sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Contra o capitalismo menos pior, voto nulo!

A lógica que segue o pleito para a presidência da república está marcada por uma pauta reacionária e conservadora, que não dialoga com as minorias e nem com as agruras da classe trabalhadora brasileira. A forma naturalizada com que está sendo encarado o conservadorismo fundamentalista que norteia as campanhas dos presidenciáveis cristaliza a total igualdade entre os contendores.

Um (Serra) privatiza de forma institucional, colocando pra vender em leilão o patrimônio público nacional, arrocha o salário do trabalhador e faz repressão covarde e assassina ao movimento social; a outra (Dilma) reafirma as políticas anteriores, privatiza de forma burocrática, assentando nas estatais os neoliberais aliados eleitoreiros e concedendo as famigeradas concessões de exploração da riqueza nacional a torto e a direito para o capital estrangeiro, além de engessar importantes movimentos como MST, CUT, UNE, cooptando-os para mantê-los sob suas rédeas e evitar a organização popular de massas .

As duas campanhas se igualam desde a arrecadação aos tubos ao alinhamento político-social-econômico com a burguesia nacional e internacional. Ambos mantém paralisadas a reforma agrária, efetivam de forma cada vez mais violenta do modelo econômico neoliberal, mantém a invasão e a violação dos direitos humanos no Haiti e nas favelas e bairros pobres do Brasil, e vão produzir uma reforma previdenciária que aumente a idade da aposentadoria e que ataque ainda mais os direitos – já limitados – dos trabalhadores.

O capital especulativo, a grande mídia burguesa e o saque aos cofres públicos que financiam a campanha de ambos os lados. A pauta deles é a afronta aos trabalhadores e o enriquecimento dos banqueiros e dos empresários. São farinha do mesmo saco!

Os partidos de esquerda – exceto o PSTU, até o momento - de forma equivocada e entreguista pregam o voto anti-Serra, ou seja, em Dilma. Na verdade, o que há é uma falsa polarização entre os candidatos da burguesia e que está sendo legitimada por grande parte da esquerda. As divergências entre os partidos da verdadeira esquerda com os partidos dos patrões (PSDB e PT) são necessariamente irreconciliáveis, não é o cenário eleitoral que limita a discussão sobre quem é o capitalista menos pior. Não que há de se fazer concessões ao capitalismo. Não existe voto crítico, porque o combate será feito nas ruas a qualquer um dos candidatos que saia vencedor. Na verdade ganharão os dois, já que representam o mesmo projeto de poder.

Como votar naqueles que nos exploram? Não vou com meu voto autorizar que a exploração continue, que os direitos dos trabalhadores sejam destroçados e nem concordar com o conservadorismo fundamentalista destas campanhas. Por isso, meu voto nulo ideológico.

3 comentários:

Felipe Duque (Valença) disse...

Texto muito bom, cara. Corroboro e muito contigo!

Anônimo disse...

A esquerda parlamentar que hegemoniza o psol, irá de Dilma. Gostaria de saber o que significa voto critico? É ir as urnas e teclar o voto e dizer que é crítco? Os exemplos da França,Inglaterra,Grecia...estão aí! Quero ver no ano que vem, quando o governo da Dilma (ou do Serra), que foi apoiado pelo PSOL, apresentar a reforma da previdência, aumentando a idade para aposentadoria, quando apresentar a reforma trabalhista, nos moldes do banco mundial. Com que cara... irão para as ruas, se a traição já começou? Votar nulo é expressão de repudio aos dois projetos que são praticamente identicos. Da mesma forma que a Marina foi corrêa de transmissão do PSDB, o PSOL (arrependido) está sendo no segundo turno corrêa de transmissão do PT. EU VOTO NULO!

Anônimo disse...

Tá. Voto Nulo! E daí? Onde estão as alternativas?