domingo, 14 de dezembro de 2008

Recebemos o seguinte email (em vermelho), após enviarmos mensagem sobre a imissão de posse que seria realizada no dia 11 de dezembro, no Acampamento Manoel Congo, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Como podem ver em postagens anteriores AQUI, AQUI e AQUI, não vou repetir novamente. Mas pelo teor do email recebido, resolvi responder rapidamente às questões colocadas.

REDE JOVEM, VALENÇA. POR FAVOR:
QUE MOVIMENTO SOCIAL É ESTE DE QUE SE REFEREM? É MOVIMENTO SOCIAL OU TEM OUTRO NOME?


Meu caro, é mesmo movimento social, inclusive o maior movimentos social da América Latina, mais conhecido como Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

E A INFRA-ESTRUTURA, E A ALIMENTAÇÃO GRATIS (DOADA COM DINHEIRO DE NOSSOS IMPOSTOS). QUEM MANOBRA ESTE PESSOAL DO MST, QUEM SÃO, DO QUE VIVEM? JA SE PERGUNTARAM?

Não apenas nos perguntamos, mas o Valença em Questão conhece o MST de perto – diferente do autor da mensagem. São trabalhadores sem-terra, como está no nome do movimento, que lutam por um direito que está na nossa Constituição – que completou 20 anos em 2008 e ainda está longe de ser respeitada.

A infra-estrutura eles montam dentro dos acampamentos e assentamentos, criando condições de subsistência e ainda aquecem a economia local com o comércio da produção.

SEM ENTRAR NO MÉRITO DESTA FAZENDA ESDRUXULA, QUEM GARANTE O DIREITO DE NOSSAS PROPRIEDADES? VCS GOSTARIAM E QUEREM DIVIDIR SUA CASA COM OS INDIGENTES E SEM TETO?

Fazenda Esdrúxula? Não entendi. E não quero dividir minha casa com indigentes (?) e sem-teto, mas para isso é preciso que todos tenham onde morar. O direito à propriedade é garantido pelos poderes. No dia 11 por exemplo, a polícia estava lá para garantir a propriedade a e integridade do proprietário e do oficial de justiça. As outras pessoas, pelo que parece, não têm o direito – também constitucional – da sua integridade.

Agora entrando no mérito das ocupações que parecem preocupá-lo, apenas produza, que não correrá o risco de ter suas terras ocupadas pelo movimento. Caso não produza, suas terras podem ser consideradas improdutivas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e compradas pelo governo e destinadas para fins de reforma agrária. De qualquer forma, suas terras serão compradas pelo governo federal. Sairá sempre ganhando, fique tranqüilo.

MST EM VALENÇA - PRODUZIR O QUE, COM QUAIS RECURSOS, QUAL A TECNOLOGIA? QUEM COMPRARÁ? (ESCAMBO, VOLTANDO A IDADE MÉDIA)?

Produzir o que Valença compra no Rio de Janeiro – na Ceasa – e traz para a cidade, pagando mais pelo transporte e por produtos com agrotóxicos, diferentes dos produzidos nos acampamentos e assentamentos do MST. Pessoas físicas, como você e eu, podem fazer empréstimos em bancos, podem ter recursos próprios, etc., e esse dinheiro pode ser investido em produção, por exemplo, de cooperativas. Exemplos do próprio MST não são raros em relação a isso. Não raro também que as produções das pequenas propriedades têm relação direta com o desenvolvimento da economia. Pode ser uma das soluções para Valença, que vive de quê? Prefeitura, FAA e aluguéis.

COMO ESTUDARÃO, QUAIS AS CRECHES E POSTOS MÉDICOS QUE ATENDERÃO OS FILHOS DESTAS PESSOAS QUE SÃO MANOBRADAS, NÃO SE SABE POR QUEM?

As mesmas freqüentadas por você ou por mim. Não consegui entender porque eles não teriam direito ao acesso à educação e à saúde.

INFRA ESTRUTURA DE SANEAMENTO? NIHIL! CHEGA DE FILOSOFIA BARATA, MÃOS A OBRA E TRABALHO DECENTE QUE DÊ SUSTENTO DIGNO A ESTAS PESSOAS. SERÁ QUE QUEREM TRABALHO? TEM LAVRADORES ENTRE OS MEMBROS DO MST?

Quem fez o saneamento de sua casa? Será que eles poderiam fazer o saneamento deles também?

O MST é formado por produtores rurais. A grande maioria tem sua origem familiar no campo, e por isso a luta por um pedaço de terra.

AB

Abraços.

11 comentários:

Anônimo disse...

esse email é de verdade mesmo ou vocês inventaram? nada a ver o que o cara fala

joão vitor disse...

sugiram à pessoa que mandou o email assisir aos filmes "Terra para Rose" e "O sonho de Rose - 10 anos depois". Na seqencia do filme, é possível ver resultados de cooperativas do MST no Rio Grande do Sul, além dos produtores que decidiram caminhar sozinhos. Vale muito a pena assistir aos vídeos. Desmistifica bem o movimento, hoje detonado pela grande mídia (que faz com que as pessoas tenham a mesma idéia do autor do email, infelizmente).

Tony disse...

pô, estranho é ele perguntar quais as creches e postos médicos as crianças dos assentamentos poderão ser atendidas. Me revolta saber que existem pessoas que se consideram mais cidadãos do que outros, e pior, parecem sentir orgulho disso.

Danilinho Serafim disse...

O MST tem sua luta pra além do pedaço da terra para morar e produzir. O MST luta por uma sociedade justa, sem exploração do homem pelo homem e que homens e mulheres possam se emancipar humana e politicamente atraves do socialismo.

Carlos Herique disse...

Concordo com vocês pessoal, o MST é um movimento popular, sim. Deve ser respeitado por dar oportunidade a pessoas que não tinham perspectiva de uma vida digna alcançarem este objetivo.Mais ainda, por lutar para que a Constituição brasileira não fique só no papel.

Danilinho Serafim disse...

Dentro da sociedade capitalista que desloca bilhões e bilhões de verba publica para o salvamento de banco e banqueiros especuladores financeiros, salvamento de montadoras e empresas que exploram a classe trabalhadora ao seu limite, a conclusão é óbvia: Todos nós (trabalhadores, explorados, expropriados, humilhados, assassinados...) somos Sem-Terra!

Anônimo disse...

vocês estão sendo enganados por esse bando de vagabundos que nem sabem plantar. é só ler a Veja pra saber a verdade

Danilinho Serafim disse...

Se eu quisesse ser um boçal do senso comum e alienado pelo capital, leria a veja. Como não, dispenso tal leitura para descobrir as "verdades do mundo.

Anônimo disse...

Não assisto a TV já faz tempo, Veja, acho que só em tempo de faculdade, há mais de 10 anos. Realmente me recuso a ler nesse nível pq qd não mentem, omitem. Mas hj felizmente, embora não tão difundido assim, temos alternativas no campo da comunicação social acessíveis, ao menos às classes que operam na chamada inclusão digital. Mas vai aí a sugestão aos colaboradores do blog do VQ: pra que essas discussões a partir de lugares comuns - li na Veja,... ah!, mas lá nos Estados Unidos... ontem no JN... etc - não terminem em insultos e posicionamentos marcados, pq não dar destaque aos excelentes sítios de informação pela WWW? Vc já fazem isso aqui, no canto direito do blog, mas se essa gente realmente quiser discutir, terão mais subsídios, outras miragens... se não, infelizmente, continuaremos a ler aqui os “falsos”-lugares-comuns criados pelos “falsos” desinformados.

Não sei não, tanto parte desses comentários como o email em vermelho que gerou a postagem, é tudo tão lugar-comum e por si só tão desabonador que prefiro crer que seja galhofa e não interesse em se criar embates...

Anônimo disse...

O pior não é a VEJA ou outros panfletos de forrar gaiola de passarinho.

Feio e anti-cristã é a Igreja Católica de Valença (e outros movimentos ditos "sociais" da cidade) que se omitem na defessa deste povo pobre e excluído.

Parece que as pastorais de Valença só se interessam em fazer movimento se for pra aparecer na rua dos mineiros, ou então pra fazer o filme com as famílias poderosas do município.

Anônimo disse...

ó, blog do VQ de cara nova! gostei.