em Valença e tenham disposição e tempo para realizar esse tipo de trabalho. Minha ‘irritação’ em relação à pergunta é que fica parecendo que nós temos obrigação de fazer esse tipo de coisa, como se não fosse algo que deveria ser feito por qualquer pessoa.

O anônimo mesmo poderia ter tomado a iniciativa e feito algo desse tipo. Por que ele não fez? Por que nem ele nem ninguém em Valença fez? Porque tem que existir um grupo disposto a fazer isso. E Valença está carente de mobilização política (estou falando de política como algo amplo, não disputa eleitoral ou partidária).

Bom, o que aconteceu é que, em conversar com o pessoal do Fórum de Juventudes do Rio, vamos fazer uma adaptação do documento para apresentar aos candidatos de Valença nas próximas eleições e possibilitar que eles se comprometam. Não vai ser um processo tão forte como o realizado no Rio, em que os jovens tiveram participação direta. Vamos adaptar um documento produzido por jovens de outra cidade. Mas não deixa de ter importância.

A plataforma de políticas públicas vai ser apresentada aos candidatos no debate que vai ser realizado pelo SEPE em parceria com o Valença em Questão, com data a ser definida em breve.

Teatro Rosinha de Valença

Espetáculo "Pretas por ter", dias 13 e 14 e 20 e 21 de setembro, no Teatro Rosinha de Valença, sempre às 20 horas.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O petróleo é vosso

Contribuição do jornalista Antônio Augusto, que sempre colabora com o VQ, e agora nos recomenda este texto retirado do sítio Direto da Redação. A autoria deste artigo (que foi editado para ser postado aqui) é de Mário Augusto Jakobskind.

O PETRÓLEO É VOSSO

Quem acompanha nestes dias as informações e comentários sobre a exploração das reservas petrolíferas do pré-sal constata que há um clima de nervosismo na turma do “petróleo é vosso”. De Arnaldo Jabor a Miriam Leitão, passando por Carlos Alberto Sardenberg e outros que ocupam o espaço midiático conservador, todos foram unânimes em questionar os defensores de a riqueza do pré-sal ficar com os brasileiros e não ser diluída nas mãos de empresas multinacionais do setor.

Trocando em miúdos: tanto eles, colunistas, como seus superiores hierárquicos, querem que as grandes empresas petrolíferas tomem conta das riquezas de uma vez por todas. E chegam até a advertir Lula, que pelo menos na retórica está defendendo a preservação da reserva petrolífera sob o controle brasileiro.

A jóia do pensamento pró-multinacional ficou por conta de Sardenberg ao afirmar que “esse negócio de petróleo é nosso”, “riqueza nas mãos dos brasileiros” é, pasmem, “coisa do passado”, “populismo”.

O hoje sócio do Teatro Casa Grande, David Zilberstajn, o tal genro nomeado por Fernando Henrique Cardoso para a Agência Nacional de Petróleo e que ao se reunir com representantes de multinacionais petrolíferas cunhou a frase “o petróleo é vosso”, está de volta na defesa de interesses antinacionais. Na era FHC, Zilberstajn, o genro, tornou-se um dos mais ardorosos defensores da entrega da estatal brasileira de petróleo para os acionistas estrangeiros, que hoje chegam a 60%.

Os mesmos propulsores desta privatização pelas beiradas são os veementes defensores de que as riquezas energéticas do pré-sal sejam exploradas pelas multinacionais e pregam a continuidade dos leilões de petróleo. De saída, sem qualquer tipo de discussão mais aprofundada, a tal patota se colocou contra a criação de uma estatal para cuidar melhor desta riqueza.

Aliás, esta turma pós-moderna não traz nada de novo. Ela sim é “coisa do passado”, uma vez que os argumentos hoje apresentados reproduzem o que a mídia conservadora nos anos que antecederam a criação da Petrobrás (final dos anos 40 e início dos 50) dizia.

Claro, não adianta nada criar uma estatal de um lado e do outro conceder as facilidades para que a maior parte da riqueza fique com as multinacionais, como fez FHC. Mas a bancada do “petróleo é vosso” nem quer ouvir falar em estatal, ainda por cima se ela for controlada pelo povo brasileiro e não por quem o grupo defende e possivelmente é subsidiado.

Nenhum dos tais analistas foi capaz de associar a reativação da IV Frota dos Estados Unidos com as riquezas do pré-sal. Na verdade, tanto a Secretária de Estado, Condoleezza Rice, o vice Dick Cheney e o próprio presidente George W. Bush só agem em conformidade com as empresas petrolíferas que estão de olho no nosso litoral. O trio sinistro inventou vários argumentos para justificar a reativação IV Frota. Chegaram até a falar em “ação humanitária”.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

5º Circulando

É sábado agora, dia 30, no conjunto de favelas do Alemão, no Rio. Evento imperdível!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Vacinação contra Rubéola

A Secretaria Municipal de Saúde, através do Setor de Imunização, informa que no próximo dia 30 de agosto será realizada mais um dia “D” de vacinação contra Rubéola. A vacinação é destinada a homens e mulheres na faixa etária de 12 a 39 anos. Esta campanha teve início no dia 09 de agosto e se estenderá até o dia 12 de setembro. Aqueles que já foram vacinados no primeiro dia da campanha não precisam repetir a dose.

No dia 30 de agosto funcionarão 23 postos de vacinação, das 8:00 às 17:00 horas: Sala de Vacina Central, na Rua Castro Alves, n. 97, no centro; PSF (Programa Saúde da Família) do Parque Pentagna; PSF da Biquinha; PSF do Cambota; UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Valença; UBS do Carambita; UBS do Ciep São José das Palmeiras; PSF de João Bonito; PSF de Osório; PSF de Pentagna; PSF de Parapeúna; UBS do Bairro de Fátima; UBS da Passagem; UBS de João Dias; PSF de Chacrinha; UBS de Varginha; UBS do Canteiro; PSF de São Francisco; UBS de Quirino; UBS de Barão de Juparanã; PSF de Conservatória; PSF de Santa Isabel; e na Rua dos Mineiros (Tenda).

Já até o dia 12 de setembro a vacina estará disponível de segunda à sexta-feira, das 8:00 às 17:00 horas, nos seguintes locais: Sala de Vacina Central; PSF do Parque Pentagna; PSF da Biquinha; PSF do Cambota; PSF de João Bonito; PSF de Osório; PSF de Pentagna; PSF de Parapeúna; PSF de Chacrinha; UBS do Canteiro; PSF de São Francisco; UBS de Barão de Juparanã; PSF de Barão de Juparanã; PSF de Conservatória; e PSF de Santa Isabel.

Fonte: www.valenca.rj.gov.br

domingo, 24 de agosto de 2008

Pesquisa

Pessoal,

O VQ faz sua pesquisa eleitoral e conta com sua colaboração.

Escolha ao lado em qual candidato irá votar para prefeito nas próximas eleições.

Obrigado.

sábado, 23 de agosto de 2008

A prevenção da aids e do uso de drogas é uma responsabilidade de vida


Professor, ensinar a viver é um compromisso de todos. Promova um concurso de histórias em quadrinhos (HQ) na sua escola sobre prevenção às DST/AIDS e ao uso de drogas econcorra com participantesde todo o país. A educação preventiva para DST/AIDS e uso de drogas qualifica jovens e adultos para o exercício de bem viver.

Envie a HQ da sua escola até o dia 26 de setembro de 2008 para: SAS - Q. 05 - Bloco H - Lote 6 - Ed. CNPq/UNESCO - 9º Andar - CEP 70.070-914 - Brasília - DF.

Podem participar escolas públicas de ensino fundamental, médio e inclusive Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Para conhecer o regulamento completo da sétima edição do Prêmio Escola, acesse http://www.unesco.org.br/areas/educacao/premioescola2008/mostra_padrao

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

CARLOS LATUFF - Arte para Revolução

Beleza de entrevista do Latuff para o Fazendo Media.



Boa leitura a tod@s!
















CARLOS LATUFF - Arte para Revolução


Sala lotada, treze pessoas com a atenção totalmente voltada para o desenhista Carlos Latuff, três horas de conversa. Perto do aniversário de 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente e de 15 anos da “Chacina da Candelária”, um dos desenhos de Latuff foi utilizado em outdoors na cidade do Rio de Janeiro. A iniciativa visava chamar a população para uma manifestação contra a violência policial. O governador considerou o desenho ofensivo e em quatro dias o outdoor foi recolhido. Para Latuff foi uma pequena vitória. É o que ele nos conta nessa entrevista histórica, a segunda que concede ao Fazendo Media impresso – republicada excepcionalmente aqui no fazendomedia.com.

Por Diego Novaes, Eduardo Sá, Fernanda Chaves, Gilka Resende, Leandro Uchoas, Lorena Bispo, Luana Bispo, Luis de Gonzaga, Marcelo Salles, Maubia Chaves, Raquel Junia, Sergio Santos e Tatiane Mendes.


Tem uma frase de maio de 68 que diz assim: “nunca mais volta a dormir aquele que uma vez abriu os olhos”. Quando é que você abriu os olhos?
Que frase bonita! Eu não sei, eu lembro que o processo se desencadeou com os Zapatistas mesmo [movimento Zapatista, do México]. Eu sempre tive um incômodo com a realidade que me cercava, mas eu nunca objetivei, eu tinha aquelas revoltas juvenis, aquela coisa de adolescente revoltado, aí depois que cresce baixa o fogo e vira yuppie, civiliza. Mas o golpe fatal foi na Palestina. Aliás, eu vou contar um negócio aqui que eu achei do caralho. Eu estava no computador e aí pipocou uma pessoa no meu MSN. Era a Laila de Rafa, em Gaza [Palestina] e abriu uma câmera. Ela passou toda a conversa com um sorriso de lado a lado. A mulher vive em Gaza, com bloqueio de comida, de medicamento, de combustível, de passagem física, de tudo, e a mulher sorriu à vontade porque estava me vendo. Eu pensei assim: ‘caralho, é como se você visse uma pessoa em Sarajevo com bomba caindo e a pessoa sorrindo porque está te vendo. Por quê, eu sou um homem bonito?’


Não, com certeza não.(risos)
É porque fazia diferença para ela e para as pessoas que ela conhece. Esse trabalho de cartunista fez tanta diferença para uma pessoa que mora em Gaza a ponto de ela esquecer onde ela está vivendo para ficar sorrindo só falando comigo. O que mais comove o palestino é uma pessoa que não é mulçumana, não é árabe, que mora longe, brasileiro, se colocar a favor do povo palestino.



Como foi que o seu desenho foi parar no outdoor aqui na cidade do Rio...
A princípio, eu e o Marcelo [Salles] conversamos muito sobre a produção de imagens que possam ser apropriadas pelo movimento social. Porque a intenção foi essa, a gente primeiro criou aquela imagem, discutiu e eu publiquei na internet e fiquei aguardando. A minha parte como produtor dessa imagem eu fiz, assumi o risco de fazer e assinar. Sempre quando produzo alguma coisa tenho esse pensamento de que esse desenho possa não ser circunscrito à internet ou a um jornal. Ele precisa ser copyleft [livre reprodução] e atingir um sem número de pessoas. Aí veio o representante do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente e falou que estava pensando em fazer um outdoor e usar um desenho meu. Eu falei: ‘Cara, eu já tenho um desenho pronto. Se não for pra pegar pesado nessa questão eu não vou fazer. Se for pra desenhar pombinha da paz, criancinhas alegres eu não vou fazer’.

Por que não?
Porque é babaquice, é o Viva Rio [ONG Viva Rio] fincar cruzinhas na praia, balãozinho vermelho... Isso aí não quer dizer porra nenhuma! Porque com isso você pede paz, mas não diz quem causa a guerra. É um troço vazio. E ele me perguntou o que é pegar pesado. Eu respondi: ‘é mostrar uma criança baleada, vítima dessa política, é mostrar sangue, violência, mas dentro de um contexto diferente desse que você vê no Rambo, no Tropa de Elite, entendeu? Um contexto nosso, a realidade como é de fato.’ Aí ele falou para eu mandar o desenho. Eu mandei e não me responderam nada, pensei que o desenho tinha sido vetado.

É bom dizer o que tem no desenho...
É um policial diante de uma mãe negra abraçada a uma criança morta, também negra e baleada no peito. O garoto tem o uniforme de colégio e um caderno caído no chão. O policial está ao lado com um fuzil que acabou de atirar, ainda com a fumacinha no cano, no fundo tem uma favela e do outro lado tem um caveirão distribuindo tiro pra todo lado.

















Então eles preferiram esse desenho à pombinha da paz...
É, me deixou satisfeito o Conselho ter a coragem de bancar o desenho. Aí gerou toda aquela polêmica, o artigo de O Globo cita como uma imagem polêmica. Mas por quê? A realidade não é polêmica, a imagem é que é polêmica. Quando você mostra, choca; estranho, né? É a lógica da sociedade hipócrita e doente; tem certas coisas que a gente sabe que existem, mas não pode externar, não pode colocar numa imagem e mostrar.

Acho que é por causa da linguagem que alcança mais gente e é isso que incomoda...
Mas aquela imagem na verdade não é uma criação literária.


Você acha que foi alvo de censura?
Isso pra mim não é novidade nenhuma, a história mais recente foi aquela da camisa do Cauê no Pan [personagem criado para ser mascote dos Jogos Panamericanos no Rio. Latuff desenhou uma versão do Cauê com um fuzil na mão, representando a violência policial, e recebeu a visita da polícia em sua casa para explicar o desenho]. Você tem o fascismo clássico, o racismo clássico. Nós aqui na mesa temos duas meninas negras que podem até falar muito bem disso. Se eu, por exemplo, morar no Tennessee, o cara vai chegar na lata e falar ‘negra, fuck you negra!’, mostrando a camisa com o emblema da Ku Klux Klan. Nos Estados Unidos o negócio é descarado, na lata. Na África do Sul já era política de estado, tinha aquela coisa de colored people. No Brasil é um racismo cordial. Dizem: ‘Eu não sou racista, eu tenho um amigo que é preto. Eu não sou homofóbico, eu tenho um amigo que é viado’.

Ou então você é moreninho...
Moreninho. Essas historinhas que na verdade mascaram o racismo objetivo, mas ninguém chega e fala “eu sou racista”. O fascismo é assim também no Brasil, é cordial. Claro, se for na favela é diferente, é pé na porta e o caralho. Agora esse caso do outdoor, como foi feito por um Conselho do Estado e o cara que estava à frente é um desembargador [Siro Darlan] as coisas se resolvem na base do telefonema. Se fosse um regime fascista clássico, tacava fogo no outdoor, invadia a empresa e dava porrada em todo mundo. Aqui eles não vão entrar e quebrar tudo, eles dão um telefonema para o dono - como em Israel, quando colocaram no Centro de Mídia Independente uma ilustração minha, que era o Ariel Sharon fazendo a saudação nazista. A polícia não chutou a porta da empresa de internet, deu porrada em todo mundo e tirou o site do ar. O cara ligou para o dono e falou assim: ‘Se você não tirar o site do ar a gente te mata’. Aí as coisas se resolvem, sabe...

Qual o papel da polícia na manutenção da ordem capitalista, tanto na política de segurança do governo Sergio Cabral, no Rio, quanto em outros governos baseados no extermínio?
Eu tenho certeza que o Sérgio Cabral é um cara que tem formação, não é um cara idiota. Ele sabe direitinho sobre socialismo, sabe que esse problema, se é para ser resolvido de fato, vai ter que ser no âmago da questão, que é estrutural. Porque essa coisa de troca de tiro e partir para cima é enxugar gelo, ele sabe disso, mas ele sabe que não tem outra alternativa. Ele não quer e não vai solucionar o problema do capitalismo, ele não foi eleito para isso, então essas operações na verdade são pirotécnicas.

Eles não vão lá num banco da Suíça pegar o cara que está ganhando em cima do tráfico...
E também não vão a Brasília. Não vão pegar um juiz que está envolvido, não vão pegar graúdo, não vão pegar ninguém, porque aí vão atirar no próprio pé. Entra na questão sistêmica, ele não pode combater o sistema do qual ele saiu. É o Matrix, a gente vive as sensações, a de segurança é uma delas. O Josias Quintal, que foi o secretário de segurança aqui no Rio de Janeiro no governo Garotinho, deu uma declaração que eu nunca mais vou esquecer. Eles conseguiram um acordo com as Forças Armadas para colocar a Marinha nas ruas por certo período. Ele falou assim: ‘Eu estou muito satisfeito com esse convênio firmado com as Forças Armadas de colocar os soldados na rua porque isso dá à população a sensação de segurança’. É isso, não importa se existe a segurança, importa a sensação de segurança. Ele não vai dar segurança, porque para isso ele precisa atacar as questões sistêmicas e não tem condições de fazer isso.

E como a gente combate esse sistema?
Eu acho que o combate só quem pode dar é a esquerda, qualquer um que apresente uma solução fora da esquerda é maquiar o cadáver, é jogar perfume num monte de estrume. É melhorar o capitalismo, é novamente o discurso pós-moderno de que acabou a história, o muro caiu e não tem mais luta de classe, não tem mais esquerda e direita, é só o mercado que rege nossas vidas.


Você acredita na mudança do mundo?
Não, mas eu me comovo de ver como um povo pode ser resistente como o palestino. Como pode, meu Deus! E os filhos da menina [Laila, de Rafa] sorridentes, crianças lindas, meu Deus! Aí você abre o jornal e vê: ‘o palestino é o homem-bomba, o palestino é o terrorista’. Você vê a supra-realidade. ‘O palestino é isso, o palestino é aquilo, o favelado é o bandido’ E você abre a webcam e vê: puxa, ela põe um quadro na parede, ela tem uma vida, ela é de carne e osso, ela é gente, ela é humana. Como artista, eu acho que o que eu posso fazer são essas coisas, entendeu? Como o outdoor. Ficou quatro dias, mas já foi uma vitória.

Por que você não fala com a grande imprensa?
Porque se ela não for omitir, ela vai distorcer; então se for para me sacanear, os caras vão fazer isso sozinhos e não vão precisar da minha ajuda. Você acha que O Globo faria isso que você está vendo aqui? Só se eu fosse o superstar da política e olhe lá. Aquela menina do Globo escreveu no artigo que eu não dou entrevista para a imprensa. É uma mentira, meu problema não é com a imprensa, é com essa imprensa. A imprensa corporativa, de rabo preso.

Como você define ser de direita?
É simples: é quando você privilegia o capital acima do social. Melhor definição: quando você dá mais importância ao capital em detrimento do social. Isso é direita, isso é o capitalismo, isso é o neoliberalismo, isso é o pós-modernismo. Quando você privilegia o social em detrimento do capital, é o internacionalismo, é o socialismo, é o comunismo, é o anarquismo, é a esquerda.

Engraçado, ninguém se diz de direita.
Não tem um que diga...Não tem. Eu ainda sou mais o Le Pen [Jean-Marie, político francês da extrema direita]. Ele diz literalmente que é fascista. Ótimo, parabéns. Fica mais fácil a gente te combater. Agora, o cara do PFL vem dizer que é democrata?! Pena que essa discussão só fica entre a gente.

Que nada. Milhares de pessoas vão ler essa entrevista...
Que elas vão ler essa entrevista, não tenho dúvida. Se elas vão tomar alguma atitude a partir dela, é que eu não sei. Também não importa. Mas a gente tem que fazer. O que vai acontecer em seguida não importa. Tá bom pra vocês?

Retirado do site

http://fazendomedia.com/2008/entrevista20080821.htm

Fazendo Média

Quem são:"Somos profissionais e estudantes de Comunicação Social, História e Educação e procuramos entender a chamada grande mídia a partir de suas relações com o poder político-econômico estabelecido, para então compreender seus mecanismos que, mais do que formar opinião, são capazes de moldar percepções, criar paradigmas e reproduzir os interesses do status-quo, deixando em segundo plano sua função social."

Jovens apresentam agenda de políticas publicas aos candidatos

Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro se encontra no dia 2 de setembro com os candidatos à prefeitura do Rio e entregam Agenda de Políticas Públicas de Juventude

Os candidatos ao cargo de prefeito do Rio de Janeiro foram convidados pelo Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro para um debate com os jovens da cidade. O debate acontece no dia 2 de setembro, às 17 horas, no auditório do Clube de Engenharia. No evento os jovens entregarão aos candidatos uma agenda das políticas públicas de juventudes produzida pelos jovens.

A agenda foi produzida durante um Encontro de Galeras organizado pelo Fórum em agosto (veja vídeo abaixo sobre este encontro), onde os jovens, a maioria moradores de favelas e periferias da cidade, discutiram quais as políticas públicas devem ser priorizadas num próximo governo nas áreas de educação, saúde, cultura e habitação.

A proposta desse debate com os candidatos é, além de expor as preocupações e expectativas dos jovens da cidade, fazer com que se comprometam com as políticas públicas preconizadas pelos jovens durante o Encontro de Galeras.

Faltou fazer algo assim em Valença...