quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O neo-neoliberalismo do governo Lula

O governo Lula continuou com privatizações, sob outros nomes, como Serviço Florestal Brasileiro (SFB), ProUni, Parcerias Público-Privadas (PPP). Deve ser um neo-neoliberalismo.

Por Antônio Júlio de Menezes Neto*, originalmente publicado no Correio da Cidadania em 3 de junho de 2008

O governo petista sempre aponta, com toda razão, que o governo tucano era neoliberal, pois privatizou diversas empresas estatais. Essas denúncias são importantes, pois apontam a ideologia presente na idéia privatizante, qual seja, a da superioridade da esfera privada em detrimento da pública.

A idéia neoliberal ganhou força nos anos 1970, um período de crise do capitalismo, no qual os empresários começaram a questionar os impostos que pagavam, dizendo ser o Estado ineficiente para gerir estes recursos. Questionaram, principalmente, os gastos sociais, como a previdência pública; diziam que, se o dinheiro ficasse com a iniciativa privada, ela seria mais competente na gestão econômica. Propuseram o desmanche do Estado de bem-estar social-democrata.

Assim, com o apoio de governos como o de Reagan e de Margareth Thatcher, a nova ideologia ganhou o mundo e, especificamente, países como o Brasil. Collor iniciou esse período e Fernando Henrique deu continuidade. Quando Lula assumiu, esperava-se, no mínimo, uma auditoria das privatizações. Mas, para surpresa, o governo não tomou nenhuma atitude, apesar de continuar denunciando as privatizações de FHC no palanque eleitoral.

Mas é importante relembrar que o único argumento que o governo Lula usou para dizer que não era neoliberal era o de que não havia privatizado as empresas que os tucanos também não privatizaram (Petrobras, Banco do Brasil, Correios etc.). E, para surpresa ainda maior, o governo Lula continuou com privatizações, sob outros nomes, como Serviço Florestal Brasileiro (SFB), ProUni, Parcerias Público-Privadas (PPP). Deve ser um neo-neoliberalismo. Vejamos estes exemplos:

1) Privatização do ensino superior: ao invés de investir no ensino superior público, preferiu beneficiar as escolas particulares, através do ProUni. Esta política visou “ajudar” as faculdades particulares, através de troca fiscal por vagas, muitas vezes em escolas de duvidosa qualidade. Alguns estudos mostram que, com os recursos do ProUni, poderiam ser abertas mais vagas no ensino público do que nas privadas.

2) Parcerias Público-Privadas: o projeto do governo federal propõe a criação de PPPs, começando com a privatização de nossas estradas.

3) Privatização de florestas: o governo passa a permitir a concessão de florestas públicas para manejo privado. Assim, o governo defende a superioridade da gestão florestal privada sobre a pública. Os riscos são evidentes, pois podemos ceder riquíssimos recursos naturais a empresas privadas, inclusive para multinacionais.

4) Reforma agrária de mercado: o governo tucano privatizou a reforma agrária através da compra de terras (Banco da Terra) pelo governo com empréstimos realizados junto ao BIRD. O governo Lula continuou com a mesma lógica política, só que agora com o nome de “Consolidação da Agricultura Familiar”. Planeja oferecer financiamento público para os sem-terra para a compra de terras privadas.

Os exemplos são muitos. Assim, o governo Lula necessita assumir, publicamente, sua nova face: a de neo-neoliberal.

* Antônio Júlio de Menezes Neto é sociólogo, doutor em Educação e professor universitário.

10 comentários:

Luciane Barbosa disse...

Muito bom Capilo, esse mito uma hora vai acabar!!

Anônimo disse...

que mito?

Que o PT esta seguindo a linha do governo do PSDB não é novidade nenhuma.

Como diz o texto, a unica mudança que se espera é do discurso do partido.

Porem vou levantar uma questao:
Voces não acham que houveram grandes avanços durante a gestao do PT?

Jacutinga disse...

Exatamente por isso que você faz essa pergunta!

=O

Não é o governo que é o mito! É o partido! Que nega a origem, que nega a luta de classes, o socialismo, e várias outras coisas..

Na minha opinião, se houve avanço foi através da forma de um planejamento neoliberal (privatizante - o Brasil produz mais, e daí? serve pra quem e pra quê?) e não uma mudança social para o desenvolvimento das condições materiais de existência daquele que vende a sua força de trabalho para o explorador.

Melinda Pratz disse...

Um pouco de teleologismo a partir de um trecho de uma entrevista do Luiz Werneck Vianna à também burguesa e neoliberal Folha de São Paulo.

"PT e PSDB repetem o quadro do Império, quando se dizia: nada mais parecido com um saquarema (conservador) do que um luzia (liberal) no poder. Trata-se de partidos nascidos do mundo do interesse paulista, com a tendência de liberar a economia dos constrangimentos políticos. Ambos com uma visão negativa da tradição republicana brasileira, assentada na denúncia do Estado patrimonial; ambos aderentes à teoria que considera o populismo como uma prática que mina a autenticidade da vida social. Tenho destacado essa comunhão interpretativa entre os dois, desde os anos 1980. São as torres gêmeas da ordem burguesa brasileira."

Como está difícil, em tempos de Obama-Rei, nos limparmos da pecha do colonialismo interpretativo, heim?

Anônimo disse...

Lula é um mito e, querendo vocês ou não, ele é o maior presidente que o Brasil já teve. Eu não sou pt, eu sou lulista. Eu acredito no Lula. Viva o lula lá.

Anônimo disse...

Devemos de certa forma reconhecer que esse pessoal que nos governa, embora discorde nos detalhes, não consegue se entender no essencial. O Lula é um instrumento de servidão para o povo e uma mera figura representativa para a quem ele realmente trabalha. Um homem de esquerda que vive a se disfarsar de direita. O que o seu governo tende a ser diferente do Fernando? -Nada. Apenas trocou-se as charretes pois os "cavalos" continuam os mesmos. Na história, todos os Governantes, em todas as suas formas de governo que não tenderam a elite, não vingaram. Thomas Mourus, escreveu um livro entitulado "UTOPIA", por ser dificil de ser alcançada. E, Robert Shaw, outro grande escritor, que vendo a desenfreada riqueza da Igreja Católica, as guerras e o Sistema Político de sua época, calou a todos com a seguinte frase:
"O homem na arte em si até que não evoluiu muito mas na arte da destruição superou-se a si próprio. O Pai é o Sistema, o Filho é o Judeu e o Espírito Santo e o Capitalismo. Aí está formada a Santissima Trindade.
JRN.

Luciane Barbosa disse...

Trecho - Escrito por Paulo Passarinho 30-Out-2008:

"(...) Por força do seu comportamento político, no momento mais crítico que enfrentou – por conta das lambanças do chamado mensalão –, contou com a solidariedade de John Snow, secretário do Tesouro norte-americano à época, e do próprio George Bush, que em diferentes visitas ao Brasil deixaram claro a sua confiança no presidente brasileiro. Dessa forma, soube enfrentar as perdas que essa crise produziu entre a sua própria equipe de confiança, e se reelegeu para o seu segundo mandato.

Agora, no meio do segundo ano deste seu segundo mandato, a conjuntura mundial financeira, sua principal aliada para os resultados positivos que apresenta em comparação com FHC, se alterou por completo. Mais grave: sob o ponto de vista internacional, a crise não é somente de natureza financeira, e apresenta conseqüências na esfera produtiva.

(...) Chegou a hora de Lula se reencontrar com a história que ele mesmo evitou, em 2002."

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2513/124/

Anônimo disse...

"A transformação do Brasil em sangue, a praga das desigualdades sociais, das enfermidades e dos espertalhões, até a morte da roubalheira, nada disso intimidou o Faraó Fernando(que só trabalhou para a elite). Mas fingiu que concedeu a libertação do povo brasileiro quando Lula Moíses(elitizado que finge que trabalha), o advertiu que a próxima praga seria um dilúvio de economistas. Era o Brasil saindo de um cano e entrando em outro." Segundo Arnaldo Jabour enquanto houver planos de governo, pobres idealistas e política, o humor não acaba.
JRN

Anônimo disse...

Ha... qual é JRN, vai ficar citando arnaldo jabour para ficar fundamentando suas idéias! Isso é que é uma verdadeira comédia.

Parabéns pelo seu bom humor.

Anônimo disse...

Ha... você quer falar sobre fundamento! Sem querer causar constrangimento mas fundamento mesmo tem a galinha pois sendo de várias cores o ovo no fim é sempre branco mas não fica tristinha não anônima pois o chato pro comediante é quando quem ri por último está sentado na primeira fila. Agradeço ao senhor Capilo pelo excelente texto escolhido e pela explanação a pelo objetivo que tende a alcançar.
E esta e uma lembrança minha para a anônima: "Se o paraíso fosse nos Estados Unidos, Adão teria enlatado o fruto proibido." Ha... já ia me esquecendo eu não disse que o texto era do Arnaldo eu simplismente o citei pois adoro seus comentários. Chico Caruso também já disse isso,Roberto Freire, Darci Ribeiro, Vinicios,
Luiz Fernando Verissimo, Juca Chaves, Chico Anisio, etc.
Isso também é do Arco da Velha(se lembra).