sábado, 31 de outubro de 2009

‘Tive que pagar 10 mil dólares’

Com 492 presentes (268 da sociedade civil, 178 de empresários, 32 do poder público e 15 observadores) o primeiro dia da Conferência Estadual de Comunicação do Estado do Rio de Janeiro deliberou sobre seu regulamento interno, apresentou um painel de cada segmento representado e abriu grupos de trabalho para os três eixos temáticos (produção de conteúdo, meios de distribuição e cidadania: direitos e deveres).

De uma frase do representante dos empresários, deu pra perceber o tom do debate, e que haviam lados distintos na luta por uma comunicação mais democrática. Ao comentar sobre os avanços da telefonia, disse que há 10 anos, quando se mudou para a Barra da Tijuca, não havia telefones fixos, o que o “obrigou” “a comprar um telefone tijolão de 10 mil dólares”.

Mesmo antes disso já havia o anúncio. Quando os temas a serem deliberados tinham qualquer caráter para ampliar o caráter democrático, como uma simples sugestão de que os delegados para a Conferência Nacional deveriam no mínimo participar da Conferência Estadual e dos Grupos de Trabalho, total negativa, em especial do segmento empresarial. Chegava a ser irônico. Quando da votação dos empresários, os presentes aguardavam os dois representantes que compunham a mesa decidir o voto. Quando levantavam as mãos, o restante também o fazia. Ainda restava o riso satisfeito deles com a capacidade de “organização”.Uma outra proposta que teria sido muito mais prática e agilizado os Grupos de Trabalho era referente à sistematização das propostas já indicadas, até mesmo para consolidar as propostas semelhantes como apenas uma, facilitando a aprovação (ou não) posteriormente. Ainda mais com os Grupos tendo em média 150 pessoas. A desculpa era que queriam escutar todas as vozes. Como não havia tempo hábil pra isso, alguns foram ouvidos. Na verdade repetiram o que já havia sido enviado, e as propostas iguais ou semelhantes foram exaustivamente repetidas. Perda de tempo.

Mas o mais frustrante é a aceitação das regras já dadas. “Temos que jogar o jogo ‘deles’, as regras já estão dadas”, vociferaram. A desculpa para não se alterar nada é que a Conferência é uma vitória. Vamos pensar que nos próximos anos elas podem ser democráticas. Mas por enquanto vamos nos satisfazer em ter uma conferência de comunicação. Como se já fosse muito.

O que parece é que a sociedade está mesmo participando de um jogo de cartas marcadas. Após o almoço, no banheiro, escuto a conversar de um grupo da sociedade civil, uniformizados de amarelo representando um sindicato. “Olha, eu não sei de nada, você tem que perguntar ‘pro cara’. A gente só está aqui pra seguir ordens. Eles mandam e a gente vota”. Eram uns 15 de amarelo, muito mais próximos do setor empresarial (na verdade votando com os interesses deles, o de desmobilizar os mais interessados).

O embate de ideias ganha maior relevância amanhã, domingo, com as votações a partir das propostas dos Grupos de Trabalho. A cada minuto que passei lá, ficava mais convicto de que a Conferência é muito mais uma forma de legitimar o que já vem sendo feito (“mas abrimos para a sociedade, vocês que decidiram isso!”) do que mesmo se pensar em uma comunicação mais democrática no Brasil. Vamos ver no que vai dar.

6 comentários:

Samir Resende disse...

Pois é, capilo! Vc resumiu bem o nosso papel: "a gente (povo) toca pandeiro pra maluco (elites) sambar"
.
Acho que pra ter uma comunicação mais democrática no Brasil, só se Hugo Chaves fosse nosso presidente (rsrs) e cassasse aquelas concessões de mídia que não cumprem as reais funções de uma consessão PÚBLICA. Agora sim a gente entende por que todo dia o sapo do Boris Casoy coacha impropérios contra o governo da Venezuela. Não que lá seja o melhor dos mundos, mas pelo menos, rede de tv que não respeita a constituição e não cumpre a vontade da maioria da nação tem a concessão PÚBLICA cassada.

Enquanto isso no Brasil, a TV "envenena o povo com sua novela" - Se liga ô Zé Caroço!!!

Samir Resende disse...

Falando em tocar pandeiro pra maluco sambar, acho que vale a pena a gente ler a questão de ordem que o agitador cultural Libório da Costa apresentou na "conferencia" de cultura de Valença:

http://vozesflumineiras.ning.com/forum/topics/questao-de-ordem-e-questao-de

Samir Resende disse...

Só pra esclarecer:

No caso da Venezuela a concessão da Globo Tv de lá nem foi cassada, o Chavez teve a fidalguia de esperar a concessão terminar e simplesmente não a renovou, mesmo depois da emissora ter conspirado diretamente contra um governo eleito e TER ADULTERADO IMAGENS JORNALÍSTICAS EM CENA DE TIROTEIO PRA CULPABILIZAR AGENTES DO GOVERNO.

Além disso, a A RCTV (a globo de lá) continua trasmitindo por sinal de TV a cabo.

Anônimo disse...

O blog já não é o mesmo. Agora não temos mais atualizações diárias, como já foi divulgado. Um pena.
cordialmente

Samir Resende disse...

O blog já não é o mesmo. Agora não temos mais COMENTÁRIOS DECENTES como já foi divulgado. Um pena.
cordialmente

Samir Resende disse...

Aliás, este blog tá um m. mesmo principalmente pelas minhas postagens. Sugiro que todos(as) migremos pro blog do libório. cordialmente