segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Como será a falta de água em Valença nos próximos 20 anos

Recebemos o email abaixo, do ambientalista e presidente da organização SalveaSerra. Na mensagem, Roberto Lamego levanta algumas questões - de grande relevância para nosso município - que ainda não têm respostas satisfatórias. Abaixo o email:
Muitas perguntas para poucas respostas

Como será a situação dos habitantes de Valença daqui há 20 anos com a extinção da maior parte das fontes de água? Com esta possível falta já prevista hoje será que ainda haverá água suficiente para ser bebida, utilizada e usada por todos para se viver aqui? No futuro, qual será a água que estamos deixando disponível para nossos filhos e netos?

Em 20 anos Valença se tiver água será muito maior. Será que teremos que nos mudar daqui? Será que o rio das Flores vai ter água suficiente para abastecer a cidade de Valença na época da seca em 2029? E nos Distritos como será a situação em 2029? Quanto custará um litro de água daqui há 20 anos? E em 2059? Será que estaremos nos matando pela água em 100 anos?

Onde estarão no momento em que a água faltar ou acabar as concessionárias que tem explorado a água do município sem nenhum compromisso com o atual Passivo Ambiental e o que dirão os políticos para a população quando o nossa água começar a se esgotar dentro dos próximos 20 anos, principalmente porque não cuidamos hoje adequadamente deste imenso PATRIMÔNIO AMBIENTAL produzido nas terras do Município de Valença.

É importante saber que a água é um Bem Ambiental do município e que é um Produto Ambiental com um grande valor econômico. É um raro Ativo Ambiental que o município dispõe em quantidade por ser o segundo maior em área no Estado do Rio, e que pela lógica, esta água deveria ser utilizado em seu próprio e exclusivo benefício. Quanto vale isso? Qual o potencial econômico para o município desta água presente?

A produção da água é um Serviço Ambiental prestado por centenas de produtores rurais municipais e que deveriam ser remunerados por isto. Mas os ruralistas não se dão conta disto e nem fazem solicitação alguma por compensações pela produção gratuita da água em suas terras. Eles não sabem que tem esta possibilidade e este direito.

As cidades devem isto ao campo, mas o pior é que nas cidades continuamos sem saber que é lá na roça que a água brota da terra nos milhares de olhos d'água existentes nas matas das propriedades rurais em todos os municípios do mundo. E continuamos desmatando e nos servindo das águas e as poluindo sem cuidado, desprezado os numerosos avisos sobre os danos e as ameaças ambientais que vemos diariamente em todos os meios de comunicação. A gente não toma jeito mesmo.

No Conselho da Cidade de Valença está sendo discutido e elaborando um Plano de Revitalização das 5 Bacias Hidrográficas Municipais que prevê a administração pública das águas e do esquecidos esgotos por um SAAE ( Serviço Autônomo de Águas e Esgotos) de Valença e que contará com a participação decisiva dos cidadãos e estabelecimentos valencianos, para criarmos uma contribuição voluntaria para que um percentual de cada litro de água vendido, seja destinado diretamente e sem burocracia para um Fundo administrado pelo Conselho da Cidade de Valença em parceria com os outros Conselhos Municipais e que terá como objetivo atuar diretamente no planejamento, na recuperação ambiental e na revitalização das Bacias Hidrográficas municipais. Tenho a certeza que todos estarão dispostos a contribuir solidariamente para esta nobre causa que é a recuperação ambiental do município.

Com certeza, com isto haveria imediatamente recursos locais e suficientes destinados justamente a iniciar o pagamento e a atenuação desta dívida que os urbanos tem com os do campo pela produção da água. Haveria dinheiro para iniciar programas ambientais como o reflorestamento das nascentes, o plantio de matas ciliares, a implantação de Corredores Florestais, ensino de práticas de produção e conservação de água, de saneamento básico no meio rural e principalmente e prioritariamente verbas para a capacitação, o treinamento e o redirecionamento profissional dos fazendeiros e das famílias que ainda moram no campo, preparando-os para um novo presente e para o futuro.

Em tempos de fim de mundo ou pelo menos de esgotamento das fontes de água dentro de 20 anos, se a água em Valença for considerada apenas como uma mercadoria para ser vendida ou explorada como se faz com um refrigerante ou uma dose de cachaça, sem se levar em conta a sua função ambiental, social e econômica, nunca teremos respostas para as perguntas abaixo e nunca saberemos o quanto perdemos, por decisões precipitadas feitas e baseadas em conceitos antigos e ultrapassados, tomadas vinte anos antes.

1- Quando uma concessionária dos serviços de exploração da água, que é de fora do município deixará de pagar ao município pela utilização gratuita deste BEM AMBIENTAL por todo este tempo?

2- Quanto uma concessionária deveria pagar aos proprietários rurais que são os Produtores da Água pelo SERVIÇO AMBIENTAL prestado por eles e pelo uso deste PRODUTO AMBIENTAL por 20 anos?

3- Qual seria a contribuição de uma concessionária para a valorização, a proteção e a conservação do PATRIMÔNIO AMBIENTAL de Valença nestes mesmos vinte anos?

É mais do que hora dos Cidadãos Valencianos reconhecerem a grave situação ambiental existente em todas as regiões do município e de atuarmos efetivamente para tentar reverter esta situação dramática enquanto ainda e talvez temos tempo para isto.

Esta é a minha opinião.

Roberto Lamego

5 comentários:

Vitória disse...

infelizmente não poderie comparecer à reunião do concidade amanhã, mas confesso que me deu vontade de largar o trabalho no rio e ir pra valença só pra ver o que as pessoas que tanto questionaram a última gestão vão dizer - se é que vão dizer alguma coisa. Fico curiosa!

Samir Resende disse...

Texto brilhante e esclarecedor. Espero que o Roberto Lamego faça uma boa intervenção neste CONCIDADE.

Vitória,

A hora é de união, não venha pra cá somente com este pensamento de "ver a cara das pessoas", ok? O que se tem que arrancar nesta reunião é a denúncia do estelionato eleitoral, se por um acaso as aguas de Valença forem parar na mão da CEDAE por 20 anos.

Só pra ilustrar a mentalidade desta gente, os comerciantes de vlç estão receosos, pois corre-se o risco da maioria dos fornecedores da PMV passar pra empresas de fora do município, o que leva a evasão de divisas e a baixa arrecadação, fora os empregos. Se isso for verdade, será mais um absurdo que não dá pra entender!

Anônimo disse...

Lamego?
Com a palavra os Administradores do Açude da Concordia!!!!!!!!!!!!!

Vitória disse...

Samir, tou contigo. Minha intenção não era parecer apenas irônica, mas dizer que é revoltante ver como as pessoas se colocam quando estão do outro lado. Não que isso impeça nossa manifestação do lado de cá. É mais revolta mesmo.

beijos

Anônimo disse...

Para quem não sabe: A empresa EMISSÃO, fantasia Águas de Valença, é "parceira da Cedae" em vários municípios. E também será aqui em Valença. Todos felizes, todos satisfeitos.