quinta-feira, 29 de abril de 2010

[PENSÃO DA VIÚVA] Carta resposta à Câmara de Vereadores de Valença publicada pelo Jornal Local em 29/04/10

Ao ler o informe publicitário publicado neste prestigioso jornal pela Câmara Municipal acusando nós “blogueiros” de termos “claro objetivo de jogar a população contra o trabalho do Poder Legislativo”, eu percebo que aquela Casa de Leis e seus componentes se assemelham ao marido traído que pegou a esposa com outro no sofá da sala e vendeu o sofá, achando que assim se livraria do culpado da traição.

Ora, nobres vereadores, quem joga a população contra o trabalho do Poder Legislativo são vossas próprias excelências, com raras exceções, ao não cumprirem dignamente o papel de representar a população e fiscalizar a coisa pública, recebendo pra isso um salário de nababo. Quem joga a população contra a Câmara é a aprovação, por esta Casa, da doação absurda do terreno de uma escola pública (Polo Agrícola) a uma empresa privada; quem joga a população contra os vereadores é a omissão da maioria aos desmandos do prefeito Vicente Guedes, como foi na questão da CEDAE, do fechamento das escolas rurais, da falta de transparência na fiscalização do fundo de previdência municipal, da agressão à lei do plano diretor participativo... quem joga a população contra vocês são vocês próprios quando são omissos, incompetentes, fisiológicos, demagógicos e clientelistas.

O que a nota paga pelos vereadores não menciona são as palavras do vereador Naldo (PMDB), líder “informal” do governo Vicente Guedes, na ata da sessão de 29/3/2010, que “pediu aos Vereadores que façam uma emenda estendendo também os benefícios às viúvas dos Vereadores, para que fiquem amparadas. Pediu que todos assinem(sic) e aprovem(sic) o mais rápido possível, pois estarão fazendo justiça por tudo que o Prefeito Fernando Graça fez por Valença”. E como o conteúdo da mensagem que gerou o mal fadado Projeto de Lei Orgânica n.01/2010 não estava às vistas, eu pergunto de quem foi a má interpretação do projeto?

Por isso tudo, sugiro aos nobres edis que ao invés de ficar gastando o dinheiro público com notinha paga, mudem a visão que Valença tem desta Casa, com trabalho e honestidade. O recado das últimas eleições foi claro: 80% dos vereadores foram reprovados nas urnas e não se reelegeram e, pelo andar das coisas, daqui a dois anos a estória vai se repetir.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Clube dos Coroados 74 anos


Ps: quem quiser assistir meu show de basquete, é só passar lá!

E logo após o festival...




segunda-feira, 26 de abril de 2010

Há luz no fim do túnel?

Palavras do vereador Luiz Antônio (ZAN - PSC) na ata do dia 12-04-2010, na Câmara dos Vereadores de Valença:

"O Vereador Luiz Antônio R. de Assumpção Filho (Zan) cumprimentou a todos. Comentou sobre a CEDAE, uma empresa que covardemente se instalou no Município de Valença, com aval do Prefeito Vicente Guedes, do Secretário de Obras do Estado do Rio de Janeiro, Pezão, e do Governador Sérgio Cabral. Disse que o único Município que a empresa entrou, depois de se tornar sociedade de economia mista, foi Valença, e com certeza estão perdidos no que tange aos parâmetros jurídicos, dispensando licitação. Reiterou que é uma covardia com o povo de Valença, e acima de tudo com os moradores do Bairro Santa Cruz, explicando que no dia primeiro de abril a CEDAE entrou com retro-escavadeira, cano, mão de obra, abrindo buracos, e até hoje o referido bairro encontra-se sem o calçamento na posição. Disse que a CEDAE informou que só troca o cano e que a Prefeitura Municipal é quem põe o calçamento. Acha um absurdo e a população não pode aceitar. Disse que há um mês atrás o Governador Sérgio Cabral falou que os
moradores iriam pagar tarifa de R$ 21,16, e esclareceu que a população valenciana está recebendo contas com valores superiores e no escritório da CEDAE dizem que não sabem de nada. Comentou que o Vereador que o antecedeu disse que o Prefeito Vicente Guedes cumpre todos os compromissos que assume e perguntou cadê os 25% dos royalties que iriam ser usados na saúde. Explicou que não veio nem 1% e que a saúde está sucateada. Denunciou que tem um homem mandando na saúde em Valença, de nome João Domingos, que foi preso pela Polícia Federal, e está dentro da Secretaria de Saúde do 117 município de Valença e no Hospital Geral. Perguntou cadê os R$ 70.000,00 que iriam passar para a empresa de ônibus do Sr. Miguel, esclarecendo que não chegou nem um centavo. Disse que tratar de boca é mole, o difícil é cumprir. Perguntou ainda cadê a aceleração do processo em Brasília, e quer que o Prefeito Vicente Guedes fique, mas que tenha a dignidade de acabar com a instabilidade política em nosso município. Falou que quer manter sua independência de chegar à Tribuna e falar o que pensa, não quer trocar sua palavra por um abraço, um colégio ou uma creche. Disse que o Prefeito Vicente Guedes tem que fazer o que Valença precisa. Tem certeza que as reivindicações que trás à Tribuna são do povo valenciano e que aqui é terra de gente séria e honesta. Não admite falta de respeito e humilhação com seu povo, e que é parceiro de quem é bom de trato, quem fala que vai fazer e cumpre"

Leia a íntegra da sessão clicando AQUI

Enchente no Rio - Documentário exclusivo [contém palavrões]



Madrugada do dia 06 de Abril de 2010.

- 10 horas de trânsito
- Mais de 200 mortos
- 5° enchente mais fatal do mundo

Foi uma das situações mais impressionantes que já passamos. Nada tão radical, tão estranho e chocante. Tínhamos a idéia de navegar com nosso bote pela cidade, no meio da enchente, para saber na REALIDADE como era estar em primeira pessoa numa enchente dessas.
Mas o que era pra ser uma mera intervenção, se transformou num caos.

Descobrimos que, por flutuarmos com um bote, estávamos em terra de cegos! Logo, muita revolta e aplausos soaram quando estávamos filmando. A população quis se manifestar e recolhemos os depoimentos mais intensos possíveis. Tudo corria num ritmo estranho até chegarmos a Praça da Bandeira(meca do alagamento), de cara sofremos censura de um policial militar que nos chamou de "palhaços", não que não sejamos, mas ele quis, aos berros, nos fazer parar de filmar. Conseguiu nos assustar por pouco tempo, e mais alguns metros a frente encontramos mais de 7 pessoas em situações críticas, principalmente dois idosos em estado lamentável. Foi assim, que largamos a câmera, o show, a intenvenção, o idealismo, para começar a resgatar essas pessoas. Foda-se esse lance de herói. Tem horas que você faz coisas por reflexo e não por que se acha capaz.

Desde já queremos dizer que NEM TUDO que é dito pelas pessoas aqui reflete o pensamento do Rizoma, e talvez nem o pensamento de quem falou. Porque a questão aqui não é refletir pensamentos e sim emoções, de quem estava no meio de uma situação extrema e fatal, para muitos. Vocês vão ver muitos palavrões e ofensas, mas certamente isso não é nada perto de mais de 100 pessoas mortas, se isso representa um manifesto humano. Primeiramente íamos colocar a famosa censura ao palavreado chulo, mas seria hipócrita em uma situação como essa, todo mundo sabe o que se diz, mas quer esconder e esse "documentarismo-radical" não vem pra esconder e sim pra revelar. Tragédia, emoção e limite emocional.

Tínhamos entusiasmo, um bote e uma corda.

Retirado do sítio do Grupo Rizoma

Assembleia de Educadores - 27/4 - 17:30 - CE Benjamin Guimarães

domingo, 25 de abril de 2010

Entrevista com Gas-pa e Mimil, do coletivo Lutarmada

Entrevista publicada na edição número 26 do VQ impresso, com Gas-pa e Mimil, integrantes do Coletivo de Hip Hop Lutarmada.

O surgimento do LUTARMADA
Gas-pa - Tinha uma galera aqui no Morro da Lagartixa que se reunia todos os domingos na casa de um parceiro, para beber cerveja e escutar rap. Eu tenho uma formação no hip-hop lá da virada de 1989, quando o hip-hop era majoritariamente combativo. Como vejo este forte teor político no hip-hop, propus à galera que a gente continuasse se reunindo. Mas a cerveja e o rap viriam depois de um filme que refletisse a nossa realidade ou a realidade de um povo parecido com o nosso, gerando debates sobre nosso cotidiano. A galera gostou da idéia e começamos a fazer isso. Na verdade, eu já propus com segundas intenções. Sempre sonhei com uma organização de hip-hop como foi o movimento punk nos anos 1970 e 1980, para que a gente pudesse intervir na comunidade da gente.

Dois filmes foram determinantes para a formação do Luta Armada. O primeiro foi o Black Panters, com a reflexão sobre a possibilidade de intervenção de um grupo de jovens na sociedade. Fala da organização que nasceu da rebeldia de dois jovens e virou o partido de esquerda de maior expressão dos EUA, tudo com um corte racial muito forte. Depois foi o Lamarca. Nesse filme há uma fala do Lamarca, voltando do Canal do Suez, quando toma consciência de classe, onde há uma viatura militar vindo logo atrás de um pau de arara. Na cena, ele começa a reparar naquele povo, um monte de bóia fria indo trabalhar e diz: “o milagre brasileiro ainda não chegou aqui, a gente precisa arrumar um jeito de ajudar nosso povo a enxergar as condições miseráveis em que vive”. Isso não é muito diferente da realidade da nossa vizinhança. Nosso povo está tão habituado a viver nessas condições, que parece não saber o que é viver com mais dignidade. No debate, chegamos à conclusão de que é possível fazer as pessoas enxergarem um mundo além de exploração, competição, violência e indignidade. Então, a fala do Lamarca foi muito importante.

A partir disso, propus que a gente se organizasse, com um objetivo além da música. Falei: “beleza, a gente tem esse intuito de chamar o povo pra reagir, mas só com a música não dá”. Olha só quantas armas a classe dominante tem contra gente: a televisão, a revista, a música, a escola, a igreja, o exército, a polícia. Temos que transpor a barreira da arte e atuar em outras frentes. E daí ficou Luta Armada. Isso faz três anos e devíamos ser umas 15 pessoas. Hoje, nós contamos com mais gente. Fizemos uma carta de princípios, que chamamos de bilhete de princípios, porque é muito pequenininho. Não queríamos colocar ninguém em camisa de força.

O ponto principal é a constante busca e a socialização da informação. Mas, como socializar essa informação? Começamos a organizar palestras aqui na comunidade e outras atividades artísticas para provocar debates. O que fazíamos com os filmes apenas entre nós, passamos a fazer para comunidade. Por exemplo, há um evento anual, o “Hip-hop ao trabalho”, no qual a gente junta as quatro artes do hip-hop, esporte de ação, basquete, trançagem (sic) de cabelo. A partir disso discutimos a relação de trabalho nos nossos dias.

Não podemos perder de vista que somos um grupo cultural, mas somos diferentes por conta de um compromisso com a revolução. Partir para a ação, pra gente, significa isso.


Mimil - Conheci o Luta Armada no “Hip-hop ao trabalho”. Lá, vi o Gas-PA cantando e depois fui apresentada a ele pelo Flávio, um amigo meu, também fundador do Luta Armada. Gas-PA me perguntou se eu gostava de ler e me emprestou o livro Capitalismo para principiantes. Li o livro, gostei e peguei outros com ele, quando me perguntou se eu queria entrar no Luta Armada. Antes eu ouvia todo tipo de música e quando ouvi rap pela primeira vez falei: “essa música é que é boa”. Conheci o hip-hop e estou começando a grafitar. Minha formação política começou por causa do coletivo. O primeiro livro político que eu li foi o que Gas-PA me emprestou.

Não tinha ouvido falar em rap e percebi que era uma coisa diferente. O cara falava da realidade, falava do que acontece quando você usa drogas. O funk só fala que é bom e o rap não. Achei isso maneiro e comecei a curtir.

Gas-PA- Comecei a prestar mais atenção no rap, porque também mexia mais comigo. Eu andava de bike e rap é uma música comum entre os que praticam o esporte. Em 1991, o Public Enemy, referência no rap mundial, fez um show em São Paulo. Eu nunca tinha saído do Rio. Fui para São Paulo e fiquei impressionado como o hip-hop já tinha uma força, como o movimento era grande por lá e fazia parte do cotidiano das pessoas. Soube que existia todo um universo em torno do movimento que eu desconhecia.

Comecei a pesquisar, vi que era aquilo que eu queria e hoje o hip-hop é responsável pela minha consciência. Costumo dizer que eu sou preto desde 1991. Antes eu era qualquer coisa. Pretos eram meus amigos mais escuros do que eu, vítimas de um monte de piadas minhas.

Comecei a questionar o porquê daqueles caras, que eram como eu, falarem tantas coisas desconhecidas para mim e o porquê do discurso deles ser tão articulado.


Gás-PA- No meu caso, o fator étnico é bem presente. O rap nasceu do Dub. Um cara tocava Dub na Jamaica e o levou pra Nova York. Não pegou do jeito que ele esperava, então ele fez os improvisos em cima do funk e do soul. Essa coisa étnica, dos ritmos vindos da África, não tem como não tocar a gente.

O que é chamado de funk no Rio de Janeiro só é predominante aqui. Em outras regiões do Brasil, a grande mídia faz um esforço tremendo para que ele faça sucesso. Em São Paulo, por exemplo, o hip-hop é muito forte e o funk quase não tem espaço. E o rap comercial, que está na grande mídia, tem muito peso, é o que mais toca em todo lugar.

Todo movimento sério sofre deformações da mídia. O MST, por exemplo, é a mesma coisa. Desmoralizar esses movimentos é importante para deixá-los mais fracos. Com a força do movimento nos EUA, o governo americano e a mídia americana começaram a prestar atenção no hip-hop.

George Bush, o pai, então presidente, se reuniu na Casa Branca com o grupo NWA, que era a maior expressão do gangster rap na época. A partir desse encontro a indústria fonográfica passou a investir pesado nesses grupos do gangster rap.

Aquele discurso de “vamos nos unir pra lutar contra opressão” deu lugar ao “sou da Costa Leste e vou dar um tiro no outro que é da Costa Oeste”. Veio o rap ostensivo, com carrão, jóias caras, iates, mansões, muita ostentação. Inclusive a mulher acabou sendo mais um objeto de ostentação. Grupos como o Public Enemy acabaram sendo esquecidos pela grande mídia e, conseqüentemente, pela grande massa.

Tem uma galera no Brasil fazendo um rap mais combativo. Pelo que eu sei, o Brasil é um dos lugares onde isso é mais forte. Já escutei isso do líder do Public Enemy. É a periferia mesmo que vai ser sempre o lugar desse hip-hop combativo, não tem como nascer em outro lugar.

Eu sou um admirado do sampler. Acho que samplear é uma arte. É mais do que pegar uma música e sair cantando em cima. As pessoas acham que não existe criação ali. Mas tem que procurar uma música que combine com o tema, fazer uma pesquisa, já que você tem que causar emoção por meio daquela música.

Mimil- As músicas que eu canto mostram bastante a realidade e tentam chamar a atenção das pessoas pra isso. A música “O bonde da revolução" chama a pessoa pra esse movimento de mudança. Uma das músicas que mais gosto de cantar é:

“Brotando do chão da periferia
A indignação se transforma em poesia
Que desvenda os olhos
E destapa os ouvidos
Pra fatos esquecidos ou que estavam escondidos
Como a guerrilha do Araguaia no regime militar
Pedaço da nossa história que a imprensa não pôde contar
Hass Sobrinho, Osvaldão, Elza Monerat
Quando ouvir nosso som você vai se lembrar
Dos pretos estadunidenses
No instante seguinte
Ao assassinato do pastor Martin Luther King
Vai lembrar do seqüestro do embaixador suíço
Trocado por 70 presos políticos
Dos quartéis, dos presídios direto pro exílio
E no Chile de Allende foram acolhidos
Obra assinada pela VPR de Lamarca, companheiro de Iara Iavelberg”


Sobre violência policial nas comunidades
Gas-pa canta: “Sexo masculino, descendente africano, jovem, entre 15 e 21 anos, se você se enquadra nessa descrição, fique ligado irmão porque eles estão a sua intenção”.

Mimil - A polícia está muito violenta hoje em dia e isso é visto como natural. Lembro da última operação na Favela da Coréia, onde morreram 12 pessoas. Uma repórter entrevistou o comandante da operação e perguntou se ele achou a operação foi bem sucedida. Ele disse que não podia chamá-la de bem sucedida, já que foram perdidas duas vidas. Aí a repórter perguntou: “Mas não morreram 12?”. Ele respondeu: “É, morreram 12, mas dez eram bandidos. Perdemos um policial e uma criança”. Quer dizer, bandido não é ser humano.

Eles investem maciçamente para que o resto da população aceite essa violência, seja sentindo medo, seja achando bom. Esse filme Tropa de Elite é um exemplo. Eu conheço gente aqui no morro que acha o filme maneiro, porque acha bonito ver o BOPE matando os bandidos, mas não lembra o que acontece quando eles vêm aqui. A porta da minha casa está lá quebrada, a gente só encosta, porque a policia entrou um dia aqui e colocou a porta no chão, sem mais nem menos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Entrevista com Jailson de Souza

Na primeira edição do Valença em Questão, em abril de 2005, o entrevistado era o professor Jailson de Souza. Abaixo segue a entrevista que ele concedeu ao jornal. Embora tenha sido feita há cinco anos, o papo não ficou ultrapassado. Jailson é autor do livro Porque uns e não outros (foi sua tese de doutorado) e em parceria com Jorge Barbosa do livro Favela: alegria e dor na cidade.
Filho de migrantes nordestinos, Jaílson de Souza e Silva, nome tipicamente brasileiro, sempre morou na periferia carioca. Hoje é professor na Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor executivo da OSCIP (Organizacão da Sociedade Civil de Interesse Público) Observatório de Favelas do Rio de Janeiro. Mas a sua história inicia-se um pouco antes. Aos 13 anos envolveu-se com a Igreja, uma das poucas opções de grupos durante a ditadura militar no Brasil. Em 1980 foi o primeiro da família a ingressar na universidade. O curso de geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o fez descobrir um pensamento político “que consolida todo meu sentimento de indignação com o capitalismo”. E também pedir demissão do emprego de entregador, já que o curso era em horário integral, causando conflito em casa. “Fez 18 anos, tem que trabalhar, era o que pensavam meus pais”, lembra. Na faculdade participou da Organização Revolucionária do movimento estudantil, e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) na sua fundação.


História de vida
“Por que uns e não outros”, esse é o nome da minha tese de doutorado. Nela procuro tentar entender a minha trajetória, porque consegui entrar na universidade e permanecer, enquanto tantos não conseguem. Defendo que é o sujeito que faz a sua própria história. As pessoas, a partir de vínculos sociais, vão incorporando um conjunto de práticas que interferem o nosso jeito (de falar, vestir, etc.), e ao mesmo tempo eliminamos a interioridade. A objetividade das estruturas e a subjetividade do ser vão se entrelaçando e constituindo um ente social. O que ocorre é que esse ser social se conforma com esse entrelaçamento das estruturas. Mas quem confere sentido à vida somos nós. Não consigo entender como é possível viver num mundo tão desigual, marcado pela naturalização da pobreza, da exploração e da miséria e ficar conformado com isso.

Creditei a mim a possibilidade de criar redes de articulação que rompam com dois princípios que norteiam a vida hoje em dia, em particular da juventude. É o que chamo de presentificação e particularização da existência. Segundo Espinosa, prazer é o que dá retorno imediato. E alegria o que traz retorno a longo prazo. Costumo dar o exemplo do vestibular. Para você passar, você precisa abrir mão de prazeres imediatos: sair, ir a uma festa, namorar. Isso em busca de um objetivo menos imediato. O nosso desafio na vida é conciliar o prazer e a alegria.

Cidadania e Solidariedade
Se o cara está numa vida presentificada, ele não consegue construir um projeto para o futuro, seja pessoal ou coletivo. A particularização da existência é uma característica muito presente, desde um condomínio na Barra da Tijuca, até a Favela. Onde o cara vive a partir de regras particulares, impedindo cada vez mais a capacidade de ver o outro. Valença por exemplo: a pessoa não se sente cidadão da cidade, mas efetivamente do bairro, do lugar. Então, o cara bota uma quadra ali, dá um jogo de camisa, dá um tijolo para casa dele. Ele se sente de Valença por um lado, mas não se sente da polis de Valença por outro, acaba reduzindo a vida dele às coisas mais particulares. E termina não só vendendo o voto dele, mas não se considera cidadão brasileiro, não se sente responsável pelos problemas. O massacre que está acontecendo no Iraque, a chacina na Baixada Fluminense, ele não se sente solidário a isso, no sentido de tentar se envolver e pensar em outra globalização, em outra realidade possível.

Inserção no mundo
A particularização e presentificação da existência cria mais possibilidades de conflito com o outro. Quando se tem a naturalização da desigualdade, da intolerância, da violência em relação ao outro, é preciso ampliar o tempo e espaços sociais para que as pessoas tenham uma dimensão do coletivo. É preciso afirmar a sua identidade, ele precisa se reconhecer como o seu lugar e ao mesmo tempo ter noção da sua inserção no mundo. Caso contrário, ele fica desenraizado, e a consciência de sua origem popular é referência para conseguir se projetar no mundo. O cara que tem acesso à universidade, à arte, a línguas estrangeiras ou informática, acaba tendo uma visão mais aberta, tem suas possibilidades ampliadas. Esse processo de ampliação do tempo e espaços é que vai definir como vamos interferir na solução de políticas públicas.

Juventude
Minha crença não se sustenta na razão. Se sustenta na necessidade profunda que a gente tem de dar sentido a nossas vidas. Hoje a juventude é profundamente desrespeitada, a sociedade vê o jovem a partir da sua incompletude, e por isso tem que definir limites. O juízo em relação à juventude é que ela não tem rumo. E vivemos numa sociedade onde o consumo é o eixo fundamental da vida. Um garoto que tem um carro, um apartamento, mesmo que ele seja um cara egoísta, racista, mesmo que seja incapaz de lidar com a diferença, seja desrespeitoso, ele vai ser tratado como alguém que venceu na vida. E outro, que pode não ter a mesma trajetória mas é um cara generoso, fraterno, justo, tenta viver do que acredita, e por isso ganha menos grana, esse vai ser considerado derrotado. A juventude é obrigada a viver numa situação cada vez mais marcada pela exclusão do mercado, é obrigada a gostar do projeto que é através do consumo que vai se definir as hierarquias sociais e ele tem que achar o lugar dele.

Drogas
Quando a juventude busca alternativas nas drogas, é porque ela não vê nenhum significado na vida. A sociedade não cria condições para que a juventude, crianças e adolescentes, dêem qualquer significado à vida, porque o mundo é marcado pela lógica do consumo. O que o capitalismo mais produz é carência. O cara tem um Audi A3, ele quer um A4. O consumo como centro da vida obriga os jovens a buscar outros caminhos.

Numa sociedade drogada, tem-se que pensar quais são as drogas existentes. Porque temam em pensar apenas nas drogas ilícitas ou nas lícitas. Mas as práticas que levam à ausência de significado da vida não são discutidas. Pais consumistas, egoístas, racistas, acham que o filho é o problema. Não é que o filho não tenha problema, mas eles não se sentem minimamente responsáveis por esse processo. Numa sociedade marcada pela repressão, marcada por duas famílias que dominam a cidade, marcada por uma lógica onde não há espaço para decisão, onde a juventude não tem poder algum, não se pode falar que os jovens não sabem o que querem da vida.

Papel do jovem
Aqui no Rio de Janeiro, na década de 90 fecharam o Circo voador e proibiu-se bailes funk. Sempre a solução é reprimir os jovens para que tenham limites. E não se percebe que você deve dar poder ao jovem para que ele possa definir os canais. Porque o jovem, com todo esse limite da presentificação ainda é o cara mais aberto para viver a vocação da cidade, que é o encontro das diferenças.

O jovem vai ter um papel fundamental no sentido de construção da cidade como espaço de encontro. Mas para isso ele tem que ser ouvido. Tem que garantir espaços para ele. O jovem é sempre objeto do projeto social, e nunca o sujeito do projeto. Em vez dele estar à frente ao projeto, a sociedade inventa um projeto social para os jovens, em especial para o pobre. ‘Vamos fazer uma quadra ali, um projeto de música, dança, para ocupar o tempo dos jovens e eles não fazerem merda’. E não pensam em como eles podem utilizar suas habilidades para ajudar a melhorar a sua comunidade, com autonomia. Intervenções no meio ambiente, trabalho com idosos, trabalho com crianças, um trabalho educacional, um trabalho cultural, tudo isso os jovens podem fazer. O nosso desafio é reconhecer no jovem o ator fundamental e não como objeto da política pública.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária




A Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária é realizada em memória dos 19 companheiros assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás, durante operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996. O dia 17 de abril, data do massacre que teve repercussão internacional, tornou-se o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

Depois de 14 anos, o país ainda não resolveu os problemas dos pobres do campo, que continuam sendo alvo da violência dos fazendeiros e da impunidade da justiça. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram assassinados 1.546 trabalhadores rurais entre 1985 e 2009. Em 2009, foram 25 mortos pelo latifúndio. Do total de conflitos, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso.

*As principais reividicações desta jornada segue na postagem abaixo.

O QUE QUEREMOS NA NOSSA JORNADA

ABRIL É MÊS DE LUTA pela Reforma Agrária, quando a sua bandeira é fincada nos latifúndios e tremula nas ruas das cidades.

Um projeto que tem necessariamente que resolver dois problemas históricos, que emperram as transformações do Brasil: a estrutura agrária injusta (concentradora de terra, de riqueza e poder político), e o modelo de desenvolvimento (que sempre produziu monocultura para exportação).

Vamos trazer presente na nossa Jornada que a Reforma Agrária é um projeto de interesse de toda a sociedade, e não apenas uma disputa entre os pobres sem-terra despossuídos e os abastados latifundiários.

Se do ponto de vista do desenvolvimento capitalista a Reforma Agrária foi descartada, para nós, Sem Terra, ela continua indispensável.

Abril também é mês de apresentar propostas para o Estado. Em sintonia, temos que aproveitar a força das lutas para negociar com bancos, prefeitos, governos estaduais e federal, superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nos estados e em Brasília.

São as conquistas econômicas concretas e conquistas políticas que fazem avançar a luta pela Reforma Agrária.

Vamos retomar os pontos de pauta de agosto do ano passado, quando realizamos marchas, lutas e montamos o Acampamento Nacional em Brasília. O conjunto do governo se comprometeu publicamente em cumprir com o acordado. Confiantes no acordo, desmobilizamos o Acampamento. Temos, agora, que retomar os pontos pendentes:

1. Atualização dos índices de produtividade

Lembrar o governo da dívida e do compromisso assumido publicamente nas negociações de agosto. O compromisso era fazer a atualização até o final do ano passado. Vamos cobrar o governo para que o compromisso seja cumprido.

2. Orçamento do Incra para a Reforma Agrária

O governo prometeu complementar o orçamento de 2009 em R$ 380 milhões para desapropriação de terras. Além de o governo não cumprir, deixou de aplicar R$ 190 milhões de um pacote de áreas que já estavam encaminhadas para imissão de posse, no final de dezembro.

Vamos reivindicar que o governo encaminhe com urgência ao Congresso um projeto de lei para o suplemento orçamentário para obtenção de terras neste ano.

Como não foi feito, o orçamento de 2010 foi reduzido para apenas R$ 480 milhões e está comprometido com áreas desapropriadas no ano passado. Portanto, para que o Incra possa responder a uma meta mínima, necessita de um suplemento orçamentário de pelo menos R$ 1,3 bilhões.

3. Assentamento das famílias acampadas do MST

Apesar das tentativas da burguesia de criminalizar a nossa luta, ainda temos mais de 90 mil famílias acampadas. O governo assumiu em 2003 o compromisso de assentar todas as famílias acampadas. Isso é prioritário. Aí está a essência do enfrentamento ao latifúndio. As nossas propostas são as seguintes:

a) Priorizar desapropriações de terras para o assentamento de todas as famílias acampadas do MST, conforme as negociações de agosto. Das 8 mil famílias novas assentadas em 2009, o nosso Movimento praticamente não foi contemplado. Aliás, esse número explicita claramente a falta de prioridade do governo.

b) Garantir recursos para as superintendências nos estados planejarem metas de vistoria e avaliações de imóveis para desapropriações, além de condições para manter as equipes técnicas em campo.

c) Priorizar o assentamento de novas famílias nas regiões de maiores conflitos e de maior mobilização, onde se concentram as famílias acampadas.

4. Crédito para Implantação

Mesmo com avanços importantes em função das mobilizações nacionais, principalmente com os chamados Créditos de Instalação (fomento, apoio mulher, habitação e semiárido), as dificuldades atuais estão na aplicação dos recursos.

A maioria dos servidores do Incra tem engessado o processo de aplicação dos créditos, que tem também aumentado consideravelmente os custos e a necessidade de funcionários. Esses servidores públicos poderiam atuar em outras atividades, ampliando consideravelmente a capacidade de operação.

Vamos fazer duas propostas: a edição de uma portaria para desburocratizar a aplicação desses créditos, garantindo mais rapidez e agilidade; e o estabelecimento da unificação dos procedimentos operacionais e repasse para as superintendências.

No caso do fomento de apoio às mulheres assentadas, o crédito foi regulamentado e, desde 2000, todas têm esse direito garantido. No entanto, a maiorias das secretarias regionais do Incra não aplicaram nenhum crédito dessa modalidade.

5. Crédito de investimentos e custeio

Infelizmente, as nossas propostas de criação de uma modalidade de crédito de investimento que se adaptasse à realidade dos assentamentos não foram atendidas.

O governo mantém os assentados na linha “A” do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que é insuficiente, não atende às necessidades e criou uma geração de inadimplentes. Até agora, a opção do governo tem sido apenas fazer ajustes.

É necessário continuar a pressão para que os assentados tenham uma linha de crédito específica. No entanto, vamos construir uma alternativa de negociação, propondo perdão ou anistia a todas as dívidas dos assentamentos, para que as famílias possam acessar novo crédito.

Vamos cobrar também a regulamentação do Programa de Assistência Técnica e do Pronera, além de outros pontos específicos. A partir dessa Jornada, devemos nos preparar para apresentar propostas para mobilizar o conjunto da sociedade para, num futuro bem próximo, garantirmos a realização da Reforma Agrária, como determina a Constituição.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vencemos!!!!!!!!

Acabei de chegar da sessão da câmara dos vereadores. O projeto de lei foi retirado pelo poder executivo. Ganhamos todos!!!!!

Obrigado a todos que se preocuparam. A luta continua.

Capa da Veja desta semana

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Com Photoshop:


Sem Photoshop:

domingo, 18 de abril de 2010

Entrevista com Vivili Marques (candidata 2008)

Publicada na edição 34 do VQ impresso, segue abaixo a entrevista com a então candidata à prefeitura de Valença Vivili Marques.


O que a levou a ser candidata e qual seu histórico político?
Bem, entrei na política em 96. Fui convidada pelo então prefeito Fernando Graça a me candidatar a vereadora, para complementar a porcentagem de mulheres para a chapa.

Fui então participando do processo e vendo como as coisas desencadeavam. Naquele primeiro momento fui candidata e não pedi nenhum voto, devolvi todos os 5 mil santinhos ao ‘seu’ Fernando, porque eu entendia que se ele me deu e eu não gastei, eu tinha que devolver. E obtive 98 votos.

Daí eu pensei: se existem 98 pessoas que acreditam em você, sem fazer campanha, me despertou. a vontade de ser prefeita de Valença, essa vontade brotou no meu coração, porque dessa forma eu vou conseguir fazer as coisas caminharem com justiça, transparência e responsabilidade.

E continuei minha caminhada política sendo candidata a vereadora também em 2000 e 2004. Até que em 2007 o deputado Edson Albertassi fez o convite para eu ser candidata à prefeitura. Daí acreditei que meu trabalho estava sendo valorizado. Trabalhei na cultura, quando o Miúra me convidou para que eu estivesse à frente do casarão. Depois fui orientar o Onça a cortar árvores em Valença.

Até que fui convidada para a promoção social e comecei a desenvolver o Cemapo (Centro Municipal de Assistência à População de Rua). Consegui fazer o projeto junto ao Centro Espírita. E tentei disponibilizar junto à prefeitura os profissionais qualificados para o funcionamento do Centro e infelizmente esse projeto não foi levado adiante, por conta da política, porque eu seria candidata a vereadora.

Como é feito o financiamento da sua campanha?
Ainda bem que não temos esse rio verde que se apresenta nas outras candidaturas. Porque esses empresários que investem, investem com o intuito de receber algo em troca futuramente, uma contrapartida. A minha campanha é financiada através de colaborações das pessoas, os carros de som são amigos, as pessoas se oferecem para caminhar junto comigo. Que acreditam que nossa candidatura é uma luz no fim do túnel. Quem também nos ajuda é o deputado Edson Albertassi.

Qual o seu programa sobre educação?
Eu sou professora, pedagoga, psicopedagoga. A primeira atitude pra mim é reabrir as escolas de zona rural, mas não aceito de forma alguma turmas multiseriadas. Mas já me questionaram que eu iria gastar muito, porque eu iria ter quatro professoras por turma dando aula para dois ou três cada. E eu não vejo isso como gasto, vejo como investimento. E outra, eu não posso tratar os alunos da zona rural de forma diferente dos que o da zona urbana.

Na Associação Evangélica no Espaço de Jesus criamos uma escola que eu fui diretora e minha primeira preocupação foi dizer que a escola precisava de um pediatra, de um fisioterapeuta, de um fonoaudiólogo e uma nutricionista, e as creches hoje não oferecem nada disso, nem orientador pedagógico!

É necessário investir em escolas de tempo integral, porque é a possibilidade das mães deixarem os filhos seguros. Já que as mulheres em Valença têm grande facilidade de conseguir emprego, como faxineira, para tomar conta de criança e etc.

Também tem esse plano de carreira aceito agora, que tem que ser revisto. Porque daqui a alguns anos estaremos ganhando um salário de novo. E junto com o plano de carreira tem que ser revisto o regimento. Nós montamos um projeto que é o Escola da Família, que tem como objetivo abrir as escolas aos sábados e domingos e também nas férias de 8 as 17 horas. E qual é o gasto disso pra prefeitura? É só a equipe, e os benefícios são todos pra sociedade. E verba tem, estadual e federal, mas são perdidas por irresponsabilidade. Não adianta ser amigo do presidente, do governador, já ter sido prefeito e não querer fazer, falta vontade e amor que eles não tem. E eu posso garantir que isso eu tenho. E é possível se governar com transparência, com responsabilidade, com amor, porque nós amamos esse povo.

E os projetos para a saúde de nossa cidade?
Cada real investido na saúde vai ser por uma saúde de qualidade, e que ao invés de construir é melhor dar qualidade àqueles que já existem com profissionais de qualidade e com equipamento para eles exercerem um bom trabalho. Porque ficamos na dependência do funcionamento dos postos, que pouco funcionam, mas que na nossa gestão vão funcionar todos os dias 24 horas.

Em relação à falta de trabalho em Valença, quais são as soluções apontadas por você?
Uma de nossas ações é o primeiro emprego, reduzindo taxas para aqueles que empregarem jovens. Vamos fazer investimentos também na área de esporte, cultura e lazer. Que hoje os governantes encaram isso apenas como um gasto e não observam que isso resgata os jovens, que é na verdade um investimento.

Pretendo também criar escolas profissionalizantes e fazer parcerias com a FAA para aproveitar o potencial dela. Temos em Valença uma grande diversidade cultural e isso não é aproveitado, não se investe nisso. É um descaso! Vamos formar uma secretaria de juventude e uma coordenadoria das associações de moradores porque são eles que conhecem a fundo todas as necessidades de cada bairro.

Vou provar que uma Vivili sem sobrenome - o que parece ser essencial em Valença é de qual família você é – é capaz de fazer uma gestão da melhor forma para o povo, sendo ela totalmente democrática, e fazer Valença voltar ao desenvolvimento. Meus secretários serão aqueles que serão bons para o povo, com o prazo de seis meses para mostrar serviço. Porque a precariedade dos serviços é culpa tanto dos gestores quanto dos secretários, que são postos lá não porque são bons e sim por conchavo. Meu compromisso é com o povo, não sou técnica e nem tenho que ser técnica, tenho que ser gestora. Os técnicos serão meus secretários.

Qual o seu projeto em relação à Fundação Educacional Dom André Arcoverde?
Lei pra mim é pra ser cumprida, tem que se fazer valer o estatuto e o regimento da FAA. Nós vamos sentar e conversar com os dirigentes da Fundação e mostrar para eles a importância da FAA para o povo. E o povo só tem a ganhar, pois vamos agir sem politicagem e sem jogo de interesses.

Quais devem ser as formas de investimentos para que Valença encontre sua vocação econômica?
Nós vamos direcionar para todas as áreas possíveis, principalmente a agrícola. Vamos investir muito nas zonas rurais e proporcionar um meio de geração de renda a eles. Nós também somos a segunda maior bacia leiteira do estado. O secretário de agricultura vai ser indicação dos próprios agricultores.

Nós vamos fazer valer o plano diretor para habitação e conversaremos com esses grandes latifundiários para saber quais medidas devem ser tomadas. Vamos investir também no patrimônio cultural da cidade, nos nossos monumentos que estão destruídos. O casarão, por exemplo, serve de base de apoio para placa de candidatos, nunca vou colocar uma placa minha lá. É um desrespeito!

Qual seu projeto habitacional para a cidade e em especial sobre a ocupação Gisele Lima, na Varginha?
Uma coisa que sempre me preocupou foi a não continuidade das obras de um governo para o outro. Com esse olhar, a partir de primeiro de janeiro tudo o que não foi feito nós vamos fazer lá. Sabemos que em outubro foram liberados 117 mil reais para o termino das casas populares do Vadim Fonseca, e até hoje nada. É falta de respeito! Não tem compromisso, não tem transparência com as verbas públicas. Não se investe no saneamento, em estrutura, em nada. A legislação diz que é responsabilidade do município o saneamento básico, e eu vou cumprir a lei. Nós queremos propor um êxodo urbano, dando condições necessárias para as pessoas no campo. Queremos agrovilas, com estrutura. Só que não vou dar nada, porque quando é dado não se valoriza. Vou fazer um financiamento das casas.

Como você vê a privatização dos serviços públicos, como a água e o lixo por exemplo?
Tudo que é terceirizado objetiva o lucro. E nós vamos voltar a dar caráter publico aos serviços, porque havendo lucro, esse lucro volta para a população e não vai para as mãos de empresários.

Deixe uma mensagem final para os leitores do Valença em Questão
Vamos buscar a felicidade do povo valenciano. Eu quero fazer o povo valenciano voltar a sorrir. E se for da vontade de Deus eu vou fazer como prefeita, com muito respeito e seriedade, esse povo feliz de novo. Porque não estamos disputando uma eleição, estamos disputando uma geração, porque através das mudanças que vamos realizar mudará a vida de toda essa geração que esta sem perspectiva. Que Deus abençoe a mim e aos outro candidatos para que possam fazer uma campanha justa e com amor.

É como eu falo para vocês jovens: oportunidades na vida nós não podemos perder, pode ser qual ela for, abrace ela, faça o que esta no seu coração. E como isso já estava no meu coração e como eu creio num deus que tudo é em seu tempo, vi que essa era a minha hora. No meio desses que já tiveram suas oportunidades, eu possa vir a ser candidata para dar uma perspectiva aos jovens e à cidade. Sempre com justiça, respeito e transparência, que é o que o povo precisa.

sábado, 17 de abril de 2010

RELATÓRIO DA CPI DO TCE SOLICITA AO STJ O AFASTAMENTO DE GRACIOSA

Aprovado nesta terça-feira (13/04) pela Alerj, o relatório da CPI do TCE será enviado a mais de 10 órgãos, entre eles o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e os ministérios públicos Estadual e Federal, que receberá o documento de 349 páginas acompanhado da recomendação de que o TCE afaste “imediatamente” de suas funções o conselheiro José Gomes Graciosa.

A solicitação, feita em função da “gravidade dos fatos relatados” encabeça a lista de 37 sugestões que têm como base os mais de 12 meses de investigação e as 44 reuniões realizadas pela CPI. Para a presidente do colegiado, deputada Cidinha Campos (PDT), o trabalho foi muito prejudicado por decisões judiciais. “Não pudemos fazer o melhor porque a Justiça não nos deixou fazer melhor”, apontou. “Organizar o relatório, que tem mais de 300 páginas, foi doloroso, mas contei com o apoio de todo o meu gabinete. O relatório é muito bom diante das circunstâncias. Para mim, a Justiça impediu que o Graciosa estivesse preso hoje”, declarou a pedetista.

De acordo com Cidinha, a confirmação do envolvimento de Graciosa com corrupção demandou tempo. “Tínhamos a suspeita e passamos a ter a confirmação de que o Graciosa é mesmo uma pessoa corrupta, que não pode estar no Tribunal de Contas, e isto foi uma coisa demorada. Vai chegar uma hora em que ele vai ser preso. Quando isto acontecer, as pessoas vão dizer: a Cidinha já dizia isso antes. Então, de qualquer maneira, ele vai ser o meu ladrão porque fui a primeira a ter coragem de dizer que ele era ladrão”, desabafou.

O documento, elaborado pelo relator João Pedro (DEM), indica ainda o aprofundamento das investigações sobre o envolvimento do conselheiro Jonas Lopes e do ex-conselheiro José Leite Nader, a realização de concurso público “urgente” para o tribunal, a proibição da cessão de funcionários e a formação de quadro próprio funcional na área fazendária das prefeituras – especialmente no que se refere à atividade tributária e de arrecadação, proibindo a terceirização dessas atividades.

A CPI também recomenda que a Comissão de Tributação, Controle de Arrecadação e de Fiscalização dos Tributos Estaduais da Alerj realize inspeções regulares no Tribunal de Contas. Autor das sugestões mais técnicas, João Pedro defendeu o concurso. “A competência de fiscalizar tem que manter o Tribunal estanque aos demais órgãos e interesses, por isso o concurso é essencial”, explicou.

Outra novidade proposta é o Conselho Nacional dos Tribunais de Contas, nos moldes do Conselho Nacional de Justiça. A medida foi defendida em plenário pelo presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), que criticou a posição “acima da lei” da qual desfrutam os conselheiros. “O Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público já puniram muitos, mas ainda há um equivoco quanto aos Tribunais de Contas. Isso não foi corrigido, mas nada impede que seja. Sempre é possível avançar”, acentuou, antecipando o próximo passo. “Vamos rever a Lei Orgânica do Tribunal de Contas, dotá-la de maior transparência. Ao longo dos últimos anos, todos nos adaptamos aos mais modernos termos de administração pública. Isso deve ser estendido ao TCE”, argumentou.

No relatório há uma sequência de medidas para aumentar a transparência dos atos do TCE. Além da criação de uma comissão parlamentar para rever e dotar a Lei Orgânica do órgão de instrumentos com esta finalidade, o texto defende a divulgação na Internet de todos os cargos comissionados e a publicação de decisões - e suas fundamentações. O TCE também poderá ser instruído a publicar no Diário Oficial a movimentação mensal de processos e das gratificações, abonos e auxílios e do relatório trimestral de processos com mais de três anos de tramitação, além dos relatórios de auditorias e inspeções e do levantamento da situação de multas aplicadas.

Além do STJ e dos MPs, o relatório da CPI do TCE também será enviado para o próprio TCE, o Governo do estado, os tribunais eleitorais (regional e federal), a Receita e a Polícia federais e a Corregedoria da Alerj.


HISTÓRICO
Durante uma investigação de corrupção envolvendo prefeitos de Minas Gerais, a polícia descobriu que muitos administradores municipais recorriam à empresa SIM para resolver problemas na Justiça. Ao ingressarem na sede da SIM, em Belo Horizonte, os policiais encontraram documentos que comprovavam o serviço prestado pela empresa a prefeituras, que não eram caracterizados apenas por uma consultoria, mas por limpar o nome das cidades na Justiça para que estas pudessem voltar a receber verbas oficiais.

As investigações mostraram que o município de Carapebus, que estava com muita dificuldade de aprovar suas contas no ano de 2002, devido a muitas irregularidades, de repente, conseguiu resolver tudo pagando ao presidente do TCE, a quatro conselheiros e alguns assessores. A Polícia Federal de Minas encontrou uma descrição detalhada da estratégia para aprovar a contas de Carapebus e uma carta enviada à empresa SIM por um político do Rio chamado Álvaro Lopes, onde fica definido o valor de R$ 130 mil para pagar aos envolvidos no TCE-RJ. Nos últimos cinco anos, o município de Carapebus conseguiu aprovar todas as suas contas. Em dois desses anos, o relator foi o ex-conselheiro José Nader. (Texto de Fernanda Porto)

Fonte: sítio da Alerj

sexta-feira, 16 de abril de 2010

[Governador Fanfarrão] Sergio Cabral vetou em 2007 lei que daria 140 milhões para casas populares e tiraria centenas de pessoas das áreas de risco

O que o leitor pode ver abaixo (em negrito) foi extraído do notíciário da Assembléia Legislativa, na sua ordem do dia de 06 de dezembro de 2007. A casa legislativa informa sobre a votação de cinco vetos do governador Sérgio Cabral a projetos de lei. Entre eles, um de autoria dos deputados Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB), Gilberto Palmares (PT) e André Corrêa (PPS). Segundo este projeto, pelo menos 10% do Fundo Estadual de Combate à Pobreza seriam destinados ao Fundo de Habitação de Interesse Social, ou seja, para pessoas que viviam em condições precárias e em áreas de risco.

A Assembléia, com maioria governista, não conseguiu derrubar o veto. Se houvesse virado lei, certamente muitas das casas que ruíram nas últimas chuvas e mataram os seus ocupantes já estariam vazias e demolidas. Segundo um levantamento do deputado Comte Betancourt, do PPS, em 2008 e 2009, Cabral só aplicou 4,8 milhões neste Fundo de Habitação. Se não tivesse vetado a lei, disporia de 140 mihões com este objetivo.

ALERJ VOTARÁ CINCO VETOS DO EXECUTIVO A PROJETOS APROVADOS

A pauta desta quinta-feira (06/12/2007) trará cinco vetos totais do Poder Executivo a projetos de lei aprovados pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro nos últimos dois meses. A votação será nominal e os projetos precisarão da maioria absoluta de votos na Assembléia – o que significa a aprovação de 36 deputados – para derrubar o veto. Caso eles sejam derrubados, a Casa reenviará o projeto para o governador, que terá dois dias úteis para promulgá-los. Abaixo, a lista de projetos que foram vetados:

- Projeto de lei 698/07, do deputado Zito (PSDB), que daria o nome de “Avenida Governador Leonel de Moura Brizola” à Rodovia RJ-101, atual Avenida Presidente Kennedy.

- Projeto de lei 62/07, dos deputados Luiz Paulo (PSDB), André Corrêa (PPS) e Gilberto Palmares (PT), que destina pelo menos 10% do Fundo Estadual de Combate à Pobreza ao Fundo Estadual de Habitação de Interesse Social.

- Projeto de lei 282/07, do deputado Wilson Cabral, que determina a instalação de redutores de velocidade nas rodovias estaduais em áreas próximas a escolas públicas e privadas.

- Projeto de lei 26-A/07, do deputado Mário Marques (PSDB), que obriga os shoppings centers a reservarem um espaço para a instalação de postos de atendimento do Procon.

- Projeto de lei 423-A/07, do deputado João Pedro (DEM), que determina que o site do Governo estadual deverá trazer dados sobre a renda proveniente de espetáculos e jogos realizados em teatros e estádios estaduais, e também disponibilizar a venda on-line dos ingressos.

Retirado do Youpode

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Mobilização contra a lei da viúva: Proposta de atividade aos professores

A revolta contra o projeto de lei que garante pensão às viúvas de prefeitos com três mandatos continua a cresce em nossa cidade. O blog do Valença em Questão convida aos professores inconformados com a classe política valenciana, e brasileira, que reflitam junto com os seus alunos sobre a nossa política em sua forma bizarra com o nome de politicagem. Elaboramos uma oficina para os professores trabalharem o tema da política junto aos seus alunos.

A oficina consiste de 2 vídeos sobre política, 1 modelo de aula a ser dicutida em sala e a leitura de 2 textos.





O modelo de aula segue abaixo:

Tema da Aula: A política em nosso cotidiano

Antes de começarmos a aula de hoje, vamos imaginar a seguinte situação: nossa turma ganhou da direção da escola uma excursão. Somos trinta pessoas e cada aluno tem uma proposta diferente em relação ao destino da viagem. Temos então 30 possíveis caminhos. Qual dos 30 caminhos possíveis escolheremos?

Ao longo da história dos homens no tempo, a política foi o melhor caminho encontrado para resolver conflitos entre as pessoas. A política é a arte que permite vivermos conjuntamente sem recorrer à violência. Antes da política, a violência determinava aquilo que era certo ou errado. Os mais fortes comandavam e os mais fracos obedeciam. Quem não seguia a orientação do mais forte era morto.

Imagine como o personagem Jason do filme sexta feira treze resolveria, facilmente, o problema: - “Temos 30 pessoas que não pensam como eu, se eu matar 29 delas, a excursão será para onde eu quero”.

Sem recorrer à violência, temos que procurar outro caminho. A política é o caminho da não-violência. Um outro caminho possível é o diálogo entre os indivíduos. Começamos a conversar um com o outro até que um aluno pede a palavra: - “O caminho escolhido por mim deve ser seguido por todos porque Deus escolheu-me para guiar todos vocês. Quem ousaria duvidar da escolha de Deus?”

Misturar a política com religião pode se tornar um problema maior do que a solução. Não temos como saber se Deus, realmente, mandou um representante dele. Pior ainda, podem existir alunos que acreditam em Deuses diferentes ou que não acreditam em Deus algum.

O diálogo entre as pessoas continua até que outro aluno, silenciosamente, começa a oferecer dinheiro para os colegas que votarem na escolha dele para a excursão. Começa o burburinho na sala de aula: - “Estão sabendo turma, fulano está oferecendo dinheiro para votarmos na excursão dele!”. Segue-se outro aluno maravilhado: -“Caramba! Vamos ganhar dinheiro vendendo o nosso voto. Esse negócio de ficar pensando qual excursão melhor é muito chato. A boa mesmo é vender o nosso direito de escolha.”

Recorrer ao dinheiro para se fazer política, infelizmente, é muito comum em Valença e no Brasil. Mas, ao aceitarmos isso, não estamos matando o diálogo? Se assim for, apenas as excursões dos mais ricos (que possuem dinheiro para comprar votos) serão realizadas? Quando vendemos o nosso voto estamos vendendo o nosso direito. O nosso direito é igual ao saco de cimento, de um celular, de uma casa nova? A nossa opinião tem preço?

Já ao fim da aula combinava com a escolha da excursão. Dos 30 votos possíveis, eis os resultados:

1 pessoa queria usar a violência e pediu ao professor que passasse o filme do Jason na próxima aula;
5 pessoas acreditaram que o aluno enviado por Deus sabia das coisas;
6 pessoas venderam o seu voto
18 pessoas usaram o seu direito e escolheram livremente o melhor destino para a excursão.

E a árvore da democracia rendeu novos frutos.

Texto: O absurdo do ano. Clique aqui

Texto: Carta aberta sobre o projeto de pensão à viúva. Clique aqui

Proposta de Atividade

A partir da aula exposta, dos vídeos assistidos e dos textos lidos, sugerimos que os professores peçam aos alunos para que elaborem textos ou desenhos com o objetivo de mandar recados/sugestões/críticas aos nossos vereadores.
Se possível, dividam os alunos em grupos e trabalhem com cartolina. Uma cartolina para cada grupo de alunos. Terminado os trabalhos, tire uma foto da turma e envie para o e-mail do Valença em questão que nós publicaremos.

O blog do Valença em Questão agradece a participação.
E-mail: valencaemquestao@yahoo.com.br

Orientações aos professores:


Primeira parte:Transmissão do vídeo: “O que é política?”

Segunda parte: Leitura e discussão da aula: “A política em nosso cotidiano”

Terceira parte: Leitura do texto: “O Absurdo do ano” e “Carta Aberta”

Quarta Parte: Realização do trabalho: “Nossa mensagem aos senhores vereadores”

Quinta parte: Transmissão do vídeo: “O Analfabeto Político”

terça-feira, 13 de abril de 2010

A interferência política na Polícia Militar do Estado do RJ

Primeiro capitulo do livro do Coronel "Barbono" da PMERJ, Paulo Ricardo Paul, que conta como a máquina perversa do PMDB/RJ transformou o comando da Polícia Militar num dos maiores antros de conivência com a criminalidade do Rio de Janeiro.

"Esse blog contará em forma de narrativa a resistência de Oficiais contra a dominação política da Polícia Militar. A periodicidade dos artigos será semanal e neles serão contados todos os fatos marcantes dessa luta em defesa dos interesses públicos e institucionais contra os interesses dos políticos. Uma luta que a partir de 2007 teve como propagonistas o autor e o governador Sérgio Cabral (PMDB),que passou a persegui-lo profissionalmente, inclusive, o transferindo para a inatividade ex-offício." Cel. Paulo Ricardo Paul


"A interferência política na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro se iniciou há muito tempo, logo após a reabertura política, na década de oitenta.
Esse fenômeno só cresceu com o passar dos anos e dos governos civis, que cada vez mais desejavam controlar e direcionar as atividades das Instituições Policiais do Rio de Janeiro, segundo os seus interesses politiqueiros, embora as Polícias Militar e Civil, tivessem um parâmetro do qual não poderiam se afastar, em tese, a lei.

Na Polícia Militar, a crescente interferência teve o seu ápice no início do terceiro milênio, quando políticos buscaram transformar a interferência em uma completa dominação, a subserviência extrema, contando com o apoio de Oficiais da própria Polícia Militar, que estabeleciam uma relação de simbiose com esses políticos, entregando a Instituição e recebendo em troca promoções, gratificações e comandos.


Nos governos do PMDB dos anos 2000 esse processo foi claramente estabelecido e ganhou um novo componente destruidor, ou seja, o estabelecimento de relações entre políticos e Oficiais da PMERJ, que após serem nomeados para funções de comando pelos referidos políticos, contribuíam para transformar áreas de Unidades Operacionais em feudos políticos.


E, nessa simbiose, começaram a surgir graves denúncias no sentido de que esses comandantes facilitavam a proliferação de crimes na sua área de atuação, que resultava na arrecadação de “propinas” que sustentavam políticos e suas campanhas.


Verdadeiras ou mentirosas tais denúncias, o certo é que o “jogo dos bichos”, as máquinas caça-níqueis, o transporte alternativo clandestino, o tráfico de drogas ilícitas e as milícias prosperaram em muitas áreas de Unidades Operacionais.


As milícias que representam o modelo mais novo de criminalidade, demonstraram ser de grande importância na campanha eleitoral de 2006 e 2008, como o jornal O Globo demonstrou em histórica reportagem, onde ficou claro que a dominação de territórios por milicianos, transformava essas comunidades em autênticos currais eleitorais.


Diante desse quadro de terror – forças policiais dominadas por interesses políticos espúrios – eu e o Coronel de Polícia Hildebrando Quintas Esteves Ferreira levantamos a primeira bandeira contra essa dominação política, no ano de 2006, através de uma ação popular contra promoções políticas ao posto de Coronel de Polícia, feitas pela governadora Rosinha Garotinho (PMDB). Anos depois, perdemos a ação, porém, iniciamos uma resistência que deu origem a luta Cabral contra Paúl, um governador contra um Coronel de Polícia. (...)
" - - - Continua...

Carta Aberta à População do Estado do RJ

Nós, professores servidores do Estado do Rio de Janeiro, escrevemos esta carta aberta à população do Rio de Janeiro para mostrar aquilo que realmente envolve a incorporação da gratificação chamada Nova Escola e a diminuição do nosso plano de carreira.

A princípio, não foi dito o valor do salário bruto do professor estadual, que é de R$ 732,00 A população deve imaginar que recebemos alguma ajuda extra, como vale transporte, vale refeição, que qualquer empresa é obrigada a pagar a seu funcionário. Porém, não é isso o que acontece: não recebemos estes benefícios que são direitos de todo o trabalhador e ainda temos o desconto previdenciário de 11%, recebendo um salário líquido de aproximadamente R$ 650,00

O Governo faz propagandas na televisão dizendo que deu laptops para todo professor, mas na verdade, estes laptops (super faturados: 30 mil aparelhos comprados a R$ 1800, enquanto nas lojas UM sai por menos de R$1.200) foram adquiridos pelo sistema de comodato, ou seja, estes equipamentos são emprestados pelo governo que, quando bem entender, pode pedir os mesmos de volta. Atualmente, observamos a climatização das salas de aula, onde o Governo aluga os aparelhos e ainda terá um consumo absurdo de energia elétrica, gerando consumo de energia bastante elevado.

A incorporação do Nova Escola se dará até 2015, em 7 parcelas. O governador já se considera reeleito. Existem casos de professores que receberão, no ano que vem, segundo este projeto, um aumento de R$ 2,47! Isso mesmo, talvez não dê para pagar uma passagem com o valor deste aumento em 2010. Um outro ponto é o grande número de pedidos de exoneração de professores, estima-se que seja aproximadamente 30 por dia! Não existem condições de trabalho e isso nos incomoda.

Contudo, o que mais nos deixa indignados, é a carta compromisso enviada aos nossos lares onde o mesmo governador empenha sua palavra e agora se esquece de tudo aquilo que prometeu. As promessas são:

Promessa 1- Reposição das perdas dos últimos 10 anos.

Resultado- Reajuste de 4% e mais 8% de uma perda de mais de 70%.



Promessa 2- Manutenção do atual plano de carreira e inclusão dos professores de 40h.


Resultado- Não só manteve o professor 40h de fora do plano como tentou diminuir as diferenças entre níveis de 12% para 7,5%.



Promessa 3- Fim da política da gratificação Nova Escola e incorporação do valor da gratificação ao piso salarial.


Resultado- Esqueceu de avisar que seria em 7 anos e sem reposição da inflação.



Promessa 4- "A secretaria de Estado de Educação do meu governo terá como titular pessoa com histórico na área de educação e vínculos com o magistério."


Resultado- A atual titular da pasta é da área de computação, burocrata sem passagem pelo magistério.


Não somos ouvidos, e ainda vemos a imprensa nos virar as costas e distorcer a situação real. Somos pais e mães de família, que fizeram um curso superior, na esperança de um futuro melhor.

Contamos com a compreensão e a colaboração da população do Estado do Rio de Janeiro.

Vista a camisa da Educação, você pode não ser professor, seu filho e sua família podem não precisar da Educação Pública, mas a nossa sociedade só vai melhorar com Educação Pública de qualidade. Faça a sua parte, essa será uma verdadeira mudança na história da Educação no Estado do Rio de Janeiro, porém precisamos adequar a verdadeira realidade do magistério Estadual.

Mande para os seus contatos a vergonha que acontece no RJ e vamos mostrar a nossa força!!!!!!!

Agradecemos imensamente a atenção

Professores do Estado do Rio de Janeiro

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PSOL lança Plinio de Arruda à presidência.


O promotor público aposentado Plínio Arruda Sampaio, 79, foi eleito no final da tarde deste sábado como o pré-candidato do PSOL à Presidência da República nas eleições deste ano. Sampaio recebeu todos os votos dos 89 delegados presentes à 3a Conferência Eleitoral Nacional. A decisão unânime confirma as expectativas criadas após a declaração de apoio da maioria dos parlamentares do partido à pré-candidatura de Plínio e as manifestações prévias de voto de pelo menos 78 dos 162 delegados eleitos nas conferências estaduais.

O ex-deputado federal Babá, que também concorria à indicação, decidiu, no último momento, retirar sua candidatura e chamou seus apoiadores a votarem em Plínio. Martiniano Cavalcante e os delegados que votariam nele como representante do PSOL não compareceram ao evento e sua candidatura, portanto, foi considerada retirada.

Para Plínio, o debate socialista enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua história no Brasil, diante da sacralização da figura de Lula no conjunto da população. “O desafio é criar o consenso entre os excluídos e consciência política para enfrentar o capitalismo”, disse.

Entre os pontos que o PSOL deve defender na campanha, que pretende fazer o contraponto à falsa polarização entre PT e PSDB, estão: o fim do pagamento dos juros e a auditoria da dívida pública; a implementação de um verdadeiro programa de reforma agrária, incorporando o estabelecimento de um limite de 1000 hectares para as propriedades rurais; uma política de reforma urbana que tenha como base a desapropriação dos imóveis desocupados para especulação imobiliária no país; o combate à privatização das florestas, à transposição do Rio São Francisco, à construção da usina de Belo Monte e aos transgênicos; entre outros.

“Esta uma hora histórica. Somos contra o sistema, queremos transformar a realidade. Este é o nosso desafio nesta campanha: falar a verdade e plantar a semente do socialismo em nossa sociedade”, declarou Plínio.

Em relação às alianças para o processo eleitoral, Plínio defendeu a retomada da frente de esquerda, com PCB e PSTU, repetindo a coligação realizada em 2006.

50 anos de vida pública
Com mais de 50 anos de vida pública, Plínio Arruda Sampaio é bacharel em Direito pela USP e mestre em desenvolvimento econômico internacional pela Universidade de Cornell (EUA). Foi deputado federal por três vezes, tendo relatado o projeto de reforma agrária do governo João Goulart. Com o golpe, engrossou a primeira lista de cassados e foi para o exílio. À época, o cargo de promotor público que exercia desde 1954 também foi cassado – só sendo reconhecido novamente em 1984, quando foi anistiado e aposentado. Foi diretor de programas de desenvolvimento da FAO, órgão da ONU para agricultura e alimentação, trabalhando em todos os países da América Latina e Caribe. Um dos fundadores do PT, deputado federal constituinte e candidato a governador em 1990 e em 2006, já pelo PSOL. Atualmente é presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA).

domingo, 11 de abril de 2010

A qualidade jornalística da revista Veja



Edição de 18 de Fevereiro de 2010. A Veja falava sobre a chuva em São Paulo.




Edição de 14 de Abril de 2010. A Veja falando da chuva no Rio de Janeiro.

As eleições presidenciais de 2010 produzem incoerência nas revistas.

Entrevista com Afonso Diniz (candidato 2008)

Publicada na edição 34 do VQ impresso, segue abaixo a entrevista com o então candidato à prefeitura de Valença Afonso Diniz.

Início da vida política
Fui muito influenciado pelo Padre Argemiro no momento em que ele estava organizando os movimentos católicos de juventude da Igreja. A Igreja Católica, nessa época, tinha dois lados: o lado do padre Argemiro, mais ligado com os movimentos rurais, e a perspectiva do Padre Barreira, mais ligado aos proprietários de terras. Com o golpe militar de 1964, temos a desmobilização de todas essas organizações católicas. Existia até o boato de que o padre Argemiro fosse comunista, o que causava temor aos proprietários rurais.

Eu vi o padre Argemiro sendo preso várias vezes pela Ditadura. Com o fim da Ditadura, o padre Argemiro funda o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Depois de alguns anos no sindicato, eu vou pra cidade de Niterói durante a gestão do prefeito Sílvio Picanço onde tomo contato com a política partidária da esquerda. Em 1988 volto pra Valença e curso a faculdade de Direito e começo a advogar na Justiça do Trabalho.
Todas as minhas candidaturas vieram como uma tarefa do partido. A premissa da Comissão Nacional do Partido era que onde tivesse um diretório, o partido lançaria candidato a prefeito. O nosso partido sabe que não chegará ao poder através do voto. Temos que aproveitar o momento para levar para a sociedade as suas propostas e crescer dentro do município. O único partido limpo, que faz as coisas com seriedade é o PCB.

Se a proposta da candidatura é levar para a sociedade as propostas do partido, por que o senhor se recusou a participar do debate promovido pelo CONCIDADE?
Essa é a minha quinta eleição em Valença. Eu nunca deixei de participar de nenhum debate em todas essas eleições. No entanto, percebi que o debate do CONCIDADE era um palanque para a candidatura do Vicente Guedes. Ele só saiu do cargo de prefeito porque não poderia permanecer, ele não é cidadão valenciano.

Nesse sentido, se você participa do debate, você está aceitando uma pessoa que não é de Valença. Nós sabemos que esse candidato vem bancado pelo sistema (José Graciosa, Moreira Franco, Sérgio Cabral) baseado no uso do poder econômico, na politicagem que nós conhecemos. Isso é muito ruim pra sociedade valenciana e o PCB faz parte da sociedade valenciana.

O CONCIDADE também não faz parte da sociedade valenciana?
Sim, com certeza. Tanto é que fui lá explicar porquê não participaria. Se o Plano Diretor da cidade não é o melhor possível, sei da dificuldade de se fazer um Plano Diretor em nossa cidade. A grande questão é saber se a sociedade valenciana quer esse candidato bancado por todo esse sistema. Eu acredito que não participar do debate foi um ato certo porque, se não fosse isso, nunca o Jornal Local, que é um jornal que tem uma credibilidade, iria falar das propostas do PCB para Valença. Pra efeito de campanha, a nossa candidatura se beneficiou com a minha não participação no debate.

Sobre seu programa de governo
A principal questão de nossa cidade é o desenvolvimento, já que a miséria está crescendo a olhos vistos. Valença não tem necessidade de ter população de rua. Para se ter desenvolvimento é necessário: melhores estradas e uma política que não deixe o dinheiro sair de Valença. Tanto a Normandy quanto a Viação Barra do Piraí não emplacam seus ônibus aqui em Valença, ou seja, nem o IPVA delas ficam aqui em Valença. Mesma coisa com os supermercados e as grandes lojas. Elas deixam de circular o dinheiro em nossa cidade.
A nossa cidade hoje sobrevive através do pagamento da Faculdade Dom André Arcoverde, dos salários dos aposentados e do pagamento da Prefeitura. A privatização da água e do lixo são exemplos de como o dinheiro público não fica na nossa cidade.

Qual seria a proposta para manter o dinheiro em nossa cidade?
Nós começaríamos com a questão do transporte. Vamos discutir junto com a sociedade e com a empresa o estabelecimento de um preço justo, abaixo do que é praticado hoje em dia. Vamos criar as linhas rodoviárias rurais onde a prefeitura vai subsidiar o custo da passagem. É bom que se comente o abandono que se encontra o meio rural em Valença. A prefeitura vai abrir essas novas linhas.

Transporte de estudantes
Nosso governo vai partir da premissa do aluno passar o dia inteiro na escola. O transporte escolar é uma obrigação da prefeitura. Eu reitero, no meu governo, a gratuidade do transporte para alunos e para os idosos.

Pensando nas escolas em horário integral, teremos uma demanda de novas escolas, aumento dos gastos e do número de profissionais do ensino no município. Como será essa contratação?
No meu governo só vai ter funcionário aprovado em concurso público. Em relação aos funcionários contratados, temos que sentar com eles para ver uma solução. Não podemos eliminá-los, pois todos nós sabemos que eles contam com esse dinheiro no final do mês. Teríamos que ver quantos contratados estão trabalhando na prefeitura atualmente, a qual firma eles pertencem. O que não vamos fazer é colocá-los na rua.

Salário dos professores
Vamos ter uma gestão conjunta com o Sindicato dos Professores. Nosso partido tem como objetivo o fortalecimento dos sindicatos. Nosso governo vai buscar recursos junto à Brasília para aumentar o salário dos professores. Queremos também o funcionamento das creches 24 horas por dia. Vocês sabem que os nossos governantes não querem a instrução do povo, eles fabricam a miséria para se beneficiar com isso.

A declaração de bens que o senhor entregou ao Tribunal Regional Eleitoral constando o patrimônio de um carro do ano de 1982 no valor de 200 reais é procedente?
O que consta no site do Tribunal Regional Eleitoral é a pura verdade. Viver como advogado numa cidade como Valença não é coisa fácil. Como estou na justiça do trabalho, o prazo médio para uma audiência é cerca de um ano e meio. Dando o exemplo do meu filho, que faz graduação em Direito na UFRJ. Isso consome uma despesa enorme o que dificulta a criação de um patrimônio.

Teria algum tipo de restrição ao recebimento de apoio de empresas?
Nos não aceitaríamos as contribuições de empresas que tenham pretensões de favorecimentos após as eleições. Na eleição passada nós já havíamos recusado a contribuição da Cia. da Água para a nossa campanha. Preferimos manter uma campanha modesta do que aceitar contribuições desse tipo de empresa.

Ganhando a eleição, como compor a máquina pública?
No dia seguinte da eleição estaremos sentando junto com a direção estadual e nacional do PCB para compor os quadros da administração municipal. Existem dois partidos que seriam chamados para compor o governo: o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). A aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT) é uma questão a ser discutida. Devemos observar também que existem pessoas muito gabaritadas, mas que não estão filiadas a nenhum partido político.

A questão habitacional em Valença
Eu acho que não existe um percentual especificado, no orçamento de Valença, para investir em política habitacional. Nosso projeto consiste na construção de casas populares no centro da cidade. Isso possibilita que a prefeitura não gaste dinheiro com a infra-estrutura interna: captação de água e rede elétrica. A prefeitura vai gastar dinheiro com a desapropriação do terreno material e mão de obra.

Temos que puxar o assentamento da Varginha para essas novas habitações. É claro que, se tiver recursos orçamentários, nós vamos aumentar o número de casas na Varginha. Não só isso como aumentar o número de alunos na escola e melhorar a infra-estrutura do local.

Qual o projeto político para as juventudes?
Vamos estimular programas de inclusão digital para os jovens. Temos que diversificar mais os gostos musicais dos jovens através de dias dedicados a um determinado estilo de música. A rua dos mineiros é um ótimo ponto para intervenções culturais

“Nós, alunos do Colégio Marieta Lopes Ielpo, localizado no bairro de João Bonito, observamos os seguintes problemas no loteamento Santa Lúcia: falta de calçamento, falta de iluminação pública, falta de capeamento, falta de coleta seletiva. Perguntamos ao candidato, se eleito, quais serão as providências a serem tomadas sobre as questões relatadas” *
Esse loteamento citado é totalmente irregular. A prefeitura vai buscar junto ao proprietário para que ele faça aquilo que é sua obrigação: calçamento, praças. O que não pode é a população sair de casa e voltar com pés sujos de barro. É nossa intenção que o transporte público rode no bairro. Vamos também resolver a questão da iluminação através de diálogo com a Light. A coleta seletiva de lixo é uma obrigação da prefeitura frente a todos os problemas com o meio ambiente que assistimos pela televisão. O serviço de lixo não será privatizado, ficará a cargo da prefeitura. Eu queria deixar uma mensagem pros alunos da Marieta que conversem mais com os pais já que o futuro é de vocês. Não fiquem desanimados com os picaretas da política e procurem o melhor candidato.

*pergunta enviada pelos alunos do nono ano do Colégio Marieta Lopes Ielpo.

sábado, 10 de abril de 2010

Mestrado em Medicina

A FAA firmou parceria com o Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) que permitirá a implantação do curso de mestrado em Saúde Coletiva.

O curso, que se concentrará no estudo da relação causa-efeito das doenças regularmente encontradas em regiões, localidades ou grupos (epidemiologia), será direcionado aos professores da FAA e aos profissionais da rede municipal de saúde.

O curso terá a coordenação conjunta entre a FAA e a UERJ, estando à frente dos trabalhos o professor Paulo Nadanovsky, doutor pela Universidade de Londres, e a professora Verônica Clemente Villar Martins, doutora pela UERJ. A previsão para início do curso é agosto de 2010.

Fonte: sítio do jornal Local

Sergio Cabral expulsa blogueiro: "só imprensa oficial"

Funk Filosófico!

Pra você que tem vergonha de gostar de FUNK:


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pra quê Cinema?!?




Texto: Ricardo Gama.

Ontem presenciamos no Rio de Janeiro provavelmente o primeiro homicídio através de bomba ou explosivo, acionado através de tempo, ou controle remoto. As "investigações" irão apurar, obviamente preservando a imagem do desgoverno do Sérgio Cabral.

Sérgio Cabral, o demagogo chefe, com os seus subordinados, também outros demagogos: Secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame e o Comandante Geral da PM Mário Sérgio, apóiam e investem nas UPP's - Unidade de Polícia Pacificadora, e dizem que enfrentam o tráfico e a milícia.

Uma pergunta: e o jogo do bicho? Aqueles homens, muitas das vezes, senhores de idade que ficam sentados naquelas cadeirinhas, em cada esquina do Rio de Janeiro, com um bloquinho, apontando o jogo do bicho, por que os Três Demagogos não reprimem ?

Salvo engano, o Jogo do Bicho ainda é ilegal !

E, ao que parece, além de ilegal, ultra perigoso... até carros com bombas estão sendo explodidos !

Acabo de ler na imprensa as seguintes palavras do Sr. Beltrame, o demagogo secretário:

Esses policiais (que faziam segurança para o Rogério de Andrade) estão presos para que a gente possa investigar que tipo de relacionamento eles têm nesse caso. Quem trabalha para criminoso, criminoso é

Senhores Três Demagogos, prender policiais militares, todos praças com certeza, é muito fácil, mais fácil ainda expor todos eles a imprensa e demiti-los.

E os Oficiais da PM, será, Senhores Três Demagogos, que não existe nenhum Oficial da PM por trás da segurança dos bicheiros ?

Vai se investigar se existem Oficiais da PM por trás dos bicheiros ?

Existe uma lenda que diz que Comandante de Batalhão da PM que se julga honesto, costuma bater no peito e dizer:

"Eu sou honesto, só levo o dinheiro do Jogo do Bicho!"

Senhores Três Demagogos, se são valentes e corajosos para prender policiais militares (praças), que fazem segurança para bicheiro, por que não reprimem e acabam com o jogo do bicho, prendendo todos os apontadores ?

Uma idéia, por que não se faz como o Eduardo Paes, e se cria um "choque de ordem", e saem com vans pelo Rio de Janeiro prendendo e apreendendo todos os apontadores, cadeirinhas, bloquinhos e canetas ?

E depois quem sabe, não fazem o mesmo com as maquininhas (caça-niqueis) que funcionam ainda normalmente em todo o Rio de Janeiro, muitas das vezes em bares em frente a delegacias?

Enquanto os Três Demagogos não fazem nada, vamos presenciando cenas no Rio de Janeiro que víamos apenas nos filmes de holywood.

Reprodução da matéria do Jornal O Dia on line, clique aqui e veja na íntegra.

Convocação para o Estado 2010: História, Filosofia, Sociologia e Geografia.

Clique aqui e seja feliz

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tragédia em Niterói

Nota de esclarecimento

Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público. A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas. As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.

Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.

Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.

Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.

Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.

Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.

Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói

Associação de Moradores do Morro do Estado

Associação de Moradores do Morro da Chácara

SINDSPREV/RJ

SEPE – Niterói

SINTUFF

DCE-UFF

Mandato do vereador Renatinho (PSOL)

Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)

Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK)

Movimento Direito pra Quem

Coletivo do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares