segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Trinta anos sem o gênio Mané Garrincha

"OLÉ" NASCEU NO MÉXICO


(Texto extraído do livro Os Subterrâneos do Futebol, de João Saldanha, lançado em 1963 pela editora Tempo Brasileiro)



O Estádio Universitário ficou à cunha. Cem mil pessoas comprimidas para assistir ao jogo. É muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida. Vários grupos de "mariaches" comparecem. Estes grupos, que formam o que há de mais típico da música mexicana, são constituídos de um ou dois "pistões" e clarins, dois ou três violões, harpa (parecida com a das guaranias), violinos e marimbas. As marimbas são completamente de madeira, mas não vão ao campo de futebol, sendo substituídas por instrumentos pequenos. O ponto alto dos "mariaches" é a turma do pistão, do clarim e o coro, naturalmente. No campo de futebol, os grupos amadores de "mariaches" que comparecem ficam mais ativos em dois momentos distintos: ou quando o jogo está muito bom e eles se entusiasmam, ou, inversamente, quando o jogo está chato e eles "atacam" músicas em tom gozador. No jogo em que vencemos ao Toluca, que estava no segundo caso, os "mariaches" salvaram o espetáculo.

O time do River era, realmente, uma máquina. Futebol bonito e um entendimento que só um time que joga junto há três anos pode ter. Modestamente, jogamos trancados. A prudência mandava que isto fosse feito. De fato, se "abríssemos", tomaríamos um baile.

Foi um jogo de rara beleza. E não foi por acaso. De um lado estavam Rossi, Labruña, Vairo, Menéndez, Zarate, Carrizo. De outro, estavam Didi, Nilton Santos, Garrincha etc. Jogo duro e jogo limpo. Não se tratava de camaradagem adquirida em quase um mês no mesmo hotel, mas sim da presença de grandes craques no gramado. A torcida exultava e os "mariaches" atacavam entusiasmados.

Estava muito difícil fazer gol. Poucas vezes vi um jogo disputado com tanta seriedade e respeito mútuos. Mas houve um espetáculo à parte. Mané Garrincha foi o comandante. Dirigiu os cem mil espectadores. Fazendo reagirem à medida de suas jogadas. Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do "Olé", tão comumente utilizada posteriormente em nossos campos. Não porque o Botafogo tivesse dado "Olé" no River. Não. Foi um "Olé" pessoal. De Garrincha em Vairo.

Nunca assisti a coisa igual. Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um "Olé" daquele tamanho. Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: "Ôôôôô"! O som do "olé" mexicano é diferente do nosso. O deles é o típico das touradas. Começa com um ô prolongado, em tom bem grave, parecendo um vento forte, em crescendo, e termina com a sílaba "lé" dita de forma rápida. Aqui é ao contrário: acentua-se mais o final "lé": "Olééé!" – sem separar, com nitidez, as sílabas em tom aberto.



Verdadeira festa. Num dos momentos em que Vairo estava parado em frente a Garrincha, um dos clarins dos "mariaches" atacou aquele trecho da Carmem que é tocado na abertura das touradas. Quase veio abaixo o Estádio Universitário.

Numa jogada de Garrincha, Quarentinha completou com o gol vazio e fez nosso gol. O River reagiu e também fez o dele. Didi ainda fez outro, de fora da área, numa jogada que viera de um córner, mas o juiz anulou porque Paulo Valentim estava junto à baliza. Embora a bola tivesse entrado do outro lado, o árbitro considerou a posição de Paulinho ilegal. De fato, Paulinho estava "off-side". Havia um bolo de jogadores na área, mas o árbitro estava bem ali. E Paulinho poderia estar distraindo a atenção de Carrizo.

O jogo terminou empatado. Vairo não foi até o fim. Minella tirou-o do campo, bem perto de nós no banco vizinho. Vairo saiu rindo e exclamando: "No hay nada que hacer. Imposible" – e dirigindo-se ao suplente que entrava, gozou:

– Buena suerte muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá.

O jogo terminou empatado e uma multidão invadiu o campo. O "Jarrito de Oro", que só seria entregue ao "melhor do campo" no dia seguinte, depois de uma votação no café Tupinambá, foi entregue ali mesmo a Garrincha. Os torcedores agarraram-no e deram uma volta olímpica carregando Mané nos ombros. Sob ensurdecedora ovação da torcida. No dia seguinte, os jornais acharam que tínhamos vencido o jogo, considerando o tal gol como válido. Mas só dedicaram a isto poucas linhas. O resto das reportagens e crônicas foi sobre Garrincha.

As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao "Olé". As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o "Olé". Foi assim que surgiu este tipo de gozação popular, tão discutido, mas que representa um sentimento da multidão.



Já tentaram acabar com o "Olé". Os árbitros de futebol, com sua inequívoca vocação para levar vaias, discutiram o assunto em congresso e resolveram adotar sanções. Mas como aplicá-las? Expulsando a torcida do estádio? Verificando o ridículo a que estavam expostos, deixam cada dia mais o assunto de lado. É melhor assim. É mais fácil derrubar um governo do que acabar com o "Olé".

Não poderia ter havido maior justiça a um jogador que a que foi feita pelos mexicanos a Mané Garrincha. Garrincha é o próprio "Olé".

Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante, tão driblador. É impossível adivinhar-se o lado por onde Mané vai "sair" da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do "Olé".

*"Deixa Falar: o megafone do esporte", criação e edição de Raul Milliet Filho.
Retirado do Carta Maior

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

VQ // 48 // Editorial

O lançamento da edição 48 do VQ será no próximo sábado, dia 19 de janeiro, no Bar e Restaurante Cantinho do Churrasco, que fica na Rua Vitor Hugo, 20 - Bairro de Fátima - Valença-RJ
(Na descida da FAA, em frente ao bar Porão).

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Já passa da hora de se pensar a comunicação no Brasil
Destaques desta edição: artigo de pesquisador argentino sobre a Ley de Medios de seu país e sobre políticas de combate ao crack

No Brasil pouco se discute sobre uma lei que regulamente os veículos de comunicação, especialmente em relação à concentração de propriedades dos meios. Os movimentos brasileiros de democratização da comunicação são constantemente abafados pelos grandes veículos com a falta de informação – ou mesmo a desinformação.

Isso já indica que esta não é uma luta simples e menos ainda que será fácil em nosso país mudar a estrutura dos conglomerados de comunicação. Nesta edição do VQ trouxemos o exemplo do que vem acontecendo na Argentina, que desde 2009 vem tentando aplicar a Ley de Medios, e a disputa entre o governo de Cristina Kirchner e o conglomerado exercido pelo Clarín. Embora a discussão por lá esteja bem mais avançada do que por aqui, fica evidente o poder dos grandes meios, especialmente quando há oligopólio da informação.

Aqui no Brasil também são restritas as informações sobre o andamento da Lei de Mídia argentina. O que comumente os meios de comunicação daqui fazem é nomear a Lei como “censura” do estado aos meios de comunicação, sem se aprofundar e explicar o que de fato significa a lei. Claro, esta é uma forma de defesa das empresas brasileiras para enfraquecer qualquer tipo de mobilização contra o controle da comunicação por um número pqueno de organizações – no Brasil, seis grupos familiares comandam o oligopólio midiático: Abravanel (SBT), Civita (Editora Abril), Frias (Folha de S. Paulo), Marinho (Organizações Globo), Saad (Rede Bandeirantes) e Sirotsky (Rede Brasil Sul – RBS – em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul).

Além dessa reflexão sobre a comunicação brasileira, o VQ também destaca um debate que vem sendo feito de maneira superficial pela imprensa. A questão do crack, cada vez mais visível pelos usuários que têm aparecido em grande medida nos noticiários. O pesquisador Rodrigo Nascimento aponta a importância de se esclarecer o tema tanto para o usuário como para familiares, já que há um  desconhecimento generalizado. Mas também afirma que o tratamento por si só não resolve o problema, é preciso pensar na estruturação desses serviços e na formação de profissionais para esse tipo de atendimento.

Além disso, Sanger Nogueira traz ao VQ uma discussão que se iniciou na comunidade do Facebook “Cinéfilos de Valença” sobre a adaptação de quadrinhos e obras literárias para o cinema. Sanger questiona a necessidade de se ler a obra antes do filme, e arrisca dizer que talvez seja mais interessante avaliar o filme como filme, e não comparando com a obra original. Os aficionados pelos livros e quadrinhos podem discordar – e são muito bem vindos ao debate.

Na seção Navegando, um novo blog que disponibiliza gratuitamente acesso a conteúdos apenas para assinantes, o Bê Neviani, a poesia de Adriano Gonçalves e o quadrinho de Panta. Trouxemos ainda um pouco da repercussão da entrevista com o prefeito Álvaro Cabral. Aqui ao lado selecionamos 3 dos mais de 30 comentários no blog sobre a entrevista. Ainda não se manifestou? Então acesse o blog e deixe sua opinião.

Programação Cine Glória 18 a 24/01

AS AVENTURAS DE PI 3D – Indicado ao Oscar
10 anos / Aventura, Drama / Dub
Horários: 21:20
Obs: Segunda-feira não terá sessão desse filme.

DETONA RALPH 3D - Indicado ao Oscar
Livre / Animação / Dub
Horários: 17:00 e 19:10
Obs: Segunda-feira não terá sessão desse filme.

DE PERNAS PRO AR 2 - Aceita Cinema Para Todos
12 anos / Comedia / Nac.
Horários: 19:30 e 21:30
Obs: Terça-feira não terá sessão desse filme.

www.cineglória.com.br
(24) 2453 3040
(24) 81341249

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

'Quem não pode falar escreve'

Ferréz - O Estado de S.Paulo

Para autor de Capão Pecado, as recentes chacinas levam ao limite a situação na periferia paulista: ‘Esse não é o mesmo País que anunciam na televisão’


Nascido e criado na zona sul, quando pequeno dizia que queria ser engenheiro; o pai achava a profissão bonita, o filho mal conseguiu terminar o segundo colegial, tinha que ajudar nas despesas de casa. Namorou com a mesma menina por dois anos, mas ela não viu futuro – a casa dos pais dele, de dois cômodos, não dava pra subir laje. Somente seis meses depois de terminar o curso, Marcos conseguiu emprego numa contabilidade.

Depois de trabalhar por 23 anos como empregada doméstica a tia de Marcos havia comprado um carro, e graças a Marcos ia deixar de pegar ônibus toda sexta para voltar do serviço, onde passava toda a semana limpando a casa e cozinhando. Marcos seria seu motorista. Em contrapartida, pagou o curso para o sobrinho, e deixava o carro a semana toda com ele. Os vizinhos comentavam que o rapaz, agora andando de social e com o carro, teria um futuro na vida, que finalmente alguém daquela comunidade havia vencido.

Marcos parou naquela sexta-feira no mercadinho. Sempre sorridente, cumprimentou todos e foi comprar uma cera. Deixaria o carro brilhando como a tia gostava, para ir buscá-la.
Entrou no carro com o pacote, ligou na Antena 1, sua rádio preferida, as músicas o deixavam calmo no intenso trânsito. Colocou o cinto de segurança e viu a viatura da Polícia Militar parar. Logo foi pego pelo colarinho e arrastado para fora do carro. Tentou falar, mas a voz do policial militar sobrepôs a sua.

– Ladrão de carro filho da puta.

– O carro é da minha tia –, tentava falar enquanto outro policial jogou ele atrás do carro e pisou em sua cabeça. Marcos olhava para o sapato, estilo social que nem o seu, algo pensado no novo uniforme da PM para dar aspecto de menos hostilidade, como antes tinha a antiga farda e o coturno. Polícia comunitária, um termo bonito, mas o sapato estava na cabeça de Marcos, a mão direita na água suja que descia pelo canto do calçada.

A mãe de Marcos vendo a cena chegou perto e convenceu os policiais, explicando a origem do carro. Marcos se levantou, a cabeça suja de terra, os olhares dos vizinhos. Não teve ódio, nem sequer ficou revoltado. Chegou no seu barraco, olhou para a camisa toda suja, uma das três que tinha para ir trabalhar, ajoelhou em frente à estátua de Nossa Senhora Aparecida e agradeceu por estar vivo.
Três horas depois disso, 15 homens estavam sendo revistados num bar no Jardim Rosana. Os policiais chegaram de repente, miraram os revólveres, nem o dono do bar escapou da revista. Terminaram o enquadro, entraram nas viaturas e disseram:

– Boa noite, fiquem com Deus.

As conversas foram retomadas no bar, um deles falava sobre os ganhadores da Mega Sena, outro falou que ia tomar a saideira, a patroa em casa já devia estar nervosa, um que voltava do banheiro ria dos que haviam sido abordados, dessa ele tinha escapado.

Os minutos se passaram, mais duas cervejas foram pedidas, a conversa agora foi para o Corinthians abalando o Japão. Mais alguns minutos, a rua quieta, só as conversas no bar. Foi quando se fez a matemática perversa, 14 homens encapuzados, olhos arregalados, uma cadeira cai no chão, a vizinha ouve barulhos, deve ser bomba de comemoração. Catorze braços atiram em quem estava dentro do bar, nove são baleados, sete morrem, a conversa acaba. O cheiro de pólvora domina todo o ambiente, o dono do bar se arrasta com um ferimento na perna.

Quando chamei meus amigos no sábado de manhã para encaixotar livros e fazer a pintura na ONG Interferência, não imaginávamos que horas depois estaríamos num cemitério. O coveiro chega perto do Evandro e diz:

– Você aqui de novo, cara! É a terceira vez que te vejo essa semana.

Evandro fica sem graça, vai comprar uma água, realmente não queria voltar ali, mais um amigo para enterrar.

O muro do lado do bar onde aconteceu a primeira chacina do ano estava pichado. Quem não pode falar escreve. "Unidos venceremos as batalhas da vida". Versos do rapper que acabou de lançar o primeiro CD, depois de muitos anos de batalha, o mesmo rapaz que tem um avô chamado Lino, uma esposa chamada Raiane, um filho chamado Ryan e uma mãe chamada Lilian.

Um verso de esperança de um jovem que não sabia que por estar num bar sua vida estaria atrelada à primeira chacina do ano.

"Nunca desista nem se sinta inferior, seja forte, seja nobre, um guerreiro lutador". Letra do grupo de rap do DJ Lah, também presente no bar, o último lugar em que estaria com vida. A pressão pra fazer algo é grande, nem sempre externa, mas o dono da padaria pergunta se não vamos fazer nada, a mãe de um amigo me para na rua e diz:

– Não somos animais, não somos ratos para morrer assim.

O estudante que tem que voltar para casa após 11 da noite não sabe como vai fazer, a mãe fica acordada todos os dias com medo de o filho não regressar; o cozinheiro do restaurante fino trabalha a noite toda, a mulher pediu para ele dormir por lá para evitar o pior. A conversa saiu do meio comum, um enterro cheio de gente igual, sofredora, onde a conversa principal é como vamos sair de casa de hoje em diante.

Pressionar politicamente parecia ser o caminho, mas tal deputado num atende, tal vereador tá de férias, não se convive com quem toma decisões, estão todos longe daqui, quem mora aqui sabe o tamanho do risco, mas muitos também assistiram O Pianista.

Nunca em minha existência aqui tinha visto tantas pessoas comuns revoltadas, esse não é o mesmo País que anunciam na televisão. O que ninguém pensa é que, infelizmente, isso tem mão dupla, porque quem sai pro crime sai mais violento.

O morador de periferia hoje se sente desamparado, tem sua liberdade estrangulada, cerceada. Sem Sesc, centro cultural ou casa de cultura nas favelas, a antessala de estar de todo mundo é o bar.

O cidadão comum que levanta quando é escuro, que cuida do ensino da elite e não tem uma escola de qualidade para seu filho, que faz a comida deles, cuida de sua segurança, e não tem segurança onde mora, não quer morte – nem de farda nem de bombeta.

A segurança individual está em segundo plano perante a morte sistemática de inocentes. Quem vai gritar se as vítimas forem do crime? Quem vai meter a cara? Foram 24 chacinas, e se só algumas das 80 vítimas têm passagem, a tendência é menosprezar o ocorrido, fica legitimado o ato.

A periferia da década de 1980 teve grandes mudanças. No caso das chacinas, o modus operandi mudou. A periferia, com suas casas na maioria de madeira, tinha pavor dos grupos chamados de pés de pato. Hoje, associam essas ocorrências ao único representante do Estado presente aqui, a Polícia Militar. É proposital, oprimir sensação de terror, está dando certo, as mães cabisbaixas, sete enterros, três da mesma rua, o filho chorando na beira do caixão, o repórter que chama a gente no canto:

– Pô, as pessoas acusam a imprensa, mas quando chego nas chacinas, vou fazer a matéria, a primeira coisa é ser abordado. A polícia pede meus documentos. Cara, depois do que aconteceu com o (André) Caramante (repórter policial da Folha de S. Paulo que teve que sair do País após ser ameaçado por simpatizantes da Rota, a tropa de elite da PM paulista) a gente tá com medo também.

Eu entendo o repórter, de uma chacina para outra, da leste pra sul. Olho sua mochila, calça larga, cara de cansado, na faculdade não falaram que ia ser assim.

A solução agora não é só a investigação, mas a emergência é pela não repetição. A questão policial também é cultural, desde a abordagem até o jeito que tratam a comunidade e, por consequência, são tratados.

Quantas vidas podem ser salvas se procurarmos soluções reais, não tapa-buracos. Ajudaria se o discurso não fosse vago, se a certeza da impunidade não fosse tão presente. Um discurso articulado do secretário de Segurança pode ser o início, real empenho na solução das mortes pode brecar algo que pode tomar proporções irreversíveis.

Saímos do Cemitério Jesuíta, calças largas, bonés, frases das letras de rap na camisa, hoje somos o tema das letras, a canção será mais triste quando for ouvida, e quando íamos cruzar a avenida, mais um enquadro, todo mundo na parede.

Um ônibus para, algumas pessoas que estavam no enterro descem, a polícia teme, o povo avança, um dos rappers está sendo revistado, um menino chega perto do policial, olha pro alto, bem nos seus olhos, o policial nota os olhos úmidos, o menino diz.

– Acabamos de vir do enterro, vocês não respeitam nada?

*FERRÉZ, ESCRITOR E ROTEIRISTA, É AUTOR DE CAPÃO PECADO, MANUAL PRÁTICO DO ÓDIO E NINGUÉM É INOCENTE EM SÃO PAULO (OBJETIVA) E DEUS FOI ALMOÇAR (PLANETA)

 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Novas possibilidades se abririam se Valença assumisse sua identidade “flumineira”

Por Paulo Roberto Figueira Leal, doutor em Ciência Política e professor da UFJF
(publicado originalmente no Jornal Local de 10/01/2013)

Não sei se foi criação do Libório Costa, mas foi dele que ouvi pela primeira vez a expressão “flumineiro”. Não falo da torcida organizada do Fluminense que tem esse nome não – a expressão me interessa noutra acepção, aquela que dá conta do modo como muitos de nós, valencianos, costumamos nos ver: gente da divisa do Estado do Rio com o Estado de Minas, muito mais próximos (em numerosos sentidos, inclusive culturais) de Rio Preto, de Santa Rita de Jacutinga ou de Juiz de Fora do que de municípios, por exemplo, do Norte- Fluminense.

São essas identidades forjadas no nosso encontro com uma parte das Minas Gerais que, do lado de lá, como do lado de cá, produzem hibridizações fascinantes: se os juiz-foranos têm o apelido de “cariocas do brejo”, dada a afinidade com a cidade do Rio, igualmente os valencianos são, em muitos sentidos, “amineirados”.

Isso se evidencia no jeito predominante de falar, na grande presença de famílias com origem mineira, na topografia, nas vocações econômicas, nas histórias compartilhadas com nossos vizinhos do outro lado do Rio Preto. Se Guimarães Rosa dizia que “Minas são muitas” (e são mesmo), o Rio de Janeiro não é diferente: há muitos distintos Rios de Janeiro, e somos um desses Rios possíveis – certamente o mais “flumineiro” de todos.

Essa digressão inicial não tem pretensões históricas ou sociológicas – trata-se apenas de constatar que a dimensão da “flumineiridade”, simplesmente porque existe na vida objetiva e na percepção subjetiva das pessoas daqui, não deveria ser negligenciada ou esquecida como fonte de oportunidades para a cidade. Canso de ouvir que parte dos problemas de viabilização de negócios no município deriva de sua localização geográfica (escondidinha na divisa com Minas, longe das rotas principais).
Visto de outro modo, isso que alguns apresentam como problema pode ser encarado como solução. Sem abrir mão de qualquer um dos laços que temos com nosso Estado do Rio – muito pelo contrário, trata-se de aprofundá-los –, que tal olharmos para as oportunidades que se abrem por sermos os mais “flumineiros” dos fluminenses? E falo de questões concretas, tangíveis, inclusive em termos de políticas públicas.

Vamos a exemplos que me ocorrem (e é preciso dizer claramente: apenas pensei nisso, sem consultar ninguém nem de lá nem daqui sobre a viabilidade dessas ideias). A universidade federal mais próxima de Valença não é a UFRJ, nem a UFF, nem a UFRRJ, nem a UniRio: é a Universidade Federal de Juiz de Fora. A UFJF mantém polos de ensino a distância em 31 cidades (inclusive na fluminense Rio das Ostras), oferecendo 15 cursos de graduação ou pós-graduação a milhares de estudantes.

Se pensarmos como “flumineiros”, não seria interessante que nossa prefeitura estudasse a possibilidade de iniciar conversações com a UFJF no sentido de tentar trazer para cá um polo? Não poderia ser discutida uma oferta de cursos não existentes na FAA, de modo a preservá-la, e ao mesmo tempo aprofundar as chances de acesso à vida universitária em Valença? (Vide informações no site http://www.cead.ufjf.br).

Se pensarmos como “flumineiros”, não haveria a possibilidade de parcerias na área da saúde? Nesses tempos de Hospital Geral ainda diante de indefinições, de crises no acesso a hospitais do Rio de Janeiro, não seria interessante conversar sobre a hipótese de integrar consórcios mineiros, como a Acispes, que reúne 25 municípios – inclusive as cidades fluminenses de Levy Gasparian e Sapucaia? (Vide informações no site http://www.acispes.com.br).

Repito: quando cito esses dois exemplos, faço-o sem ter qualquer conversa prévia sobre viabilidade ou mesmo interesse de parcerias dessas instituições com nosso município e vice-versa. Apenas falo de possibilidades que mereceriam ser pensadas e estudadas, exatamente porque, “flumineiros” que somos, essas são oportunidades mais factíveis para nós do que para cidades de outras regiões.

Nesse momento de início de um novo governo municipal, que tal nosso poder público pensar nessas e em centenas de outras estratégias de associação e de diálogos com Minas, de modo complementar às existentes no Estado do Rio?  Valença e região só terão a ganhar se assumirmos, mais conscientemente e mais proativamente, algo que já povoa, de modo subliminar, nossos corações e nossas mentes: a identidade “flumineira”, que em grande medida nos define e nos dá especificidade. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Coluna publicada no Jornal Local de 10/01/13



Dia de Ano Novo (U2)

“...Sob um céu vermelho-sangue,
Uma multidão se agrupou em preto e branco
Braços entrelaçados, entre os poucos escolhidos
Os jornais dizem, dizem
Dizem que é verdade, dizem que é verdade...
E nós podemos romper
Mesmo partido em dois
Podemos ser um só”.


Dizem que o Ano Novo só começa depois do Carnaval, menos em ano de eleição para prefeito, quando mais de cinco mil postulantes recebem da mão do antecessor (onde não houve reeleição) o Abacaxi Municipal em forma de dívidas, sujeira e buracos. É lógico que essa regra tem exceções.

Pena que nossa cidade ainda não seja a exceção. Valencinha da Serra continua como há vinte anos: dívida, sujeira e buraco. A única diferença é que, hoje, quem recebe o poder é aquele que o deixava na época.

Mas se tratando de política, vinte anos é muito tempo. Eram outras épocas, não existia Lei de Responsabilidade Fiscal (sorte para alguns) e o país ainda não era governado pela agenda social democrata do PT. No plano atual, não há discordância política e acadêmica relevante de que o país está mudando, ainda que de maneira lenta e gradual, e sem um rumo estratégico definido para eliminação integral da desigualdade social. Em Valença, este cenário é matizado por forças políticas regionais e estaduais atrasadas e perigosas, que pioram ainda mais o caminho que a nova administração tem a percorrer.

Não votei no Dr Álvaro e até acho que comecei pegando pesado com ele. Reconheço que seu governo de vinte anos atrás trouxe o último surto de desenvolvimento que Valença viveu. A cidade votou nele porque acredita que suas idiossincrasias são necessárias neste momento histórico. E mais, acompanhei as entrevistas dele neste período de transição e senti uma vontade honesta de trabalhar. Espero que seja trabalho em favor da maioria sem voz, não da maioria dos cabos eleitorais que seguravam bandeira na eleição, nem da maioria dos empresários que querem Valença só para o lucro deles.

Estou à disposição da cidade e do prefeito, sou cidadão e exerço meu direito de filiação partidária, e acho que quem não gosta de política é analfabeto, pois não sabe que é a política que determina o custo da vida e da saúde das pessoas. Mas para “salvar Valença” mesmo é preciso, além de disposição, princípios que estejam afinados com a moralidade, a transparência, a prestação de contas (“accountability”) e a radicalização da democracia. Escrever é fácil, difícil é fazer.

Gaiola de Ouro

Não podemos esquecer a Câmara de Vereadores, aquela linda! O ano novo também começou lá com surpresas.

O primeiro derrotado foi o vereador Naldo, que queria ser Presidente daquela Casa e perdeu para chapa DôSil (Dodô e Silvio Graça). Votaram no Naldo: Celsinho do Bar, Fábio Antonio, Braz Carteiro, Paulinho da Farmácia. Quatro na linha e um no gol!

Numa avaliação rasteira, em que pese Naldo ter sido o vereador mais votado, a eleição da Câmara eleva ao comando do Poder Legislativo o grupo político segundo colocado para o Executivo Municipal; mostrando que a Teoria dos Freios e Contrapesos na democracia representativa brasileira, pode tanto ajudar como atrapalhar o princípio da independência entre os Poderes.

Mas na pratica mesmo, o grande vitorioso nesta articulação foi o experiente vereador Genaro Rocha, que construiu essa linha de governabilidade tão necessária ao governo de Álvaro Cabral, ao mesmo tempo que isola o vereador Naldo e seus satélites, representantes do grupo do deputado André Corrêa. Briga de cachorro grande

São Munir Assis

Há uma pessoa ilustre neste governo, com história combativa e passado íntegro dentro e fora da cidade, e que é o grande personagem que pode dar o rumo de mudança que sonhamos. Esta pessoa é o Dr. Munir Assis, que tem mostrado em seus discursos seriedade e bom humor fundamentais para descascar esse abacaxi. Seu Munir já disse que vai acompanhar tudo o que acontece no governo, seja ele convidado ou não. São Munir, rogai por nós!

Programação Cine Glória 11 a 17 de janeiro

DETONA RALPH 3D
Classificação: Livre
Gênero: Animação / Dub
Horários: 15:00, 17:00 e 19:10
Obs: Segunda-feira não terá sessão desse filme.

DE PERNAS PRO AR 2 - Aceita Cinema Para Todos
Classificação: 12 anos
Gênero: Comedia / Nac.
Horários: 17:30, 19:30, 21:30
Obs: Terça-feira não terá sessão desse filme.

OS PENETRAS  - Aceita Cinema Para Todos
Classificação: 12 anos
Gênero: Comedia / Nac.
Horários: 21:20
Obs: Segunda-feira não terá sessão desse filme.

www.cinegloria.com.br
(24) 2453 3040
(24) 81341249

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Instituto Kreatori lança trailer oficial do longa web ‘ Eu Te Amo Renato’

Do Diário do Vale

Divulgação
‘Eu Te Amo Renato’: Filme foi gravado em Valença, cidade natal do diretor Fabiano Cafure

‘Eu Te Amo Renato’: Filme foi gravado em Valença, cidade natal do diretor Fabiano Cafure
"Eu te amo Renato", do diretor valenciano Fabiano Cafure, com co-produção do Instituto Kreatori, é o primeiro longa metragem brasileiro para distribuição web licenciado via Creative Commons.
O filme fala sobre liberdade e amor na década de 90. A história se passa no interior do estado do Rio, na histórica cidade de Valença, região do Vale do Café.
O ano é 1996, ano que marca o fim da famosa geração coca-cola, a morte da máquina de escrever e das cartas escritas à mão.
Beto, Adriana e André embarcam em uma jornada de descoberta, música e desejo; até que suas vidas e de toda uma geração é mudada para sempre!
"Eu te amo Renato" é o primeiro longa metragem do diretor Fabiano Cafure, uma homenagem do cineasta ao cantor e compositor Renato Russo, consequentemente a geração coca-cola e à sua cidade natal - Valença.
O filme é um projeto para a web, será exibido gratuitamente e integrado às redes sociais que já no inicio do projeto, compartilha o processo de captação, fotografias dos ensaios, relatos dos envolvidos, making off e notícias sobre o filme.
Em sua distribuição, o filme abre discussão sobre uma nova forma de entender e fazer cinema, e sobre as novas políticas públicas voltadas para o acesso à cultura na web através do uso das licenças Creative Commons.O filme será lançado em março como a estreia em longa metragem web do canal cultural aberto O CUBO - canal web idealizado e produzido pelo Instituto Kreatori, aprovado no edital Pró-Artes Visuais 2012 da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro que tem como proposta concentrar a produção audiovisual brasileira independente (curtas, longas e docs) que utilize a licença Creative Commons para garantir a melhor reprodução de conteúdos web.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Programação Cine Glória 4 a 10 de janeiro


DE PERNAS PRO AR 2Classificação: 12 anos
Gênero: Comedia / Nac.
Horários: 17:30, 19:30 e 21:30 / Sala 1
Obs: Terça-feira não terá sessão na sala 1.
 .
OS PENETRAS
Classificação: 12 anos
Gênero: Comedia / Nac.
Horários: 17:00 e 19:00 / Sala 2
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O HOBBIT 3D
Classificação: 10 anos
Gênero: Aventura / Dub
Horários: 21:00 / Sala 2

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Novo secretariado de Valença (2013)

Administração - Carlos Alberto Almeida dos Santos 

Fazenda - Paulo Roberto Russo 

Serviços Públicos - Sérgio Carlos Ferraz 

Controle Interno - José Eugênio Ribeiro dos Santos 

Obras - Paulo Cesar Pereira de Souza 

Saúde - Sérgio Gomes 

Educação - Tania Maria Machado Pinto 

Planejamento - Sandro Ricardo Esteves 


Agricultura - Cyro Guimarães 

Esportes - Márcio Vieira Martins

Assessoria de Comunicação - Katia Berkowicz 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Programação Cine Glória 28/12 a 03/01

Dias 31/12 e 01/01 não haverá sessão

DE PERNAS PRO AR 2
Classificação: 12 anos
Gênero: Comedia / Nac.
Horários: 17:30, 19:30, 21:30
Sexta, sábado e domingo sessão extra às 15:30

OS PENETRAS
Classificação: 12 anos
Gênero: Comedia / Nac.
Horários: 17:00, 19:00
Sexta, sábado e domingo sessão extra às 15:00

O HOBBIT 3D
Classificação: 10 anos
Gênero: Aventura / Dub
Horários: 21:00

www.cinegloria.com.br

(24) 2453 3040
(24) 81341249

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Programação Cine Glória 21 a 27/12

O HOBBIT (3D)
Classificação: 10 anos
Gênero: Aventura
Horários: 18:00 e 21:10 Dub
Obs: Dias 24 e 25 não haverá sessão

A ÚLTIMA CASA DA RUA
Classificação: 14 anos
Gênero: Terror, Suspense / Leg
Horários: 21:00
Obs: Dias 24 e 25 não haverá sessão

TRÊS HISTÓRIAS, UM DESTINO – Aceita ingresso Cinema Para Todos
Classificação: 10 anos
Gênero: Drama, Evangélico / Dub
Horários: 19:00
Obs: Dias 24 e 25 não haverá sessão

ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE – Aceita ingresso Cinema Para Todos
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia / Nac
Horários: 17:00
Obs: Dias 24 e 25 não haverá sessão

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(24) 2453 3040
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

VQ // 47 // Entrevista com Álvaro Cabral

Qual será o futuro de Valença?

O VQ conversou com Álvaro Cabral, o futuro prefeito de Valença, sobre diversas questões do município e sobre os projetos para nossa cidade: a situação financeira da prefeitura e a transição para seu governo, sua expectativa com a nova Câmara de Vereadores, a questão da saúde, ultimamente combalida em nosso município, o estacionamento rotativo, a Cedae, a Previ-Valença e a educação. Acompanhem nas próximas páginas o resultado dessa entrevista.

Você já tem ideia de como receberá a prefeitura, especialmente em relação às finanças? Já teve alguma conversa sobre a transição com Vicente Guedes? Quais serão os principais desafios a curto prazo?

Não é novidade que a prefeitura está com grandes dificuldades, são questões de falta de pagamento em vários setores, gerenciamento de pessoal, obras inacabadas, outras que ainda não iniciaram, um certo abandono urbano, problemas com previdência municipal, inadimplência, várias questões na saúde, educação, saneamento etc. Enfim, acho que quase toda a população tem uma ideia, mesmo que vaga, da situação difícil que estamos todos atravessando.

E com isso tudo, a nossa presidente ainda tomou medidas que reduzem a arrecadação dos estados e municípios, e vai colaborar para piorar a situação.

Ainda não tive conversa pessoal com o prefeito atual, mas já tive várias conversas com seu secretariado, basicamente com Pedro Graça, Roberto e com o procurador do município. A transição está correndo bem e em paz, com muita colaboração da equipe do Vicente. Os desafios iniciais serão muitos: folha de pagamento, tantas dívidas com fornecedores...

Por conta da gestão atual – considerada ruim pela população – um governo razoável já deve significar uma mudança substancial para Valença. Em 93-96 você “reclamou” que governou com muita oposição da Câmara e no final do mandato dos governos estadual e federal. Qual sua expectativa com a Câmara eleita e também em relação aos governos estadual e federal?

Tenho certeza que os que se elegeram têm consciência, mais do que em qualquer outra eleição, que o povo vai cobrar muito de todos os eleitos, porque Valença está muito desesperançada, carente de serviços efetivos e resultados práticos.

Todos estaremos sob forte cobrança de se trabalhar em conjunto, unidos pela cidade e deixando paixões e interesses pessoais um pouco de lado. É o que o povo espera. Tivemos uma renovação na Câmara importante, que sinaliza a vontade popular, O povo não quer ficar mais vendo brigas improdutivas de grupos políticos ou de vereadores dominadores que querem, na volúpia de ter cada vez mais, atrapalhar a cidade, obstruir o executivo, e nem político que não respeite o legislativo.
Eu acredito que vamos ter um bom trabalho conjunto com a Câmara de Vereadores e acho que aqueles mais experientes vão dar o exemplo, e entender, colaborar para dar a resposta as suas localidades, e não há uma que não esteja com problemas.

Por isso acho que todos vão fazer seus esforços para que a cidade avance, somando com a “Nova proposta para a cidade”, este novo projeto que temos e que foi aprovado pela população nas urnas.

Veja bem, o povo espera muitas mudanças na cidade, e quem estiver contra essas mudanças, certamente vai amargar a maldição do povo, que já deixou vários de fora da Câmara; outros tiveram uma votação bem abaixo do que esperavam e, mesmo gastando muito, quase não se elegeram.
Isto é uma sinalização, e aquele que estiver atrapalhando os que estão querendo trabalhar vão ser cobrados e penalizados por seus eleitores, e até mesmo por seus parentes que vivem nesta cidade e que também estão sofrendo os efeitos da atual situação e estão descontentes, principalmente quando precisam e não veem a saúde ou a educação funcionar.

Portanto, acho que teremos bom entrosamento. Esta é a hora de pensarmos e agirmos mais pela cidade.

Quanto ao governo estadual, não acredito que teremos problemas, vamos somar a favor de Valença, que tem muita gente aqui que já votou no Pezão e Sérgio Cabral por várias vezes, e espera também isso deles. Tenho a certeza que vão ser aliados de Valença.

No governo federal também tenho boa abertura e grandes aliados.

Já tem o nome dos secretários, ou de alguns deles? Poderia já divulgá-los?

Alguns nomes já estão até colaborando na transição de governo já que hoje faz parte da Lei Municipal e também é exigência da Lei de Responsabilidade, tanto para os que saem da prefeitura, quanto para os que entram neste mandato.

Mas ainda estou avaliando com muita cautela, não aceitando pressões, porque com as leis atuais é crucial que a escolha recaia sobre pessoas que não deixem o prefeito em situação delicada no futuro ou que venham a ter algum tipo de improbidade.

Considero a escolha do secretariado uma das partes mais delicadas, porque a escolha para mim e meu grupo tem que passar por pelo menos quatro critérios: honestidade, ter certa vocação de fazer a boa política, ter alguma qualificação para a área e ter lealdade ao prefeito e à cidade. São ingredientes importantes.

Por isso, tenho certa cautela para reunir no nome escolhido o máximo desses atributos, e também porque hoje quem responde legalmente é o prefeito solidário ao secretario escolhido.

Até o momento já optei por duas pessoas excepcionais:

1) secretária de Educação: professora Tânia, esposa do cardiologista Alencar, que reúne muita experiência na área educacional e há mais de 17 anos assessora vários municípios. Possui dois mestrados e doutorado, desenvolve trabalho junto ao MEC e tem grande experiência e mestrado na área de Gestão, inclusive assessorando universidades. Quando entrei no mestrado de Educação ela estava saindo.

2) secretário de Saúde: Sérgio, médico em Barra Mansa, foi secretário de Saúde de Barra Mansa, ganhou prêmio pela sua gestão na área, aumentou a arrecadação da saúde de R$ 900 mil para mais de R$ 4 milhões por mês, e levou diversos serviços para Barra Mansa, como cirurgia cardíaca, UTI neonatal, vários serviços de alta complexidade, centro de referência na área de audição (para surdos), sendo que hoje Barra Mansa oferece aparelhos auditivos para a região. Também conseguiu reerguer a Santa Casa de Barra Mansa com novos serviços, foi presidente do Conselho Estadual de Saúde, é um grande conhecedor do sistema SUS, tem bom trânsito no Ministério da Saúde, e foi convidado agora para ser Secretario de Saúde em duas cidades. É uma pessoa amiga, um grande cirurgião ginecológico e obstetra, e espero que fique conosco e encare o nosso desafio em Valença, que não é pequeno.

Nestas duas áreas importantes, saúde e educação, minha intenção foi ousar, dar um salto de qualidade, para oferecer algo diferente e melhor para Valença.

Uma das questões mais problemáticas hoje em Valença é a saúde pública. Temos uma faculdade de Medicina e ainda assim um hospital que fechou suas portas; o atendimento no Pronto Socorro é desumano. O que é preciso fazer para mudarmos essa situação, o que é preciso fazer para reabrir o hospital integralmente?

Bom, para melhorarmos os serviços de saúde vamos detectar onde estão as falhas do sistema SUS em Valença, fazer um “raio x” da situação e fazer as mudanças necessárias. Algumas aberrações já detectamos inicialmente, como desvios, incompetência, mau gerenciamento, excesso de política e pouca efetividade. O sistema SUS é um dos mais premiados no mundo, mas quando funciona como um relógio harmônico.

Em Valença está quase tudo errado na área de saúde, sem falar nos esquemas e na corrupção.

Um grande desafio nesta área será a mão de obra especializada que hoje é mal remunerada, principalmente o médico. Alguns precisam de capacitação, mas, por outro lado, tem muita gente querendo ajudar e querendo que dê certo.

O sistema SUS tem índices regulatórios de qualidade, e vamos perseguir estes índices para buscar melhor atendimento e, com isso, obtermos mais recurso federal.

A área de saúde é o maior desafio de todos os prefeitos, é um problema nacional, mas existem algumas ilhas de atendimento que fogem a esta regra e muitas cidades fazem um bom trabalho.

Vamos levantar dados, detectar as aberrações, capacitar, criar novos serviços, implantar o SAMU que até hoje não deslanchou, otimizar serviços da área de saúde, buscar fortalecer os nossos hospitais e usar a capacidade instalada. Fortalecer a atenção básica, o PSF [Programa de Saúde da Família], Agentes de Saúde, modernizar serviços, melhorar a Saúde Mental, os exames laboratoriais, melhorar os serviços de Pronto Socorro e atendimento de emergência.

Vamos trabalhar com metas a curto, médio e longo prazo em todos os setores da Saúde visando melhorar gradativamente a oferta dos serviços de saúde em Valença.

Tentaremos cumprir os pedidos de melhoria dos serviços, que ouvimos do povo durante a campanha, apesar de estarmos bem conscientes das dificuldades e do pouco, ou quase nenhum, recurso financeiro para as reformas que precisamos e queremos.

Em funcionamento desde abril deste ano, o Estacionamento Rotativo agora se expande para mais ruas, não tão centrais da cidade. A prefeitura alega ter feito um estudo para decidir as ruas e o valor cobrado, mas não o disponibiliza – estamos desde abril solicitando, e sempre têm uma desculpa; os valores oferecidos pelas empresas na licitação também não foram divulgados; para onde vai o dinheiro arrecadado também não. Qual seu posicionamento em relação ao Estacionamento Rotativo? Pelo menos transparência a gente pode esperar?

Nós vamos rever tudo na prefeitura e verificar como foi implantado. Sou favorável ao estacionamento rotativo, hoje é uma realidade em muitas cidades, inclusive nas da região. O que vamos avaliar é se este é o melhor modelo, se as tarifas devem ou não sofrer mudanças, e também rever a questão das áreas do estacionamento que me parecem abusivas à primeira vista. Sou a favor também da transparência, não tem porque ser diferente.

Uma outra coisa que os valencianos não estão entendendo, são os diversos semáforos instalados que não funcionam. Também preocupa se uma vez em funcionamento irão de fato melhorar o trânsito ou até mesmo piorá-lo. Os sinais entrarão em funcionamento? Há algum estudo que indique que eles podem melhorar o trânsito em Valença?

Ainda não fui informado sobre isto, poderei responder depois esta pergunta. Ouvi falar pelas ruas que existe alguma coisa a ser paga e que não foi, e que iriam retirar os semáforos por esta razão. Mas não garanto que isto seja verdade e temos que esperar para saber.  Depois faremos estudos com gente da área.

A Cedae vem batendo recordes de processos contra ela na cidade do Rio de Janeiro – quase 5 mil processos por mês. Boa parte desses processos é por cobrança indevida. Qual a sua visão em relação à gestão da água em Valença? Como é compulsório para o consumidor – ele não tem outra opção – ele fica à mercê da empresa. Não seria o caso de ser um serviço público gerido pelo município?

Quem acompanhou meu posicionamento sobre isso na campanha sabe que nosso grupo nunca foi a favor da vinda da Cedae para Valença. Chegamos a entrar na justiça contra as irregularidades, através do engenheiro Paulo César e do Aderli Valente.

Quando fui prefeito gerenciava a água através do DAE [Departamento de Água e Esgoto], com recursos próprios e com tarifas mais sociais. Nesta área os investimentos e o material de consumo são muito caros, até mesmo porque nossa rede é velha e precisa de investimentos na captação, tratamento e também na distribuição da água.

Contudo, coloquei água em vários setores da cidade na ocasião, fiz reforma no tratamento, construímos um novo floculador da ETA [Estação de Tratamento de Água] na época, expandimos bastante a rede e também foram trocados canos de ferro por modernas tubulações.

A respeito da modalidade de gestão existem algumas alternativas, mas o importante é não perdermos os investimentos federais que estão sendo feitos e termos tarifas compatíveis com o poder econômico de Valença, que não é muito.

Vamos nos inteirar sobre o assunto quando assumirmos. O que fico pasmo é com a cara de pau de alguns picaretas da oposição, figuras carimbadas que ficam nas ruas e no facebook dando uma de entendidos e de que são os corretos, se achando no direito de cobrar de nós a saída da Cedae de Valença. É um discurso da boca para fora, porque quando a Cedae veio para a cidade, nem ele, nem seus comparsas e nem seu deputado foram contra, concordaram com tudo, apoiaram o prefeito e se calaram.

São tão caras de pau que não podem nem chegar perto de cupim. São os falsos moralistas que fazem plantão para o deputado, vivem às custas das benesses da política e não se preocupam com o povo.

Nessa mesma linha podemos comparar a coleta de lixo, que estava terceirizada pela Locanty e agora voltou para o município, trazendo alguns transtornos para a população como interrupção da coleta durante um período. Ou seja, o dinheiro pago à Locanty não significou nenhum investimento, já que voltou para o município sem nenhuma melhoria. É melhor que o serviço de coleta de lixo seja gerido pelo município?

Hoje ainda não sei como está funcionando, me parece que existe falta de pagamento a esta empresa por vários meses e, por isso, há certo caos na coleta do lixo e na capina.
Tem que ser bem avaliado, porque os caminhões de coleta são muito caros e são usados dia e noite. Quando quebram, e não se tem um sobressalente para repor, causa um grande transtorno para a cidade, que às vezes só conta com um ou dois caminhões. O conserto é um pouco demorado.

Outro complicador da gestão própria é a questão da mão de obra que aumenta a folha de pagamento, sendo que a nossa já está bastante alta. Os funcionários da coleta de lixo têm alta incidência de problemas por se tratar de serviço insalubre e que exige saúde perfeita, pois é preciso correr atrás do caminhão de lixo. Então, quando isso falha, você é obrigado a contratar, o que não é permitido hoje, só em situações excepcionais, deixando o prefeito engessado nestes casos.

E, por vezes, o concursado nesta área também passa por este problema de saúde, e não se consegue substituí-lo muito rápido por outro.

Quando terceirizado com preços vigentes no mercado, talvez seja a solução mais econômica e viável, no tocante à quebra e substituição imediata do veículo por outro da empresa licitada, assim como o funcionário que está incapaz e é substituído de forma mais rápida, sem ônus maior para o município e sem aumentar a folha de pagamento - o que fere a Lei de Responsabilidade e a Lei Camata [Lei de 1995 que limita os gastos com pessoal em até 60% da receita do mês corrente].

Mas tudo isso vamos avaliar no momento certo. Embora todos saibamos que de uma forma ou de outra - privado ou público - as coisas em Valença sejam muito difíceis, em face da grande extensão do território, da quantidade de distritos e bairros e da grande quantidade necessária de mão de obra e caminhões para fazer a coleta do lixo urbano e da capina em toda Valença.

Qualquer modalidade de gestão é cara e precisa de gente e máquinas para toda a cidade ficar limpa e agradável às pessoas.

Em dezembro de 2009 Vicente Guedes instituiu a Previ-Valença – sem um estudo, sem realizar um censo dos servidores municipais, e também de forma compulsória, já que eles não foram consultados. No projeto que tramita na Câmara, a prefeitura deve repassar R$ 140 milhões pelos próximos 34 anos (mais de 4 milhões por ano). De onde vem esse valor, se não realizaram nenhum estudo? Qual sua posição em relação à Previ-Valença?

Temos que rever tudo, avaliar com especialistas do ramo, sentar com o funcionalismo e com a área econômica e ver a viabilidade de tudo.

A previdência própria é uma modalidade incentivada pelo governo federal, algumas dão certo e são bem administradas como a da cidade de Piraí.

Vamos descascar mais esse pepino no seu tempo, porque é urgente e envolve problema para o prefeito e para o funcionalismo, como inadimplência federal e gasto para a cidade.

Iremos propor várias saídas para esta situação de inadimplência com a Previ.

Outra questão é que atualmente todos os cargos da Previ-Valença são indicados pelo Executivo, o que não indica autonomia da autarquia. No projeto que tramita na Câmara, 50% dos cargos passariam a ser de contratados via concurso público – ainda assim, os outros 50% continuariam sendo indicados. Isso não é um problema?

Acredito que sim e posteriormente irei avaliar esta questão, quando terei então mais detalhes e informações.

Já existe algum projeto de seu governo no campo da educação? O secretário estadual de Educação já deu indícios de que o Estado vai aos poucos abandonando o Ensino Fundamental. Como estruturar o município, por exemplo, para receber a Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Ensino Fundamental, que possivelmente ficará a cargo do município?

Estruturar o município não acredito que seja tão difícil. O problema é lidar com esta situação se o governo do Estado não repassar recursos suficientes para essa transferência de incumbências. E, pelo que me parece, vai acontecer isto. Temos escolas em Valença que estão funcionando com baixa ocupação e subutilizadas.

O EJA tem que ser reestruturado para que cumpra sua finalidade. Temos que implantar de forma eficaz o EJA para o Ensino Médio.

Mas vejo uma luz no fim do túnel quanto à educação brasileira, principalmente quando se fala da conversão dos recursos dos royalties do petróleo do pré-sal para a educação. Isto é muito bom e animador. Muito pode ser feito para os jovens quando se tem vontade política e honestidade para se cumprir essas metas.

domingo, 16 de dezembro de 2012

VQ // 47 // Quadrinho

Por Panta
Clique na imagem para ampliar

VQ // 47 // Poesia

Sorriso

Por Rodrigo Bodão

Muitos me perguntam
como posso estar sempre sorrindo...
É porque há em meu peito tamanha dor
me dilacerando e consumindo,
que eu então,
feito um ator,
disfarço a dor
sorrindo...

De tanto errar ao viver,
há muito,
pensei em morrer...

Essa expressão anti-dor
sufocou o impulso suicida,
ou qualquer coisa parecida.

Esse sorriso virou meu norte
contra os desígnios da sorte
talhando-me de forma invertida:

de tanto pensar na morte
tornei-me cheio de vida...


_______________________

Abaixo, o autor recitando
 


VQ // 47 // Navegando

A dica desta edição é musical, mas música em grande estilo:

www.mimisdiscos.blogspot.com.br

Para quem curte um bolachão é uma excelente pedida. Quem não curte também pode acessar, porque o acervo do blog é riquíssimo. O Mimis Discos disponibiliza discos completos de vinil digitalizados. Tudo de graça, com imagem das capas dos discos incluídas. De Miltom Nascimento a Jackson do Pandeiro; de Michael Jackson a The Smiths. Tem de tudo por lá. Mas talvez o mais interessante da coleção sejam os discos latinos. Tem bastante coisa dos hermanos, como Victor Jara ou Violeta Parra. Para quem não conhece é uma boa chance e para quem já conhece, certamente será a oportunidade de entrar em contato com um acervo que nem sempre é fácil de encontrar no Brasil - salve o youtube, não? Se você visitou o Mimis Discos escreva contando se gostou e o que baixou por lá. E se tem algo para recomendar, escreva também. Esta é uma sessão aberta a sugestões.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

VQ // 47 // Editorial


O lançamento do VQ 47 impresso será amanhã, sábado (15/12), às 19 horas, no Bar e Restaurante Cantinho do Churrasco (Rua Vitor Hugo, 20, Bairro de Fátima - na descida da FAA), com o já tradicional Sarau Solidões Coletivas - a saideira do ano.

Se o fim do mundo for mesmo na próxima semana, esta será sua última oportunidade de presenciar o Sarau. Se eu fosse você não perderia essa chance.

_____________________________________
Os desafios são muitos e isto não é segredo para ninguém em Valença

Com uma edição dedicada a uma entrevista exclusiva com Álvaro Cabral, o VQ escuta os anseios e propostas do futuro prefeito de Valença

Em sua última edição de 2012, o Valença em Questão fez uma longa entrevista com o prefeito eleito de Valença, Álvaro Cabral. O próprio entrevistado apontou a exclusividade desta entrevista: “Eu não dei entrevista pra mais ninguém, olha o que vocês vão fazer com isso!”, brincou por telefone, após a entrevista já realizada.

Talvez seja considerado exagero dedicar toda uma edição para entrevistar o futuro prefeito, mas nossa avaliação é que o momento é importante e esta edição se tornará relevante para os cidadãos valencianos. A última década ficou marcada por um vai-e-vem político, um troca-troca de prefeitos que afetou direta - e para o mal - a população valenciana.

Nesse sentido, nossa perspectiva e interesse é abrir espaço para que o futuro prefeito possa expor suas opiniões, seus projetos e, porque não,   questioná-lo sobre determinados problemas que nossa cidade vem enfrentando nos últimos anos e que farão parte, agora ainda mais, de seus problemas daqui pra frente.

Nesta entrevista conversamos com Álvaro sobre a transição para seu governo, da atual situação financeira da prefeitura, de sua perspectiva em relação aos vereadores eleitos, parcerias com governo estadual e federal, a questão da água e a Cedae em Valença, do problema da coleta de lixo e da saúde que têm se tornado constantes transtornos para os valencianos, a falta de transparência da Previdência Social e do Estacionamento Rotativo, sobre a educação municipal etc.

Também com exclusividade, Álvaro aponta dois possíveis secretários. Na Educação, ele aponta a professora Tânia, e na Saúde, o médico Sérgio. Álvaro traça um breve perfil dos dois e aponta essas duas áreas como essenciais para um bom governo, embora Valença esteja carente também nas demais áreas.

Fechando nossa última página, a seção Navegando traz uma opção para os amantes da música, mais especificamente os que gostam de ouvir um bom vinil. O blog Mimis Discos disponibiliza gratuitamente diversos e variados discos. Em sua segunda contribuição, Panta traz mais um dos seus quadrinhos e a seção de poesia abre seu espaço para o poeta Rodrigo Bodão, que de tanto pensar na morte, tornou-se cheio de vida.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Coluna Observatório, publicada no Jornal Local, de 12/12/12



Estadualização do Hospital Geral

O Governador do Estado assinou decreto com intenções de desapropriar a Santa Casa de Misericórdia de Valença, a pedido do Dep. André Corrêa.

Transferir o Hospital Geral para o governo do estado parece ser a melhor solução. Mas só parece. A Saúde no Estado do Rio de Janeiro vive uma crise sem precedentes, assim como a Educação, a coleta de lixo, a água e o esgoto. Hospitais estaduais, como o IASERJ e o Carlos Chagas, são fechados arbitrariamente ou vivem à míngua. Percebe-se que o problema está na gestão estadual de Sérgio Cabral e Sérgio Cortês, o Secretário carequinha que veio em Valença, prometendo mundos e fundos, dizendo que ia dar um jeito no Hospital Geral. Deu no que deu (fechamento). Quem deve ta feliz são a Delta e a Toesa, empresas com contratos suspeitíssimos com o governo fluminense.

O Sistema Único de Saúde (SUS), uma excelente iniciativa dos valores constituintes de 1988, teve a competência de descentralizar o sistema, dando autonomia aos entes federados e controle à população. Por isso, mais do que nunca, um município como Valença, com sucessivos aumentos de arrecadação, inserido de maneira honesta, transparente e com controle social no SUS, tem mais do que capacidade de gerir o seu hospital municipal (assim como deveria gerir o destino do lixo, do esgoto, da água, da licitação do transporte publico e etc.). Ainda mais contando com instituições auxiliares do setor, como o Hospital Escola/FAA e a UNIMED.

A decisão de estadualizar o Hospital Geral, às vésperas de um outro governo municipal assumir e sem consultar o prefeito eleito é, na minha ligeira impressão, mais uma manobra político-partidária em detrimento à gesta democrática. Se bem que até agora a estadualização do Hospital Geral ainda não saiu do papel, sendo na verdade mais uma inauguração de promessa do deputado. A cidade já está lotada de faixas agradecendo mais essa “benevolência”.

Nada impede que numa visão sistêmica de saúde, o Hospital Geral incorpore, no mesmo espaço, uma gestão compartilhada entre Município (atenção básica, primária) e Estado (centro de referência, atenção especializada). Essa de fato seria uma boa solução, calçado nos princípios constitucionais do país, mas a vaidade dos senhores envolvidos na questão infelizmente ainda impede essa quimera.
...

Consumo, logo existo.

Grandes filas e supermercados lotados no final de ano, e o direito ao caixa preferencial para gestantes e idosos solenemente ignorado pelos grandes comerciantes e pela população em geral. É o preço do consumismo: todos na ânsia de servir ao Deus Mercado no final de ano.

...

Instituto Federal de Ensino Superior e Tecnológico


Valença é uma cidade excelente para se viver e tenho certeza que a sociedade merece estudar e aprender numa instituição pública de referência em nossa cidade. O Governo Federal, através dos Programas de Reestruturação das Universidades Federais (REUNI) e implementação dos Institutos Federais de Educação Tecnológica (IFET´s), dobrou o número de escolas técnicas no país. Acho que o candidato do PT ao governo do estado, Senador Lindebergh Faria pode encampar esse sonho, dentro da visão estratégica de desenvolvimento nacional, através do Sistema Nacional de Ensino, conforme resoluções da I Conferência Nacional de Educação e do Plano Nacional de Educação (PDE).

Valença ainda vai salvar o Rio de Janeiro, com nossa cordialidade e acolhimento aos filhos(as) da burguesia fluminense e, um pouco graças às cotas, aos filhos(as) das classes desfavorecidas.

Junto com Dr. Álvaro prefeito é hora de reconstruir a estratégia fundamental de passagem do Estado herdado (o que temos) para o Estado necessário (o que queremos/precisamos). Para tal, é necessário no plano tático e operacional derrotar os partidos que têm uma visão mercadológica da Educação, como o PMDB/RJ e seus aliados.

Poderíamos federalizar o Centro de Ensino Superior da FAA, ou até compartilhar entre os entes federados, num regime de cooperação, como define os preceitos constitucionais e da LDB. A Lei dá brecha até para uma Universidade Pública Municipal, que formasse para o trabalho e estivesse inserida, por exemplo, dentro da Lei do Estatuto do Magistério Municipal.

O fato é que a promiscuidade público privada entre PMV e FAA é tão descarada que se eu fosse prefeito, botava a nu essa relação incestuosa. Mas eu ainda não sou prefeito.

...

E o cheiro de final de ano nas ruas de Valença não poderia ser outro: chorume de lixo nas portas do cidadão que paga seus impostos. Feliz Natal, hohoho!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Crack: estado criará serviço telefônico

Do jornal O Globo

Um telefone à disposição de familiares de dependentes de crack vai tirar dúvidas e orientá-los sobre quais os procedimentos a serem tomados quando se depararem com o problema da droga. Ao fazer o anúncio, o secretário estadual de Assistência Social, Zaqueu Teixeira, disse que o serviço começará a funcionar logo no início do ano.

À frente da secretaria há uma semana, Zaqueu acrescentou que quer concluir a implantação de mais três centros de Recuperação Especializada— em Nova Iguaçu, Cachoeiras de Macacu e Valença. Segundo ele, os dependentes receberão tratamento nesses centros somente quando encaminhados pela prefeitura ou pela família:

— A secretaria não tira das ruas. Esse trabalho de convencimento e acolhimento é da prefeitura, que, depois de acolher, encaminha os que quiserem para tratamento.

Zaqueu voltou a falar na terça0feira sobre a internação compulsória. Ele disse ser contra os extremos, mas defende alternativas de internação, como o pedido de interdição do dependente pela família, através do Ministério Público.

— Nesse caso de interdição, o juiz nomeará um curador, que ficará responsável pelo tratamento e acompanhamento do dependente — disse.

Programação Cine Glória 14 a 20/12

O HOBBIT (3D)
Classificação: Livre
Gênero: Aventura
pré-estréia: 00:01 de 13 para 14/12 (quinta para sexta)
Horários: 15:00, 18:00 Dub e 21:10 Leg.

TRÊS HISTÓRIAS, UM DESTINO
Classificação: 10 anos
Gênero: Drama, Evangélico / Dub
Horários: 19:00

ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE – Aceita ingresso Cinema Para Todos
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia / Nac
Horários: 17:00

AMANHECER PARTE 2 - Últimos dias!!!
Classificação: 12 anos
Gênero: Aventura / Dub
Horários: 21:00

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