terça-feira, 21 de outubro de 2008

A chama não se apagou nem se apagará...

Como a de Candeia (1935 - 1978), a chama de Luiz Carlos da Vila não se apaga nesta segunda-feira, 20 de outubro de 2008, dia de luto no samba por conta da morte de um dos mais inspirados compositores do gênero. Luiz Carlos saiu de cena aos 59 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer no intestino. Mas fica seu nome, que incorporou o da Vila por morar em Vila da Penha, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ). Embora a Vila pudesse muito bem ser outra, a Vila Isabel. Até porque foi para a escola Unidos de Vila Isabel que, ao lado dos parceiros Jonas e Rodolfo, Luiz Carlos compôs o samba-enredo Kizomba, a Festa da Raça, obra-prima do gênero com o qual a agremiação faturou em 1988 o primeiro de seus dois históricos títulos no Carnaval do Rio.

Luiz Carlos da Vila fez - como poucos compositores fizeram, dentro ou fora do universo do samba - a festa da raça negra. Com justificado orgulho, ele exaltou em muitas músicas a negritude e a mistura de raças que tinge o Brasil com as cores da miscigenação. O samba-enredo Nas Veias do Brasil - gravado por Beth Carvalho em 1986 no álbum Beth - é exemplo dessa pulsante vertente da obra de Luiz Carlos, nascido em Ramos, subúrbio do Rio, em 21 de julho de 1949. Outro bamba da Vila, o Martinho, seria o produtor responsável pela estréia do colega no mercado fonográfico brasileiro, em 1983, com o disco intitulado Luiz Carlos da Vila.

Em seu último disco solo, Um Cantar à Vontade, produzido por Milton Manhães e lançado em 2005 pela Musart Music, Luiz Carlos da Vila deu uma geral na sua obra num registro ao vivo que atesta a alta qualidade poética e melódica de seus sambas. É possível que o grande público nem ligue o nome à obra, mas levam a assinatura de Luiz Carlos da Vila jóias do quilate de Além da Razão (samba composto com Sombra e Sombrinha, lançado por Beth Carvalho, em 1988), Doce Refúgio (composto em tributo ao Cacique de Ramos, o bloco que tanto abrigou Luiz Carlos entre suas tamarindeiras), Por um Dia de Graça (samba-enredo humanista lançado por Simone em 1984) e O Sonho Não Acabou, feito para Candeia com versos que, a partir de hoje, também já podem ser aplicados à Arte de Luiz Carlos da Vila: "O tempo que o samba viver / O sonho não vai acabar / E ninguém irá esquecer... Luiz Carlos Vila, luz de eterno fulgor, hoje em doce eterno refúgio.

Retirado do blog do jornalista Mauro Ferreira - http://www.blogdomauroferreira.blogspot.com/

6 comentários:

Jacutinga disse...

http://www.esnips.com/doc/53670fc6-e0e9-4989-9900-2678b1aa6a0e/Umbanda---Oxala---Onisa-ure----Canto-a-Oxala---Rita-Ribeiro

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sambista disse...

viva luiz carlos da vila

jacutinga disse...

foi errado

http://www.esnips.com/doc/53670fc6-e0e9-4989-9900-2678b1aa6a0e/Umbanda---Oxala---Onisa-ure----Canto-a-Oxala---Rita-Ribeiro

Danilo Vieira Serafim disse...

"De qualquer maneira, meu amor, eu canto. De qualquer maneira, meu encanto, eu vou sambar
(...)quem é bamba não bambeia falo com convicção enquanto houver samba na veia impunharei meu violão"
Candeia

Samir Resende disse...

Podia ser Vila Progresso também, terra de partideiros como douglas lacerda, brenin e selê.

Segura a marimba!

Breno Slade disse...

Viva Luiz Carlos da Vila que nos disse certa vez ter uma grande ligação com a obra de nossa querida Rosinha de Valença que gravou o violão do primeiro disco de "da Vila"!!

O autor do texto se esqueceu de citar um dos maiores hinos do samba que é de autoria de Luiz Carlos da Vila em parceria Arlindo Cruz e Sombrinha, "O SHOW TEM QUE CONTINUAR".

"Se teu choro já não toca meu bandolim
Diz que minha voz sufoca teu violão
Afrouxaram-se as cordas e assim desafina
E pobre das rimas da nossa canção
Se hoje somos folhas mortas
Metais em surdina
Fechada a cortina
Vazio o salão

Se os duetos não se encontram mais
E os solos perderam a emoção
Se acabou o gás
Pra cantar o mais simples refrão

Se a gente nota
Que uma só nota
Já nos esgota
O show perde a razão

Nós iremos achar o tom
Um acorde com lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar

Se os duetos não se encontram mais
E os solos perderam a emoção
Se acabou o gás
Pra cantar o mais simples refrão

Se a gente nota
Que uma só nota
Já nos esgota
E o show perde a razão

Mas iremos achar o tom
Um acorde com lindo som
E fazer com que fique bom
O utra vez o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar

Nós iremos até Paris
Arrasar no Olímpia
O show tem que continuar

Olha o povo pedindo bis
Os ingressos vão se esgotar
O show tem que continuar

Todo mundo que hoje diz
Acabou vai se admirar
Nosso amor vai continuar"