quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Drogas: diga não!

Nesta semana tomei uma decisão muito importante na minha vida: resolvi abandonar as drogas. Liguei pro serviço de atendimento e cancelei a minha assinatura do jornal O Globo.






Foi uma decisão muito difícil, tenho que confessar que me habituei acordar pela manhã e ter aquele panfleto debaixo da minha porta. Mas, o que me levou a tomar tal decisão foi, além do entorpecimento diário por informações tendenciosas, o tratamento que o jornal anda dando ao processo de Reformas Constitucionais que acontece nas vizinhas Bolívia e Venezuela.

É muito escroto um país que tendo uma potencialidade imensa como o nosso ainda não tenha resolvido 10% dos seus problemas; onde os poderosos não vão presos; onde a desigualdade mata milhares de pessoas, onde a corrupção graceja; onde as diferenças são estigmatizadas; onde o leite é adulterado e onde as meninas são presas e estupradas... Mas, mais escroto ainda é querer dar palpite na vida do vizinho quando nosso quintal tá todo emporcalhado.

E é isso que a inteligentzia nacional faz: arrota indignação contra as reformas que aqueles índios lá dos Andes querem fazer nas suas vidas. E o estandarte-mor desta ignomínia é a grande imprensa brasileira – personificação histriônica da imbecibilidade nacional.

Darcy Ribeiro, na sua grande obra, nos presenteia com uma concepção de Povo Brasileiro que há muito me fascina. Fruto de uma simbiose entre o ameríndio nativo, o europeu ibérico e os africanos escravos, nossa ontologia ficou marcada por uma saudável mistura e à nossa gente estaria reservado um virtuoso e destacado papel ao romper da modernidade.

Acontece que a grande mídia, a comunicação hegemônica, está destruindo esta visão idílica que Darcy nos deixou de herança. Parece que o consumo contínuo das informações manipuladas entupiu as nossas idéias, como um THC ideológico que se aloja no cérebro e nos torna subservientes e abobados. Taí a “produção cultural” da Rede Globo que não nos deixa mentir; parece que a única “cultura” que temos, nos 8,5 milhões de km2 de Brasil é aquela que se desenrola na zona sul carioca

Deixemos a Venezuela em paz! Deixemos o índio Morales numa boa! Os caras tão tentando mudar uma história de 500 anos de dominação e opressão, com instituições viciadas e massacrantes. E, em nenhum momento a sua população está de fora do processo; pelo contrário, todas as modificações constituintes passarão por referendos e plebiscitos.

Quero ver as Organizações Globos e outros jornalões fazerem a mea culpa sobre o atraso histórico que legaram ao ethos nacional. Quero ver a mídia ir além de apontar as nossas cagadas, mas sim denunciar o motivo da nossa dor de barriga. Apontar o que tá errado é fácil, o difícil é denunciar a razão. E uma coisa eu tenho certeza: a culpa é do sistema que escolhemos! Então, se outro mundo é possível, deixe o coronel perguntar ao seu povo se é isto que eles querem, catzo! E viva Bolívar!

3 comentários:

Fael disse...

Muito bom este seu desabafo samir. Você, com sua forma peculiar de se expressar, tocou no cerne da questão: o que serve a constatação da nossa realidade se não sabemos a razão pela qual isto se constata?

edgardocavaco disse...

Fael falou bonito, mas o Samir me assustou com o titulo do post...

Anônimo disse...

Algum debil-mental publicou meu texto no Observatório de Imprensa [:P]

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=462FDS004