quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A guerra é mais uma farsa das farsas de todos os dias

Pelo noticiário da TV e do jornal fala-se sobre a guerra na faixa de Gaza. Diante disso, primeiramente, me sinto surpreso com a forma com que apresentam esta notícia, pois se fala em guerra quando na verdade o que ocorre na faixa de Gaza é um massacre do povo palestino.

Ao refletir sobre este massacre noto a ironia da história, afinal, o Estado de Israel que foi criado exatamente para assegurar que o povo judeu não sofresse novamente uma tentativa de dizimação é o mesmo que, agora, tenta dizimar um outro povo, o povo palestino. Porque é claro que jogar bombas indiscriminadamente sobre o território palestino não tem outro intuito a não ser dizimar o povo que lá se encontra.

A história é realmente irônica e se repete, mas se repete como farsa - como diz Marx. Na verdade, parece que o grande problema destes conflitos no Oriente Médio é exatamente esta farsa. A farsa de uma comunidade internacional que se diz imparcial e finge ser possível resolver os conflitos sem mexer nos interesses do país ao qual protege; farsa de uma ONU que se apresenta como instituição que visa submeter os países a uma ordem internacional, mas não passa de uma instituição de assistência social que visa resolver paliativamente os conflitos, os quais são gerados pelos próprios países que a financiam. Quanta farsa!

A farsa envolvida nestes conflitos não é diferente da farsa de conflitos menores, os quais estamos diretamente relacionados. Pois a farsa é um instrumento essencial utilizado por nós para nos permitir enfrentarmos a nós mesmos sem corrermos o risco de nos apavorarmos com o que vemos. Mas este instrumento utilizado por nós não contava com a ironia da história. Bendito seja a ironia da história, que faz com que a farsa não nos esconda de nós mesmos.
Foto: Nesreen Hash'hash, palestina, foi atingida por uma bala de borracha na boca. Crédito: Nasser Shiyoukhi/AP

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

OK Doutor

Texto retirado do blog: http://literatura-marginal.blogspot.com
Ok Doutor (Maurício Marques)

OK Doutor, o Senhor venceu... Mas, a Utopia se Realizará, sim.
Ok doutor, o senhor venceu. A Utopia não se realizará.Dou-me por vencido...Que força teria qualquer argumento meu diante da prova cabal e fulminante que vossa senhoria me apresenta, o dicionário aberto na página onde a palavra utopia encontra-se grafada. Utopia, projeto irrealizável, fantasia, quimera, etc.Sim, doutor, eu estava enganado quando afirmei acreditar na realização da Utopia.
Como fui tolo e incoerente em acreditar que algo intangível e inatingível possa ser alcançado.
Parabéns, doutor! Como um advogado, o senhor abriu o dicionário, como se este fosse a carta magna e brilhantemente impetrou um mandado de segurança contra a instauração da Utopia.Provando que morfologicamente a etimologia contraria a dialética, conferindo à Utopia um caráter totalmente inconstitucional.Eu até pensei que poderia convencê-lo ao citar Aldous Huxley em seu comentário sobre o Admirável Mundo Novo, quando ele diz que “O medo da humanidade é que as Utopias se realizam”.
É claro que se Aldous conversasse com vossa senhoria, teria que rever o seu conceito e até mesmo que se retratar por ter dado à palavra utopia um sentido representativo da soma dos anseios e aspirações individuais. A ampliação para o coletivo dos ideais mais românticos e menos egoístas.
A vontade e motivação maior da alma humana, resplandecida e verbalizada em um som, inaudível àqueles que insistem em tapar os ouvidos, mas, ecoando num canto de chamamento, convidando à felicidade todos os povos, reunindo-os em uma única nação; Onde tremula desfraldada no horizonte a bandeira da paz e do amor maior; epa, desculpe-me, doutor, mas acho que agora viajei um pouquinho além,...Mas, buscando expressar-me de uma maneira mais racional, conforme vossa senhoria deve preferir; aquilo que Carl Jung denominou como “Inconsciente Coletivo”.
Ok doutor, o senhor venceu, a Utopia não se realizará, porque, se ousar contrariar a gramática, será condenada a desaparecer das mentes e espíritos ao desintegrar, fragmentando-se e incorporando-se ao mundo que chamamos realidade. Assim como os nossos sonhos que deixam de ser sonhos quando se realizam; aquilo que um dia foi considerado utópico, como as viagens espaciais, a comunicação à distância, o computador, a clonagem, enfim, isso e muito mais, hoje em dia não passam de simples questões tecnológicas. Nem ao menos realismo fantástico pode ser considerado.
Pois é, doutor, mas o senhor jamais se deixaria convencer por balelas, quimeras sofismáticas, não é mesmo, doutor?
Ok doutor, mas, por favor, permita-me ao menos em consideração à bravura com a qual debati defendendo a utopia (que não existe), continuar vibrando e conspirando favoravelmente pela realização dos ideais mais altruístas dos homens, pelo menos os de boa vontade.
O desejo de um mundo novo alicerçado nos mais nobres valores de justiça e liberdade. Um mundo onde a exploração do homem pelo homem não ocorra, simplesmente por este ser um comportamento desumano.
Onde todos, sem distinção, são iguais em direitos e oportunidades e o valor individual avaliado apenas pela maior ou menor capacidade para servir (independente da conta bancária). Um lugar onde as leis pudessem ser traduzidas em simples recomendações, como: O respeito à natureza e tudo que exista nela em especial o respeito próprio e ao semelhante. Um lugar onde as competições tenham como único objetivo á auto-superação física, mental, artística, cultural e produtiva.
Uma terra onde todos os seus pomares, suas roças, seus mananciais e riquezas sejam comuns a todos.
Bem, doutor, ainda me resta o consolo da promessa da terra prometida habitada por seres verdadeiramente humanos.
É, doutor, o senhor pode até dizer que sou um sonhador, mas vai se preparando..., Porque como disse John Lennon, eu já não sou o único...
Ok, doutor, mas pensando melhor, vá à merda com seus falsos valores e com a sua falsa descrença no potencial humano de se autogovernar.
Vá à merda com aquela sua falsa idéia de que o homem só funciona sendo submetido, e que alguns nasceram para serem senhores, enquanto a maioria quase absoluta nasceu para ser escravo...
Caro doutor. é perfeitamente compreensível a sua postura. Vossa Senhoria defende os seus falsos valores, numa tentativa inútil de neles acreditar. E assim justificar sua condição de homem rico, sem nenhuma contrapartida produtiva. Em um país, onde aqueles que têm trabalho; trabalham tanto por tão pouco, imagino o sentimento de culpa que carregam aqueles que possuem tanto sem nada produzir, culpa esta, a responsável pelas neuroses dos teomânicos burgueses.
Ainda mais no seu caso, que o dinheiro foi herança do pai, um político, que fez em sua vida pública o que todos nós fazemos melhor na privada, e cujos vencimentos recebidos, nem de longe justificaria a fortuna que acumulou e lhe deixou, deixando também o legado de sua má índole e neuroses egocêntricas.
Assim sendo, doutor, os sonhos de justiça dos oprimidos e vítimas da exploração, são também, os pesadelos dos opressores e exploradores que sempre encontrarão dispositivos legais ou não, valendo-se até mesmo do dicionário, se for preciso, para impedir a Utopia.
Doutor, pra você, melhor nem pensar que o equilíbrio individual implica no equilíbrio coletivo e que o equilíbrio coletivo é reflexo do equilíbrio individual, porque isso implicaria em responsabilidades, não é mesmo doutor?
Ok Você venceu, mas a Utopia se realizará, sim! E se o senhor seu avô fosse estéril ou simplesmente tivesse sido castrado antes de procriar, com toda a certeza, ela estaria um pouco mais próxima!

Maurício Marques. Este texto é dedicado à memória de Lima Barreto, e ao Preto Góez em memória. Escritor e poeta autor de “O Leão Sol e a Abelha Lua de Mel”www.poetamauriciomarques.com

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ocupação Gisele Lima - um ano, nove meses e o problema da habitação não entra em pauta

Há um ano e nove meses algumas famílias ocupavam as casas populares no bairro da Varginha. Até então, as casas estavam inacabadas e já em processo de destruição pelo tempo (algumas paredes cediam apenas com um simples apoio), pois não tinham portas nem janelas. Vendo essa situação de descaso com o que é público, e que as obras estavam paradas desde 2004, um grupo de pessoas que não tinha onde morar se articulou para ocupar o espaço. Esse grupo foi fundamental para pressionar o poder público para o reinício das obras.

No dia 10 de dezembro o secretário de Assistência Social Rogério Fort informou que as casas ficariam para os 100 sorteados em 2004, pela gestão do então prefeito Luiz Antônio. Antes disso, em 1999, quando Fernando Graça era o prefeito de Valença, foi realizado também um sorteio das terras na Varginha, antes mesmo da construção das casas. Em 2004, o novo sorteio era para as casas que estavam sendo construídas no local.

Com a entrega das chaves para algumas famílias sorteadas, parece que a atual gestão pretende colocar panos quentes na situação. O secretário Rogério Fort acordou com o movimento organizado que ocupa 23 casas e construíram mais 30 barracas no local que seriam entregue 77 casas, e que as 23 ficariam com os ocupantes.

Não é o que diz para a imprensa (especificamente para o Jornal Local) e para os sorteados para as 23 casas já ocupadas. Segundo algumas pessoas contempladas para uma das 23 casas, o secretário Rogério Fort avisa que eles devem resolver o problema com as pessoas que estão nas casas, que agora a prefeitura não pode fazer mais nada. Para o grupo que ocupa as casas há quase dois anos, ele diz que é mentira, que o acordo de manter as 23 casas em posse do movimento está garantido.
Ontem fomos à ocupação e constatamos que a situação se mantém complicada. Algumas casas já foram ocupadas (acima) pelas pessoas sorteadas, mas muitas ainda estão vazias (abaixo). Escutamos por exemplo relato de que uma sorteada que ao chegar ao local e ver a casa, disse que “quebraria a casa e faria uma nova”, que ali não era lugar para se morar.

O questionamento da ocupação, totalmente relevante, é se algumas dessas pessoas precisam realmente de uma nova casa. “Eu te mostro quem são as pessoas que têm casa própria ali se quiser. Uma ainda falou que a casa não é dela, porque ela construiu nos fundos da casa do pai. Ora, se foi ela que construiu, então é dela. Ali tem gente que nem precisa, enquanto vários não tem pra onde ir e estão em barracas, com crianças, idosos e pessoas doentes”, afirma dona Creuza. Ela mora em uma barraca e estava “correndo”, porque faz salgados para fora e tinha uma entrega às cinco da tarde.

Outra moradora de um dos barracos é Fátima. Na sua casa moram oito pessoas, entre elas um irmão cego que teve um derrame recentemente, a mãe e três filhos. A situação do barraco dela é das mais perigosas. Uma das paredes é segura por uma estante (abaixo). Com as chuvas recentes e o vento, um das barracas já foi pelos ares. Ao redor é possível ver os pedaços de telhas jogados na terra.
Fátima está preocupada porque a barraca fica muito no alto, correndo risco de cair, e tem que trabalhar. Hoje ia cedo pra Barra do Piraí. O marido também trabalha (de dia trabalha em obra e à noite é vigia) e só está em casa nos finais de semana. O chão de terra dos barracos, em dia de chuva, vira lama. A lama formada também escorre com a chuva pelo barranco. O barraco de Fátima já tem a estrutura comprometida. A terra já desceu uns 40 centímetros da construção original (abaixo).
Rosinaldo também mora numa barraca, ainda mais acima da de Fátima. Ao chegarmos ele olha pro lado e lamenta. “Tá vendo essa terra aí, o que eu demorei uma noite pra carregar a chuva demorou uma hora pra descer” (abaixo). Também reclama das pessoas que dizem que estão lá por aventura: “Pô, se eu quisesse aventura ia pra outro lugar. Tem tanta aventura mais interessante por aí. Estamos aqui porque não temos pra onde ir, porque precisamos”. Além dele, moram em sua casa a esposa e os dois filhos.

Elaine, uma das coordenadoras de Núcleo da ocupação, está preocupada. “São famílias e mais famílias com crianças pequenas, recém-nascidas, nessa situação. São pessoas idosas, com doenças, que têm dificuldade de andar. Se alguém passa mal nesse barro, eles não conseguem descer e nem ambulância chega aqui”, comenta. Além disso, até mesmo as pessoas que moram mais próximas da entrada têm dificuldades de acesso. Logo na entrada, um lamaçal dificulta a passagem de pedestres e de carros (abaixo).

Após a visita fica engasgado na garganta as dificuldades enfrentadas pelas pessoas. Até onde vai o descaso do poder público com esses cidadãos? Até onde é correto fazer um sorteio para pessoas interessadas em ter uma casa, deixando de lado pessoas que realmente precisam de uma casa? “No sorteio em 2004, feito pelo mesmo Rogério Fort, ele explicou que 70 casas seriam sorteadas, e que 30 seriam entregues para pessoas que realmente necessitavam, e que seria feito um estudo minucioso par ver quem realmente precisava”, lembra Eliana, que esteve presente no primeiro sorteio.

Eu pergunto: não seria minimamente mais razoável oferecer casas para quem realmente precisa, visto a grande necessidade de habitação que passa a nossa cidade? E as famílias que não têm pra onde ir, o que será delas? Para Eliana, o próximo prefeito vai ter que “descascar esse abacaxi verde e azedo, embora não tenha culpa”. Veremos.
Créditos das fotografias: VMC

PIB per capita de Valença é mais de R$ 7 mil

Na semana passada - no dia 16 de dezembro –, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o PIB (Produto Interno Bruto) dos municípios brasileiros. A média nacional ficou em R$ 12.688,00. Valença, por sua vez, tem um PIB de R$ 7.389.

Fazendo uma comparação com as cidades vizinhas: O PIB de Vassouras é de R$ 7.930; Barra do Piraí – R$ 9.161; Miguel Pereira – R$ 9.930; Piraí – R$ 30.960; Rio das Flores - R$ 20.955; Volta Redonda – R$ 23.969.

Para verem o relatório completo acessem AQUI (o de Valença está na página 150)

Desenho de Claudius, na Revista Bundas número 52, de junho de 2000 (clique para ampliar)

Como é feito o cálculo do PIB (da Folha On Line AQUI)

O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor de toda a riqueza gerada no país.

O cálculo do PIB, no entanto, não é tão simples. Imagine que o IBGE queira calcular a riqueza gerada por um artesão. Ele cobra, por uma escultura, de madeira, R$ 30. No entanto, não é esta a contribuição dele para o PIB.

Para fazer a escultura, ele usou madeira e tinta. Não é o artesão, no entanto, que produz esses produtos – ele teve que adquiri-los da indústria. O preço de R$ 30 traz embutido os custos para adquirir as matérias-primas para seu trabalho.

Assim, se a madeira e a tinta custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10, não de R$ 30. Os R$ 10 foram a riqueza gerada por ele ao transformar um pedaço de madeira e um pouco de tinta em uma escultura.

O IBGE precisa fazer esses cálculos para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, ele precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que ele adquiriu de outros setores.

Depois de fazer esses cálculos, o instituto soma a riqueza gerada por cada setor, chegando à contribuição de cada um para a geração de riqueza e, portanto, para o crescimento econômico.

sábado, 20 de dezembro de 2008

TSE nega registro a candidatos que tentavam obter terceiro mandato por meio de mudança de domicílio eleitoral

17 de dezembro de 2008 - 21h24

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, na sessão desta quarta-feira (17), os registros de candidatura de José Rogério Cavalcante Farias, prefeito reeleito em Porto de Pedras (AL), e a José Petrúcio Oliveira Barbosa, que disputou a prefeitura de Palmeira dos Índios (AL), por tentarem concorrer a um terceiro mandato para o mesmo cargo mediante transferência de domicílio eleitoral. Os registros dos candidatos foram rejeitados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL).

Por maioria de votos, os ministros do TSE entenderam que a possibilidade de obtenção de um terceiro mandato em um outro município, por prefeito eleito e reeleito em outra localidade, por meio de transferência de domicílio eleitoral, representaria o desvirtuamento deste instrumento eleitoral e a consolidação dos chamados “prefeitos itinerantes”.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto (foto), que havia pedido vista nos recursos apresentados por Rogério Farias e José Petrúcio Oliveira, destacou em seu voto que o artigo 14 da Constituição Federal é bem claro ao permitir apenas uma reeleição do prefeito, proibindo o exercício de um terceiro mandato mesmo em municípios diferentes.

"Somente é possível eleger-se ao cargo de prefeito por duas vezes consecutivas. Após isso, apenas permite-se, respeitado o prazo de desincompatibilização de seis meses, a candidatura para outro cargo”, afirmou o ministro Carlos Ayres Britto ao rejeitar os recursos.

Fonte: sítio do TSE - http://agencia.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1140483

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Valença terá escola digna do século 21

Cinqüenta novas unidades escolares e vaga para mais 30 mil alunos. A meta ousada é da Secretaria de Estado de Educação e tem data para ser alcançada — o ano letivo de 2010. Com investimento da ordem de R$ 200 milhões e um projeto arquitetônico moderno, que será apresentado ao governador Sérgio Cabral nos próximos dias, as novas escolas devem resolver um problema da rede estadual no Município do Rio, absorvendo os estudantes dos 178 colégios compartilhados e 38 que funcionam em prédios alugados.

Os novos imóveis terão salas climatizadas, auditório com equipamento multimídia e laboratórios de Química, Física, Informática, Artes e Música, além de biblioteca com sala de leitura ao ar livre e pátio central e jardins com teto de policarbonato — um plástico flexível. No refeitório, aparelhos eletrônicos controlarão a movimentação dos alunos e evitarão desperdício de merenda. Nas salas de aula, carteiras moduladas possibilitam diferentes arrumações.

Uma comissão de professores participou da elaboração do projeto. “O desenho das mesas dos alunos foi pensado para trabalharmos a educação colaborativa, fazendo o jovem se sentir parte do processo. A equipe da Adriana Rattes (secretária de Cultura) também colaborou com dicas importantes para a montagem do auditório, que é totalmente adaptável a qualquer tipo de apresentação cultural”, explica a secretária estadual de Educação, Tereza Porto.

As obras começam no trimestre que vem e ficam prontas em nove meses. Os bairros que vão ganhar novas escolas ainda não foram definidos. Mas, apesar de não ter concluído o mapeamento — o que só acontecerá em janeiro, quando a licitação será publicada no Diário Oficial e enviada ao Tribunal de Contas —, a secretária já sabe que a Zona Oeste é a região mais carente.
“Ficamos surpresos ao abrimos o mapa e vermos que não há nenhum colégio estadual no Itanhangá. Já em Campo Grande, temos 9 mil alunos e só atendemos 1.500. Há uma carência de 7,5 mil vagas. São estas discrepâncias que pretendemos resolver”, garante a secretária. A Zona Norte, outra área onde a rede estadual é precária, também ganhará novas unidades.

“Analisamos a matrícula nos últimos cinco anos para sabermos onde é baixo o percentual de alunos que consegue vaga na sua primeira opção. Nos bairros em que ele precisa se deslocar para estudar, porque não obtém vaga perto de casa, é onde vamos construir mais escolas”, promete Tereza.


Escolas em área de risco terão câmeras

De olho no bom resultado alcançado em Volta Redonda, onde na semana passada três adolescentes foram flagrados com arma na porta da escola, a Secretaria de Estado de Educação estuda a instalação de câmeras nas 98 escolas da rede localizadas em áreas de risco.

“Para nós, o custo seria muito reduzido, porque estamos criando uma rede sem fio nas escolas e não precisaremos investir em infra-estrutura. A câmera pode estar em qualquer lugar, porque a transmissão da imagem é fácil. Só gastaríamos com a compra do equipamento”, explica Tereza.

A implantação das câmeras de segurança ainda não tem data definida, mas outras duas conquistas para alunos e professores têm prazo: até julho, promete a secretária, todas as 19.680 salas das 1.600 escolas estaduais ganharão amplificadores de voz e ar-condicionado. O processo de revisão elétrica nas unidades já começou e os Cieps terão as salas de aula, com suas paredes que não chegam ao teto, reformadas.


Quatro novas unidades em 2009

No ano que vem a rede estadual já contará com pelo menos quatro novas unidades em Praça Seca, Jardim América, Tanque e Senador Camará. Os imóveis foram comprados pela secretaria e têm capacidade para receber, juntos, mais de sete mil alunos. Em janeiro começa a reforma, que deve ficar pronta em abril. “Nossa meta é que estejam funcionando no segundo semestre de 2009”, afirma a secretária.

Só para o prédio da Praça Seca serão transferidos 908 estudantes de seis escolas compartilhadas. Em Senador Camará, o edifício que era ocupado pelo Detran agora abrigará 1.200 jovens de três unidades alugadas. Já o prédio do Tanque absorverá os 2.200 alunos de um colégio em Jacarepaguá e deve abrir outras 300 vagas.
“O principal objetivo com as novas unidades, sejam desapropriadas ou construídas, é oferecer turmas do Ensino Médio de manhã e à tarde. Hoje, a maioria das aulas é à noite, porque os edifícios compartilhados são utilizados pelas escolas municipais nos outros turnos”, explica Tereza.

Outras 17 unidades estão em fase de desapropriação, a maioria nas zonas Norte e Oeste do Rio e cinco delas no Interior do estado (Valença, Guapimirim, Vassouras, Macuco e Itaperuna).

Por Carol Medeiros
Fonte: sítio do O Dia Online

As verdades da mídia

A mídia foi tema de discussão – ótima, diga-se de passagem – em postagem recente (AQUI). Como o debate foi produtivo, acho que vale um comentário sobre duas matérias, uma da Globo.com, e outra do UOL. Elas falam da taxa de desemprego divulgada hoje pelo IBGE.

Porém, o enfoque é totalmente diferente. Enquanto a Globo.com diz que a taxa “sofreu uma ligeira alta em novembro, para 7,6%”, o UOL diz que o “nível de desemprego nacional passou de 7,5% em outubro para 7,6% um mês depois (...) Em novembro de 2007, a taxa correspondeu a 8,2%”.

Ou seja, de um ano pra cá a taxa caiu muito mais do que o 0,1% que aumentou do mês passado. A Globo.com continua suas impressões: “A elevação do indicador em um mês de novembro frente a outubro preocupa, no entanto, por ser pouco usual: a taxa de desemprego costuma cair no final do ano, influenciada pelas contratações no comércio e na indústria para atender à elevação da demanda. Em 2007, por exemplo, o índice caiu de 8,7% em outubro para 8,2% no mês seguinte”.

Já o UOL, dá o enfoque de que “a taxa de desocupação do mês passado foi a menor para um mês de novembro desde o início da nova série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em março de 2002”.
Lá no meio da matéria, a Globo.com se contradiz: “Apesar da alta na comparação mensal, a taxa de 7,6% é a menor para um mês de novembro desde o início da nova série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em março de 2002. Em relação a novembro do ano passado, a taxa de desemprego reduziu-se em 0,6 ponto percentual. Naquele mês, o indicador ficou em 8,2%” igual ao que está na matéria do UOL, só que com muito menos destaque.

Veja a matéria do UOL
Desemprego tem menor taxa para meses de novembro desde 2002, diz IBGE

Veja a matéria da Globo.com
Desemprego fica quase estável em novembro

E tire suas próprias conclusões

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fotos da ação policial na manifestação contra o leilão do petróleo, no Rio

As fotos são do companheiro e fotógrafo Samuel Tosta



Por ordem da ANP, militantes são espancados e presos durante manifestação no Rio contra leilão do petróleo

Da Agência Petroleira de Notícias. Fotos: Salvador Scofano, Rafael Duarte e Maira Santafé

Cerca de 50 feridos e três pessoas detidas. Esse é o saldo – até agora computado - deixado pela violenta reação da Polícia Militar do Rio de Janeiro e da Guarda Municipal, durante uma manifestação pacífica, por volta de meio dia, nesta quinta, 18, na Avenida Rio Branco, em protesto contra a 10ª Rodada de Licitação do Petróleo.

Depois de receberem uma ordem de despejo, ontem à noite (17) para desocupar o Edifício Sede da Petrobrás, no Rio, os manifestantes – cerca de 500 pessoas - dirigiram-se para a Candelária, que fica perto da Agência Nacional do Petróleo (ANP), responsável pela realização dos leilões das áreas petrolíferas. Em seguida, a manifestação prosseguiu pela Avenida Rio Branco, em direção à Cinelândia.

A violenta reação da Polícia Militar e da Guarda Municipal surpreendeu os manifestantes que foram espancados durante toda a caminhada pela Avenida Rio Branco. Até agora os organizadores da manifestação, convocada pelo Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás, que reúne dezenas de entidades, confirmam a detenção de três pessoas: Emanuel Cancella, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ); Gualberto Tinoco (Piteu), da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas): Thaigo Lúcio Costa, estudante de jornalismo da Universidade de Santa Cecília, de Santos. Dentre os feridos, está hospitalizado, com um corte na cabeça, no Souza Aguiar, o diretor do Sindipetro-RJ Eduardo Henrique Soares da Costa. Um militante do MST quebrou o braço, ao ser espancado pela PM. As entidades que compõem o Fórum ainda estão fazendo o levantamento do número de feridos e estão tentando localizá-los. Muitos ainda não foram encontrados.

Desde a ordem de despejo, vinda da presidência da Petrobrás, ontem à noite, os manifestantes sentiram a animosidade das forças de repressão, mas não esperavam ação tão agressiva, contra uma simples manifestação de protesto. Um dos detidos, o coordenador do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, declarou:

"Nós acabamos de viver um momento que remonta à sombria época da ditadura militar. O Capitão Moreira me deu ordem de prisão, mesmo eu dizendo que era advogado. Ele bateu muito em mim. Algemou o Pitel e o estudante e os policiais feriram gravemente nosso companheiro Eduardo Henrique". Emanuel Cancella está com um braço fraturado e costelas. Por de 14 horas estava concluindo o seu depoimento na 1ª DP, na Rua Relação, 42. Logo seria encaminhado para exame de corpo delito. A partir das 14h30, a Rádio Petroleira transmitirá flashes ao vivo.
Participavam da manifestação no Rio, parte de uma jornada de Lutas pela suspensão do leilão do petróleo, iniciada desde o dia 14 – no dia 15, houve a ocupação do Ministério das Minas e Energia, em Brasília, pela Via Campesina e petroleiros – representantes de dezenas de entidades que compõem o Fórum, dentre as quais: Sindipetro-RJ, Sindipetro-Litoral Paulista, MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) , MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados), FIST (Federação Internacionalista dos Sem Teto), FOE (Frente de Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes), as centrais sindicais Conlutas, Intersindical e CUT, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), o Centro Estudantil de Santos, movimentos de estudantes secundaristas do Rio de Janeiro. A campanha "O Petróleo Tem que ser nosso" continua.

Contatos: (21) 76617258, Joba (MST); Moraes 21-76741786 (FUP); Marcelo Durão (21) 96847750

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Movimentos sociais ocupam sede da Petrobrás no Rio

17/12/2008

Mais de 500 pessoas acabam de ocupar a sede administrativa da Petrobrás, na Avenida Chile, Centro do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (17/12). Os manifestantes exigem o cancelamento dos leilões, em especial, a 10ª Rodada de Licitações do Petróleo e Gás brasileiros, que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) convocou para os dias 18 e 19 deste mês. A mudança da legislação que regula o setor de petróleo e gás, permitindo a privatização desses recursos minerais, é outra reivindicação da ocupação.

Os manifestantes solicitam a realização de uma reunião com o presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, para que possam debater o cancelamento do leilão marcado para começar amanhã. Para a Campanha Nacional pelo Petróleo o Governo Federeal deve manter o compromisso de destinar osrecursos do petróleo para suprir as necessidades básicas do povo brasileiro, como educação, saúde, reforma agrária e não destiná-los às multinacionais.

Serão ofertados na 10ª rodada 130 blocos exploratórios em terra, dividido em oito setores, de sete bacias sedimentares: Sergipe-Alagoas; Amazonas; Paraná; Potiguar; Parecis; Recôncavo e São Francisco. No total serão oferecidos aproximadamente 70 mil quilômetros quadrados em áreas paraexploração e produção de petróleo e gás natural. Atualmente, o Brasil é o país que dispõe da maior área sedimentar com potencial para petróleo e/ou gás ainda por explorar no mundo, segundo a própria ANP.

Os sindicatos de petroleiros também estão ingressando na Justiça com Ações Civis Públicas, cobrando a suspensão da 10ª Rodada de Licitações da ANP. Além das manifestações, está correndo um abaixo-assinado exigindo o fim dos leilões e a recuperação da Petrobrás 100% estatal.Participam também do protesto MST, MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados), Sindicato dos Petroleiros do Rio, FNP, FUP, Via Campesina, CONLUTAS, INTERSINDICAL, UNE-FOE, Movimento Estudantil.

Fonte: sítio do MST

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

CPA da FAA lança blog

A Comissão Própria de Avaliação (CPA) da Fundação Dom André Arcoverde (FAA) criou recentemente um blog, com o objetivo de "divulgar notícias e interagir com os leitores", de acordo com a assessoria da FAA. ainda segundo a assessoria, a ferramenta foi desenvolvida com a intenção de "divulgar o caminhar das atividades executadas pela CPA, o calendário, as visitas do MEC, informações relevantes, bem como elogios aos setores e profissionais que estão se destacando em qualidade e profissionalismo".

O blog disponibiliza ainda uma espécie de questionário para o leitor escrever o que quiser sobre a CPA, fazer críticas e/ou elogios e uma nota para a FAA no ano de 2008 - AQUI
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A CPA foi criada em obediência à Lei 10.861, de 14 de abril de 2004, que estabelece o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Ela é formada por alunos, professores, funcionários e membros da comunidade extrena à FAA, e tem como função levantar potencialidades e fragilidades da instituição.

Na apresentação da nova página da internet está lá: o "Blog foi criado para você, que estuda, trabalha ou apenas gosta da FAA possa estar sempre por dentro do que acontece no processo de auto-avaliação. Aqui você encontra notícias, sugestões, informações sobre tudo que acontece relacionado com a auto-avaliação!"

Fazem parte da Comissão: Coordenador: prof. Rabib; Representante de Funcionário: Ricardo Freitas; Representante da comunidade externa: Juliana Serafim; Representante dos alunos: Mariana Vargas (Direito) e Lorena Alves (Medicina Humana); Representante dos professores: Prof. Rafael Vassallo; Coordenador da CPA estendida: Prof. Marcelo Leite.

O endereço de contato da CPA é cpa@faa.edu.br

O endereço do blog é http://cpafaa.blogspot.com/

domingo, 14 de dezembro de 2008

Recebemos o seguinte email (em vermelho), após enviarmos mensagem sobre a imissão de posse que seria realizada no dia 11 de dezembro, no Acampamento Manoel Congo, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Como podem ver em postagens anteriores AQUI, AQUI e AQUI, não vou repetir novamente. Mas pelo teor do email recebido, resolvi responder rapidamente às questões colocadas.

REDE JOVEM, VALENÇA. POR FAVOR:
QUE MOVIMENTO SOCIAL É ESTE DE QUE SE REFEREM? É MOVIMENTO SOCIAL OU TEM OUTRO NOME?


Meu caro, é mesmo movimento social, inclusive o maior movimentos social da América Latina, mais conhecido como Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

E A INFRA-ESTRUTURA, E A ALIMENTAÇÃO GRATIS (DOADA COM DINHEIRO DE NOSSOS IMPOSTOS). QUEM MANOBRA ESTE PESSOAL DO MST, QUEM SÃO, DO QUE VIVEM? JA SE PERGUNTARAM?

Não apenas nos perguntamos, mas o Valença em Questão conhece o MST de perto – diferente do autor da mensagem. São trabalhadores sem-terra, como está no nome do movimento, que lutam por um direito que está na nossa Constituição – que completou 20 anos em 2008 e ainda está longe de ser respeitada.

A infra-estrutura eles montam dentro dos acampamentos e assentamentos, criando condições de subsistência e ainda aquecem a economia local com o comércio da produção.

SEM ENTRAR NO MÉRITO DESTA FAZENDA ESDRUXULA, QUEM GARANTE O DIREITO DE NOSSAS PROPRIEDADES? VCS GOSTARIAM E QUEREM DIVIDIR SUA CASA COM OS INDIGENTES E SEM TETO?

Fazenda Esdrúxula? Não entendi. E não quero dividir minha casa com indigentes (?) e sem-teto, mas para isso é preciso que todos tenham onde morar. O direito à propriedade é garantido pelos poderes. No dia 11 por exemplo, a polícia estava lá para garantir a propriedade a e integridade do proprietário e do oficial de justiça. As outras pessoas, pelo que parece, não têm o direito – também constitucional – da sua integridade.

Agora entrando no mérito das ocupações que parecem preocupá-lo, apenas produza, que não correrá o risco de ter suas terras ocupadas pelo movimento. Caso não produza, suas terras podem ser consideradas improdutivas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e compradas pelo governo e destinadas para fins de reforma agrária. De qualquer forma, suas terras serão compradas pelo governo federal. Sairá sempre ganhando, fique tranqüilo.

MST EM VALENÇA - PRODUZIR O QUE, COM QUAIS RECURSOS, QUAL A TECNOLOGIA? QUEM COMPRARÁ? (ESCAMBO, VOLTANDO A IDADE MÉDIA)?

Produzir o que Valença compra no Rio de Janeiro – na Ceasa – e traz para a cidade, pagando mais pelo transporte e por produtos com agrotóxicos, diferentes dos produzidos nos acampamentos e assentamentos do MST. Pessoas físicas, como você e eu, podem fazer empréstimos em bancos, podem ter recursos próprios, etc., e esse dinheiro pode ser investido em produção, por exemplo, de cooperativas. Exemplos do próprio MST não são raros em relação a isso. Não raro também que as produções das pequenas propriedades têm relação direta com o desenvolvimento da economia. Pode ser uma das soluções para Valença, que vive de quê? Prefeitura, FAA e aluguéis.

COMO ESTUDARÃO, QUAIS AS CRECHES E POSTOS MÉDICOS QUE ATENDERÃO OS FILHOS DESTAS PESSOAS QUE SÃO MANOBRADAS, NÃO SE SABE POR QUEM?

As mesmas freqüentadas por você ou por mim. Não consegui entender porque eles não teriam direito ao acesso à educação e à saúde.

INFRA ESTRUTURA DE SANEAMENTO? NIHIL! CHEGA DE FILOSOFIA BARATA, MÃOS A OBRA E TRABALHO DECENTE QUE DÊ SUSTENTO DIGNO A ESTAS PESSOAS. SERÁ QUE QUEREM TRABALHO? TEM LAVRADORES ENTRE OS MEMBROS DO MST?

Quem fez o saneamento de sua casa? Será que eles poderiam fazer o saneamento deles também?

O MST é formado por produtores rurais. A grande maioria tem sua origem familiar no campo, e por isso a luta por um pedaço de terra.

AB

Abraços.

Projeto Integração pela Música em Valença

Apresentação da Orquestra Sinfonica Jovem do Projeto Integração pela Música (PIM) de Vassouras, na Catedral de Valença, hoje, dia 14 de dezembro, regida pelo maestro Cláudio.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Valença Bizarra Parte 2: o Conselho de Classe dos Ceifadores

Ah! Agora acabou a colheita! Realizado o Conselho de Classe Final despachamos as almas que progrediram para o próximo nível ou estacionamos aquelas outras que não alcançaram o conhecimento mínimo para ascender ao nível mais alto. Como sou um Ceifador de primeira viagem, toda reunião traz consigo uma novidade que eu tento compartilhar com os leitores através de minhas interpretações sobre os fatos. Sem mais delongas, vamos começar.

Nós, ceifadores, confundimos o direito das crianças ao Ensino na Escola, que estou completamente de acordo, com a idéia de que toda criança tenha que passar de ano letivo ao fim do ano. Poucos são aqueles que querem carregar a responsabilidade de reprovar um aluno. Pude comprovar nossa incompetência com os argumentos utilizados para passar o aluno “na marra”. Falamos da vida privada do discente, da comunidade, do futuro. Só não conseguimos, e não fazemos a seguinte pergunta: “o aluno em questão conseguiu apreender aquilo que foi ministrado nas nossas aulas?”

Passar um aluno “na marra” ocorre quando nós esgotamos todas as possibilidades para que o mesmo consiga os pontos necessários. Oficialmente, damos o nome de “decisão do Conselho”. É nesse momento que ocorre às tais perguntas que, claro, nos sensibilizam e fazem com que relativizamos nossa própria matéria: “Afinal, o que são 5, 10, 15, 20 pontos para um garoto da periferia da cidade.” “Vai que ele é reprovado, se revolta e saí da escola.” Muitas possibilidades aparecem em nossa cabeça e, naquele sentimento de compaixão pelo semelhante, nós o liberamos de repetir o ano. No popular, empurramos o problema para frente.

Antes de prosseguirmos temos que informar as regras do jogo, mais conhecido como sistema de avaliação: o aluno é considerado APTO em duas condições: ter obtido, ao longo de 4 bimestres, 200 pontos e ter marcado uma freqüência superior à 75 por cento. Aqueles que não conseguiram somar 200 pontos fazem, em dezembro, uma recuperação final valendo 100 pontos com a matéria de todo o ano. Sim, não escrevi errado, o sujeito em recuperação deve fazer uma prova com o conteúdo de todo ano. Fico imaginando aqui um aluno meu estudando toda a matéria de História em duas semanas. Realmente, eu não queria estar na situação dele...

Também sabemos que a política educacional brasileira baseia-se no equilíbrio entre idade e escolaridade como forma de garantir financiamentos internacionais para o setor educacional. No entanto, o primordial é garantir que os alunos aprendam os conteúdos, qualquer ceifador sabe muito bem que nossos alunos podem sair da escola sem saber ler e escrever. Volta e meia ficamos nas mais baixas posições em comparação com os números de outros países.

Durante o ano de 2008 fui o ceifador de todas as séries do ensino Fundamental e, em minha opinião, a perspectiva de empurrar o problema pra frente, obviamente, não resolve nada. Pior, isso possibilita a compreensão dos próprios alunos concluintes do ensino fundamental da existência de uma “manha” de não precisar estudar para passar de ano, já que, no final, “todos passam”. Dentro desse contexto, “estudar” torna-se um algo negativo, “estudar” e para os alunos que não sabem “enganar o professor”. Já na primeira colheita escutei tal afirmação.

Mas então? Confesso que perdi a colheita. Que não estava preparado para encontrar a educação nesse estado. O amigo leitor que se preocupa com a educação e quer ter uma noção do que se passa numa sala de aula hoje multiplique a sua opinião por mil. Você terá uma impressão. Numa oração: “Perdemos a guerra...”

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Valença Bizarra Parte I

Lá estava Quixote curtindo as férias: 10 horas de sono, episódios de Lost, Naruto, Bleach, Sobrenatural, sem stress, sem aluno pulando o meu pescoço. Um verdadeiro paraíso. Durou exatamente três horas o meu descanso. Ele terminou justamente na quarta feira, 9 de dezembro. Como estava com tempo sobrando e com a consciência pesada em não saber o que ocorria na minha cidade, liguei meu rádio para escutar a entrevista de um Deputado feita pelo dono da maior rádio valenciana.

Mal sabia que tinha feito um grave erro. Já a chamada da entrevista denunciava o conteúdo, ou a falta dele. A chamada falava que um amigo meu iria entrevistar um Deputado sobre “importantes” assuntos. Como não tinha nenhum amigo na rádio identifiquei aquilo como o marketing da emissora.

Pois bem, começou a entrevista e fui percebendo que o objetivo da mesma não era informar nada a alguém, mas sim um espaço para a auto-promoção do Deputado. Não tinha questionamentos, dúvidas, só existia a política da troca de elogios. Um falava bem do outro e os dois falavam bem de Deus....

O tal assunto importante da entrevista eu não pude perceber. A entrevista acabou e minha intenção de saber sobre a atuação do deputado não se realizou. No entanto, ficou difícil não sair da entrevista com a impressão de que o Deputado é um cara preocupado com os “anseios da população”. Só não entendi o que ele faz/fez, mas ele é um Good boy.

No entanto, comecei a duvidar que o caminho pelo qual escolhi para obter informações pudesse fornecê-las. Duvidei mais ainda e pensei na hipótese de que aquela entrevista fosse uma mercadoria que o dono da rádio, “meu amigo”, vende para os seus “outros” amigos, certamente mais poderosos e influentes do que eu. O que seria então a coisa ”importante” que a chamada da entrevista dizia? A resposta para a questão só apareceu no Jornal da mesma emissora.

No intervalo do Jornal aparece a famosa chamada em que meu amigo desconhecido entrevistará outros Deputados, e, pasmem, também sobre “importantes assuntos”. Aí eu entendi todo o significado da expressão: “importantes assuntos.” Vamos então minha interpretação sobre o uso do termo. “Importantes assuntos” significa inexistência de pauta, troca de elogios ou a popular BALELA. Você acaba de ouvir e fica com a sensação de que foi enganado. Se for esperto até consegue saber o que as pessoas vão falar antes das próprias, é o lugar onde reina o politicamente correto.

Poderia ser diferente? Penso que sim. No começo da entrevista o entrevistador poderia falar: “O espaço da nossa conversa foi comprado pelo senhor fulano de tal por tantos reais, o microfone está aberto para ele.” Seria mais sincero, mais honesto para com os ouvintes. Só escutaria aqueles que acreditam nas propostas do entrevistado. Mas respeito à inteligência do público não faz parte dos anseios do amigo, nem da rádio dele. Pior para nós.

PS: É revoltante, dia 11 de Dezembro e não ter recebido salário da Prefeitura de Valença e nem Décimo Terceiro.

URGENTE - REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA OCUPAÇÃO MANOEL CONGO NO VARGAS (3)

Nesse momento, o MST está tentando conseguir transporte para as famílias, seu pertences e o gado, além de indenização pelas plantações realizadas no local. O Incra contactou a Prefeitura, que não retornou. O comprador também está irredutível. Outro caminho que está sendo tentado é a Defesa Civil do Estado. O MST pretende levar as famílias para a Fazenda São Paulo, a cerca de 50 km de distância, que está às vésperas de uma decisão judicial de desapropriação e onde já há uma ocupação do Movimento.

Abaixo, texto publicado na edição número 29 do VQ, em abril de 2008, de autoria de Francisco Lima, advogado e integrante do MST.

. . . . . .

Desde o dia 13 de maio de 2004 em poder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), a Fazenda Vargas foi leiloada no dia 13 de fevereiro de 2008. Por incompetência e inoperância do Incra-RJ (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o acordo celebrado em julho do ano passado não foi levado a efeito. À época, por articulação política do MST, ficou acordado em Brasília, com representantes do INSS ((Instituto Nacional de Seguridade Social) e INCRA que a fazenda seria comprada para fins de Reforma Agrária. Os R$340.000,00, valor da venda em leilão da fazenda, foi considerado pelo próprio presidente do Incra como “dinheiro de cafezinho”.

O processo de reintegração de posse foi suspenso para que o Incra desse encaminhamento nas questões burocráticas do processo de cessão da fazenda para fins de reforma agrária. Porém, o Incra-RJ não atentou para o fato de que o processo estaria suspenso por apenas 90 dias, prazo suficiente para dar os encaminhamentos necessários. Terminado o prazo sem que o Incra tivesse se manifestado, nem mesmo para requerer novo prazo, a fazenda foi a leilão. Vale destacar que o Incra não pôde nem participar do leilão, já que o dinheiro de “cafezinho”, por questões legais, já havia sido devolvido pelo Incra aos cofres do Tesouro. Como o Congresso Nacional ainda não havia provado o orçamento de 2008, ficou o Incra-RJ sem condições de participar do leilão.

Porque a burocracia federal do Incra, responsável pelo processo de reforma agrária, deveria se preocupar em assentar 12 famílias sem terra? Afinal, ela está dentro de uma estrutura profundamente controlada pelos banqueiros e grandes empresários da cidade e do campo, responsáveis por astronômicos e imorais lucros obtidos à custa do povo trabalhador. Com isso deixou que a fazenda fosse comprada pelo senhor Rafael Ferreira Matos, que muito provavelmente está muito mais preocupado em engordar seus polpudos lucros. Apropriou-se com dinheiro de “cafezinho” da fazenda ocupada por famílias sem terra que buscavam dignidade produzindo alimentos que eram vendidos nas feiras de nossa cidade.

Uma vez mais venceram, aparentemente, os operadores de esquemas públicos e privados, que não faltaram no desenrolar de todo o processo. Mais uma vez venceu o capital em detrimento do pão, da terra, do trabalho, da dignidade, da liberdade e da paz, elementos fundamentais à sobrevivência humana, porém impossíveis de serem alcançados plenamente nos marcos da sociedade capitalista. Só não conseguiram vencer o sonho socialista que tremula nas bandeiras vermelhas e nas mentes das famílias sem terra, que se renova e se fortalece na continuidade da luta, muito embora tão acostumadas às derrotas, como qualquer pessoa do povo trabalhador brasileiro.

A ocupação Manuel Congo está viva, pronta para empunhar suas foices!!!

Francisco Lima, advogado e integrante do MST

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

URGENTE - REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA OCUPAÇÃO MANOEL CONGO NO VARGAS (2)

Amanhã, dia 11 de dezembro, a polícia vai à Ocupação Manoel Congo reintegrar (?) a posse da Fazenda do Vargas, ocupada há mais de quatro anos pelo MST. Ocupada desde que a terra, considerada improdutiva, ainda era de posse do INSS (apreendida judicialmente ao INSS como pagamento da corrupção da ex-procuradora Georgina de Freitas, que obteve a terra através de "laranja"). De lá pra cá, um acordo entre INSS, MST e Incra firmava que a fazenda seria comprada para fins de Reforma Agrária pelo Incra. Mas não, por algum motivo inexplicável, a fazenda foi a leilão (sem qualquer divulgação) e vendida a preço de banana.

Amanhã, dia 11 de dezembro, a polícia vai à Ocupação Manoel Congo cumprir o papel de representante das elites, retirar das terras as pessoas que estão lá há mais de quatro anos trabalhando e tornando produtivas terras em que antes nada brotavam.

Amanhã, dia 11 de dezembro famílias que tinham esperança de ver seu sonho por uma terra para produzir mais perto voltarão a se perguntar “até quando?”.

Amanhã, dia 11 de dezembro, a polícia vai à Ocupação Manoel Congo cumprir a liminar da justiça, que mais uma vez, está do lado do poder financeiro, dos mais ricos, em detrimento dos interesses coletivos da classe mais pobre.

É amanhã, dia 11, que mais um capítulo triste se inicia na vida dos ocupantes da Fazenda do Vargas.

É amanhã, dia 11, que mais um golpe é dado contra os movimentos sociais.

É amanhã, dia 11, que mais uma vez os movimentos sociais são criminalizados.

Mas é amanhã também, dia 11, que a luta do povo pobre continua e ganha força.

É amanhã também, dia 11, que se inicia mais um capítulo da luta do povo pobre contra a elite rica em nosso país.

É amanhã, dia 11 de dezembro, um dia depois da comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do dia Internacional dos Direitos Humanos, que os movimentos sociais e o MST vão continuar resistindo, como fazem há mais de 20 anos.

O Valença em Questão se solidariza com a causa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Valença ontem, hoje e amanhã, dia 11 de dezembro.

URGENTE - REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA OCUPAÇÃO MANOEL CONGO NO VARGAS

Amigos,

amanhã, 11/12, será realizada, às 9 da manhã, na Ocupação Manoel Congo - Vargas/Valença - RJ, o cumprimento da decisão judicial que imite na posse o atual "proprietário" da Fazenda Vargas e Capoeirão, Sr. Rafael Ferreira Matos.

A decisão mostra a força que os latifúndios têm na região, mostra a incompetência do INCRA ao não arrecadar as terras com decreto e mostra ainda de que lado se posiciona a justiça do Estado, que sequer concedeu prazo para que as famílias saíssem da terra.

Mais um ato nefasto dos operadores do capital, que visam explorar e oprimir à classe trabalhadora ao extermo, além de violentar e criminalizar os movimentos sociais. E ainda, mais uma tentativas daqueles que representam os latifúndios, o agrogonegócio e o capital financeiro-especulativo em desarticular o setores sociais e as organizações populares que constroem um projeto popular que enfrente o neoliberalismo, o imperialismo e as causas estruturais que afetam os trabalhadores brasileiros com injustiças e desigualdades sociais.

A referida fazenda foi ocupada pelo MST em 13 de maio de 2004, e conta hoje com 24 famílias. As famílias, que não foram comunicadas da Carta de Ordem, vão perder o que produziram e as crianças que estudam na escola rural não terão como frequentar as aulas que ainda não terminaram.

Seria fundamental a solidariedade daqueles companheiros que possam estar lá amanha, para contribuir com o que for possível naquele momento.

Esse blog/movimento/jornal repudia a decisão judicial e presta apoio incondicional e radical aos companheiros do MST.

Vamos à Luta!!

Correspondência entre Keynes e Marx (2)

Carta de Marx para Keynes - escrita pelo professor Jean-Marie Harribey (conforme postagem anterior)

Meu caro Keynes,

Tenho de dizer que meu primeiro movimento, ao descobrir sua carta, foi o de saborear a revanche. Você, que sub-utilizou uma parte importante de minha imensa obra, fingindo não tê-la jamais lido, agora toma o Caminho de Canossa. Pois, onde você encontrou, senão no meu Capital, a acumulação, o trabalho como único fator produtivo, a possibilidade das crises, a inanidade da lei de que a oferta cria sua própria demanda, desse imbecil do Say, o papel da poupança que você rebatizou preferência pela liquidez, e mesmo o papel da moeda que os ignorantes lhe atribuem a paternidade? Vamos, mais um esforço, querido Keynes, a moeda transformada em capital em virtude da exploração da força de trabalho! Eu rio com os eufemismos modernos sobre “a distribuição do valor agregado”.

Mas voltemos a sua questão. Eu lhe concedo ter levantado um problema crucial, o da transição do capitalismo para uma organização social favorável à emancipação humana. E os brutos do Kremlin pegaram muito pesado.

Convém, inicialmente, que levemos em conta a medida da mundialização do capitalismo, que eu, com meu amigo Engels, analisamos perfeitamente no meu Manifesto. Essa mundialização, cuja crise não é outra coisa que seu completamento. A impossibilidade radical de que todos os capitalistas liquidem ao mesmo tempo o seu patrimônio financeiro, que você notou bem, remete ao caráter fictício da excrescência do capital financeiro. O que os jovens da ATTAC chamam de financeirização é a exacerbação da exploração dos trabalhadores que permite a liberdade total de circulação de capital. O capitalismo não é o mercado, é a relação capital-trabalho.

Eu já escuto você praguejar em favor da regulação. Falemos com clareza e sinceramente. Eu concedo quanto à palavra, com a condição que tomemos às coisas pela raiz. Senão as sirenes tocarão, dizendo que há um bom capitalismo opaco por trás da voracidade da finança. Ora, lembre você sempre que o sistema mergulha a humanidade nas águas geladas do cálculo egoísta.

"O que fazer, então" diz você?

Em primeiro lugar, suprima-se a liberdade do capital e garanta-se todas as liberdades democráticas, só para melar todas as burocracias. Em segundo, que se limite os altos lucros e se tome os superávits para financiar os investimentos públicos (a esse respeito, eu adoro o seu multiplicador de investimento e não lamento senão uma coisa: não ter pensado nisso). Terceiro, se instaure a propriedade social dos bens essenciais à vida e à gestão coletiva do crédito, e se reflita seriamente sobre a reorientação da produção em direção ao útil e não aos desperdícios. Eis uma coisa que eu não inventei, a palavra “ecologia”, bem que eu tinha escrito que o trabalho era o pai da riqueza e que a terra era a sua mãe.

Meu caro Keynes, eu li suas Perspectivas econômicas para os nossos netos e isso me fez bem. Certa noite de bebedeira numa taberna londrina eu poderia tê-lo afirmado. Mas seria preciso deixar-lhe alguma coisa. Bom, é certo que na City e em Wall Street, onde se lê a mim regularmente – sim, eu lhe asseguro –, os serventes do capital tremem. Eles tremem antes mesmo de saber aonde queremos conduzi-los: à rendição.

Eu lhe prometo, meu querido Keynes, não fazer mais pouco dos seus modos reguladores. Mas lembre-se: regular sem transformar não é regular. Fale disso no seu Bloomsbury Group. Um círculo, ainda, que fracassei de propósito em me ocupar da quadratura.

Seu Karl Marx.

Retirado do sítio da Carta Maior aqui

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Correspondência entre Keynes e Marx (1)

Keynes nasceu quando Marx morreu, em 1883, e por conta disso, nem se conheceram. O professor Jean-Marie Harribey publicou, no jornal Lebératíon, em 24 de outubro deste ano, uma troca ficcional de correspondência entre os dois pensadores. Abaixo a carta de Keynes para Marx. Amanhã, colocamos a carta-resposta de Marx.

Meu Caro Marx,

Neste dia do 79º aniversário da quinta-feira negra de 1929, devo reconhecer que você me superou. Para dizer a verdade, eu não acredito numa nova crise. Eu tinha descortinado tão metodicamente a incapacidade do mercado de produzir o equilíbrio do pleno emprego que conduzi todos os governos a mais sabedoria: ninguém teria se deixado infectar por uma crise sem reagir. Eu estava com minha consciência tranqüila e não estava preocupado se você tinha ou não esquecido a Estátua do Comandante buscando arrastar o capitalismo no fogo do inferno.

Contudo, os seres animosos que eu descrevi na minha teoria geral retomaram o poder; banqueiros e rentistas, esses mesmos a quem prometi a eutanásia, se refestelaram durante anos. E, quando chegou o inverno, como diria o fabulista francês, eles estavam gravemente desprovidos e se deram conta de que não poderiam reencontrar sua liquidez simultaneamente. E aqueles que ainda a detinham preferiram-na a endossar títulos desvalorizados, verdadeiros lixos tóxicos.

Desde o tempo de minha juventude o setor automobilístico começou a inundar o mercado americano de automóveis reluzentes mas, não tendo a demanda lhes seguido o passo, a depressão não tardou quando um endividamento colossal fez a bolha financeira explodir. Desde 2001 os norte-americanos recorrem a um endividamento também perigoso. Preste atenção: tomando a si como um guru infalível e assim reputado por uma boa parte dos que pretendiam reclamar de mim, o Senhor Alan Greenspan verteu crédito sem contabilizar, esquecendo que a criação monetária deve antecipar a produção real. E seu sucessor, considerado o melhor conhecedor da crise de 1929, Senhor Bern Bernanke continuou a fazer-lhe as honras. Nesse período, os salários perderam seu valor. Com a abolição das fronteiras e a integração financeira, a crise só podia mesmo ganhar o mundo inteiro.

Meu querido Marx, com muito atraso reconheço o ceticismo de minha perspectiva, agravado pelo gosto pelas classes cultivadas, aos seus olhos. Ah! Se você tivesse conhecido as delícias de nossas trocas, de todas as ordens, no Bloomsbury Group, no seio do qual brilhava Virginia Woolf, tenho certeza que esqueceria da furunculose deles. Mas, longe de mim a idéia de entreter-lhe com essas mundaneidades que foram, é verdade, a essência de minha vida depois que entendi as futilidades da Bolsa. Eu tenho é de lhe perguntar, meu caro Marx. Eu concedo que você tinha razão: o capitalismo parece irreparável. Mas, como você vê uma saída definitiva dos excessos desse sistema, tendo em vista a calamitosa experiência soviética? Pois, você há de concordar, eu espero, que seus epígonos não conseguiram segui-lo.

Meu querido Marx, o destino nos separou; sem dúvida Londres estava longe demais de Cambridge, a menos que seus furúnculos e meu gosto pela literatura nos tivessem posto a cada um próximos da fronteira, como você diz, de classe, não é? Isso não importa. Nós somos os únicos a saber o essencial, e isso deveria nos aproximar sobre o próximo período. Permita-me acrescentar a esta carta minhas perspectivas econômicas para os meus netos, que deverão agradar-se de você.

À sua leitura, querido Marx,
seu John Maynard Keynes

Retirado do site da Carta Maior aqui

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

... .. Triste Fim [2]

Documentos de arrecadação da Secretaria de Fazenda da Prefeitura Municipal de Valença jogados na rua, em frente ao Clube dos Coroados, nesta tarde de 2 de Dezembro de 2008.

Alguém sabe o que é isso?!









PS: O sítio eletrônico da P.M.V. (www.valenca.rj.gov.br) voltou ao ar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Projeto da Mesa Diretora acaba com eleição na Câmara

Projeto proposto pela Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Valença, em tramitação na Câmara, propõe o fim das eleições para a Mesa Diretora, propondo uma nova forma de escolha para a mesma.

O novo processo sugerido pelo Projeto é de que a composição da mesa se dê de forma automática no primeiro biênio de cada legislatura: o vereador reeleito mais votado seria automaticamente indicado como presidente da Câmara, e os vereadores mais votados (sem a necessidade de serem reeleitos) comporiam a Mesa como secretários. Após dois anos, haveria eleição.

Caso o Projeto seja aprovado, o vereador Naldo, como reeleito mais votado, automaticamente se torna presidente da Câmara nos próximos dois anos. Porém, o vereador Vitinho entrou na justiça comum solicitando a paralisação da tramitação, alegando que seja ilegal essa alteração na Lei Orgânica do Município. Até agora, não temos mais informações, e os leitores que tiverem acréscimos, podem fazê-los por comentários ou por email (valencaemquestao@yahoo.com.br). O Blog do VQ agradece.

Os Monopólios do Dinheiro e da Palavra

Por Emir Sader - Carta Maior (*)

A ditadura militar terminou, porém o Brasil continuou a ser o país mais desigual da América Latina – o continente mais desigual do mundo. Continuamos a ser assim uma ditadura social, em que as mesmas elites se apropriam, de geração a geração, do substancial da riqueza material e simbólica, ao mesmo tempo que ocupam os postos de poder político e ideológico.

A transição da ditadura à democracia foi política, de substituição de um sistema por outro, mas nenhuma reforma substancial promoveu a democratização econômica, social e cultural do país. Ao contrário, desde então o poder do sistema bancário e financeiro só aumentou, da mesma forma que o poder sobre a terra, o mesmo ocorrendo com o monopólio privado da mídia. (Recordemos que o Ministro das Comunicações do primeiro presidente civil foi ACM que consolidou a repartição do sistema de comunicações).

Estes são dois dos principais nós que obstaculizam a construção de uma democracia com alma social no Brasil: romper a hegemonia do capital financeiro e o monopólio privado da mídia.
As mais altas taxas de juros reais do mundo, a autonomia do Banco Central, são expressões dessa hegemonia, que é uma trava para um crescimento maior da economia, para um processo muito mais extenso e profundo de distribuição de renda, para a disponibilização de muitos mais recursos para os investimentos públicos e para as políticas sociais.

A mesma política neoliberal que provocou a crise econômica atual no mundo, levou, no Brasil, com o governo FHC, à quebra da nossa economia três vezes. A desregulamentação liberou o capital para buscar os maiores rendimentos, com menor – ou nenhuma tributação – e maior liquidez. Se deu um gigantesco processo de transferência de capitais para o setor financeiro e, mais diretamente, para a especulação, promovendo a financeirização do Estado e da economia.

Os diagnósticos consensuais sobre as causas da crise internacional fortalecem ainda mais a necessidade de quebrar essa hegemonia do capital financeiro. O que só pode ser conseguido terminando com a impunidade da sua livre circulação, induzindo investimentos produtivos e desincentivando a especulação. Tendo uma orientação clara de diminuição sistemática da taxa de juros – que remunera justamente o capital especulativo -, para o que é necessário terminar com a independência de fato do Banco Central, subordinando- o a uma direção econômica única e centralizada do governo.

Sem quebrar esse poder do capital financeiro, o Brasil não poderá dar continuidade ao ciclo expansivo da economia, agora com um contexto internacional desfavorável. Esse ciclo contou com um grande esforço de investimento por parte do Estado, com a diversificação do comércio exterior, com a extensão e aprofundamento do mercado interno de consumo de massas. Tudo isso apesar da taxa de juros mais alta do mundo, apesar do capital financeiro. Um luxo que o país não pode seguir tendo.

Da mesma forma, a quebra do monopólio privado da mídia, que fabrica uma opinião publica restrita, condicionada fortemente pelos laços da publicidade que financiam a mídia. A grande massa majoritária da população brasileira já demonstrou que pensa de forma totalmente contrária ao que a mídia afirma, no entanto não encontra espaços próprios para desenvolver e difundir suas opiniões.

Qualquer que seja a avaliação que se tenha do governo Lula, esses dois nós restam como obstáculos ao avanço econômico, social, político e cultural do Brasil na direção de uma sociedade justa, democrática, solidária, humanista.

(*) Artigo publicado na Agência Carta Maior, em 17/11/2008.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Democracia??? - Isso sim é uma piada!!



NADA QUE EU NÃO SOUBESSE OU DESCONFIASSE.

OU VC ACREDITAVA MESMO NESSA HISTORIA TOSCA QUE A GLOBO DIZ QUE A ELEIÇÃO ELETRÔNICA BRASILEIRA É A MAIS CONFIAVEL DO MUNDO?


É QUERER FAZER POUCO DE NÓS, PENSANTES.

MAS O QUE FOI PROPOSTO, DE TER UM COMPROVANTE EM PAPEL DA PESSOA QUE VC VOTOU TBM NAO FUNCIONA MUITO.

AQUI NO RIO SE FIZEREM ISSO VAI DAR MERDA JÁ QUE OS MILICIANOS* VÃO QUERER VER PAPELZINHO POR PAPELZINHO DE QUEM VOTOU, E AÍ?

O NEGÓCIO É VER E PESQUISAR DIREITO COMO FAZER HONESTAMENTE AS ELEIÇÕES.

MAS HONESTIDADE, TODOS SABEMOS, NADA TEM A VER COM ELEIÇÃO.

FOSSE ASSIM, VIVERIAMOS NUM PAÍS MUUITO MELHOR.

E, POR FAVOR, VAMOS COMEÇAR A DESCONFIAR MAIS DO QUE A TELEVISÃO E SEUS TELEJORNAIS DIZEM.

ELES QUEREM MESMO É VENDER PROPAGANDA, VENDER SEGURANÇA PRIVADA E GANHAR DINHEIRO PRA EXPANDIR OS NEGÓCIOS.

AH, E ELES QUEREM QUE VC PARTICIPE E MANDE SEU VIDEO. SÓ QUE DEPOIS SEU VIDEO É PROPRIEDADE DELES, NEM NO SEU BLOG VC PODE COLOCAR OU TÊM UMA MULTA.

FIQUE DE OLHO. ACHO QUE O POVO QUE FILMA E MANDA MATERIAL PRA ELES DEVIA PEDIR ALGUM DINHEIRO EM TROCA, PQ ELES NAO FAZEM NADA, EU DISSE NADA, DE GRAÇA; PQ NA HORA DE VC FILMAR E MANDAR O VIDEO, O SEU VIDEO É DELES E SEM PAGAMENTO?



VIDEO: BANDEIRANTES

Retirado do Blog do MC De Leve:

http://dicamelim.blogspot.com/

PS: Tsc, tsc... É UM CAÔ FUDIDO!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Corrupção

Já faz um tempo que não discutimos política no blog. Na época das eleições as postagens eram semanais já que os acontecimentos políticos “pulavam” na cena política valenciana. Como já saímos do “olho do furação”, penso que podemos discutir um tema muito batido na realidade brasileira, mas sempre tratado de uma forma inadequada: a corrupção.

Um dias desses estava conversando com meu amigo jornalista que é apaixonado na investigação das contas públicas. Ele me passava algumas dicas para identificar sintomas de corrupção numa cidade. Ouvindo-o, pude perceber a necessidade de discutirmos a corrupção de uma outra forma.

Primeiramente, o conceito: corrupção é toda prática em que um bem, ou cargo, público é utilizado para uma finalidade privada. Indo mais longe, é quando o interesse público é deixado de lado em favor da rapina de alguns grupos da sociedade, geralmente, vindo das famílias mais “nobres” da cidade.

Em segundo lugar uma constatação: todo mundo é contra a corrupção. Ainda não encontrei um cidadão que defenda a corrupção. Contudo, a inexistência de tal pessoa não garante que não tenhamos práticas corruptas em nosso país ou em nossa cidade. Assim como a pobreza, o racismo e a intolerância, a corrupção é filha de mãe e pai desconhecidos. Ela está aí e pronto.

Geralmente tentamos fugir da corrupção através do Personalismo: procuramos a pessoa com uma extrema de virtude, aquele que será incorruptível e não deixará a corrupção passar em brancas nuvens no seu governo. Geralmente quebramos a cara ao descobrir que nosso salvador não agüentou a pressão e deixou-se levar pela correnteza.

Quebramos a cara justamente por pensar que uma pessoa é capaz de não praticar e de coibir a roubalheira numa cidade. Com o decorrer da conversa com o tal amigo, pude perceber minha ignorância sobre o funcionamento da administração pública. Termos como “quadro de despesas”, “detalhamento de contas’, “boletins oficiais”, toda uma gama de documentos que eu não fazia idéia de existirem. Mas existem, e precisam ser investigados...

Investigação rima, ou rimava, com imprensa. Nos grandes centros urbanos ainda temos, mesmo que de forma muito superficial, a denúncia quando governantes se apropriam dos cofres públicos. Aqui em Valença não temos nada disso... É uma coisa incrível, por exemplo, que falte merenda nas escolas municipais e isso não se torne um incômodo para nós. Estamos acostumados com tal situação, ou pior, achamos natural que isso aconteça já que o atual governo vai sair dentro de dois meses. Para onde foi o dinheiro da merenda?

Fico aqui imaginando a quantidade de focos que podem existir na nossa cidade. Como não existe fiscalização e nem está escrito na testa as pessoas que são corruptas, torna-se necessário que nós, como cidadãos, aprendamos o vocabulário “burocrático” da administração de nossa cidade. Mas daí vem uma outra questão: quem vai perder seu final de semana tentando achar falcatrua.....

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sobre a falta de opção

Todos nós sabemos que são poucas as opções de lazer e cultura em Valença. A segunda ainda mais rara do que a primeira. Essa questão sim merece uma boa discussão aqui no blog. Mas lugar pra beber cerveja é o que não falta em Valença. Vamos combinar.

Claro que podiam existir mais opções de lazer como boates, barzinhos, espaços para shows, etc. Mas lugar pra beber, esse ato de sentar (eu gosto de beber sentada), encher um copo com cerveja gelada e jogar papo fora com amigos, isso Valença tem. Posso até listar algumas opções: fui a um estabelecimento na cidade, que não tinha frequentado ainda, e achei uma boa opção para um sábado à noite. Chopp, cerveja, pestiscos e, acreditem, música boa ao vivo (música, no meu ponto de vista, faz toda a diferença). Vou citar ainda uma outra opção: o velho e bom (reformado e ampliado) Bar da Manteiga. Só pra falar de 2 lugares , um recente e outro tradicional, para se beber uma cerveja honesta.

Bom, já descobrimos que existem no mínimo duas opções de lugar para se beber na cidade. E espaço para beber cerveja não é a única função que o posto de gasolina está ocupando? Sem lugar pra sentar e com uma música que, se existir, é aquela imposta por donos de carros com a aparelhagem de som mais cara do que o próprio veículo que estão ali para se exibir, o posto tem ainda um sério agravante que é colocar a vida de pessoas em risco.

Acho seríssimo que as autoridades, polícia, bombeiros, prefeitura assistam a isso sem sentir uma pontada de incomodo. Por que eu me sinto no mínimo incomodada com a cena das bombas de gasolina servindo de apoio para cervejas e outras bebidas alcóolicas.

Será que as pessoas que frequentam o lugar não percebem que não estão tirando onda bebendo suas cervejas com redbull sobre as bombas de gasolina, mas colocando em risco suas próprias vidas e o pior: de pessoas que nada tem a ver com isso, que são os vizinhos.

O que quero dizer é que beber cerveja em pé as pessoas podem fazer em qualquer lugar, inclusive num lugar minimamente seguro, como um espaço tradicionalmente conhecido como bar, boteco para os íntimos, pé-sujos para os mais íntimos ainda (que existem alguns muito bons por Valença por sinal). Ou será que as pessoas estão tão desesperadas com a falta de opção na cidade que andam com instintos suicidas?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cachaça de Valença na V Feira Rural

A Barril 39, cachaça produzida em Valença, estará, entre os dias 26 e 30 de novembro participando da V Feira Nacional da Agricultura Familiar, que acontece no Rio de Janeiro. A Feira faz parte do evento Brasil Rural Contemporâneo e é a maior exposição e venda de produtos da agricultura familiar brasileira. Lá estarão expostos produtos e materiais de mais de 4 milhões de propriedades - produtoras de 70% dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros.

Ao todo estarão presentes no evento 550 grupos de produtores, que vão expor e comercializar seus produtos em 480 estandes que ocupam 25 mil metros quadrados, espalhados pela Marina da Glória, no Rio. A Barril 39 estará na Praça da Cachaça e convida a todos para um brinde.


Mais informações sobre a Barril 39, onde encontrar, como comprar - Falar com Sérgio Azevedo, pelo email sccajrio@yahoo.com.br

Cinema para todos no Cine Glória

A secretaria de Estado de Cultura e de Educação estão lançando o projeto "Cinema Para Todos". No próximo dia 25, o palco do evento será o Cine Glória, que a partir das 18 horas exibe o filme Orquestra de Meninos com debate com o diretor do filme Paulo Thiago, a coordenadora de audiovisual da secretaria de Estado de Cultura e de Educação Julia Levi e a representante do Arte Cidadela Viviane Aires.
O evento faz parte do projeto Cinema para Todos, uma parceria das Secretarias de Estado de Cultura e de Educação junto aos Sindicatos dos Exibidores e a Associação Cidadela – Arte, Cultura e Cidadania. Os ingressos serão distribuídos no ensino médio da rede estadual de ensino e podem ser utilizados em qualquer dia (não necessariamente no dia do debate).
Além de Valença, participam da iniciativa os municípios de Petrópolis (26/11, 14h), Três Rios (26/11, 18h), Araruama (27/11), Bom Jesus do Itabapoana (28/11), Itaperuna (28/11) e Armação dos Búzios (01/12). No início de 2009, participam do programa Angra dos Reis, Barra Mansa, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Macaé, Nilópolis, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Resende, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti, Teresópolis e Volta Redonda.

Inscrição para processo seletivo do CAP da UGB até 3 de dezembro

O Colégio de Aplicação (CAP) do Centro Universitário Geraldo Di Biase (UGB) prorrogou as inscrições de bolsas para até 3 de dezembro para os alunos da rede pública ou particular de ensino ingressantes no 6º ano do Ensino Fundamental e no 1º ano do Ensino Médio. O processo garante bolsas integrais e parciais e a taxa de inscrição é um quilo de alimento não perecível, que será doado a uma instituição de Volta Redonda.

O concurso será realizado no dia 06 de dezembro, sábado, das 8 às 12 horas, no Campus Volta Redonda, localizado na Rua Deputado Geraldo Di Biase, nº 81, bairro Aterrado. As provas constarão de uma parte objetiva e de uma Redação. Para concorrer às vagas do 6º ano do Ensino Fundamental as questões serão das seguintes disciplinas: Matemática, Português e Conhecimentos Gerais. Já para as vagas no 1º ano do Ensino Médio terão questões objetivas de Matemática, Português, Geografia, História, Física, Química e Conhecimentos Gerais.

O primeiro lugar ganhará a bolsa de 100%; o segundo lugar terá 80%; o terceiro lugar terá 60%; o quarto lugar ganhará 50%; o quinto lugar terá 40%; do sexto ao 15º lugar os descontos serão de 30%; e do 16º até o 30º lugar terá 23,5% de descontos.

Os interessados devem preencher um formulário até o dia 03 de dezembro, no próprio CAP de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 11h30min e das 13 horas às 17 horas. Mais informações pelo telefone (24) 3345-1700.

sábado, 22 de novembro de 2008

Posto bomba

Em edições passadas do jornal Local, foi discutido a questão do uso de postos de gasolina como points de diversão de jovens. O início da discussão se deu a partir de uma carta do leitor João Fontes, que se mostrou preocupado e indignado com o perigo que essa prática pode acarretar. Pessoas fumando no perímetro que é proibido, usando as bombas de combustíveis como mesa para preparar drinks e apoiar copos e garrafas de bebidas, principalmente alcoólicas.

Na madrugada do dia 22 presenciamos algumas cenas da prática citada e tiramos algumas fotos, que pudessem comprovar essa preocupação do leitor do Local, e corroborada por nós. Ao passar em frente, vimos que um carro da Polícia se encontrava no local. Imaginamos que estivesse lá para tomar alguma providência. Mas em poucos minutos saiu e tudo permaneceu como estava. Mais tarde, ao sairmos da Choperia que fica em frente, a situação era pior. Garrafas de vidro no chão, carros passando por cima e quebrando as garrafas. Resolvemos ligar para a polícia e solicitar que algo fosse feito. A ligação foi feita às 3h e 20min da madrugada. O policial disse que imediatamente enviaria uma viatura ao local. Até às 3h e 50min, momento em que saímos, nenhuma viatura havia chegado.

As perguntas são:

- Há mesmo algum perigo nessa prática, ou as pessoas preocupadas estão exagerando?

- Porque os jovens escolhem um posto de gasolina como espaço de diversão?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Leite de Soja

Leitor@s do blog do VQ, vimos aqui pedir seu auxílio.

Há uma mulher na Ocupação Gisele Lima, no bairro Varginha, que necessita de leite de soja para alimentar seu filho, que tem alergia à lactose do leite de vaca, e que já perdeu um filho por este problema.

Fomos informados que nestes casos, onde a família não possui condições financeiras para alimentação especial e/ou medicamentos, o poder público municipal forneceria o necessário para a subsistência desta criança.

Alguém saberia dizer qual seria o processo que esta mãe deve tomar junto às autoridades competentes?

Agradecemos bastante.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

GLÓRIA A TODAS AS LUTAS INGLÓRIAS!

Luiz Carlos da Vila, compositor recém-falecido, nos deixou, entre tantos sambas de bamba, de singular lirismo, esta história reveladora: "um dia sentei num restaurante acompanhado de uma amiga, também negra, e pedimos uma garrafa de vinho. O garçom, meio desconcertado e tentando ser gentil, nos avisou que aquele vinho era muito caro. Olhei, agradeci e falei com ele: então eu quero duas garrafas. Meu objetivo não era tirar onda, pois não é a minha, mas mostrar para ele que um negro pode tomar uma garrafa de vinho mesmo que seja cara. Essa coisa do preconceito é tão complicada que os negros reproduzem o discurso dos brancos. A polícia, então, adora criar constrangimento quando o cara é da mesma cor. Forjou-se nesse país o estereótipo de que o negro é vagabundo, é desocupado, é ladrão e uma ameaça. Precisamos evoluir nesse sentido. Um país que discrimina, que segrega, é um país muito pobre."

De nada adianta ser uma República se não abolirmos definitivamente deste País a discriminação e a escravidão, que persistem de muitas formas. Como onde há opressão há resistência, nossa história registra também seguidas lutas do povo contra a exploração e o racismo. João Cândido, o Almirante Negro, líder da revolta contra a chibata, que enfim terá como homenagem algo mais que "as pedras pisadas do cais" na Praça XV, no Rio, é um exemplo.

Mas ainda há um longo caminho pela frente, ainda que nesses tempos de Obama presidente dos Estados Unidos. Pensando nesta Semana da Consciência Negra, observei alguns números do IBGE. No quesito autodeclaração de raça ou etnia, apenas 5,9% da nossa população se declara pretos - nem falam em negros. E, como 41,4% se declaram pardos, então 47,3% da nossa gente assume a condição, da qual eu também me orgulho, de não-branco. Mas poucos afirmam a sua negritude. E, dos 52% que se autodeclaram brancos, há fenômenos como o Ronaldo, o ex-centroavante da Seleção Brasileira que, em maio de 2005, declarou à Folha de S. Paulo que era branco. Por que será que um jovem tão cortês, tão bem-sucedido na sua habilidade de jogar futebol; por que ele, "o Fenômeno", dá essa declaração fenomenal? Ora, porque vivemos sob a pressão cultural e ideológica do embranquecimento. E isso que muitos queremos negar.
Tão logo se proclamou a República, há mais de 100 anos, surgiu no Brasil uma classe média e uma burguesia negra muito viçosas. Machado de Assis, por exemplo, destacou-se como escritor; Francisco de Paula, como editor. Lima Barreto, talentoso e questionador, não teve a mesma sorte...

Em alguns setores os negros conseguiram ascender na escala social, mas esse segmento não se cristalizou. Para os negros que se afirmaram após a abolição havia apenas dois caminhos: ou o embranquecimento, via casamento com famílias brancas, para manter o status, ou a exclusão reiterada, apesar do relativo sucesso econômico. Isso é muito grave.

Meu querido amigo, o historiador negro Joel Rufino dos Santos, diz que até no futebol se percebe essa discriminação. A maioria dos craques da Seleção Brasileira é negra, mas poucos árbitros de futebol, suas senhorias, são negros. E técnicos de futebol? Quase nenhum. Cartolas dirigentes, então, podemos contá-los nos dedos de uma mão. Por quê? Porque ao negro no Brasil ainda não é dado o direito da direção, da representação, da expressão. Aliás, esse direito não pode nem deve ser dado, ele tem de ser conquistado. Mas nós, ainda em minoria, vamos conquistando-o a cada dia.

O Brasil também precisa enfrentar outro problema: a discriminação sutil. Assim como temos uma democracia banal, formal, que não se traduziu ainda em igualdade social e em igualdade de oportunidades, convivemos também com uma discriminação à moda nacional, à brasileira, mascarada pela falácia de uma igualdade que não existe, apesar do discurso recorrente. E ainda dizem que o Brasil é diferente dos Estados Unidos, que acaba de eleger o filho de um queniano para o comando da República. Devemos pensar se a discriminação e o racismo lá, que são mais ostensivos, não provocaram reação mais efetiva do discriminado, que pôde se organizar e assumir de fato a sua luta, com Martin Luther King, Malcom X e tantos outros, à frente da defesa dos direitos civis. No Brasil, o país do jeitinho, a falácia que repete que não há preconceito porque "o negro tem alma branca", porque "o negro conhece o seu lugar", porque não há conflito. Mentira! E uma mentira muitas vezes oficial.

Mas estamos avançando, pouco a pouco, em direção à superação dessa discriminação disfarçada, não apenas manifestando o ódio contra essa discriminação odiosa, mas sobretudo afirmando nossos valores, nossas culturas - no plural, sim - , afirmando nossa religiosidade tão cheia de seiva e de vida, muito melhor do que aquela herança medieval da colonização ocidental lusa que parte da racionalidade absoluta. Menos mal que neste país Nossa Senhora Aparecida seja negra e isso esteja sendo assumido até por segmentos brancos da população.

Já estamos trazendo à tona a verdade que o Brasil precisa conhecer, a verdade que precisa chegar às nossas crianças e aos nossos jovens. Com a sua presença tão bonita, tão afirmada em colares, pulseiras, roupas, expressão, alma e coração, nossa afro-descendência diz que o Brasil negro não vai se render; vai, isto sim, se afirmar cada vez mais.

Caetano Veloso, ao compor uma música inspirada numa obra de Jorge Amado, criou versos definitivos para a revolução cultural da afirmação da nossa belíssima africanidade: "Quem descobriu o Brasil foi o negro que viu a crueldade bem de frente, e ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente!".

Chico Alencar

Reabertura do Cine Glória


Notícia dada na coluna do Ancelmo Góis, no jornal O Globo, de 18/11/2008, enviada pela leitora do nosso blog Solange.

"O Cine Glória, este aí da foto, em Valença, RJ, deve fazer jus ao nome. Comprado pelo casal de comerciantes da cidade Augusto e Neldália Bastos, a velha sala, fundada em 1868, andava abandonada. Augusto e Neldália, apaixonados pela sétima arte, deram uma "guaribada" no prédio em estilo art déco, tombado pelo Inepac, e reabrem o cinema em grande e pomposo estilo com filme "Casa da mãe Joana', no dia 21. Dia 25, entra em cartaz "Orquestra dos meninos". O casal fechou parceria com as secretarias estaduais de Cultura e de Educação, que, até 2010, vão distribuir 1,7 milhões de vales-ingressos para alunos da rede pública. Viva!"

Vamos comparecer galera!