sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Que Valença queremos?

Lendo o texto do Danilo e os comentários que ele gerou, lembrei da formação da Assembléia Popular de Valença, que teve à frente principalmente o MST (que já trabalha em diversas localidade com a idéia de Assembléia Popular), o Psol, o Sepe e o Valença em Questão. Era início da ocupação das casas populares na Varginha, e a expectativa era grande em relação aos novos militantes que chegavam na Gisele Lima.

Nesta quarta fui ao lançamento de um livro no Rio, e conversava com um ex-militante do Movimento Estudantil. Falava com ele da minha birra com os estudantes, que ao partidarizarem as discussões, brigam entre si e não alcançam objetivos que poderiam ser unificados. Isso serve para toda a esquerda, que se atém mais às diferenças do que aos interesses comuns.

Esse amigo, ex-militante, disse que hoje é pior ainda, porque não conseguimos enxergar nada que unifique essas lutas. O processo do neoliberalismo, o Lula no poder e seu governo neoliberal, deixaram muitos desacreditados. As disputas internas dentro desses grupos só dispersam os interesses coletivos mais urgentes e mais importantes. O capitalismo e o neoliberalismo são bons no que fazem.

Cidadãos que moldem o seu próprio destino
No texto, Danilo fala da importância dos movimentos de esquerda se unirem na busca por uma sociedade mais justa. Não só em Valença, mas no Brasil, temos uma injusta distribuição de renda. Temos umas das economias mais dinâmicas do mundo (ficamos atrás apenas dos oito grandes, integrantes do G8), mas apresentamos índices de exclusão e de miséria, ou seja, de injustiça social, entre os maiores do mundo. De acordo com relatório do Banco Mundial, o Brasil é o país com o maior grau de concentração de renda no mundo. Os 10% mais ricos tem quase a metade da renda (48%) e os 20% mais pobres detêm apenas 2%. Nosso 1% mais rico é mais aquinhoado proporcionalmente que o 1% mais rico dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Temos que superar esse obstáculo, criado pela forma como se dá o processo econômico de globalização, extremamente competitiva e nada cooperativa. É preciso pensar em uma forma de cidadania onde os cidadãos tenham capacidade de moldarem seu próprio destino, em consonância com o destino comum da humanidade.

Essa superação passa por todo o país, e claro, por Valença, que deve se garantir um futuro autônomo, relacionando-se com o resto do mundo. Sem isso, viveremos atrelados ao destino decidido por outros, omitindo-nos a dar uma colaboração singular ao futuro comum da humanidade. É um conjunto complexo de ações, que devem ser iniciadas o mais rápido possível.

Novo rumo, mais humano e solidário
Talvez o grande desafio seja descobrir a forma de transformar as massas anônimas, deserdadas e manipuláveis, em cidadãos conscientes e organizados, entendendo por cidadania o processo histórico-social que capacita a massa humama a forjar condições de consciência, de organização e de elaboração de um projeto e de práticas no sentido de deixar de ser massa e passar a ser povo, como sujeito histórico capaz de decidir o seu próprio destino.

É a crença de que ainda há tempo para mudanças que pode reorientar nossa cidade em um rumo mais humano e solidário que motiva nossas reflexões e a permanência de nossas lutas. Os grupos sociais hegemônicos hoje controlam a sociedade não apenas pelos aparelhos coercitivos – polícias, presídios, repressão –, mas principalmente através dos aparelhos de hegemonia – TV, jornais, igrejas, sindicatos, etc.

Esses aparelhos de hegemonia, de coerção pelo convencimento, contribuem na formação política, intelectual e moral da sociedade. É o que podemos chamar de dominação ideológica. Mas é justamente nesse espaço do convencimento que os movimentos de esquerda devem trabalhar. Podemos pensar em processos que sejam contra-hegemônicos, no sentido de combater essa idéia hoje dominante, procurar formas de conscientização das pessoas em relação a suas condições de vida.

Organicidade aos movimentos
O Estado procura – e na maioria das vezes com sucesso – assimilar a cultura popular e esvaziá-la de qualquer sentido contra-hegemônico e crítico que ela possua. Como exemplos podemos citar o funk das favelas cariocas, que foi apropriado pelo sistema e transformado e nada mais do que em um estilo de música de baixaria. E ponto. Pouco se sabe de um movimento que vem resgatando o caráter crítico do funk no Rio de Janeiro. Isso não interessa aos grupos sociais hegemônicos. Ou então a cultura hip hop, surgida como uma das mais pungentes críticas do sistema capitalista, hoje é tocada em boates como se fossem músicas apenas para dançar, sem crítica, descontextualizando a cultura hip hop (que envolve, além do rap – música – o grafite, o break e o mestre de cerimônias – MC).

Precisamos pensar em ideologias orgânicas, que são historicamente necessárias, uma ideologia que se transforma na perspectiva de dar respostas aos processos políticos dos sujeitos. E não uma ideologia arbitrária. Essa ideologia orgânica se faz necessária na medida em que cria junto às massas o modo de consciência, determinando os interesses de determinado grupo ou classe social.

O grande problema é como colocar em prática toda essa “teoria”, como fazer com que as massas cumpram esse papel revolucionário. Uma perspectiva colocada pelo pensador italiano Antonio Gramsci, seria que os partidos políticos realizassem esse papel de representar a sociedade e seus interesses, encarnando a vontade coletiva. Mas o que vemos hoje são esses aparelhos de hegemonia esvaziados de pessoas que possam influir na busca pelos interesses da maioria. Em Valença, os partidos de esquerda são esvaziados e muitas das vezes nada fazem. Para piorar, entre si existem poucas possibilidades de alianças ao entorno de projetos. Os partidos são formados por pessoas, e as pessoas se conhecem, têm problemas pessoais, não gostam disso ou daquilo outro, e nada de conversa civilizada. Já é tempo dos partidos acabarem com isso em nossa cidade.

A mobilização em Valença
Escrevem nos comentário aqui no blog de que o VQ deveria fazer isso ou aquilo. Em alguma medida, isso chega a ser irritante. Porque o VQ tem que fazer isso sozinho? As pessoas acham que um grupo de jovens, que trabalham, estudam, têm uma vida pessoal têm como resolver os problemas de Valença – e se não o fazem, é motivo para críticas severas. Temos consciência que sozinhos não vamos fazer nada. Mas faltam apoios. Grande parte do que lemos nos comentários são críticas a deficiências do movimento. Mas pouco pensam em colaborar, ou em demonstrar caminhos a serem seguidos.

Mas minha crença é que as pessoas têm que se envolver. O grande problema é que as pessoas, quanto menos têm, mais se preocupam em saber o que elas vão ganhar com isso. E no curtíssimo prazo. Uma barra tentar convencer as pessoas. Por isso levo fé hoje em nossa cidade na Ocupação Gisele Lima, que possui uma organização capaz de mobilizar algumas pessoas, do Valença em Questão, que há quatro anos tem um grupo firme, ao MST, que em nossa cidade mobiliza uma galera, ao SEPE, que mobiliza os professores. Mas o grande problema é que nesses quatro “grupos”, muitas pessoas se “repetem”.

E é pensando nessa perspectiva de mudança, de mostrar o que não é mostrado, de valorizar o que não é valorizado, de dar voz a quem é emudecido pelo sistema, que o Valença em Questão se mantém firme, e sempre aberto a quem se interessar a colaborar conosco. Dentro ou fora do movimento.

34 comentários:

Anônimo disse...

é isso ai, tamo junto e misturado!

por onde começamos a luta?

vitu disse...

estrada valença x barra do piraí, bairro Varginha. Procure por Patrícia, na ocupação Gisele Lima.

Anônimo disse...

Percebo que o momento mais propício para pensarmos meios de mudar a realidade de nossa cidade é após as eleições. Pois as questões políticas ainda estão "fervilhando" e nós já não estamos tão passionais como geralmente ficamos antes do pleito.

Vamos aproveitar essa oportunidade então... Mas por onde começar??

vitu disse...

façamos uma reunião, pras pessoas se conhecerem. ideal é que seja final de semana. alguém sugere uma data?

Danilinho Serafim disse...

proponho no proximo sábado...é possível?

Felipe Duque (Valença) disse...

Infelizmente não posso ir pra Valença todo final de semana. Passagem (ida-volta): mais ou menos R$60,00. hehehehhehe

Porém se marcarem um dia certo vou com certeza. Até seria legal dá uma passada nos colégios e incluírem os secundaristas nesse debate. À luta, companheiros!

Jacutinga disse...

Bom texto!!

O cerne da questão é o seguinte: dizer que é contra o neoliberalismo pode ser percebido em vários movimentos/ partidos/ governo etc.

Agora, ser e estar/ permanecer e ficar é o problema.

Acredito que seja por aí. A união entre essas organizações partidárias ou não é exatamente essa: contra o neoliberalismo. Sendo que, o mais importante e essa ideologia estar presente na alma e presente na carne, ou seja, no dia-a-dia. Presente nas ações, nas orientações.

Esqueci de dizer, meu amigo Tom Zé mandou um abraço. E um outro abraço Jacutiniano.

Anônimo disse...

jacutinga quais sao suas açoes cotidianas contra o neoliberalismo?
rs

Regnas disse...

voces tem que se inspirar nos arnacos-punks-bouchevitas do sul do oeste da caital neozeolandeza bulgara de paris!!!

fizeram a revoluçao sem marca encontrinhos.

Como podemos concluir ao ler adorno e tambem hoquenrain, a revolucao comunista deve usar os veiculos que os inimigos criaram. voce nao percebem a normany faz parte d sistema neoliberal anglo-americano e por isso nao deixa nosso companheiro de lutas! felipe duque nos visitar, eles ja perceberam que ele é uma ameaça.
mas voltando aos anarco-punks-bolchevistas do sul do oeste iberico frances, eles engatinharam atraves dos recursos dos opressores e atraves da luta armada digital mudaram a realidade deles!
por isso eu proponho que façamos tambem em valença a revolução digital, parafraseando J. P. Gramic ela nao sera televisionada porem ele nao disse que ele nao sera internetizada, logo concluimos que esse é nosso veiculo para tomarmos de assalto essa bandalha.
nao precisamos nos ver pessoalmente, ou voces achas que fidel conheceu J. W. Simpson? nao precisou eles estavam irmanados no mesmo coletivismo de lutar organicas se ultilizando da contra-hegemonia pseudo crista.
se nos travamos na guerra eles nao conseguiram cooptar mais membros para o sistema burgues. ou voces nao acham que as prerrogativas moralmente utilizadas do ambito da cultura ocidental nao quer que tomemos coca-cola?
assim como vemos nos mega emprsarios do agronegocio se valendo da organicidade e unimultiplicidade(citando tomze, bjs jacutinga, me espera atras da moita).

venho fazer chamamento para comearmos nossos trabalhos hegemonicos cpara determos a contra-cultura instalada nos cerebros capitais.
espero ter me feito bem claro.

vitu disse...

caro regnas, que nãó é o sanger,

Seria ótimo se mais de 10% da população de valença tivesse acesso à internet. Não é o caso. Ainda mais as pessoas que estão mais propícias à 'revolução', essas então tem o acesso à internet muito limitado. Infelizmente

Jacutinga disse...

Anônimo, estou sem paciência para escrever. Li o texto anterior achei bom e lendo os comentário não entendi nada sobre a postagem da famosa menina ana. Fiquei espantada. Por isso, estive presente nos comentários. A discussão é entorno dos textos. Assim, fazemos debates e postamos a respeito. Eu sou um "zé ninguém", não tenho tanta importância assim. E respondendo o que faço contra o neoliberalismo,EU VIVO! Tem gente que vive e não faz diferença. Tem alguns que vivem e fazem. Tem outros que são imprescindíveis. Não me preocupo em me qualificar. Me preocupo em viver.

Para Sanger: obrigada pelo convite, não poderei comparecer. Sou uma senhora comprometida. Já tenho um "zé" em meu coração.

Jacutinga disse...

ah, desculpe o regnas não é o sanger, agora que vi. Então corrijo a postagem anterior.

Para Regnas: obrigada pelo convite, não poderei comparecer. Sou uma senhora comprometida. Já tenho um "zé" em meu coração.

Anônimo disse...

Mas o meu convite de indumentaria foi para que nos armemos, principalmente a senhrita cara jacutinga, contra os avanços pragmaticos dessa pseudo-democracia, onde impera a falta de caracteristicas morais atraves de espasmos critalizantes e desmoralizantes artificialmente a favor da manutençao do status-quo hegemonico.
Vitu, digo mais nem 1% tem acesso a rede mundial de pcs, porem esse é o discurso que os burgueses usam querendo que fiquemos limitados, nos tirando qualquer forma de açao. nao caia nessa companheiro, até porque as mentes que estao sendo mobilizadas nesse momento para uma possivel reuniao de combate a esses porcos capitalistas esta se dando atraves do plano virtual que acesso a esse veiculo o qual nos estamos nos comunicamos. entao essa ferramenta basica, porem de forte penetraçao nos coraçoes e mentes burgueses vai interagir e os forma como um efeito revesor de qualquer reaciorario, assim ganhando espaço e trazendo a tao esperar paz universal!
e tenho dito
regnas

Jacutinga disse...

Enquanto isso as pessoas morrem de fome, a polícia do rio é a que mais mata..

desculpe anônimo ou regnas, mas estou com o vitu

Anônimo disse...

kkk...voce deve ser mais uma analfabeta funcional minha cara.
eu tbm estou com o vitu parece que voce nao entendeu, o que eu coloquei é que toda essa mobilização em prol de mudanças estruturais que oprimem, e como voce colocou fazem pessoas passarem fome, e eu acrescento fazem pessoas sairem da escola sem apreder a ler(ex:jacutinga), sem acesso a saude com o minimo da qualidade estabelicido pelo pela ONU, sendo acharcadas pelos monstros capitalistas, pode e deve ser fazer atraves de midias como a rede mudial de computadores, temos que convencer, altivar, enaltecer essa ferramenta, que nos trouxeluz desse momento tao nefasto em que a essa cidade localizada no sul do estado do rio de janeiro vem passando, vamos somar forças atraves de tudo que tiver a nosso alcance, nao devemos despresar a internet pois ate o presado momento todos estamos irmandos a ela discutindo ideias e ideais libertarios, nao liberais, para a mudança desse paradgma que nos atormenta, da mais sutil forma, fazendo com que fiquemos presos sem saber a quem realmente, como fala o querido lobatinho, no mais recente lancamento de sua banda, o rappa, a musica o monstro invisivel esta ai. disfarçado, mascarado, escondido, dicimulado, fazendo cera de maneira que nois nao o vemos.
por isso minha cara, o chamamento que eu fiz a cima foi para voce tambem, voce parece que nao entendeu, espero que voce se mexe e faça algo de produtivo alem de viver(pqp) para vencermos esse monstro que nos acharca chamado neoliberalismo.
e tenho dito.
regnas

Jacutinga disse...

acho que o seu alfabeto é que não é funcional

Anônimo disse...

paradgma = paradigma

dicimulado = dissimulado

nois = nós

mexe (espero que "voce" se mexe) = mexa


é deve ser de tanto usar a ferramenta "internet"

uhuhuu

Picciani de Graciosa Guedes disse...

Todo texto do Capilo é a mesma coisa. O cara só sabe copiar e colar de textos anteriores e formar um novo. Fica com esse discurso acadêmico, de que "é preciso fazer..., é necessário que..." e não consegue propor nem articular nada prático.

Anônimo disse...

É obvio camarada! Esse movimento está em risco. Toda organização socialista que se preze não pode ultrapassar os 100 militantes e aqui já ultrapassamos essa marca!! Se tratando de uma comunidade virtual, em um país excludente e excluído como o nosso, isso significa que a burguesia está se infiltrando em nossas fileiras e daqui a pouco seremos testemunhas de outros tantos “companheiros” defendendo o pluralismo e outras coisas peculiares aos pós-modernistas (nome mais bonitinho), que além de defenderem o fim de tudo mais do que a gente (fim da história, fim da política, fim das utopias...), conseguem enxergar o caráter revolucionário de novas tecnologias como essa. A luta se faz nas ruas, nos portões das fabricas e nas universidades!! Toda organização revolucionária não pode passar dos 100 militantes!! Essa é uma tese de Rosa Luxemburgo que a Social-democracia fuzilou com ela, a ultima obra de Lênin queimada pelo stalinismo, a conciliação de Gramsci com Trotsky, o verdadeiro motivo da saída de Bakunin da Internacional (ops, acho que defender o anarquismo é proibido aqui).
Devemos agora, companheiros, partir para nossas bases, buscar ser a liderança dessa matrix chamada Internet. Chegou à hora de ocuparmos cada comunidade, cada scrap, cada testemunhal, todos os fotologs, enfim, cada lugar no qual se materializa a luta de classes, para que o dia possamos superar essa estratificação social que é esse mundo virtual, no qual a alienação não nos permite nos identificarmos como humanos e nos obriga a conviver em comunidades diferentes, até o dia que cada um de nós, daqueles que sobreviverem, fique isolado em seu próprio mundo. Temos que defender a comunidade única, aquela que agregue todos e todas companheir@s. Se a humanidade somos todos nós, porque a Internet não pode ser!? Aí sim, no dia em que isso acontecer, todos os outros se identificarão com nós e perceberão a necessidade de uma única liderança, um único partido. E antes que eu me esqueça: pelo fim da propriedade privada dos blogues e das comunidades!!! Por comunidades e blogues livres e sem operadores ou algo parecido!!

RoBerto IriNeu MariNho

Anônimo disse...

Eleições livres para dono do Blogue
Esse Blogue foi construído de forma antidemocrática como pode se ter um dono!!! Isso é um absurdo!!! Vamos eleger uma coordenação geral para o Blogue com 59 militantes! FORA DONO DO BLOGUE JÁ! POR UMA DIREÇÃO COLEGIADA E ELEITA PROPORCIONALMENTE!!!

RoBerto IriNeu MariNho

vitu disse...

irineu, entra lá:

www.blogger.com

e depois comenta aqui pro pessoal conhecer o seu blog.

Anônimo disse...

Estratégias em um Novo Paradigma Globalizado

Podemos já vislumbrar o modo pelo qual a constante divulgação das informações nos obriga à análise das direções preferenciais no sentido do progresso. Neste sentido, o aumento do diálogo entre os diferentes setores produtivos pode nos levar a considerar a reestruturação dos procedimentos normalmente adotados. Do mesmo modo, o acompanhamento das preferências de consumo maximiza as possibilidades por conta do sistema de participação geral. O incentivo ao avanço tecnológico, assim como a mobilidade dos capitais internacionais não pode mais se dissociar das diversas correntes de pensamento. A prática cotidiana prova que o entendimento das metas propostas agrega valor ao estabelecimento das diretrizes de desenvolvimento para o futuro.
No entanto, não podemos esquecer que a necessidade de renovação processual assume importantes posições no estabelecimento das posturas dos órgãos dirigentes com relação às suas atribuições. Assim mesmo, o consenso sobre a necessidade de qualificação garante a contribuição de um grupo importante na determinação de todos os recursos funcionais envolvidos. Todavia, o desenvolvimento contínuo de distintas formas de atuação é uma das consequências do remanejamento dos quadros funcionais. Todas estas questões, devidamente ponderadas, levantam dúvidas sobre se a complexidade dos estudos efetuados auxilia a preparação e a composição das formas de ação. A certificação de metodologias que nos auxiliam a lidar com a consolidação das estruturas oferece uma interessante oportunidade para verificação do fluxo de informações.
Como membro da vossa armada contra o imperialismo ianque, quero declarar meu apoio às vossas corajosas e vanguardiastas iniciativas contra esse movimento pelego que, apesar dos nossos esforços, se debruça mais e mais e cada vez mais sobre os pobres proletários indefesos que são obrigados a se ver imersos nessa maracangalha de termos em idiomas alienígenas, criada por integrantes de movimentos escusos e duvidosos.
Apesar do meu pouco tempo de experiência quando se trata de causas humanistas e revolucionárias como as que são colocadas nesta plenária, mantenho a minha posição anti-neoliberalista, anti-colonialista e acima de tudo, pró-ativa e democrática e coloco minhas habilidades a serviço desta vossa (agora nossa) luta.
A pureza original da Internet foi deturpada.
O que começou como um inocente serviço para a troca de amizades transformou-se num monstro depois da adesão massiva de milhares de usuários.
É hora de resgatarmos a pureza da Internet, dos Blogues! Companheiros e companheiras.
É hora de darmos um basta aos comentários anônimos e às postagens inúteis.
É hora de assumirmos o controle de nossas vidas virtuais. É chegada, finalmente, a hora da nossa redenção.
Estabeleceremos uma ditadura dos usuários, expurgaremos nossos opositores e transformaremos a Internet no modelo virtual da sociedade ideal por qual vivemos e lutamos.
Infelizmente não posso prometer que todos estaremos aqui quando nosso objetivo for alcançado. Muitos tombarão nessa difícil batalha, companheiros e companheiras. Mas a coragem dos que tombarem será a nossa herança, e eles serão devidamente honrados e lembrados como arquitetos da nossa liberdade vindoura.
A vitória será nossa, companheiros e companheiras. Viva a revolução !

RoBerto IriNeu MariNho

Anônimo disse...

Ate que enfim cmeçamos a elevar o nivel do debate. bem vindo roberto.
continuando, o mundo atual (globalizado) exibe, por assim dizer, uma característica própria devido a um processo de mudança. Essa mudança, fruto do avanço tecnológico, é percebida, também, com os meios de comunicação a serviço do homem, dentre os quais, a internet. Em termos de conhecimento para cidades como valença, isso se traduz, por um lado, em quantidade, rapidez e facilidade de acesso aos dados disponíveis. Isso, no entanto, acaba causando uma falsa sensação de aprendizado. Conseqüentemente, por outro lado, em inteligências cada vez mais desorganizadas e desestruturadas, cujos trabalhos traduzem. Sendo nesses termos abraçada pelos ianques, fanzendo com que fiquemos imersos na sua falsa ilusao de caracteristicas do conhecimento.
se formos analisar o capitalismo jutamente com a internet, vamos concluir que o que Karl Marx pregava que o capitalismo tende a uma situação de monopólio, à medida em que os grandes conglomerados esmagam os pequenos produtores e compram ou aniquilam seus concorrentes como forma de frear a queda da margem de lucro frente à taxa de juros devido ao aumento da concorrência.
Marx observava um movimento que se iniciava no mundo em que os cidadãos, desprovidos dos meios de produção da época, passavam a dispor somente de sua própria força de trabalho para garantir-lhes sobrevivência. Tal força de trabalho acabava por se tornar uma mercadoria queera vendida para outros, que detinham as máquinas e os meios para produzir seus bens de consumo.
É claro que naquela época não existia a Internet e toda a sua força niveladora e democrática., porém, nem tudo mudou, afinal, Marx não falava somente de capitalismo ou de meios de produção - falava fundamentalmente das pessoas e seus comportamentos frente ao sistema econômico que vigorava, e ainda vigora, na época.
A Internet, segundo Thomas Friedman em seu clássico O Mundo É Plano, aparece como uma das forças niveladoras que achata o mundo dando-lhe um aspecto muito homogêneo e contínuo. Em Wikinomics, Don Tapscott mostra o poder que o consumidor comum detém ao influenciar governos e pesquisas científicas a partir de seu notebook ou desktop. A revista Time, recentemente, elegeu como cidadão do ano “You”, o próprio cidadão comum. O Google permite que anunciantes dos mais diversos tamanhos, da oficina à montadora de automóveis, montem suas próprias campanhas de divulgação fazendo-os independente das agências ou dos veículos. Mas será tudo isso uma ilusão? uma Matrix que faz com que acreditemos ser livres, quando na realidade nos tornamos cada vez mais dependentes?
Goethe dizia que ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser.
Hoje dependemos de energia, de celulares, de computadores e de várias outras invenções do homem para podermos exercer nossa cidadania em sua plenitude. O homem cria o que o escraviza. Até o ponto que criamos meios para nos comunicarmos e vivermos melhor em sociedade, não há nada de errado, a pergunta incômoda é “quem são os verdadeiros detentores desses meios?”
Utilizamos o YouTube para postarmos nossos vídeos e com isso nos tornamos, de novo, os donos dos meios de produção, à medida em que podemos comprar um câmera digital, um computador, uma linha discada ou banda larga e, a partir daí, baixar um programa de edição de vídeos na própria web. Detemos os meios para produzir, porém, o YouTube não é nosso - é do Google.
Nos comunicamos livremente com nossos amigos por meio do Messenger enviando fotos, sons, vídeos e o que mais quisermos compartilhar. Porém, o Messenger não é nosso - é da Microsoft.
Poderia perfilar centenas, milhares de exemplos em que temos várias formas de poder que convivem concomitante.
O poder de produzir passa para o cidadão comum, já que vivemos na “Toffleriana” era do conhecimento, mas essa não é mais a única resposta certa. O poder de geração de riqueza passou para as mãos de quem detém o conhecimento ou…para quem detám os veículos que permitem compartilhar esse conhecimento?
O próprio Vincent Cert, o “pai da Internet” e hoje membro da equipe de primeira linha do Google, diz que o poder está no compartilhamento de informações. Compartilhar informações é poder, mas deter os meios para tal ação também.
Temos dois polos de poder atualmente no mundo. O primeiro é o do cidadão comum, descentralizado, de gerar conhecimento. Muitas vezes um conhecimento sem direção e sem nenhum critério organizador, um conhecimento entrópico, não linear. Essa massa disforme de cidadãos alimenta a máquina com letras, fotos, vídeos e áudios sem parar a todo o momento.
O segundo polo de poder está em que detém o veículo para organizar, compartilhar, armazenar e proporcionar o acesso a tais informações, um poder concentrado nas maõs de poucos e organizado. As grandes corporações como Google, Microsoft, Yahoo! e algumas outras, além daquelas que permitem o acesso a toda essa informação - operadoras de telefonia e empresas de tv a cabo.
A situação, sem dúvida nenhuma, é melhor do que há 100 anos, em que a única maneira de um cidadão comum gerar riqueza para si era trocar sua força de trabalho por remuneração mensal. Hoje podemos escrever nossas memórias e criar empresas digitais que podem atingit o estrelato frente à essa massa de cidadãos e, mesmo não detendo os meios para circular essa informação, podemos acreditar de que eles continuarão aí por um bom tempo.
Em matéria lida recentemente, um repórter citava a concentração cada vez maior de usuários em uma quantidade cada vez menor de sites - conceito que nega o comentado “Cauda Longa” (de Chris Andersen). Isso não seria de espantar se reléssemos Das Kapital e o adaptássemos para uma era digital - a tendência à formação de monopólio no sistema capitalista -, porém, nega a tendência democrática da Internet.
Escolher entre a posição Marxista e a posição de Thomas Friedmam, Chris Andersen e Don Tapscott, é apenas uma questão de fé na humanidade. Uma fé de que essa massa de consumidores, quenunca leram Friedma, Andersen ou Tapscott, seguirão seus conselhos de exercer sua liberdade e, de fato, possibilitar aos pequenos que não sejam esmagados pelos maiores. O poder de escolha pela primeira vez está em nossas mãos.
Sejamos livres, conscientes de nossa liberdade.
e tenho dito.
regnas

cajibrina disse...

o Irineu, assim como a sua produção intelectual, é farsa das brabas.

pra quem não conhece, é "o fabuloso gerador de lero-lero!". digita-se uma frase e o 'gerador de lero-lero' cria uma baboseira (ou lero-lero - como esse papo-furado aí do Irineu). Francamente, tem capacidade nem de pensar o cidadão...

pra quem quiser conhecer (mas por favor, não se utilizem disso, o texto fica muito ruim), o endereço é:
http://www.geocities.com/padrelevedo/lerolero/lerolero.html

abs. ao companheiro capilo

Anônimo disse...

cajibrina,
não entendes nada de revolução!

PREPAREM-SE, A REVOLUÇÃO SE APROXIMA! SERÁ NO FERIADO DE FINADOS! A BURGUESIA ESTÁ A AGONIZAR! A PEQUENA-BURGUESIA, POR SUA VEZ, TEME QUE O ASSALTO AOS CÉUS SE ESTENDA À SUA ESFERA DE INTERESSES! PASSAGEM AO SOCIALISMO OU RETORNO À BARBÁRIE! COMPANHEIROS, A HISTÓRIA DO MUNDO É A HISTÓRIA DA LUTA DE CLASSES! A BURGUESIA PRODUZ SEUS PRÓPRIOS COVEIROS, QUANTO MAIS ELA SE DESENVOLVE, MAIS SE ACELERA SEU OCASO E MAIS SE FORTALECE E SE UNE A CLASSE PROLETÁRIA, OBREIRA E TRABALHADORA! NÃO PASSARÁ!!!
A SIERRA MAESTRA É AQUI -
MOBILIZAREMOS AS MASSAS PARA A TOMADA VIOLENTA DO PODER POLÍTICO!! VAMOS LÁ, COMPANHEIROS! NÃO PASSARÁ!!!

RoBerto IriNeu MariNho

Anônimo disse...

Caro amigo Roberto,

eu marquei de viajar, vou surfar com meus amigos...
A revolução já vai ter acabado quando eu voltar?
Vai ser tipo levante popular, ou guerra popular prolongada?
Por que se for o último tipo, tá tranquilo, mas se for só um levante das massas oprimidas que não puderam viajar e vão tomar as fábricas das mãos dos patrões opulentos que vão estar nas montanhas ou em praias paradisíacas, eu desmarco com os meus amigos, e fico aqui para ajudar.
Foda vai ser explicar pra minha namorada...
"Amor, esse feriado não vai dar pra viajar, que eu tenho q fazer uma revolução."
hehehe

Abraços,

OlAvo de CaRvalHo

Anônimo disse...

esse cajibrina ta mesmo por dentro desses factoides criados por essa geração aburguesada que so quer nos levar a crer que nao existe pensamento de vanguarda em nossa querida, amada, distinta, nobre valença. espero que voces tabmem nao caiam em mais essa armadilha dos monstros neoliberais e continuemos aqui, fanzedo deste um forum competente de ideias e ideias libertarios, nao liberais, para combatermos toda essa esploração e expropriaçao da dignidade humana que vemos em nossa cidade. citando o amigo olavo de carvalho nao precisamos tomar fabricas para fazermos nossa revoluçao. estamos em 2008 e espero que toda essa conjuntura adversa nao faça de voces meros espectadores de um embate caloroso qe estar por vir. eu pecebi que as forças ocultas ja começaram a se manifestar contrarios a essa uniao da esquerda valenciana, porem por voces terem se mostrado frageis perante o processo virtual, eles ja cantam a sua vitoria. nao podemos baixar nossa guarda contra esses reacionarios. vamos a luta. organicamente, gradativamente a massa vai tomando o seu rumo como ja dizia lenin, a muitos anos. temos que analisar friamente todo o processo que instamos inseridos e novamente buscar novas formas de combater essa burgusia,criando uma contra-hegemonia ieraequizada dos principais atores de fomentaçao em nosso municipio. essa nao é a hra de esmorecermos, veo que voces nao tem poder de aglutinamento nenhum, tendo ate membros discidentes dentro do proprio coletivo. esse nao é caminho a se trilhar. é hora de mudanças estruturais rigidas e de maneira lcalizada para que se ai sim tenhamos um caminho a seguir
e tenho dito
regnas

Anônimo disse...

Romper com a Lei da Gravidade
Companheiros e Companheiras, hoje já conseguimos reunir centanas de militantes que estão dispostos a fazer a Revolução e romper com o atual status quo, mas isso é muito pouco - temos que romper com a lei da gravidade é ela que nos oprime no chão, que faz bundas e peitos cairem. a lei da gravidade foi criada para oprimir os trabalhadores e na verdade é mais um plano dos governos imperialista de lula/bush para destruir a classe operaria. pela imediata revogação da lei da gravidade.

RoBerto IriNeu MariNho

Anônimo disse...

Companheiro Roberto,


É impossível romper com a gravidade, sem antes articular uma Frente Única, Ampla, Soberana, Pró-Revolucionária que aglutine todos os companheiros e companheiras trabalhadores, camponeses, e estudantes ao redor do mundo, que são diariamente oprimidos pelo sistema físico gravitacional. Antes de romper, é preciso criar tal organização, porque sem realizar isso não existe mudanças que alterem o comportamento dos planos quanticos que tanto prejudicam as organizações anti-imperialistas, anti-reformas, pró-operárias, pró=estudantes e pró-camponesas. Sem romper, nao tem mudança nao!

OlAvo de CaRvalHo

Luciane Barbosa disse...

nossa, até o Olavo de Carvalho visita o Blog do VQ.. Marinho é pinto diante do mala Olavo de Carvalho..

Como diz a comunidade no orkut: Olavo de Carvalho nos odeia!

ai ai o que mais nos espera

Saudades de Valença

=)

Luciane Barbosa disse...

Ah, se alguém se interessar e puder ir. Divulgo algo muito legal. Principalmente para as pessoas que se manifestam aqui e não toleram as outras pessoas por vários motivos - como opção política, posicionamento, ideologia, ações, etc.:

Prezad@s,

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e a editora A Girafa convidam para o lançamento do livro de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

NAS FRONTEIRAS DA INTOLERÂNCIA
Einstein, Hitler, a Bomba e o FBI

Data: 15 de outubro de 2008, quarta-feira, às 17hs.
Local: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB)
Endereço: Avenida Augusto Severo, 8 – Glória – Rio de Janeiro – RJ –

20.021-040
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Anônimo disse...

Ao MVQ e ao autor do texto, Danilinho Serafim em especial.

Antes de tudo, esse comentário é resultado de uma conversa anterior à leitura desse texto somado à leitura desse que pretende ser uma análise “definitiva” das eleições em nosso Município.

A nós duas o artigo “Eleições: Análises, Reflexões e Lutas” não pareceu muito contundente, embora gostemos muito e reconheçamos o valor de quem o redigiu. Entre os vários equívocos, apontamos um em especial, quando o autor defende que "(...) Desde o primeiro momento ficou claro que nenhuma das candidaturas vitoriosas em potencial trariam mudanças substantivas a realidade valenciana.”

Ao contrário do que pensa o autor, não existe nenhuma “claridade” nesse ponto. Até porque candidaturas não trazem mudanças, substanciais ou relativas; candidaturas sustentam-se no passado político dos proponentes e nos planos de governo. “Planos”. Enfim, uma cruza de “experiência” e “expectativa”, na acepção mais barata de um R. Koselleck.

Em nível de governo, através do qual, sim, pode ser transformada ou não a “realidade valenciana”, a candidatura vitoriosa não pode vir a ser julgada. A análise política séria não se funda em perspectivismo, videntismo, seja lá o que for. Ao contrário, nesse momento de transição, será preciso entre nós - e muito – ponderamento, crítica, cobranças com acompanhamento de ações e auto-crítica por parte da sociedade civil organizada (ou desorganizada, já que o próprio MVQ reconhece não gozar de “organicidade”) para que mudanças sejam efetivadas num futuro – esperamos - próximo.

Parcerias também. Por exemplo, conseguimos há um mês (30 dias!!) sensibilizar a representação feminina do Rotary e a FAA a fim de garantir aos 20 inscritos no programa de alfabetização na Varginha exames oftalmológicos. Até o momento, o MVQ não conseguiu sequer marcar um encontro com as lideranças da Ocupação Gisele Lima, na Varginha, pra organizar a realização das consultas. E, pior, estamos a ponto de perder uma voluntária como a Mônica porque a própria Ocupação e nós não conseguimos nos “organizar” para que os 20 inscritos se beneficiem desse trabalho fundamental.

Será preciso, pra que essa sua idéia, Danilo, de “organicidade” total de esquerda se realize, pequenos passos fundamentais e bem dados. Se não tivermos competência pra garantir à Varginha esse mínimo, meu caro, desculpe-nos, seus argumentos continuarão nos soando falaciosamente.

E não espere que o PCB, PSTU, PSOL e partidos dessa pretensa linha de oposição se sensibilizem com a Varginha ou qualquer outro bairro de periferia. Quando o assunto é “favelização”, no mundo inteiro, se o povo não se organiza, se o povo não interfere, nada muda. A “gente” é povo, quer juntar-se a nós? Independentemente de vocês, estaremos na Varginha no sábado, com chuva e o que for caindo do céu, canivete e o cacete a quatro. E não estaremos lá porque somos MVQ, mas porque somos cidadãs.

Ana Reis, jornalista
Marcelle Sales, estudante de História (FAA)

Luciane Barbosa disse...

Pô de novo esse texto-comentário? Mas é do texto postado anteriormente.

replay? ou uma alguém se passando por outras pessoas. Deve ser algum comediante.

Anônimo disse...

Ao MVQ e ao autor do texto, Danilinho Serafim em especial.

Antes de tudo, esse comentário é resultado de uma conversa anterior à leitura desse texto somado à leitura desse que pretende ser uma análise “definitiva” das eleições em nosso Município.

A nós duas o artigo “Eleições: Análises, Reflexões e Lutas” não pareceu muito contundente, embora gostemos muito e reconheçamos o valor de quem o redigiu. Entre os vários equívocos, apontamos um em especial, quando o autor defende que "(...) Desde o primeiro momento ficou claro que nenhuma das candidaturas vitoriosas em potencial trariam mudanças substantivas a realidade valenciana.”

Ao contrário do que pensa o autor, não existe nenhuma “claridade” nesse ponto. Até porque candidaturas não trazem mudanças, substanciais ou relativas; candidaturas sustentam-se no passado político dos proponentes e nos planos de governo. “Planos”. Enfim, uma cruza de “experiência” e “expectativa”, na acepção mais barata de um R. Koselleck.

Em nível de governo, através do qual, sim, pode ser transformada ou não a “realidade valenciana”, a candidatura vitoriosa não pode vir a ser julgada. A análise política séria não se funda em perspectivismo, videntismo, seja lá o que for. Ao contrário, nesse momento de transição, será preciso entre nós - e muito – ponderamento, crítica, cobranças com acompanhamento de ações e auto-crítica por parte da sociedade civil organizada (ou desorganizada, já que o próprio MVQ reconhece não gozar de “organicidade”) para que mudanças sejam efetivadas num futuro – esperamos - próximo.

Parcerias também. Por exemplo, conseguimos há um mês (30 dias!!) sensibilizar a representação feminina do Rotary e a FAA a fim de garantir aos 20 inscritos no programa de alfabetização na Varginha exames oftalmológicos. Até o momento, o MVQ não conseguiu sequer marcar um encontro com as lideranças da Ocupação Gisele Lima, na Varginha, pra organizar a realização das consultas. E, pior, estamos a ponto de perder uma voluntária como a Mônica porque a própria Ocupação e nós não conseguimos nos “organizar” para que os 20 inscritos se beneficiem desse trabalho fundamental.

Será preciso, pra que essa sua idéia, Danilo, de “organicidade” total de esquerda se realize, pequenos passos fundamentais e bem dados. Se não tivermos competência pra garantir à Varginha esse mínimo, meu caro, desculpe-nos, seus argumentos continuarão nos soando falaciosamente.

E não espere que o PCB, PSTU, PSOL e partidos dessa pretensa linha de oposição se sensibilizem com a Varginha ou qualquer outro bairro de periferia. Quando o assunto é “favelização”, no mundo inteiro, se o povo não se organiza, se o povo não interfere, nada muda. A “gente” é povo, quer juntar-se a nós? Independentemente de vocês, estaremos na Varginha no sábado, com chuva e o que for caindo do céu, canivete e o cacete a quatro. E não estaremos lá porque somos MVQ, mas porque somos cidadãs.

Ana Reis, jornalista
Marcelle Sales, estudante de História (FAA)