sábado, 12 de janeiro de 2008

Globo esconde fatos para atacar o MST *

No dia de Natal, O Globo presenteou seus leitores com mais um ataque ao MST, seu inimigo de classe declarado. O título da matéria é o mesmo de sempre, só muda o local. É quase um carimbo, já pronto: “MST invade fazenda histórica em Valença”.

O sub-título da matéria cria o clima de repulsa aos vândalos, incultos e ignorantes daquele movimento: “Propriedade construída em 1830, produz café e feijão e tem atividades pecuárias”. Vejam só que horror! Uma fazenda histórica, que é ponto turístico integrado ao projeto Preservale, invadido por umas famílias miseráveis que nem casa têm! “É uma brutalidade invadir uma propriedade privada, produtiva e com os impostos em dia”, disse o presidente da Preservale.

Brutalidade é esconder a verdade, no dia de Natal! Brutalidade é contar só uma parte dos fatos como fez O Globo. Mas é assim que funciona a sociedade. O Globo tem suas escolhas. Defende seus interesses de classe. Faz a disputa da cabeça de milhões de ouvintes, telespectadores e leitores. E nessa luta esconde, encobre a verdade. Qual a verdade que o jornalão escondeu? Muito simples.

Em 2005, o INCRA fez vistoria nesta fazenda e a classificou como improdutiva. Com esse laudo, o Instituto enviou o processo de desapropriação para a Casa Civil. O pedido foi aprovado por aquela Casa e pela Presidência da República. Hoje, está em fase final de desapropriação. Só falta o INCRA depositar o dinheiro da indenização ao dono e entregar o título de posse final às 75 famílias acampadas na fazenda desde o dia 8 de dezembro último. Por que o MST, então, ocupou esta terra? Para acelerar o ritmo do INCRA. Para não deixar a execução da ordem de desapropriação para o dia de são nunca!

E O GLOBO? Está na dele. Joga uma lona sobre o fato que desde 2005 a fazenda foi definida como improdutiva e ponto final. É assim que age a mídia empresarial: com absoluta e total...parcialidade.

* Por Vito Giannotti – publicado no Boletim Eletrônico do Núcleo Piratininga de Comunicação (www.piratininga.org.br).

Um comentário:

Capilo disse...

Trecho da edição número 27 do VQ, sobre a cupação da Fazenda São Paulo:

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De acordo com o superintendente regional do Incra no estado, Mário Lúcio Machado Melo Júnior, o processo de desapropriação da fazenda São Paulo está para ser concluído. “Estamos apenas aguardando chegar uma documentação da procuradoria federal de Brasília que o noso procurador federal [do Incra] vai pessoalmente ajuizar uma ação no Tribunal Federal”, afirmou ao Valença em Questão. Ainda segundo ele, “há 99,9% de chances do Incra ficar com a fazenda” e a partir daí cria-se, via portaria, o assentamento.

A coordenadora do MST em Valença, Luciana Miranda, disse que desde o despejo, há dois anos, o MST vem cobrando do Incra a desapropriação da fazenda, já que se trata de uma área improdutiva. “Por isso, essa reocupação, no sentido de agilizar esse processo, para assentar essas famílias, que estão desde 2005 na beira da estrada”, afirma.

Justificando a demora do processo de desapropriação, o superintendente Mário Melo disse que a demora se deve aos cuidados do Incra com os “procedimentos burocráticos, para que o dono não consiga desfazer judicialmente o assentamento”. Um outro detalhe colocado pelo superintendente, é que no acordo com os proprietários, a sede da fazenda e uma área ao redor permaneceria com eles, “para desenvolverem museus, hotelaria, turismo, porque essa construção tem um valor cultural”.
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