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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Acabada a "lua de mel", começa a dura, e fundamental, construção cotidiana das UPP's

Editorial do Observatório de Favelas

Temos assistido nos últimos dias um conjunto de notícias negativas sobre as favelas ocupadas pelas UPP's ou, no caso do Alemão e Penha, pelo Exército: conflitos entre forças militares com setores da população e com traficantes, denúncias de ações arbitrárias e de atos de corrupção, protestos e reivindicações de moradores, etc. A grande imprensa tem divulgado com destaque esses episódios e revelado preocupação com os rumos do programa.

O que está acontecendo era previsível e já havíamos sinalizado essa possibilidade em textos anteriores. De fato, as forças de pacificação não são panacéias. Elas são instrumentos fundamentais para a garantia do exercício dos direitos fundamentais dos moradores das favelas, mas isso exige sua articulação com outras forças centrais, tanto no âmbito do Estado como no campo da sociedade civil.
o diálogo, a criação de instrumentos coletivos de participação e de controle social do território são os melhores caminhos para a presença da segurança pública


As UPP's devem estar integradas a um projeto de desenvolvimento local e subordinadas a princípios e estruturas republicanas de controle social. Assim, ouvidorias comunitárias, juizados especiais; câmaras de mediação de conflitos e outros órgãos de assistência aos moradores não podem deixar de ser levados em conta para que a experiência das UPPs não se transforme em novas formas de controle privado, e criminoso, dos territórios populares.

O fator mais preocupante, considerando o conjunto de notícias, é a dissonância reiterada entre as forças militares e uma parcela da população local. O fato revela que a ação policial continua sustentada em um pressuposto de afirmação de ordem urbana autoritária, hierárquica e externa à dinâmica local, em um quadro onde o Estado se sente o ponto de partida e de chegada de toda ação de ordenamento territorial. O contrário disso seria um pretenso caos que dominaria as favelas e só pode ser enfrentado a partir do controle estatal.

Com isso, perde-se a oportunidade de se construir uma perspectiva de ordem pública efetivamente democrática, participativa e negociada, no qual se busque, atender de forma efetiva, aos desejos dos cidadãos, levando-se em conta o direito à diferença e as formas particulares de convivência, historicamente estabelecidas nas favelas.

Não é simples buscar um caminho comum para a construção de uma cidadania integral. Mas, certamente, o diálogo, a criação de instrumentos coletivos de participação e de controle social do território são os melhores caminhos para que a fundamental presença da segurança pública, como um direito dos cidadãos das favelas, não se perca na frustração, na violência e no retorno da soberania criminosa a estes territórios.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

[Da série: só os profetas enxergam o óbvio] Traficantes estão de volta ao Complexo do Alemão

A imprensa do Rio está dominada, foi literalmente "comprada" pelo Governador Sérgio Cabral, somente no primeiro mandato Cabral gastou R$ 500 milhões de reais em propaganda "oficial", uma verdadeira FARRA, nunca se gastou tanto, tudo com o objetivo de agradar os meios de comunicação, em troca eles se calam, não divulgando as notícias que sejam contra o governo do Rio.

A maior empresa de comunicação do Rio de Janeiro, todo dia traz uma matéria no seu jornal e na sua rede de TV enaltecendo a "pacificação", e o Governo Sérgio Cabral, tudo uma FARSA, mentiras atrás de mentiras.

No Complexo do Alemão, ao contrário do que a mídia vagabunda do Rio divulga, o tráfico voltou, estão vendendo drogas normalmente, e estão matando os moradores que colaboram com a polícia, conforme eu já divulguei aqui no blog por várias vezes, e hoje é tema de matéria do jornal Estado de São Paulo (matéria abaixo).

Denúncias que a imprensa do Rio de Janeiro está escondendo:

- O cinema recém inaugurado foi alvo de ataque e depredação por bandidos (clique aqui e leia).


- Moradores já denunciaram que pessoas que colaboram com a polícia estão sendo assassinadas por traficantes (clique aqui e leia).


- Moradores temem pela volta do tráfico, ou seja, estão realmente inseguros (clique aqui e leia). 


- Traficantes estão recuperando armas e drogas no Alemão (clique aqui e leia)

 - Tráfico voltou ao Alemão (clique aqui e leia).


Isso é uma VERGONHA, no Complexo do Alemão pessoas estão sendo assassinadas por traficantes, motivo, acreditaram no Governo Sérgio Cabral.

Esse governo é uma FARSA, é um CASO DE POLÍCIA.


Reprodução do jornal Estado de São Paulo on line de hoje.

RIO - A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio investiga pelo menos dois assassinatos ocorridos que seriam represálias do tráfico de drogas na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio, mesmo após a ocupação do conjunto de favelas pela Força de Pacificação, composta por paraquedistas do Exército e policiais militares. 
Documentos confidenciais do Centro de Inteligência do Exército (CIE) também apontam que o tráfico de drogas voltou ao Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. A forma de atuação dos traficantes mudou, mas na Favela da Galinha um relatório aponta que homens armados mantêm uma boca-de-fumo itinerante no local. Para evitar prisões, o tráfico conta com alguns moto taxistas, que trabalham como olheiros. O documento do Exército aponta que em algumas bocas o usuário tem que dizer a senha ("onde estão os amigos?") para comprar entorpecentes.

Um dos assassinatos investigados pela DH é do morador José Antônio de Souza, de 61 anos. O corpo dele foi encontrado no dia 1º de janeiro com várias marcas de tiros na Estrada José Rucas, na entrada da Vila Cruzeiro. No dia 26 de dezembro, a moradora Maria dos Santos, de 47 anos, foi morta a pauladas por ter saqueado a casa de um traficante na mesma favela. "Estamos ainda em fase de investigação. Nosso objetivo é identificar os autores destes crimes", confirmou o delegado titular da DH, Felipe Ettore. "A parte baixa está ótima, mas na parte alta da favela alguns moradores contaram que houveram estas cobranças do tráfico", contou um morador da Vila Cruzeiro.

Os relatórios do Exército mostram que o tráfico voltou em várias localidades do conjunto de favelas. Um informe aponta que uma boca de fumo funciona atrás do depósito de uma loja de eletrodomésticos na localidade conhecida como Skol, na Favela da Fazendinha. Na mesma favela, nas localidades conhecidas como "Casinhas" e "Campo do Seu Zé", os traficantes também instalaram bocas de fumo. Recentemente, outro informe apontava que homens em um Corolla preto monitoravam o posicionamento dos homens do Exército.

Uma preocupação Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista é com o ânimo da tropa. Alguns soldados estão trabalhando há 40 dias na ocupação do Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. As instalações para as tropas também estão precárias. Na melhor delas, instalada em uma sala da estação do teleférico no Morro do Adeus, a base se resume a vários colchões espalhados no chão e cópias de fotos de traficantes do Complexo do Alemão procurados coladas na parede. Não há local próprio para refeições e apenas garrafas de água estão à disposição dos militares.

Invasão. Com blindados e homens dos fuzileiros navais, a polícia invadiu o Complexo do Alemão no dia 28 de novembro. Três dias antes, foi transmitida pela televisão a fuga de 200 homens da Vila Cruzeiro para a Favela da Grota, Complexo do Alemão pela trilha da Serra da Misericórdia, que liga os dois conjuntos de favelas, após a ocupação das favelas da Penha pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). 

Após a divulgação das imagens, 180 homens da Polícia Civil e da Polícia Federal, 190 policiais militares e 800 homens da do Exército cercaram o Alemão. A determinação da participação do Exército na operação foi do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Retirado do Blog do Ricardo Gama.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sociedade do Espetáculo - A "Guerra" do Rio

 

"É pro Fantástico?" - Por Michel Blanco


Quem esperava um “pega pra capar” na tomada do Complexo do Alemão pelas forças de segurança sentiu-se frustrado. Anticlimática, a ação não correspondeu ao prenunciado em manchetes da véspera, como a do Globo: “Intenso tiroteio entre Exército e tráfico abre Batalha do Alemão”. Assim, com batalha em maiúscula, o diário reforçava a alusão absurda ao desembarque das tropas aliadas na Normandia, inaugurada na manchete da última sexta-feira (“O Dia D da guerra ao tráfico”). Esse é só um exemplo.

Entre o triunfalismo e o sensacionalismo, a cobertura jornalística da operação policial serviu de sela ao discurso oficial, mas também montou sobre um clamor coletivo por justiçamento, desatado em fãs da escola Capitão Nascimento. O que se viu na mídia – digital, eletrônica e impressa – foi a espetacularização dos fatos, em uma busca pelo protagonista de “Tropa de Elite” entre os homens das polícias e das Forças Armadas que subiam o morro, clicados em posição de combate. Acuado pelo fogo cruzado, o pessoal do morro, como de costume, não coube na foto.

Sintoma da disposição da imprensa para o espetáculo revelou-se na escolha das fontes. E lá estava o cineasta José Padilha a comentar a onda de violência que assola o Rio de Janeiro. Sem entrar no mérito da reconhecida competência profissional, a análise de Padilha é tão válida quanto uma palestra de Steven Spielberg sobre a extinção dos dinossauros, como disse uma amiga.

Se havia dúvidas sobre uma excessiva dramatização na cobertura jornalística, elas se desfizeram com as imagens dos bandidos presos no Alemão, exibidos na TV como troféus. Caso de Eliseu Felício de Souza, o Zeu, um dos condenados pelo assassinato do repórter Tim Lopes, em 2002. O finado “Aqui Agora”, do SBT, pareceu servir de referência ao autoelogiado padrão Globo de jornalismo. Revanchismo? Outras emissoras seguiram o mesmo caminho, e algumas se lambuzaram a valer, como a Band.

A chegada dos blindados das Forças Armadas foi saudada nos jornais com manchetes de uma guerra a ser vencida, em meio a um tom geral de “agora sim”. O emprego dos militares foi decisivo para o sucesso da operação, inclusive para que não se transformasse em um banho de sangue. Fato. Mas a participação do militares não é inédita no Rio e falta uma discussão séria sobre eventuais riscos do envolvimento das Forças Armadas em ações policiais. Alguém lembrou o que aconteceu no morro da Providência, há apenas dois anos, quando militares entregaram três rapazes para traficantes do morro da Mineira?

Jogando pra galera, a imprensa escolheu o caminho fácil da luta do “bem” contra o “mal”: forças de segurança de um lado, bandidos do outro. Atribuiu a onda de arrastões e carros incendiados a uma reação de traficantes às Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), ignorando que as milícias — policiais, bombeiros e até soldados envolvidos em tráfico de drogas e armas, extorsão e ‘gatos‘ de toda espécie, de gás a TV a cabo — são  tão ou mais resistentes que os traficantes às UPPs (um ótimo projeto, diga-se).

O problema é que, no confronto do Rio, não existe a polaridade entre bem e mal apregoada na dramatização midiática, ante o elevado grau de corrupção e envolvimento de agentes da lei com o crime organizado – noves fora a perpetuação de métodos truculentos. A ficha caiu até para o Capitão Nascimento. Mas na cobertura do tal “Dia D”…

Infelizmente, não começamos a vencer o crime no último domingo, como festejou a imprensa. Estamos longe, e só chegaremos lá quando soubermos dizer quem realmente é polícia e quem é bandido. Ou pelo menos identificarmos entre os mortos da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão quem portava um fuzil ou apenas carregava um guarda-chuva.

P.S.: E alguém acha que depois da apreensão de 44 toneladas de maconha no Complexo do Alemão vai faltar erva no Carnaval?

Luiz Eduardo Soares: por ora, nada mudou nos morros do Rio

Do blog de Augusto Nunes

A retumbante cobertura jornalística e a visão triunfalista da ocupação de morros do Rio escondem distorções gravíssimas e crônicas do esquema de segurança pública, adverte no Roda Viva desta segunda-feira o antropólogo Luiz Eduardo Soares.

No programa que a TV Cultura de São Paulo transmite a partir das 10h da noite, o entrevistado lembra que a necessidade de envolvimento das Forças Armadas, embora necessária e positiva, comprova o fracasso da política de combate à violência. E afirma que não faz sentido deduzir que, desde o fim de semana, o Estado Democrático de Direito recuperou o controle sobre as zonas conflagradas.

Por enquanto, reitera Luiz Eduardo, nada mudou nas favelas amputadas do mapa da União. E nada mudará de essencial se não forem removidos velhos tumores.

“O principal problema continua sendo a corrupção endêmica que afeta a polícia há muitos anos”, diz o entrevistado, que foi coordenador da área de segurança do governo Anthony Garotinho em 1999 e 2000, secretário nacional de Segurança Pública em 2003 e é um dos autores dos livros Elite da Tropa e Elite da Tropa 2, origem dos filmes que fizeram do Capitão Nascimento um herói brasileiro.

Como nos livros, que misturam alguma ficção e muitos fatos reais, o contingente de policiais honestos é de bom tamanho. Mas a “banda podre” predomina. Sobretudo por isso, acha perigosamente equivocado supor que se consumou a vitória do Bem contra o Mal e imaginar que tudo está resolvido. Embora sem a mesma magnitude, ressalva, operações semelhantes já ocorreram nos morros cariocas, com efeitos invariavelmente efêmeros.

“Espero que desta vez seja diferente”, diz, traindo na voz e na fisionomia o pessimismo de quem combate a “banda podre” desde a virada do século. “De lá para cá, a situação piorou”, constata.

Para Luiz Eduardo, o fenômeno mais alarmante é a multiplicação das “milícias”, grupos criminosos formados por policiais. “As milícias são mais eficientes e perigosas que as quadrilhas do narcotráfico”, compara. Segundo o especialista, não existe uma política nacional de segurança pública. “Tentamos fazer isso em 2003, mas o núcleo duro do Planalto convenceu o presidente Lula de que, se assumisse a administração desse setor, teria problemas com os índices de popularidade”.

Das várias ideias que apresentou, uma das poucas encampadas pelo governo foi a Força Nacional de Segurança Pública. Que acabou deformada por interesses políticos e virou um exército fantasma.

Luiz Eduardo descarta a hipótese segundo a qual os ataques do narcotráfico ocorreram em resposta à implantação das Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. Ele se limita a informar que a verdade surgirá ao fim de investigações que correm em segredo de Justiça.

Uma fonte da coluna revelou que uma das versões investigadas atribui a onda de violência a um impasse nas negociações entre policiais e bandidos que tentavam atualizar a tabela de propinas.

sábado, 27 de novembro de 2010

Violência é caso para inteligência

Quero conversar com os demais deputados para chamar a atenção para algumas coisas que fogem a obviedade. É claro que a situação no Rio é uma situação delicadíssima, inaceitável. Todos nós sabemos disso, mas cabe ao Parlamento um debate um pouco mais profundo, do que necessariamente faz, ou fazem os meios de comunicação. E, nesse sentido, quero pontuar algumas coisas. Primeiro, a venda fácil da imagem de que o Rio de Janeiro está em guerra. Quero questionar essa ideia de que o Rio está em guerra.

Primeiro, que as imagens, as armas, o número de mortos, tudo isso poderia nos levar a uma conclusão da ideia de uma guerra. Mas, qual é o problema de nós concluirmos que isso é uma guerra, de forma simplista? Não há elemento ideológico: não há nenhum grupo buscando conquistar o estado. Não há nenhum grupo organizado que busca a conquista do poder por trás de qualquer uma dessas atitudes. As atitudes são bárbaras, são violentas, precisam ser enfrentadas, mas daí a dizer que é uma guerra, traz uma concepção e uma reação do Estado que, em guerra, seria matar ou morrer. Numa guerra a consequência e as ações do Estado são previstas para uma guerra. Hoje, inevitavelmente, o grande objetivo é eliminar o inimigo e talvez as ações do Estado tenham que ser mais responsáveis e mais de longo prazo.

É preciso lembrar que existem outras coisas importantes que temos que pensar neste momento. Primeiro, não precisa ser nenhum especialista para imaginar que as ações das UPPs teriam essa consequência em algum momento. Não precisa ser especialista para fazer essa previsão. Era óbvio que em algum momento, ou no momento da instalação, quando não houve, ou num momento futuro, uma reação seria muito provável. Então, era importante que o governo estivesse um pouco mais preparado para esse momento. Dizer que está sendo pego de surpresa porque no final do ano está acontecendo isso não me parece algo muito razoável, porque era evidente que isso poderia acontecer.

Neste sentido, seria fundamental que, junto com a lógica das ocupações – eu não vou aqui debater sobre as UPPs, mas tenho os meus questionamentos –, acontecesse o incremento de um serviço de inteligência. Na verdade, o governo do Rio de Janeiro investe muito pouco no serviço de inteligência da polícia, investe muito pouco na estrutura de inteligência.

Vou dar um exemplo. Quem quer visitar a Draco, a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, portanto, uma delegacia estratégica? Se alguém tem alguma dúvida de que a Segurança Pública não faz investimento nos lugares devidos, vá a essa delegacia, que deveria ser muito bem equipada e estruturada, com boa equipe, bem remunerada, com bons instrumentos. Essa delegacia é uma pocilga, é um lixo! Ela fica nos fundos da antiga Polinter, na Praça Mauá, sem qualquer condição de trabalho para os policiais. Estou falando da Draco, da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado, uma das mais importantes que tem o Rio de Janeiro.

Não adianta a Segurança Pública ser instrumento de propaganda política quando, na verdade, os investimentos mais importantes e necessários não são feitos nos lugares corretos, não atendem aos lugares corretos. Se o Governo do Estado do Rio de Janeiro investisse na produção de inteligência e na inteligência da ação policial, certamente, muito do que está acontecendo – não totalmente, para ser honesto, mas muito do que está acontecendo – poderia ser previsto. A ação poderia ser mais preventiva do que reativa.

As ações emergenciais diante uma situação como essa, é evidente que precisam ser tomadas. É evidente que a polícia tem que ir para rua, é evidente que você tem que ter uma atenção maior, tem que haver a comunicação com o Secretário permanente com a sociedade, isso ele está fazendo, eu acho que é um mérito, acho que ele não está fugindo do problema, está debatendo, isso é importante. Mas nós temos também que perceber nesse momento o que não funcionou porque não adianta nesse momento a gente falar: “a culpa é da bandidagem”, isso me parece um tanto quanto óbvio, mas, o que de responsabilidade tem no Poder Público que falhou e que não pode mais falhar? Uma boa parte dos prisioneiros do chamado “varejo da droga” foi transferida para Catanduvas, o que, diga-se de passagem, é um atestado de incompetência do nosso sistema prisional que transfere para Catanduvas, porque no Rio de Janeiro a gente não consegue manter os bandidos presos, afinal de contas, há uma série de problemas: de limitações, de uma corrupção incontrolável... agora, transfere para Catanduvas e aí a solução e o diagnóstico dados pela Secretaria de Segurança é que partiu de Catanduvas a ordem para que tudo isso aconteça. Enfim, agora que o problema é de Catanduvas, a gente transfere os delinquentes para Marte?

Então, qual é a solução? O que está acontecendo de fato nesse momento? Essa juventude do varejo da droga nunca se organizou em movimento de igreja; nunca se organizou em movimento estudantil - até porque nem para escola boa parte foi -, nunca se organizou em movimento sindical; não é uma juventude que tem uma tradição, uma cultura de organização, não tem. Agora, querer achar que eles passam a se organizar e organizar muito bem, que representam o tráfico internacional? É uma tolice. Essa juventude é uma juventude violenta que só entende a lógica da barbárie e é com a barbárie que eles estão reagindo a essa situação que está colocada no Rio de Janeiro, está longe, muito longe de ser o verdadeiro “crime organizado”.

Fica uma pergunta: quantas vezes a polícia do Rio de Janeiro, em parceria com a Polícia Federal, em parceria com a Marinha, em parceria com quem quer que seja, fez ações de enfrentamento ao tráfico de armas na Baía de Guanabara? Quantas vezes a Baía de Guanabara foi palco das ações de enfrentamento ao tráfico de armas e ao tráfico de drogas? Nunca! Não é feito porque não interessa o enfrentamento ao tráfico de armas, o que interessa é o enfrentamento aos lugares pobres, que são mais fáceis, mais vulneráveis para que essa coisa aconteça, e ficam “enxugando gelo”. Quem é que vende esse armamento para esses lugares? São setores que passam por dentro do próprio Estado, todo mundo sabe disso. A gente precisa interromper um processo hipócrita antes de debater qualquer saída de Segurança Pública. Nós temos que, nesse momento de grave crise do Rio de Janeiro, discutir as políticas públicas de Segurança que não estão funcionando. Não dá para o Governo chegar agora e dizer: “está ruim porque está bom”, “está um horror porque estão reagindo a algo que está muito bom”. É pouco e irresponsável diante do que a população está passando. Nós temos que, neste momento, ser honestos e mais republicanos e admitir onde falhamos para que possamos avançar, num debate que não pode ser partidário, mas responsável, com a população do Rio de Janeiro.

Deputado Marcelo Freixo

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Entendendo a Guerra no Rio

Entrevista do chefe da polícia civil do Rio de Janeiro, em 1997:
(Documentário "Notícias de uma Guera Particular")

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ajudando a ententer Tropa de Elite 2: texto publicado no "falecido" Jornal Valença em Questão, n.31, em junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008


A. Lins Babá e os quarenta ladrões

Texto retirado da última edição do VQ (VQ 31)
























Polícia Federal e Ministério Público fecham o cerca contra a cúpula do PMDB do Rio. Cabral não vê nada, não ouve nada, não sabe de nada

“Ter na Assembléia Legislativa um deputado com a inteligência, a vibração, a energia, o caráter de Álvaro Lins para mim é fundamental como governador do estado do Rio de Janeiro. Fundamental, Álvaro. Fundamental”.
Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, durante a campanha de 2006, em evento no Tijuca Tênis Clube, no Rio

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Texto de Marianna Araujo, jornalista

Na sua edição de 31 de maio, o jornal carioca O Dia noticiou que uma de suas equipes de reportagem foi presa e torturada pela milícia que domina a Favela do Batan, no bairro de Realengo. A agressão sofrida pelos jornalistas, assim como todo tipo de tortura que é praticado diariamente neste país, deixa claro como estamos longe de viver em uma democracia e que há muita luta pela frente para que possamos alcançar um patamar que vá além do sufrágio universal.

A cobertura da mídia sobre o caso, como é comum acontecer na cobertura de crimes bárbaros e hediondos, tendeu a espetacularização (esse assunto foi abordado por mim em artigo publicado neste jornal sobre a cobertura do assassinato de João Hélio na edição número 24, de julho de 2007). A exploração absurda e enfadonha dos 6 anos da morte de Tim Lopes só vem a comprovar isso. Não houve telejornal ou periódico impresso que não tenha ligado um acontecimento ao outro. Não que os dois casos não tenham pontos em comum, mas certas analogias são descabidas, uma vez que foram dois crimes cometidos em épocas distintas, por criminosos de origens diferentes e por razões que pouco têm em comum. Vale sublinhar que a equipe do jornal O Dia foi torturada, durante mais de 7 horas, por um grupo de policiais. No entanto, a mídia não perdeu a chance de aproveitar o apelo emocional que a morte de Tim Lopes tem junto ao imaginário social. Com isso, reforça-se o cenário de medo que, entre diversas funções, exerce uma que é fundamental para a atual conjuntura político-social da cidade: legitimar a política de extermínio adotada pelo Estado como política de segurança pública.

Por outro lado, a mídia se mostra incapaz de tecer uma crítica mais profunda - ou nem isso – de fazer uma cobertura mais abrangente e próxima do real, sobre o surgimento e atuação das milícias. No Rio de Janeiro, é de pleno conhecimento da população as comunidades que são comandadas por milícias e, muitas vezes, quem são seus chefes. A Secretaria de Segurança do Estado e os meios de comunicação, ao que parece, são exceções. Desconhecem nomes e fatos.

As milícias e o Estado
Dois dias antes de o jornal O Dia divulgar o que aconteceu com sua equipe, a Polícia Federal cumpria 7 mandatos de prisão na cidade. No dia 29 do maio, foram presos entre outras pessoas, o ex-chefe da polícia civil (durante o governo Garotinho) Álvaro Lins e seu sogro. No mesmo dia o ex-governador Anthony Garotinho foi denunciado pelo Ministério Público, pelos mesmos motivos que levaram o deputado à prisão: lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada. Álvaro Lins ainda vai responder por contrabando e corrupção. Garotinho é presidente do PMDB no estado, mesmo partido do atual governador, Sérgio Cabral, do presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani e de Lins, deputado estadual.

A lista de deputados e vereadores do Rio envolvidos com as diversas denúncias do Ministério Público, sobre o esquema que envolve Lins e Garotinho, contém nomes de boa parte da bancada do PMDB e do DEM (partido do atual prefeito da capital, César Maia). Bancada esta, que em um ato de completa falta de bom senso e de vergonha perante a sociedade, votou a favor da revogação da prisão do deputado, solto no mesmo dia. De novo, a imprensa foi incapaz de cobrir os fatos com o mínimo de criticidade. Pelo contrário, quando estourou o escândalo, o jornal O Globo dedicou 6 páginas ao tema e destacou 25 repórteres para a cobertura. Em nenhum dos 11 títulos nas seis páginas aparece a sigla PMDB. E apenas um dos 14 subtítulos continha a legenda. No dia seguinte foram 9 títulos e 12 subtítulos, sem que a sigla PMDB aparecesse em nenhum deles. Apenas notas ocasionais como a do colunista Merval Pereira, no dia 3 de junho, que cita Leonardo Picciani (PMDB) como um dos envolvidos com o esquema de Álvaro Lins. No mesmo dia da coluna do Merval, o também colunista Ancelmo Gois noticiou que há políticos ligados à milícia da comunidade do Batan. Nada de surpreendente. Estranho é constatar que o Ancelmo sabe quem são, a Secretaria de Segurança não.*

Sobre a relação entre milícias, políticos e mais especificamente, entre aquelas e as recentes denúncias do Ministério Público, nenhum comentário na mídia e nenhuma atitude ou declaração por parte da Secretaria de Segurança Pública. O secretário se restringe a afirmar, em bom gauchês, que a quantidade de milícias no Rio caiu de 120 para menos de 100. Falta informar à população quais são as comunidades do Rio que eram dominadas por milícia e deixaram de ser, pois ninguém conhece. São sim de conhecimento geral, aquelas em que a milícia local repassou o comando a outra, por um valor considerável.

Fica claro que acabar com a violência na cidade não é, nem nunca foi interessante para o Estado. O plano de matança nas favelas, travestido de política de segurança pública, e de reorganização urbana (leia-se PAC) estão ligados à necessidade de conter a pressão que emana destes lugares e aprofundar o controle sobre os “pobres baderneiros”.

Se por um lado o Estado se omite e se transforma em uma máquina de extermínio, por outro, a mídia se anula e trata de informar parcialmente, uma vez que há interesses financeiros e de ordem política que vão além das vidas daqueles que estão sujeitos à violência. O acontecido com a equipe de O Dia merece ampla cobertura midiática e total dedicação da polícia carioca. Mas tratamento bem diferente é destinado aos moradores de comunidades e demais cidadãos que, diariamente, estão submetidos a situações similares - protagonizadas pelos milicianos ligados a políticos - ou à violência praticada pela própria polícia.

Não há como não recordar a professora Adriana Facina, que em artigo sobre a política de segurança pública, afirma que, atualmente, “matar é preciso”, já que "as promessas do maravilhoso mundo das mercadorias, que agregam valor aos que as possuem, são uma realidade cada vez mais distante para bilhões de pessoas”. É lamentável constatar, mas vivemos um tempo em que o pior dos crimes é ser pobre e em que o valor da vida é medido em papel moeda.

*Os dados sobre a cobertura do jornal O Globo foram obtidos com o jornal Fazendo Media – www.fazendomedia.com
Quarenta deputados estaduais votaram a favor do decreto legislativo que determinou a imediata revogação da prisão do deputado Álvaro Lins (PMDB), acusado, na operação Segurança Pública S/A, de chefiar um esquema de corrupção em delegacias. Outros 15 parlamentares votaram não, contra a medida. Saiba como cada deputado votou:

Pela libertação de Álvaro

ALESSANDRO CALAZANS (PMN)

ANABAL (PHS)

APARECIDA GAMA (PMDB)

ÁTILA NUNES (DEM)

AUDIR SANTANA (PSC)

BEATRIZ SANTOS (PRB)

CHIQUINHO DA MANGUEIRA (PMDB)

CORONEL JAIRO (PSC)

DÉLIO LEAL (PMDB)

DIONÍSIO LINS (PP)

DOMINGOS BRAZÃO (PMDB)

DR. WILSON CABRAL (PSB)

ÉDINO FONSECA (Prona)

EDSON ALBERTASSI (PMDB)

FÁBIO SILVA (PMDB)

GERALDO MOREIRA (PMN)

GERSON BERGHER (PSDB)

GLAUCO LOPES (PSDB)

GRAÇA MATOS (PMDB)

IRANILDO CAMPOS (PTB)

JOÃO PEDRO (DEM)

JOÃO PEIXOTO (PSDC)

JORGE BABU (PT)

JORGE PICCIANI (PMDB)

LUIZ PAULO (PSDB)

MARCELO SIMÃO (PHS)

MARCO FIGUEIREDO (PSC)

MARCUS VINICIUS (PTB)

MÁRIO MARQUES (PSDB)

NATALINO (DEM)

PAULO MELO (PMDB)

PEDRO PAULO (PSDB)

RAFAEL ALOISIO FREITAS (DEM)

ROGÉRIO CABRAL (PSB)

RONALDO MEDEIROS (PSB)

SHEILA GAMA (PDT)

SULA DO CARMO (PMDB)

TUCALO (PSC)

WALDETH BRASIEL (PL)

WILSON CABRAL (PSB)

Pela permanência de Álvaro na prisão

ALESSANDRO MOLON (PT)

CIDINHA CAMPOS (PDT)

COMTE BITTENCOURT (PPS)

DR. ALCIDES ROLIM (PT)

FERNANDO GUSMÃO (PCdoB)

FLÁVIO BOLSONARO (PP)

GILBERTO PALMARES (PT)

INÊS PANDELÓ (PT)

MARCELO FREIXO (PSOL)

NILTON SALOMÃO (PMDB)

OLNEY BOTELHO (PDT)

PAULO RAMOS (PDT)

RODRIGO NEVES (PT)

SABINO (PSC)

WAGNER MONTES (PDT)

Faltaram à votação

ÁLVARO LINS (PMDB) - o acusado

ALAIR CORRÊA (PMDB)

ALTINEU CORTES (PT)

ANDRÉ CORRÊA (PPS)

ANDRÉ DO PV (PV)

ARMANDO JOSÉ (PSB)

GRAÇA PEREIRA (DEM)

JODENIR SOARES (PTdoB)

JOSÉ NADER (PTB)

JOSÉ TÁVORA (DEM)

MARCOS ABRAHÃO (PSL)

NELSON GONÇALVES (PMDB)

PEDRO AUGUSTO (PMDB)

ROBERTO DINAMITE (PMDB)

ZITO (PSDB)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cirurgia salva vida de jovem baleado

Rio - Aos 50 anos, a professora aposentada Ofélia Kopke vai fazer neste Natal “a melhor rabanada” da sua vida. Mãe do estudante da PUC Rodrigo Kopke da Silva Almeida, baleado na cabeça há 18 dias, ela não esconde a alegria com a recuperação do filho, que chegou ao Hospital Miguel Couto, na Gávea, com 90% de risco de morte.

O valenciado Rodrigo Kopke se recupera bem depois de passar por uma complicada cirurgia

Texto: Pâmela Oliveira (O Dia) - Veja a íntegra AQUI
Foto: Paulo Alvadia/Agência O Dia




O jovem, ferido ao reagir a assalto quando saía da faculdade, recebeu alta do Centro de Tratamento Intensivo quinta-feira, e a expectativa é que possa passar o Natal fora do hospital. A experiência dos médicos no atendimento a baleados e a opção por uma cirurgia que fora do País é indicada como último recurso mudou a história da família. O cineasta Fábio Barreto, 52, que sofreu acidente de carro sábado, também foi operado no Miguel Couto com a mesma técnica, na madrugada de  domingo. Ele permanece internado em estado grave
no Hospital Copa D’Or.

“A recuperação do Rodrigo foi surpreendente. A indicação clássica seria a limpeza do orifício de entrada do projétil e a sua retirada. Mas a equipe optou por fazer também a descompressão do hemisfério direito do cérebro, que foi atravessado pela bala. Nos antecipamos ao problema porque sabíamos que o cérebro teria um grande edema e que a pressão intracraniana aumentaria muito”, conta o chefe do serviço de Neurocirurgia do Miguel Couto, Ruy Monteiro. “Segundo a literatura mundial, casos como o do Rodrigo têm mortalidade de 90%”, ressalta.

O neurocirurgião explica que com a cirurgia, em que a parte direita do crânio foi retirada, o inchaço do cérebro decorrente do tiro teria para onde se expandir sem comprimir a região do tronco cerebral, responsável por funções vitais, como os batimentos cardíacos e a respiração. “A recuperação dele foi fantástica. É muito gratificante esse resultado, ver a felicidade da família”, comemora o neurocirurgião Diogo Freitas, um dos três médicos que participaram da cirurgia do jovem.

PRIMEIRO CONSELHO: REZAR
A mãe de Rodrigo lembra que quando chegou ao Miguel Couto, na noite do dia 4, ouviu dos médicos que deveria rezar pelo filho. “Disseram que o caso dele era muito grave e que eu devia rezar. Rezei muito. Acho que Deus segurou na mão dos médicos e meu filho foi salvo. O presente que ganhei não se vende em loja alguma e não tem dinheiro que pague. Ganhei meu filho único de volta”, conta a mãe.

Quinta-feira, o sofrimento de Ofélia foi interrompido por Rodrigo. “Ele saiu do CTI, tirou o respirador artificial e a primeira coisa que falou foi: ‘mãe’. Depois de tudo isso eu não poderia ter presente maior. Não tive cabeça para comprar nada, mas vou fazer rabanadas para ele no Natal. Ele adora rabanada. Vai ser um Natal muito feliz.”

O estudante, que não lembra nada do que ocorreu no dia em que foi baleado, na Gávea, já fez outros pedidos: além das rabanadas, quer brigadeiro. E espera ansioso a hora de voltar para casa. “A casa da gente é a casa da gente. Minha mãe não gosta de cozinhar, mas quero comer a comida dela. Não tenho dúvidas de que ela vai fazer a melhor rabanada do mundo”, afirma Rodrigo, que soube após sair do CTI que seu time, o Botafogo, escapou do rebaixamento.

Luiz Carlos Carvalho, padrinho do estudante de Relações Internacionais, conta que após a cirurgia um dos médicos disse tinha uma opção. “Ele disse que podia ‘arriscar ou arriscar’. E deu certo. O médico contou que Rodrigo estava milagrosamente bem”. Luiz revelou que Rodrigo recebeu visita de uma pessoa especial: a senhora que o viu caído e chamou os bombeiros. “Temos que agradecer a muita gente”, conclui Luiz.

Mãe e filho se falavam na hora do assalto
Rodrigo falava no celular com a mãe quando foi abordado pelo assaltante. “Ele saiu da faculdade e disse que tentaria pegar o ônibus das 20h30 para Valença (cidade do Interior do Rio de onde é a família). De repente, notei que ele ficou nervoso e desligou o celular”, conta Ofélia. Horas depois, ela soube que ele tinha sido baleado e estava no hospital. “Não tive coragem de perguntar onde tinha sido o tiro. Só soube quando cheguei ao Rio. O atendimento que ele vem recebendo mudou tudo o que eu pensava sobre o serviço público”, elogia.

O estudante será operado para a colocação da parte direita do crânio em até 30 dias. “Gostaria que ele fosse atendido pela mesma equipe”, pede Ofélia.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Câmaras flagram omissão de PMs; nos morros, segue o cerco "de fuzil na mão"

Gravações feitas por câmeras de segurança de estabelecimentos do Centro do Rio, exibidas no "Jornal da Globo" desta quarta-feira (21), mostram o assalto que terminou com a morte de Evandro João da Silva, de 42 anos, coordenador do grupo AfroReggae, na madrugada de domingo (18).

As imagens revelam a omissão da polícia no socorro à vítima e indicam que policiais podem ter liberado os suspeitos e ficado com os objetos roubados. A polícia agora investiga os policiais que participaram da ação, que não resultou em nenhum preso.

Evandro João da Silva é coordenador de projetos sociais do AfroReggae, um grupo cultural do Rio de Janeiro. O corpo dele foi encontrado por policiais militares na Rua do Carmo, na esquina com a Rua do Ouvidor.



Imagens em 3 câmeras

Investigadores da polícia foram atrás de imagens de câmeras de segurança que existem na rua onde o ataque aconteceu. O objetivo era descobrir os autores do crime. Mas, em vez de esclarecer a história, o vídeo levantou suspeita.

Tudo ficou registrado em três câmeras. Uma delas, instalada em um prédio, mostra a chegada de dois criminosos, à 1h20 da madrugada. Outra câmera, posicionada dentro de uma agência bancária, registra o ataque.

Segundo o registro, os criminosos aparecem lutando com a vítima. Em seguida, eles jogam Evandro, que está de camisa branca, no chão e atiram contra ele. Os assaltantes tiram os tênis e a jaqueta dele e fogem.

Cerca de 30 segundos depois, uma patrulha da Polícia Militar passa direto por Evandro, que agoniza na calçada. A câmera anterior mostra por outro ângulo a fuga dos criminosos, com os pertences do coordenador na mão, e a chegada da polícia.
Fonte: G1

domingo, 27 de setembro de 2009

Sobre o sniper da Tijuca ou sobre a vingança

Mais uma vez a sociedade brasileira se viu às voltas com um caso de sequestro. Mais uma vez, as rodas de debate estão concentradas de pessoas comentando o caso. No entanto, em comparação com o ônibus 174, com o caso Elóa e outros, agora não existe uma revolta contra a ação da polícia. O que existe é uma alegria não contida de que a polícia fez a parte dela. Não somente isso, fez bem feito a parte dela.

Escrevi um texto na época do ocorrido sobre o caso Eloá comentando que a sociedade brasileira estava mais interessada em exercer o seu sentimento de vingança do que deixar que o criminoso seja julgado por nossas instituições competentes, ou não, mas, ainda assim, responsáveis pelo estabelecimento da justiça em nosso país.

Não abordei, no entanto, como o sentimento de vingança ganha os corações e mentes das pessoas. Até mesmo as pessoas religiosas acabam caindo no discurso fácil de que o olho por olho e dente por dente resolverá nossos problemas na área de segurança pública. A vingança opera em nossa sociedade por meio de duas estratégias: a individualização de um problema social e a completa descrença, por parte da nossa população, em nossas instituições.

A violência urbana é fruto da nossa incapacidade de criarmos mecanismos para possibilitar a ascensão social de milhares, quiça milhões de jovens, em nosso Brasil. No entanto, quando acontecem tais casos, parece que tudo some, tudo dá lugar aos dois personagens: o bandido portando uma granada e a polícia. É interessante notar que ninguém se perguntou sobre a estranheza de um jovem portando uma granada pelas ruas de Vila Isabel. Aquilo era de menor importância.

Ora, não sou técnico de armas, mas é fácil perceber que uma granada é uma das piores armas para se chantagear alguém. O caso do sequestro é uma prova disso. Vamos supor que o sequestrador ainda não é um terrorista, isto é, a sua preocupação de conservar a sua vida é maior do que o desejo de se explodir junto com a vítima. O sequestrador, no caso, só tinha a perder, já que ele não teria - estou fazendo uma suposição com base na perspectiva de que todos os homens temem a morte - nenhuma vantagem em se explodir. Provavelmente ele não acreditaria que ele seria considerado mártir de alguma coisa e fosse para um paraíso qualquer com centenas de virgens. Acredito então que a melhor solução seria a manutenção do diálogo com o criminoso.

A postagem não é para dizer que a polícia carioca errou. Um policial é treinado para reagir de acordo com o contexto que ele observa. Claro é que ele é treinado, como último recurso, para salvar a vítima eliminando o agressor. No entanto, o que parece uma perigosa tendência da população brasileira é uma profunda paixão pela eliminação física dos criminosos. Hoje nós temos dois novos “heróis” brasileiros: o sniper e o policial que “bancou” a ordem do tiro certeiro.

Fiquei pensando durante todo o dia o que deve estar se passando pela cabeça do policial “herói”: estou sendo elogiado muito menos por ter salvo a vítima, estou sendo elogiado por ter tido a competência de matar o bandido. Fiz o que os policiais paulistas não conseguiram. No entanto, aprendi na academia de polícia que a melhor solução é a prisão do criminoso e a libertação da vítima. Parece que não é isso que a sociedade brasileira quer...

Para pensarmos os motivos que levam a sociedade brasileira a desejar a eliminação física de seus criminosos, é preciso imaginar o que ela pensa sobre as pessoas criminosas. Na maioria das vezes, o discurso essencialista, aquele que acredita em índoles já colocadas desde o nascimento, é ainda muito forte no Brasil. Dentro dessa perspectiva, toda a discussão acerca das melhores oportunidades para as pessoas não passa de balela. O importante é saber identificar, o mais cedo possível, o que a pessoa vai ser no futuro: cidadão de bem ou vagabundo. Toda a produção da ciência social brasileira desmente tal preconceito. O vir-a-ser do homem não está determinado por sua índole, sua natureza, ou qualquer coisa essencialista. O seu vir-a-ser é determinado pela maneira como ele introjeta o que a sociedade demonstra e a forma pela qual o homem exterioza aquilo que lhe é ensinado. Nesse sentido, não é sendo caixa de supermercado que nossos jovens compraram o tênis Nike do momento. Pensando assim, não é difícil compreender como pensa a cabeça de um criminoso numa sociedade marcada pela extrema desigualdade social.

É interessante pensar que todo mundo que acredita em índoles malignas para o ser humano não pode ser cristão, mesmo que ele queira se identificar como tal. Para o cristianismo, o ser humano é fruto da criação divina, cujo mentor, Deus, teria uma série de atributos, entre as quais a bondade. Nesse sentido, se acreditarmos que há algo que não muda durante a estadia do ser humano na Terra, uma essência, esta teria que ser boa, já que foi proveniente de um ser bom. Haveria contradição Deus gerar um ser humano com uma essência maligna. Quando consideramos que um homem é irrecuperável e achamos que o melhor seria a morte dele, estamos sendo anti-cristãos.

Muitas pessoas não acreditando na eficácia da justiça pensam que a cadeia hoje é uma espécie de hotel de criminosos com roupa e comida lavada. Que a legislação, sendo muito permissiva, faz com que a criminalidade aumente. Pensam que cada bandido, antes de cometer um crime, faz uma conta sobre a quantidade de anos que ele pegará se for preso. Parece que a população brasileira transferiu para os policiais o direito de vida e de morte tendo em vista que as instituições competentes são muito liberais para os padrões da época.

Isso me faz lembrar um filme de zumbis, que eu adoro, chamado Extermínio 2. Num mundo devastado pela epidemia que transformam as pessoas em zumbis, há uma tentativa de reconstrução da vida normal. Como não poderia ser diferente, a infecção volta e começa a se espalhar pela população. O exército, responsável pela reconstrução, dá a ordem de matar apenas os contaminados (só os vagabundos, diríamos hoje). Mesmo largando o aço, os militares não conseguem conter a expansão da epidemia, justamente pela dificuldade de se distinguir os infectados das pessoas consideradas normais. Temos então a última ordem: matar todos os seres humanos sem distinção.

Acredito que estamos numa situação pior do que no filme. Lá é o exército que determina que a sociedade deve morrer. Aqui é a própria sociedade que pede aos policiais que exterminem os problemas criados por nós.

Desmistificar a vingança como método de “solução” dos nossos conflitos. Parece que isso está na agenda do dia para criarmos uma sociedade mais “cristã”, se utilizarmos o termo religioso ou uma sociedade onde cada indivíduo tenha seus direitos garantidos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ação criminosa da PM carioca

O professor de Educação Artística da rede estadual de ensino em Duque de Caxias, Ricardo Pereira, enviou as fotos abaixo, sobre a situação em que ficaram suas queimaduras por conta dos estilhaços das bombas de "efeito moral", que tiveram um efeito bem mais físico, como podemos comprovar.

Além dele, pelo menos mais 10 profissionais da educação tiveram que receber atendimento da equipe médica da Alerj. Desses, seis tiveram que ser levados para o Hospital Souza Aguiar para um melhor atendimento devido à gravidade.

Polícia de Cabral joga bomba e dá tiro em professor [vídeo]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Batalhão de Choque usa bomba contra professores agora na ALERJ







FOTOS TIRADA A POUCOS MINUTOS PELO JORNAL O GLOBO
Milicia de Cabral na ALERJ vota neste momento a incorporação EM SEIS ANOS do "Nova Esmola". Enquanto isso, a PM com o pior salário do Brasil desce o sarrafo no professor nas escadarias da Assembleia.
Leia a notícia completa clicando AQUI