quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Penso em educação como um negócio", diz novo secretário estadual de Educação ao assumir o cargo

Num discurso carregado com expressões de economia, o novo secretário estadual de Educação, Wilson Risolia , assumiu o cargo nesta quarta-feira, em substituição a Tereza Porto, reforçando a promessa do governador Sérgio Cabral de criar um plano de metas, com direito a bonificação para professores e diretores, até o início do próximo ano letivo. Sem formação na área de educação, Risolia reforçou o foco na gestão durante entrevista coletiva esta manhã: 

- Até por formação, tenho esse vício: penso em educação como um negócio. 

Ex-diretor-presidente do RioPrevidência, Risolia ressaltou a importância da meritocracia para melhorar o desempenho da rede estadual, que teve a segunda pior média do país no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). 

- A vida premia quem é melhor - disse. 

Risolia é o terceiro secretário da gestão Cabral e o 26º nos últimos 35 anos, uma média próxima a um gestor a cada ano e meio. Formado em ciências econômicas em Nápoles, na Itália, Risolia tem pós-graduação em engenharia econômica e didática do ensino superior. Antes do RioPrevidência, passou pela Caixa, onde foi vice-presidente de Ativos de Terceiros. No RioPrevidência, foi responsável por sua modernização e reduziu o tempo de espera pela concessão de benefícios de um ano para apenas 30 minutos. 

O novo secretário vai encontrar uma situação difícil na educação. O Rio ficou em penúltimo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2009, divulgado em julho pelo Ministério da Educação (MEC). Considerando apenas as escolas da rede estadual, o Rio teve nota 2,8, menor do que a meta definida para o estado (2,9), e à frente apenas do Piauí, mas empatado com Alagoas, Amapá e Rio Grande do Norte.

Contratação de 1.600 professores

No mesmo dia da demissão da secretária Tereza Porto, nesta terça-feira, o governador publicou um decreto no Diário Oficial autorizando - a cerca de dois meses do fim do ano letivo - a contratação temporária emergencial de até 1.600 professores. Segundo o texto, mesmo com a dupla regência e a chamada de concursados, foi constatado que existe carência urgente na rede. A Secretaria de Educação informou, por sua assessoria de imprensa, que não poderia precisar o número de professores que faltam, porque houve uma queda no sistema de informática.

Fonte: Jornal O GLOBO

2 comentários:

Cícero Tauil disse...

Educação não é "mercancia"! Mais um fim trágico para educação do Rio de Janeiro. Se o Exmo. Sr. Secretário pensa assim, por que os professores com pós graduação não recebem, assim que aprovados em concurso público, o que lhes é de direito em termos saláriais? Por que temos que esperar a carta de "Alforria"(ato de investidura)para ter direito a entrar com um processo pedindo o que nos é de direito e este processo se arrasta por anos e findo, não recebemos retroativamente aquilo que fazemos jus?
Que NEGÓCIO é esse que só é bom para uma das partes? E o SEPE nessa história?

Samir Resende disse...

O SEPE taí, nadando contra esta corrente. Só em ação na justiça são milhares, mas eu, aprticularmente, acredito mais no movimento de massas do que na justiça. Pelo menos na questão da morosidade.

Mas na rede estadual, as coisas estão dificeis. No dia 16 de setembro teve uma paralisação contra isso tudo, a pergunta é: quantos profissionais do Estado em Valença aderiram? Resposta: menos de 1%... assim fica difícil.

Enquanto isso, na rede municipal, o movimento de massas já conseguiu arrancar os triênio, o novo estatuto do magistério, a licença premio de 3 meses... lá a adesão nas escolas é mais de 50%

Tem horas que não da pra tergiversar (palavra da moda)... é luta ou é luta.

Saudações.