Abaixo, texto publicado na edição número 29 do VQ, em abril de 2008, de autoria de Francisco Lima, advogado e integrante do MST.
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Desde o dia 13 de maio de 2004 em poder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), a Fazenda Vargas foi leiloada no dia 13 de fevereiro de 2008. Por incompetência e inoperância do Incra-RJ (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o acordo celebrado em julho do ano passado não foi levado a efeito. À época, por articulação política do MST, ficou acordado em Brasília, com representantes do INSS ((Instituto Nacional de Seguridade Social) e INCRA que a fazenda seria comprada para fins de Reforma Agrária. Os R$340.000,00, valor da venda em leilão da fazenda, foi considerado pelo próprio presidente do Incra como “dinheiro de cafezinho”.
O processo de reintegração de posse foi suspenso para que o Incra desse encaminhamento nas questões burocráticas do processo de cessão da fazenda para fins de reforma agrária. Porém, o Incra-RJ não atentou para o fato de que o processo estaria suspenso por apenas 90 dias, prazo suficiente para dar os encaminhamentos necessários. Terminado o prazo sem que o Incra tivesse se manifestado, nem mesmo para requerer novo prazo, a fazenda foi a leilão. Vale destacar que o Incra não pôde nem participar do leilão, já que o dinheiro de “cafezinho”, por questões legais, já havia sido devolvido pelo Incra aos cofres do Tesouro. Como o Congresso Nacional ainda não havia provado o orçamento de 2008, ficou o Incra-RJ sem condições de participar do leilão.
Porque a burocracia federal do Incra, responsável pelo processo de reforma agrária, deveria se preocupar em assentar 12 famílias sem terra? Afinal, ela está dentro de uma estrutura profundamente controlada pelos banqueiros e grandes empresários da cidade e do campo, responsáveis por astronômicos e imorais lucros obtidos à custa do povo trabalhador. Com isso deixou que a fazenda fosse comprada pelo senhor Rafael Ferreira Matos, que muito provavelmente está muito mais preocupado em engordar seus polpudos lucros. Apropriou-se com dinheiro de “cafezinho” da fazenda ocupada por famílias sem terra que buscavam dignidade produzindo alimentos que eram vendidos nas feiras de nossa cidade.
Uma vez mais venceram, aparentemente, os operadores de esquemas públicos e privados, que não faltaram no desenrolar de todo o processo. Mais uma vez venceu o capital em detrimento do pão, da terra, do trabalho, da dignidade, da liberdade e da paz, elementos fundamentais à sobrevivência humana, porém impossíveis de serem alcançados plenamente nos marcos da sociedade capitalista. Só não conseguiram vencer o sonho socialista que tremula nas bandeiras vermelhas e nas mentes das famílias sem terra, que se renova e se fortalece na continuidade da luta, muito embora tão acostumadas às derrotas, como qualquer pessoa do povo trabalhador brasileiro.
A ocupação Manuel Congo está viva, pronta para empunhar suas foices!!!




A Barril 39, cachaça produzida em Valença, estará, entre os dias 26 e 30 de novembro participando da V Feira Nacional da Agricultura Familiar, que acontece no Rio de Janeiro. A Feira faz parte do evento Brasil Rural Contemporâneo e é a maior exposição e venda de produtos da agricultura familiar brasileira. Lá estarão expostos produtos e materiais de mais de 4 milhões de propriedades - produtoras de 70% dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros.
Ao todo estarão presentes no evento 550 grupos de produtores, que vão expor e comercializar seus produtos em 480 estandes que ocupam 25 mil metros quadrados, espalhados pela Marina da Glória, no Rio. A Barril 39 estará na Praça da Cachaça e convida a todos para um brinde. 

Tão logo se proclamou a República, há mais de 100 anos, surgiu no Brasil uma classe média e uma burguesia negra muito viçosas. Machado de Assis, por exemplo, destacou-se como escritor; Francisco de Paula, como editor. Lima Barreto, talentoso e questionador, não teve a mesma sorte...

MC Leonardo, em apresentação durante o III Encontro de Comunicação Comunitária,
realizado na UFRJ (Foto: Ratão Diniz/Imagens do Povo)
Manifestação cultural da periferia
A popularização do ritmo, no entanto, trouxe consigo algumas mudanças. Como é comum acontecer com as manifestações culturais populares, setores das indústrias da cultura, sobretudo a fonográfica, perceberam o potencial mercadológico da música e a incorporaram entre seus produtos. Esse processo acaba por dar visibilidade a poucos artistas, além de ditar parâmetros para a produção, a partir de critérios midiáticos e de mercado.
MC Leonardo, cantor e compositor de funks, afirma que, desse modo, uma parcela específica de artistas e composições são privilegiados, em detrimento de outros tantos. “É preciso divulgar os trabalhos dos artistas que não estão se enquadrando no mercado apelativo”. Sobre esta questão, o manifesto do Movimento Funk é Cultura, ressalta que “sob o comando monopolizado de poucos empresários, a indústria funkeira tem uma dinâmica que suprime a diversidade das composições, estabelecendo uma espécie de censura no que diz respeito aos temas das músicas”.
MC Leonardo é um dos fundadores do Movimento que surgiu recentemente no Rio de Janeiro, procurando reunir artistas do gênero e fortalecer o funk enquanto manifestação cultural. Para os integrantes do Movimento, o gênero é hoje uma das maiores manifestações culturais de massa do país e “está diretamente relacionado aos estilos de vida e experiências da juventude de periferias e favelas”, afirmam em seu manifesto.
Representação do funk na mídia
Os participantes da iniciativa têm buscado, a partir da mobilização de artistas, levar adiante a criação da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (APAFunk). Leonardo explica que a idéia da Associação surgiu da constatação da importância de se organizar para fortalecer o movimento. “Somente juntos poderemos lutar pra que o funk tenha papel social dentro das favelas, pois hoje é inviável desenvolver esse papel no mercado”, afirma o MC. A professora Adriana Facina, uma das idealizadoras do movimento, completa, afirmando que a APAFunk tem um papel fundamental na busca por “produzir espaços alternativos para a divulgação de uma produção musical que não encontra, hoje, lugar no mercado”.
Além de buscar divulgar o funk que está à margem da indústria da música e da mídia, a Associação também terá o papel de apoiar os artistas na garantia de seus direitos, oferecendo assessoria jurídica e de imprensa. Segundo Adriana, está última é importante porque notícias que associam o funk ao crime são freqüentes. “Se um jovem de classe média é assassinado na saída de uma boate da zona sul carioca ou de uma micareta, a imprensa não vai associar sua morte ao tipo de música que estava tocando nesses lugares”, afirma a professora.
O grupo do Movimento Funk é Cultura está reunindo recursos e construindo parcerias para legalizar a associação. Mas segundo seus integrantes, ela já existe de fato, principalmente por conta das rodas de funk que vêm organizando periodicamente e do festival que acontecerá em novembro. Adriana alerta que no dia 19 de novembro, haverá uma roda organizada pelo grupo, juntamente com o professor Samuel Araújo, na Escola de Música da UFRJ, em comemoração ao dia da consciência negra. “Já são milhares de pessoas que freqüentam nossas rodas, se emocionam. Gente de classes sociais diversas, de faixa etárias que vão de 0 a 80 anos, homens e mulheres, comprovando o potencial comunicativo que o funk tem”, conclui.
Funk na lei
Ainda na busca por afirmar o ritmo como expressão cultural, o Movimento buscou apoio na esfera legislativa do Estado. Foram encaminhados dois projetos de lei, um na Assembléia Legislativa e outro na Câmara dos Deputados, elaborados pelos deputados Marcelo Freixo e Chico Alencar, respectivamente, que reconhecem o funk como manifestação cultural de caráter popular. Se aprovadas, as leis também garantirão que o gênero não poderá ser tratado de forma discriminatória. Adriana Facina ressalta que essa questão é relevante para que artistas e público possam “confrontar comandantes de batalhões e outros agentes privados ou do estado que impeçam a realização de bailes e festejos do funk”.
O que se vê é que, mesmo com seu sucesso e alcance, o gênero - e principalmente seus artistas - ainda são tratados com discrimação. A associação com o crime é apenas uma das formas de manifestar o preconceito. Há ainda quem afirme que a batida não pode ser considerada música ou que é apenas a expressão do vazio cultural que emana das periferias. Aos críticos, Adriana, que é professora da faculdade de história da UFF, responde, lembrando que “o gosto é uma construção histórica e de classe. Os que hoje se ofendem com a batida do funk são herdeiros culturais dos senhores de escravos que temiam os batuques vindos de suas senzalas, pois eles demonstravam a autonomia e a potência dos que estavam no cativeiro”. MC Leonardo faz coro à professora e conclui: “ver o funk como lixo cultural, é ir na contra-mão da história”.
Leia o Manifesto do Movimento Funk é Cultura
Leia o projeto de lei do Deputado Chico Alencar
Links interessantes
http://www.oicult.blogspot.com/
http://www.funkderaiz.com.br/
Segue a letra da nova canção do baiano, na qual ele entra de cabeça na atmosfera sexual que transpira dos pancadões:
Inicia-se a segunda etapa da Revolução Russa
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Comecei minha vida de engenharia agora. Conversando com os mais antigos, perguntei como faziam antes do excel, MS Project etc para preparar cálculos, análises, previsões, estimativas etc.
Eles utilizavam o trabalho braçal: folhas de cálculo imensas, calculadoras, lápis, réguas e horas imensas no final do mês para fechar tudo (o famoso fechado para balanço). Conseqüentemente, o trabalho era mais demorado.
Agora, com computadores e programas de alta produtividade, o que essa galera fazia em 3 meses, fazem em menos de um.
Mas é aí que bato de frente com este texto do administrador João Luiz Mauad (publicado no Globo de 30/7/2008 e reproduzido aqui nos comentários deste tópico): apesar de serem mais "produtivos" , os caras estão cada vez mais malucos com a quantidade de coisas que têm que fazer. Sabe por quê? Porque não existe nada mais importante no mundo para as empresas do que o lucro (o que é legítimo até certo ponto). Mas a lógica é apenas a seguinte: já que o cara é eficiente, taca trabalho nele, pra produzir mais, mais, mais, a um custo para o empresário cada vez menor.
O progresso, para muitos, é apenas dinheiro gerado. Esquecem da qualidade de vida, da emancipação humana. Como um cidadão que acorda às 04:30h da manhã em Nova Iguaçu para chegar ao Rio às 07:00h e sair do trabalho às 19h e chegar em casa só às 21:30h, vai poder pensar em estudar mais, curtir a família, cuidar da saúde, freqüentar aparelhos culturais. Querem que tenhamos vida apenas em finais de semana. Eu não concordo com isso.
Marx prova, por a + b, que o lucro não surge do nada, ele surge da força de trabalho (vide a última charge que o Fael mandou - em anexo). Então, não concordo com este texto.
A redução da jornada de trabalho é boa para os trabalhores, ruim para os gananciosos. Se quisermos viver num mundo decente, temos que repensar nossa produção - a quantidade do que é produzido, como é produzido e por quem é produzido. Progresso é muito maior do que aumento de PIB e lucro para as empresas.
* Adaptação do email do engenheiro e carnavalesco valenciano C. A. Fernandes de Oliveira.
A sociedade capitalista não é formada por “cidadãos” iguais entre si. De um lado estão os trabalhadores explorados. De outro os exploradores: banqueiros, multinacionais, grandes empresas.