segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Já tenho meu candidato para o Senado no Rio

*Leonardo Sakamoto


Há setores do PMDB carioca que querem lançar o deputado estadual Jorge Picciani para uma vaga no Senado no ano que vem. Disputaria, provavelmente, com nomes como Fernando Gabeira (PV), Marcelo Crivella (PRB) e, talvez Lindberg Farias (PT) – se este fosse convencido a não concorrer contra o governador Sérgio Cabral. Da minha parte, apóio totalmente a proposta e, desde já, me coloco como um entusiasta que Picciani seja lançado ao Senado.

Assim poderemos lembrar durante a campanha eleitoral, um dia sim, no outro também, como ele escravizou trabalhadores em sua fazenda no Mato Grosso.

Sua propriedade, localizada em São Felix do Araguaia, no Mato Grosso, foi alvo de uma operação do grupo móvel de fiscalização do governo federal em junho de 2003, quando 39 trabalhadores foram libertados. De acordo com auditores fiscais, que participaram da operação, os peões estavam submetidos à vigilância armada de “gatos” (contratadores de mão-de-obra que trabalham para os fazendeiros) para evitar fugas e não tinham acesso à alimentação decente. Além disso, as pessoas tinham que utilizar a mesma água para lavar a roupa, tomar banho e matar a sede. Entre os trabalhadores, havia um adolescente de 17 anos.

Além de Jorge, a Agropecuária Vale do Suiá (Agrovás) tem também Leonardo Picciani, seu filho e ex-presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, entre os sócios. A Agrovás chegou a figurar na “lista suja” do trabalho escravo e esteve impedida de receber créditos públicos. Ninguém perdeu o mandato por isso. Continuam ocupando cargos públicos, felizes da vida.

Em último caso, vai ser bom para todos ele ser levado ao Senado. Poderá encontrar outros senadores que incorreram no mesmo crime ou em coisa tão grave quanto e reclamar das injustiças dessa vida. Se sentirá acolhido, em casa. E nós garantiremos que um jeito de viver a vida pública, que poderia estar extinto, possa ficar sobreviver, ficar junto, reproduzir-se.


* publicado originalmente no blog do sakamoto. link aqui

5 comentários:

Anônimo disse...

Interessante um personagem Paulista (Sakamoto),terra de Maluf,requentar matéria e dar piruada no nosso Rio de Janeiro.Valeu VQ

Sanger/Regnas disse...

Ótimo texto. Temos que nos organizar para criar o movimento anti-Picciani em Valença.

Vitor Castro disse...

O Sakamoto, pra quem não sabe, é o coordenador da ONG Repórter Brasil, que trabalha diretamente denunciando e buscando soluções para o trabalho escravo no Brasil.

Samir Resende disse...

Como assim dar "piruada"?? O cara tá falando de ESCRAVIDÃO, meu Deus, que absurdo!!

Socorro hein?!

Clementina disse...

você percebe que não deve levar um comentário a sério quando o critério de avaliação do anônimo é a naturalidade do jornalista que escreveu o texto.

façamos assim: cariocas só escrevem sobre o rio, terra de picciani; paulistas sobre são paulo, terra de maluf, etc. cada estado com o "arruda" que merece.

faz todo sentido.

e anônimos não escrevem sobre nada, porque não sabemos de onde são.